Renderizando imagens no Linux com LuxRender e Indigo

Sempre que converso com algum artista interessado em usar o Blender 3D para modelagem e animação, o mesmo fica curioso sobre o uso do Blender em ambientes Linux. Será que funciona mesmo? Essa é uma dúvida comum, e a grande maioria dos artistas 3d iniciantes são oriundos de uma cultura que usa apenas Windows e não conseguem se imaginar usando outra ferramenta. Como não existem versões para Linux de renderizadores famosos como o V-Ray e Mental Ray, a maioria acha que é necessário usar Windows para trabalhar. Isso não é verdade e para provar que é possível trabalhar muito bem produzir imagens foto realísticas com Linux, resolvi escrever esse artigo.

Na verdade é uma visão geral de como instalar e usar o LuxRender e o Indigo no Linux. Hoje ambas as ferramentas tem versões nativas para Linux. Com o LuxRender é mais simples, ele é de código aberto, então precisamos apenas fazer o download do código fonte do software e compilar a versão mais recente.

Sei que para muita gente isso é grego, mas é apenas um exemplo do que se pode fazer. Se você já usou alguma vez o prompt de comando do Windows, consegue fazer o mesmo no Linux. Tudo que é necessário para isso é uma seqüência de comandos que podem ser encontrados aqui. Você nem precisa entender o que cada um faz, é só copiar e colar.

Depois da compilação concluída, você terá uma versão otimizada do LuxRender para o seu sistema. Agora é só instalar o LuxBlender na pasta de plugins do Blender e renderizar.

Para esse teste, criei uma cena bem simples, para testar a iluminação com o Physical Sky do LuxRender e Indigo. O Linux usado é o Ubuntu 8.04.

Depois que o modelo está pronto, agora é só acionar o LuxRender e esperar pelo resultado final.

E o Indigo? Para usar o Indigo no Linux, temos duas opções. Esperamos que o Nicholas Chapman, o desenvolvedor do Indigo publique versões nativas para o Linux, ou precisaremos usar o Wine, que é um software que emula o ambiente Windows no Linux. Emula como? Com ele podemos “simular” o ambiente do Windows dentro do Linux, para usar softwares que não estariam disponíveis de maneira nativa no Linux.

Por exemplo, podemos instalar o SketchUp no Ubuntu com o Wine.

O Indigo tem uma versão nativa para Linux, a 1.0.9 que não é a versão mais recente. Como o Indigo não é de código aberto, não podemos fazer o download do código fonte como no LuxRender.

Mas, podemos fazer uma instalação no Wine. Veja como funciona.

Quando você instala o Wine, ele cria um ambiente semelhante ao Windows em uma pasta especial dele. Veja na imagem que temos um diretório chamado “Arquivos de programas” e “Windows”. Você deve extrair o Indigo para uma pasta dentro do Wine para que ele possa funcionar.

Pronto? Agora é só usar o Blendigo, certo? Ainda precisamos fazer uma pequena alteração para que o Blendigo possa funcionar. O truque é bem simples, você precisa copiar ou criar um arquivo de texto chamado “IndigoWrapper.conf”, que deve apresentar o caminho para o executável do Indigo. Nesse caso eu configurei o meu arquivo para a pasta do Wine que contém o Indigo. Esse arquivo deve ser posicionado na pasta “bpydata” no diretório de Scripts do Blender 3D.

Pronto! Agora é só abrir o Blender 3D e usar o Blendigo normalmente. Veja a imagem abaixo em que o Indigo foi acionado de maneira automática com o uso do Blendigo.

Qual o meu objetivo com esse artigo? Mostrar que é possível sim trabalhar com Linux e produzir imagens realistas. Não vou dizer para você sair correndo e formatar o seu computador, mas deixar você curioso para tentar usar em um futuro próximo o Blender 3D em ambiente Linux. Quer ler o depoimento de um artista que antes só usava o Blender 3D no Windows e está impressionado com o ganho de performance no Linux? Leia esse artigo, em que Roland Hess comenta as agradáveis surpresas em migrar para Linux.

Ainda não tive tempo, mas em breve pretendo testar o Maxwell Render no Linux também, eles tem uma versão nativa para Linux.

Publicado por

Allan Brito

Arquiteto que trocou as construções baseadas em tijolos pelas que utilizam pixels! Sim, os pixels também precisam ser devidamente construídos, e quem melhor do que um arquiteto para planejar construções?

4 comentários sobre “Renderizando imagens no Linux com LuxRender e Indigo”

  1. Artigo ótimo pra esclarecer quem ainda tinha dúvidas a respeito. Eu já tenho os dois renders instalados aqui e uso o Ubuntu + Blender pouco mais de 2 anos, e sem dúvida o rendimento é melhor. a única coisa chata no indigo, é que não consigo fazer funcionar o material preview matDB, mas uma hora eu consigo hehehe.

  2. Minha pasta bpydata não me dá permissão de criar documentos ou copiar para lá. como faço então ?

  3. Você é o administrador do computador? Em que local o Blender está instalado?

    Basta mudar as permissões da pasta, faz isso pelo console usando o comando SUDO antes.

  4. E o windows , como configur o a IndigoWrapper??

    tem 1 mes que estou tentando fazer isso mas todos os artigos da net estão em ingles.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *