Allan Brito

Migrando dos tijolos para os pixels!

Archive for March, 2009


O Blender 3D até pouco tempo atrás, ficava de fora das relações de softwares usados para criar modelos e renderizações realistas. Pelo simples fato de não existirem muitos artistas, que usavam o software e submetiam suas criações para comunidades de usuários e artistas 3d como a CG Society ou Evermotion. Essa última comunidade, sempre foi dedicada à promoção do 3ds Max e do V-Ray como plataformas para renderização de cenas realistas para visualização arquitetônica. Mas, com o crescimento do Blender 3D como ferramenta, as coisas estão mudando rapidamente.

Para exemplificar como é possível encontrar trabalhos de qualidade como o Blender, sendo exibidos em várias comunidades de artistas 3d, visite esse endereço que leva até um making of para a imagem que ilustra esse artigo. A imagem foi totalmente produzida e renderizada com o Blender 3D, usando apenas o seu renderizador interno. Nenhum tipo de artifício ou render externo foi usado para ajudar na sensação de realismo.

blender3d-imagem-realista

A imagem se chama “15 minutos de glória”, em que o ratinho tenta aparecer sobre um palco para ter seus breves 15 minutos de fama.

O artigo que descreve o processo de criação dessa imagem não é muito detalhado, mas apresenta algumas dicas interessantes e mostra como o autor usou de maneira inteligente, as ferramentas certas do Blender para conseguir finalizar o projeto. A parte de modelagem foi praticamente toda realizada usando modelagem poligonal, tanto para o microfone como para o rato 3d.

Uma das partes mais detalhadas do artigo fala sobre a criação do material que simula os pêlos do rato. A mistura e composição do material que dá realismo ao personagem é uma mistura de textura com materiais procedurais.

Agora, o segredo mesmo para a sensação de realismo na imagem é o sistema de iluminação, em conjunto com a organização dos nós na página. Na última página do making of, podemos conferir o esquema completo de iluminação usado pelo artista, que trabalha com a velha e boa organização de luzes com base em cor e intensidade, conhecido por muitos como fakeosity. A habilidade artística para iluminar uma cena é fundamental nesses casos.

Depois ainda é possível conferir a configuração dos nós, usados para fazer a pós-produção da imagem. Mesmo não sendo um tutorial detalhado, só o fato do Blender 3D ser usado para criar esse tipo de imagem, já mostra uma evolução em termos de aceitação na comunidade de artistas 3d.

Quero agradecer ao leitor José Eduardo, pela dica enviada pelo formulário de contato.

Mar
27

Se você está acompanhando o blog nas últimas semanas, deve lembrar que o 3ds Max 2010 teve como destaque a incorporação de um poderoso plugin de modelagem poligonal, chamado de Polyboost. Esse plugin era comercializado como uma plataforma auxiliar para os artistas que usavam o 3ds Max, até a versão 2009. Agora, a Autodesk comprou os direitos sobre o software e o adicionou como sendo uma das novidades da versão 2010. Para quem nunca ouviu falar do Polyboost, o vídeo de demonstração abaixo mostra vários exemplos das suas ferramentas em ação, já com o novo nome atribuído pela Autodesk. Agora ele se chama “Graphite Modeling Tools“.

No vídeo é possível perceber que algumas das opções e ferramentas ao realmente novidade no ambiente de modelagem do 3ds Max. Entre as opções que mais chamam a atenção, principalmente para artistas 3d acostumados com outras ferramentas, é o conjunto de seleção de arestas.

Todos que trabalham com modelagem, sabem que a parte de seleção de objetos é fundamental para acelerar o processo de criação. Caso o software não tenha um conjunto razoavelmente flexível e poderoso de seleção, o artista vai perder muito tempo precisando editar manualmente a seleção. Nesse ponto o Graphite Modeling Tools apresenta uma gama de opções para selecionar arestas, usando os próprios loops ou intervalos entre as arestas.

Mas, entre todas as ferramentas apresentadas a que mais me chamou a atenção foi a possibilidade de alinhar os loops no centro da estrutura. Caso você não tenha percebido, assista novamente ao vídeo e repare que aproximadamente na metade dele, o autor do tutorial seleciona um edge loop desalinhado, e com um clique apenas posiciona as arestas alinhadas no centro da distância entre o loop anterior e o posterior.

Outra opção extremamente poderosa é o Flow Connect, que adiciona mais loops ao modelo 3d e mantém a seqüência de curvas e suavização do modelo 3d. Seria algo como adicionar um novo loop ao objeto, mas usando as dimensões e posicionamento dos loops anterior e posterior, para alinhar a nova divisão no meio dos dois, assim mantendo a curvatura da topologia.

Essa é apenas uma demonstração rápida do Graphite Modeling Tools, mas mostra que em termos de modelagem, as opções apresentadas são muito poderosas. Claro que, o mérito da ferramenta não é da Autodesk, mas sim do desenvolvedor original. Será que os artistas e usuários do 3ds Max 2009 com o Polyboost instalado, devem migrar para o 3ds Max 2010? Se você trabalha apenas com modelagem 3d, acredito que os atrativos e apelo para a migração param por aqui.

Mar
26

O que é possível fazer quando se tem o domínio das técnicas de animação? Bem, com o domínio dos princípios da animação como Easing e Timing, um artista pode explicar ou criar material rico visualmente em qualquer área do conhecimento. Por exemplo, você já pensou em explicar para alguém usando apenas computação gráfica a recente crise econômica? Seria um desafio e tanto para qualquer pessoa, elaborar um roteiro com gráficos e animação que explique algo que é representado basicamente por fatos e números.

Nesses momentos é que o artista pode fazer a diferença, como fez um estudante de produção Multimídia chamado Jonathan Jarvis. Na verdade, quem explica a crise de crédito é ele, e não o Adobe After Effects e Illustrator, como diz o título do artigo. Essas foram às ferramentas que ele usou para criar a seguinte animação:


The Crisis of Credit Visualized from Jonathan Jarvis on Vimeo.

Como você pode ter percebido, o autor usou basicamente vetores e animação no After Effects para elaborar um verdadeiro infográfico animado. Claro que para conseguir chegar nesse resultado, ele precisou trabalhar com um roteiro e outros preparativos, como a criação de storyboards.

O vídeo serve também como exemplo de que não é apenas com softwares 3d que podemos conseguir criar trabalhos de animação, basta conhecer a técnica muito bem aplicada pelo autor, para que imagens estáticas tomem vida.

Quer identificar esses princípios de animação no vídeo?

Recomendo que você assista ao material novamente e perceba como os movimentos dos objetos, sempre são suavizados com easing. No início ou final do movimento, os objetos acabam acelerando ou desacelerando. Outro ponto importantíssimo é o timing, em que os objetos têm movimentos sincronizados para promover reações e interação.

Esses são apenas alguns dos princípios usados na animação.

O vídeo também é um ótimo exemplo de aplicação da computação gráfica para a criação de infográficos. Muitos artistas 3d tem seu foco direcionado apenas para a animação dramática, mas existe um grande mercado para a criação de mídia animada. Quanto mais os meios de comunicação se adaptam a internet, mais será necessário transformar texto em multimídia, por meio de infográficos.

Esse é um mercado com grande potencial, e pouca gente especializada. Quem sabe o seu futuro não é concorrer com a Pixar?

Mar
26

Uma das coisas mais fascinantes que encontramos na computação gráfica é que existem diferentes métodos e seqüência, para realizar a mesma tarefa. Dependendo do que você queira fazer em termos de desenho 2d ou modelagem, cada pessoa consegue o mesmo resultado visual perfazendo caminhos ligeiramente diferentes. Esse tipo de comparação pode ser acompanhada nesse artigo que propõe uma análise das novas ferramentas do AutoCAD 2010, para ser mais específico os constraints de desenho 2d. Esses constraints funcionam de maneira muito parecida com os constraints usados para animação 3d, em que podemos determinar que uma entidade de desenho assuma alguns comportamentos ou limites de transformação.

Por exemplo, podemos determinar que uma polyline sempre copie as alterações de escala sofridas por outra polyline semelhante a ela. Assim, quando parte do desenho for modificada, as outras partes que estão conectadas pelos constraints são alteradas junto.

Qual o benefício em usar esse tipo de ferramenta? É exatamente essa a pergunta que a autora do artigo indicado tenta responder. Ela lançou um desafio no seu web site, em que a mesma tarefa de edição deveria ser realizada em diferentes versões do AutoCAD sem o uso dos novos constraints. O resultado, que está disponível em vídeo no web site da autora foi que a ferramenta do AutoCAD 2010 economiza quantidade significativa de cliques.

autodesk-autocad-2010-constraints

As soluções apresentadas tiveram variação significativa de 18 cliques até 36 na mais complicada. No AutoCAD 2010 a mesma edição necessitou de 15 cliques incluindo a configuração dos constraints, e depois que a ferramenta está configurada e as entidades de desenho conectadas, bastam apenas 3 cliques para realizar a operação.

Para os profissionais que trabalham com edição repetitiva de entidades de desenho técnico, esse tipo de ferramenta pode economizar muito tempo de edição. Quem já usa ferramentas de modelagem paramétrica ou com tecnologia BIM, não vai sentir tanta necessidade de migrar. Mas ainda é fácil encontrar empresas e profissionais com versões mais antigas do AutoCAD, sem esse tipo de facilidade. Eles são alvo do marketing da Autodesk para o AutoCAD 2010.

O problema é convencer esse pessoal a fazer a migração para as ferramentas da Autodesk, com opções tão acessíveis e gratuitas como o DoubleCAD XT.

Mar
25

O tutorial indicado nesse vídeo faz parte de um conjunto de cinco vídeos lançados com o objetivo de mostrar o processo de criação de uma cabeça realista. Mesmo sendo um dos tipos de modelagem mais comuns, devido as necessidades dos artistas 3d em produzir esse tipo de material para os mais variados fins, podemos encontrar tutoriais de modelagem para cabeça, usando as mais variadas técnicas. Nesse caso, escolhi o vídeo que mostra apenas a modelagem da orelha, por ser a parte mais difícil de organizar em termos de topologia.

Quando você conseguir modelar uma orelha humana realista em pouco tempo, pode considerar isso um divisor de águas em termos de habilidade de modelagem. Ainda hoje conheço alguns artistas 3d que tem pavor, ou evitam trabalhar com a modelagem de orelhas. A técnica usada pelo autor do tutorial para criar a orelha, segue a risca a cartilha da modelagem poligonal, em que uma série de faces, nesse exemplo é usado um círculo extrudado, recebe deformações para assumir a forma do objeto.

O primeiro passo é desenhar a forma aproximada da orelha usando apenas curvas, para depois criar as faces adaptando a sua forma ao que foi desenhado anteriormente. No caso da orelha, fica clara a dificuldade e complexidade da topologia nos primeiros minutos do tutorial, pois em pouco tempo temos um verdadeiro emaranhado de arestas e vértices.

Com a topologia do modelo 3d pronta, boa parte do trabalho de construção da estrutura do modelo 3d foi concluída. O próximo passo agora é organizar as superfícies e vértices do modelo 3d no espaço. O autor organizou o modelo 3d praticamente em dois eixos apenas, e agora é necessário trabalhar no terceiro eixo e atribuir profundidade ao modelo da orelha.

Se você quiser praticar modelagem 3d orgânica com objetos um pouco mais complexos, recomendo muito seguir esse tutorial, que apesar de exigir um pouco de paciência é simples o suficiente para que artistas sem experiência possam tentar.

Mas, caso você queira o conjunto completo de tutoriais, a lista abaixo tem o começo do processo com a criação da cabeça completa. A orelha é a última parte.

Mesmo que você não use o Blender 3D, o tutorial é executado usando subdivisão que é aplicável em qualquer software 3d.

Mar
25

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