Hoje é dia de entrevista aqui no Blog que como de costume sempre procura divulgar o trabalho de artistas que trabalham com o Blender, mostrando um pouco do seu processo de criação e inspirações artísticas. O entrevistado de hoje é ninguém menos do que o Lucas Falcão! Não conhece o Lucas ainda? Abra o Blender 2.66 e observe com bastante atenção a Splash Screen. Observou? Pois é, foi o Lucas Falcão que criou essa belíssima imagem chamada de Violet. Na entrevista pergunto para o Lucas um pouco sobre o processo de criação dessa imagem, e como ele ficou sabendo que estavam interessados em usar o projeto dele como Splash Screen.

Quer saber mais sobre o Lucas Falcão? Recomendo uma visita ao Blog dele para conhecer mais dos seus projetos. Quero aproveitar e agradecer ao Lucas por ter participado da entrevista, e também pelas imagens dos projetos dele que ilustram o artigo. No blog dele você encontra muito mais!

1 – Nos conte um pouco mais sobre você; qual a sua formação? Você trabalha profissionalmente com CG ou é um hobby? Trabalha em algum estúdio ou é freelancer?

Opa! Eu me formei em design visual, foi durante a faculdade que descobri e comecei a me interessar por 3D. A computação gráfica para mim é um hobby, tanto trabalhando comercialmente como em meus trabalhos pessoais. É claro que nem sempre você não pode fazer o trabalho mais legal quando se está trabalhando profissionalmente, mas gosto muito de modelar, que é o que eu geralmente faço, então é no minimo agradável. Eu trabalho em um estúdio chamado RC11, aqui de Porto Alegre, comecei a trabalhar lá no inicio do ano e estou gostando e aprendendo muito. É uma empresa pequena mas muito consistente profissionalmente falando, formada por três pessoas contando comigo, o Ricardo e o Romano, que são os dois sócios, são excelentes profissionais. Eu evito pegar trabalhos como freelancer, pois já trabalho fulltime na RC11, gosto de usar meu tempo livre para estudar/praticar, fazer trabalhos pessoais e viver um pouco também.

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2- Você é autodidata ou participou de algum curso?

Foi durante a faculdade, nas aulas de computação gráfica do professor Thiago Bulhões que aprendi o básico, os principais fundamentos do 3D. Depois disso eu nunca parei de estudar, fazer tutoriais e ver making of’s. Sempre fui muito curioso quando comecei a aprender assuntos relacionados a 3D e a arte, ainda bem, pois no colégio era o oposto, minha mãe deve fica aliviada agora (haha!).

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3 – Quais são as suas inspirações artísticas?

Essa pergunta é difícil, pois muita coisa me inspira, as vezes nem influencia diretamente no meu trabalho, mas algo que me faça pensar e continuar querendo melhorar como artista e pessoa. Um artista que me inspirou muito, e até hoje inspira, pela beleza e qualidade técnica de seus trabalhos é o Kris Costa, o Antropus, gosto muito da temática dos trabalhos dele. Outra artista que eu sou muito fã é a Laurie Liption, que faz umas ilustrações incríveis, se não me engano, usando só grafite.

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4 – Você sempre usou o Blender nos seus projetos?

Quase sempre, no inicio eu usava o 3ds Max, pois era o que tinha aprendido na faculdade. Só comecei a usar o Blender na versão 2.48, se não me engano. Mas gostei tanto do programa, que ainda não tive muita vontade de aprender outro. O programa evolui muito desde que eu comecei a usar, é incrível o que os desenvolvedores estão fazendo, o programa não deu um passo para trás.

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5 – Como surgiu a idéia da imagem Violet? Como você ficou sabendo que a sua imagem seria usada como splash screen do Blender 2.66?

Eu sou muito fã do trabalho da minha amiga Larissa Docolas, gosto muito do estilo dela. Então eu conversei com ela e pedi pra ela criar uma personagem para eu modelar. Uns dias depois ela me enviou o concept art da Violet e eu comecei a modelar a personagem. Eu fui mandando o progresso da modelagem para ela e recebendo feedback, ela também é modeladora e uma baita artista, então a opinião dela adicionou muito ao resultado final.

Quanto ao splash, eu recebi uma mensagem do Jonathan Williamson pelo Twitter, perguntando se eu estaria interessado em criar uma versão da Violet para o splash screen da nova versão do Blender. Eu disse que sim, lógico, já muito feliz com a oportunidade. Então eu enviei para ele algumas opções de composição e ele escolheu duas. Depois ele repassou para o Andrew Price (BlenderGuru) e para Bart Veldhuizen, fundador do BlenderNation, para avaliar as imagens. Eles escolheram uma e o Andrew Price fez alguns retoques e foi aprovado. E eu fiquei incrivelmente feliz. 🙂

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6 – Quanto tempo você levou para produzir a imagem?

Eu não sei exatamente, algo em torno de duas semanas se fosse contar mesmo. Eu trabalhei no período do final do ano e as vezes produzia muito pouco por dia.

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7 – Qual foi a parte mais complicada na produção da imagem?

O cabelo é sempre um desafio, é preciso pentear e testar muitas vezes até ficar razoavelmente bom. Outra parte complicada foi a modelagem das roupas, a Violet tem muitas roupas e detalhes, tem a camiseta, a jaqueta cheia de botôes e o tênis cheio de cadarços, calça, suspensório, luva. Depois tive que fazer todo o caimento da roupas e acessórios, foi tudo esculpido no Blender.

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8 – Entre as imagens do seu portfólio, qual você considera ser o seu melhor projeto?

A Violet, sem dúvidas, e o foi o que eu mais gostei de fazer. Foi o primeiro que eu tive que tomar decisões quanto ao design, adaptar certas coisas do concept da Lari para funcionar em 3D.

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9 – Você está trabalhando em algum projeto atualmente?

Eu já comecei a trabalhar em um projeto pessoal novo, uma Pin-Up. Também vou começar a produzir uma personagem para o site MakeHuman, que ajudará na apresentação do programa e do site.

10 – Qual conselho você daria para artistas iniciantes que gostariam de trabalhar profissionalmente com modelagem, render ou animação?

Não existe nenhuma mágica, é preciso estudar e praticar muito, não tem outro jeito. Curiosidade é muito importante, ter sempre curiosidade de aprender técnicas, ferramentas novas. Mas também saiba a hora de sair da frente do computador, muitas coisas são resolvidas pela sua cabeça quando você está longe dele.

Não sei se posso fazer um agradecimento (Allan: Claro que pode!). Mas muito obrigado pela entrevista Allan!