O Blender 3D foi usado para mais um projeto de nível profissional, mas agora aqui no Brasil. Você já deve ter ouvido falar sobre a virada cultural, um evento realizado em São Paulo que reúne uma série de shows e outras atrações. Mas, o que isso tem haver com computação gráfica? Bem, para fazer a divulgação do evento e informar ao público os locais em que o evento iria acontecer, foi desenvolvido um web site com um mapa virtual do centro de São Paulo, todo feito no Blender 3D por uma empresa chamada Gamion.

Para conferir o web site oficial da Virada Cultural, visite esse endereço e a animação interativa que permite navegar pelo centro de São Paulo, visite o web site da Gamion. A animação pode ser encontrada no site da Virada Cultural também.

Mas como eles fizeram isso? Eles usaram o Blender mesmo?

Para tirar essas dúvidas e conhecer um pouco mais o trabalho da Gamion, entrei em contato com o Rodrigo Queiroz, um dos artistas responsáveis pelo projeto. Acabei fazendo uma entrevista com ele e púbico aqui na integra o texto! Antes de começar, quero agradecer ao Rodrigo pela entrevista e parabenizar pelo ótimo resultado no projeto.

Agora a entrevista:

1. – Como é o trabalho da Gamion? Fale-nos um pouco mais da empresa e da sua relação com o mercado de computação gráfica.

A Gamion começou desenvolvendo modificações para jogos em 2002. Na ocasião utilizávamos Hammer e UnrealED, gerando conteúdos para CounterStrike e Unreal. Hoje desenvolvemos jogos, animações 3D e estamos em fase de desenvolvimento de uma linha de simuladores 3D. Também realizamos cursos relacionados as tecnologias 3D, já tendo feito alguns trabalhos em unidades do Sesc, Senai e Senac.

2. – Quais são os softwares usados para a maioria dos trabalhos? Vocês usam algum software livre no ambiente de produção?

Nossas produções 3D são criadas principalmente em Blender, seja para animações ou para conteúdo de jogos. Como engine utilizamos o Ogre. Para tratamento de imagens recorremos a família Adobe.

3. – Em que momento vocês começaram a usar o Blender 3D? Como ele se relaciona com os outros softwares usados na Gamion?

Em janeiro de 2004, fizemos nossa primeira oficina de conteúdos 3D no Sesc Campinas, na ocasião um aluno comentou sobre o Blender, na mesma semana começamos nossos estudos nele, pois de cara sentimos o potencial do Blender como ferramenta e como idéia de negócio. Hoje o Blender faz parte de 90% de nossas produções e os 10% que sobram nós tentamos também incluir algo relacionado ao Blender.

4. – Foi fácil começar a usar o Blender? Quais foram os desafios de adotar o Blender como ferramenta 3D?

Como nossa experiência era praticamente de editores de mapas e também não tínhamos os vícios de uso de programas como 3D Max e Maya, não foi difícil se adaptar a filosofia de trabalho do Blender.

No princípio nosso interesse maior era desenvolver jogos utilizando o engine do Blender. Em 2005, desenvolvemos um dos jogos vencedores do concurso Jogos BR, promovido pelo Ministério da Cultura. A experiência foi boa para conhecer ainda mais o Blender, mas o produto final ficou muito aquém do que queríamos, pois nessa época o engine tinha muitas limitações, por exemplo na parte visual não realizava “Bake” e na parte lógica do jogo não era possível transmitir informações de uma cena para outra; exemplificando o caso, imagine um jogo de tiro que quando você muda de cenário toda sua munição e saúde voltam ao ponto inicial, não carregando o status do final da cena anterior. Com essas limitações muito do game design se perde. Por isso após esta experiência começamos a buscar outras opções de engine.

Como comentei não foi difícil se adaptar a filosofia de trabalho, mas foi muito difícil chegar a prática de trabalho, principalmente como tirar o maior proveito de todas as ferramentas que o Blender tem. Pensando em render, foram alguns meses testando e testando opções para aprender como configurar melhor os materiais e as luzes para atingir o efeito de cena pretendido.

Mas em 3D, por mais que você saiba, cada projeto é um desafio novo, como novas técnicas a serem aprendidas.

5. – Fale-nos um pouco mais sobre a visualização de São Paulo, para a Virada Cultural. Quanto tempo levou para realizar? Quantas pessoas trabalharam no projeto? Só o Blender foi utilizado?

No projeto da Virada Cultural, trabalhamos em 3 pessoas: 2 realizando as modelagens e renders, e 1 cuidando do código em Flash. O trabalho de modelagem e render durou uns 15 dias, a parte de Flash tomou mais tempo, pois pouco sabíamos do Flash mais avançado. No final entregamos o trabalho em 30 dias, pois o pessoal da prefeitura também quis utilizar os desenhos de 3D nos banners e folhetos da utilizados na Virada, assim tivemos um trabalho extra de render, na etapa final tivemos que renderizar formatos de 2,0×1,5m a 200dpi, isso deu uma canseira!

Imagem gentilmente cedida pelo Rodrigo da Gamion

Todo o 3D fizemos no Blender, renderizando com Blender Internal, utilizando a opção Ambient Occlusion para dar mais profundidade a cena; para dar um traço desenho usamos o render edge, fazendo controle do Blur do traço por meio do Compositor, e por fim, pelo Sequencer Editor colocamos o efeito de Glow.

6. – Qual conselho você daria para as pessoas que estão começando a usar o Blender, como ferramenta para trabalhos profissionais?

Para quem está começando aconselho explorar os efeitos possíveis de render utilizando o Compositor, pois esta ferramenta garante efeitos finais que podem diferenciar muito o trabalho final.

Considerando a realidade de nosso mercado de 3D, acho que Blender tem ferramentas suficientes para execução de qualquer trabalho, para qualquer tipo de mídia, gerando produtos finais com grande qualidade.

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