Allan Brito

Migrando dos tijolos para os pixels!

Archive for June, 2011


Entre as diversas perguntas que recebo de usuários interessados em adotar o Blender como ferramenta principal na produção de maquetes eletrônicas e visualização par arquitetura, está relacionada com a compatibilidade com arquivos gerados por softwares da Autodesk. Nesse sentido pode literalmente subentender, compatibilidade com arquivos DWG e DXF. Já foi bem mais complicado de trabalhar com esse tipo de arquivo no Blender, mas hoje é relativamente simples, apesar da importação de arquivos DWG para o Blender ainda demandar um pouco de trabalho. Mas, uma opção muito interessante para quem procura trabalhar com modelos 3d gerados por ferramentas BIM como o Revit, pode ajudar de maneira significativa a colocar o Blender dentro do processo de produção de arquitetos, engenheiros e escritórios de visualização.

Os arquivos com extensão IFC que significam (Industry Foundation Classes) e foram criados pela IAI, instituição que trabalha com intuito de criar padrões de armazenamento de dados, para facilitar o compartilhamento de informações entre softwares como o Revit, ArchiCAD e VectorWorks. O ponto positivo nesse caso é a existência de um script para o Blender chamado de IFCBlender, como parte de uma iniciativa conhecida como IFCOpenShell.

O Add-on é totalmente gratuito e pode ser copiado na página do IFCOpenShell, e depois de instalado no Blender deve permitir a importação de arquivos completos do Revit. A imagem abaixo mostra um exemplo desse Add-on em ação permitindo que um projeto criado no Revit seja usado no Blender.

blender-ifc.jpg

O uso desse tipo de script é de extrema importância para quem precisa trabalhar com softwares como o Revit, e acredite que já tive problemas com o envio de projetos que precisavam ser trabalhados na parte da visualização. O desafio maior é solicitar aos clientes que enviem esse tipo de arquivo, pois a maioria acaba enviando dados que são difíceis de manipular, pois são versões muito recentes do software ou então que não são compatíveis com o Blender.

Use esse Add-on e aproveite a conveniência de manipular os projetos criados no Revit, ArchiCAD e VectorWorks sem grandes problemas de compatibilidade, e utilizando a geometria completa dos objetos 3d para aplicar materiais e usar recursos de render avançado como o YafaRay e LuxRender no Blender.

Jun
8

A Adobe atualizou recentemente o seu pacote de aplicativos da família CS5 que agora possuem versões CS5.5 com melhorias e novas ferramentas. Entre as melhorias apresentadas para o After Effects estão presentes um novo sistema de estabilização de vídeo, que parece ser “a ferramenta” do momento para a maioria dos softwares que trabalham com vídeo. E posso afirmar por experiência pessoal que sem um equipamento profissional de estabilização mecânica no momento em que o vídeo está sendo capturado, é quase certeza que será necessário fazer algum tipo de estabilização por software em vídeos, principalmente se a pessoa segurando a câmera estava caminhando.

Mas, como funciona esse sistema de estabilização de vídeo? O tutorial abaixo ajuda a compreender o sistema de estabilização de vídeo do After Effects CS5.5, e vai um pouco além disso com um truque interessante para os artistas em motion graphics. Com o uso desse novo sistema do After Effects, é possível simular um efeito semelhante ao que temos no Photoshop CS5 com o seu Content Aware Edit. Essa é a ferramenta que permite fazer edições e alterações em fotografias, preservando o conteúdo de elementos nas imagens.

No vídeo é possível acompanhar o processo de estabilização de vídeo usando um efeito chamado de Warp Stabilizer que utiliza um conjunto de movimentos aplicados ao vídeo, somados com uma escala para que o vídeo com a estabilização ocupe toda a área da moldura. O processo de estabilização de vídeo não é tão complicado assim, e o autor demonstra muito bem as opções disponíveis no After Effects CS 5.5 para esse tipo de operação.

Mas, o interessante mesmo aparece na segunda parte do tutorial, em que a técnica é usada junto com uma ferramenta chamada de Synthesize Edges para conseguir remover um objeto do vídeo. É evidente que a remoção de objetos de um vídeo é algo demasiadamente complicado, e que faz a alegria dos profissionais especializados em rotoscopia. Mas, essa técnica aplicada ao vídeo até que consegue resultados razoáveis, e apenas razoáveis. No final do vídeo ainda é possível perceber alguns pequenos artefatos no vídeo que deixam transparecer que existia alguma coisa naquela região.

Mesmo assim, é interessante pensar em uma futura evolução desse tipo de ferramenta. Será que no futuro o processo será simples como usar o Stamp do Photoshop?

Jun
7

Os projetos que estão em desenvolvimento como parte do Google Summer of Code 2011 para o Blender formam uma verdadeira salada de frutas, e não estou falando no sentido figurado. Todos os projetos foram organizados em grupos identificados por nomes código usando nomes de frutas e vegetais em inglês, e o grupo que concentra todas as novidades é chamado de “Salad”. Para entender melhor o que cada um dos projetos representa, você pode conferir o diagrama abaixo que mostra os projetos que fazem parte de cada um dos grupos. O diagrama foi criado por Sean Olson.

gsoc-large.png

Entre todos esses projetos existe um deles que desperta grande interesse por todas as pessoas que trabalham com animação no Blender, que é o desenvolvimento de um sistema integrado de Camera Tracking para o software. Esse sistema deve fazer parte do próximo “pacote” de atualizações que será adicionado ao Blender pelo próximo Open Movie, planejado para mesclar elementos reais com virtuais. Nesse caso, o uso de um sistema de tracking é mais que fundamental!

Mas, o que faz esse tipo de sistema?

Um software especializado em traking de câmera consegue realizar uma tarefa bem complexa, relacionada com a identificação das superfícies em uma imagem, com base na reprodução de um vídeo. O processo funciona mais ou menos assim:

  1. O software faz uma análise do vídeo identificando pontos e arestas;
  2. Depois esses pontos são calculados e convertidos em planos;
  3. Esses planos identificam superfícies e objetos no vídeo
  4. O movimento da câmera que gravou o vídeo é então convertido em uma câmera virtual, que pode ser usada para gerar elementos para integração com o vídeo.

Com esse princípio em mente, podemos entender como fica fácil colocar objetos sobre uma mesa, ou então criar planos em que atores podem interagir com elementos reais de vídeo.

Como forma de mostrar um pouco do progresso no desenvolvimento do sistema de traking do Blender, já foi divulgada a imagem da interface desse sistema que ainda não está disponível para testes, mas logo deve ganhar algumas versões no grupo “Tomato”. Na barra de ferramentas estão os controles para marcação de pontos e ajuste do tracking. Por enquanto é só a imagem da interface que temos para analisar, e nada mais além de esperar pelos primeiros alphas da ferramenta.

GSoC-CameraTrackingWip.png

Se você trabalha com edição de vídeo e recorre a softwares caros de traking para mesclar vídeo com 3d, o Blender pode ser uma solução viável para os seus projetos no curto prazo!

Jun
7

Análise do DVD Blenderella

Posted on: 6, Jun

Caso você seja uma das pessoas que segue o meu perfil no Twitter, deve saber que no início da semana a minha cópia do DVD Blenderella foi entregue em tempo até razoável pelos correios. Já tive experiências ruins com entregas internacionais, mas o atraso foi causado pelos correios e não pelo remetente. Bem, depois de conferir rapidamente o conteúdo do DVD durante a semana que passou, consegui um tempo no final de semana para assistir ao conteúdo do treinamento com calma e fazer uma série de observações para essa análise no blog. Antes de começar a falar sobre o DVD já posso adiantar que esse é um dos melhores tutoriais que já tive a oportunidade de assistir sobre modelagem de personagens. A Angela Guenette conseguiu passar com muita propriedade um dos assuntos mais complexos na modelagem 3d, que é a criação de topologias usando apenas quadrados do corpo humano.

Como utilizo um Mac para assistir ao material, não fui afetado pelo problema na gravação do DVD que deve atrapalhar um pouco os usuários do Windows, como relata esse aviso da fundação Blender. Mas, esse problema com os nomes dos arquivos pode ser contornado de maneira muito simples, acessando os arquivos diretamente pelo gerenciador de arquivos do Windows.

E o conteúdo? O sistema de navegação interna do DVD é baseado em um arquivo HTML que oferece uma interface simples para acessar os tutoriais:

blenderella-01.jpg

Em termos de material, o DVD oferece todos os recursos necessários para conseguir realizar o processo de modelagem da personagem. Os arquivos de referência fotográfica da modelo usada para as proporções da Blenderella estão disponíveis no DVD, o que deixa bem simples de seguir os passos da modelagem. Sem mencionar que a própria Blenderella já está finalizada no DVD para consulta de topologia.

blenderella-02.jpg

E o conteúdo dos vídeos? Os tutoriais são muito bem explicados em inglês, e para quem já conhece o Blender não deve ser problema seguir os tutoriais, pois não há indicação visual na tela de alguns atalhos usados pela autora no processo de modelagem. O início de cada parte da modelagem é muito bem explicado e detalhado, e assim que a autora mostra como criar os blocos principais, o vídeo entra em modo de timelapse acelerando o que seria a repetição dos blocos. Por exemplo, a autora explica a criar parte da topologia da cabeça e passa as orientações sobre a topologia. Depois, ela mesma gera a topologia inicial, e na colocação dos outros blocos o vídeo é acelerado até chegar em outro ponto em que é necessário mais explicação.

blenderella-03.jpg

Isso não chega a atrapalhar a modelagem, mas exige que a pessoa assistindo o vídeo tenha conhecimento sobre todos os atalhos e ferramentas usadas enquanto o vídeo está acelerado. Por causa desse detalhe, o material não é recomendado para pessoas que não tenham experiências com o Blender.

Para as pessoas que já têm experiências com o Blender, o material é mais que recomendado! Já comecei a modelar a Blenderella com base no conteúdo dos vídeos, e posso dizer que é muito fácil seguir as orientações dos vídeos. A lista abaixo mostra os nomes dos arquivos no DVD:

  1. 01_01_ortho_head.mkv
  2. 01_02_ortho_body.mkv
  3. 01_03_ortho_hand.mkv
  4. 02_01_head_eyeball.mkv
  5. 02_02_head_ref_images_prep.mkv
  6. 02_03_head_eyesocket_blocking.mkv
  7. 02_04_head_nose_blocking.mkv
  8. 02_05_head_mouth_blocking.mkv
  9. 02_06_head_eyeball_fitting.mkv
  10. 02_07_head_eyesocket_detailing.mkv
  11. 02_08_head_mouth_detailing.mkv
  12. 02_09_head_nose_detailing.mkv
  13. 02_10_head_ccjh.mkv
  14. 02_11_head_neck.mkv
  15. 02_12_head_shaping.mkv
  16. 02_13_head_ear.mkv
  17. 02_14_head_final_shaping.mkv
  18. 02_15_head_geo_eyelashes.mkv
  19. 03_01_body_ref_images_prep.mkv
  20. 03_02_body_torso.mkv
  21. 03_03_body_pelvis.mkv
  22. 03_04_body_leg.mkv
  23. 03_05_body_arm.mkv
  24. 03_06_body_fingers.mkv
  25. 03_07_body_hand_thumb.mkv
  26. 03_08_body_rest_pose.mkv
  27. 04_01_hair_base.mkv
  28. 04_02_hair_strands.mkv
  29. 05_01_clothes_pants.mkv
  30. 05_02_clothes_shirt.mkv
  31. 05_03_clothes_boot.mkv
  32. 05_04_clothes_masking.mkv
  33. 05_05_clothes_shirt2_corset.mkv
  34. 05_06_clothes_boot_detailing.mkv
  35. 05_07_clothes_corset_detailing.mkv
  36. 05_08_clothes_pants_finishing.mkv
  37. 06_01_wrap_up_end.mkv

No total são 37 vídeos que formam o conjunto total dos tutoriais. Se você ainda estava em dúvida sobre adquirir ou não o DVD, recomendo muito o uso do material como base para desenvolver as suas habilidades em modelagem de personagens. Com o tempo o mesmo deve estar disponível para download no modelo de distribuição em Creative Commons da Fundação Blender, mas isso acaba demorando um pouco para acontecer. Até lá, recomendo a compra do DVD como forma de recompensar o excelente trabalho realizado pela autora e o pessoal da Fundação Blender.

Eu recomendo o DVD!

Jun
6

A renderização de projetos que envolvem a criação e vídeo sempre gera uma enorme dor de cabeça para qualquer profissional, pois lida com uma enorme quantidade de dados e demanda uma série de computadores para gerar de maneira mais rápida uma animação. Por isso, o uso de renderização em rede sempre foi uma solução bastante usada por profissionais e artistas interessados em acelerar esse tipo de processo. Outro ponto crítico em relação a renderização em rede, é a transferência desses dados gerados pelo render para computadores remotos, para facilitar o processo de produção.

Bem, existe uma maneira muito simples e barata de agilizar todos esses processos de renderização usando um serviço gratuito na web chamado de Dropbox. Esse é um web site que funciona com o intuito principal de oferecer um espaço na “nuvem” para que você faça backup dos seus arquivos. O objetivo principal pode ser usado por qualquer pessoa, usando o espaço de 2 GB de maneira totalmente gratuita.

dropbox.png

Mas, como ele pode ajudar com projetos de renderização?

O grande trunfo do Dropbox é o seu aplicativo que permite sincronizar uma pasta no seu computador com a sua conta, e se for instalado em vários computadores é possível ter acesso aos arquivos em qualquer máquina, sendo que a sincronização é feita de maneira automática! O mesmo aplicativo está disponível para celulares e tablets, permitindo ter acesso aos arquivos em qualquer lugar que você estiver.

Ainda não entendeu? Me permita explicar como tenho usado o Dropbox para ajudar a gerenciar meus projetos de renderização.

A primeira aplicação é bem simples, e consiste no uso do Dropbox como forma de acompanhar o progresso de uma renderização para vídeo. Para isso eu configuro do Blender para salvar os arquivos de uma animação como seqüência de arquivos PNG, em uma pasta que está sincronizada com a minha conta no Dropbox. Posso deixar o computador renderizando em casa e sair para resolver outros problemas, e com o aplicativo do Dropbox no celular acompanho o progresso da renderização. Quando terminar, basta ligar o notebook para sincronizar o material com a minha pasta do Dropbox e começar a trabalhar na finalização da animação.

Outra maneira de trabalhar com o Dropbox é por meio de render compartilhado. Por exemplo, já instalei o Dropbox em três computadores diferentes e configurei o Blender para renderizar trechos diferentes de uma animação em cada um dos computadores. Por exemplo, cada computador ficava com trechos entre os frames 1-5000, 5001-7500 e 7501-9000 respectivamente, e a cada quadro renderizado os arquivos eram sincronizados em pastas diferentes.

Como eu não estava fisicamente próximo desses computadores, pude copiar os arquivos no final do processo e trabalhar de imediato na pós-produção. A mesma coisa poderia ser feita em trabalhos em equipe. Para aproveitar o web site, basta um computador com acesso a internet!

Esses são apenas alguns dos usos do Dropbox como forma de ajudar a trabalhar melhor com 3d e renderização. Já mencionei que o serviço é gratuito para uso de armazenamento de até 2GB? Mas, lembre que as vantagens no uso do Dropbox só aparecem mesmo com a instalação do aplicativo. Ele está disponível para Windows, Mac e Linux!

Jun
6

Livros recomendados

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