Allan Brito

Migrando dos tijolos para os pixels!


O projeto que transformou o Blender no software que conhecemos hoje foi oriundo do esforço para migrar a plataforma da versão 2.4 para o 2.5. E junto com essa transformação do software estavam previstos nas ferramentas e atualizações em sistemas internos do Blender como aconteceu com a parte de animação. Hoje podemos adicionar keyframes em praticamente qualquer parâmetro do Blender graças a essa reformulação. Entre essas reformulações existem ainda algumas pendências que não foram finalizadas como é o caso do B-Mesh. Essa é uma evolução do sistema de representação de polígonos do Blender, que adiciona novas ferramentas e suporte aos famigerados N-Gons.

Mas, o que são os N-Gons e o que é o B-Mesh?

Para começar a explicação é bom deixar claro o que são os N-Gons e o motivo deles serem controversos entre artistas 3d. A maioria dos softwares comerciais de modelagem suportam o uso de N-Gons que nada mais são do que faces com mais de quatro lados. Esse polígonos com mais de quatro lados algumas vezes ajudam, e outras vezes atrapalham a criação de modelos 3d.

Quem já tentou modelar alguma coisa com o Blender, deve saber que em certos tipos de operações de modelagem o resultado acaba sendo um conjunto de faces triangulares e quadradas, exatamente pela incapacidade do Blender de representar polígonos com mais de quatro lados.

Isso é uma limitação? Depende do ponto de vista. Como artista 3d e modelador, sempre procuro deixar a topologia dos meus modelos 3d organizada e usando apenas quadrados. Isso é inclusive recomendado no curso de modelagem poligonal, em que comento sobre essa característica relacionada a representação dos polígonos. O motivo para preferir faces quadradas são simples:

  • Deformam melhor em animação
  • Não quebram os loops e impedem atualizações nos modelos

Essa característica do Blender de limitar o uso de polígonos apenas em quadrados e triângulos me forçou a procurar técnicas e métodos mais eficientes de modelagem poligonal, e hoje me sinto mais confiante em organizar a topologia de um modelo 3d, mesmo quando não estou no Blender.

Nas oportunidades em que ministro aulas sobre modelagem no 3ds Max, Maya ou outros softwares que suportam N-Gons, acabo percebendo que os alunos se preocupam menos com a topologia, pois é mais “fácil” não precisar se preocupar com manutenção das faces quadradas na modelagem.

O B-Mesh está prometido para o Blender 2.63 que deve ser lançado no final de Abril ou Maio, dependendo de como a seqüência de desenvolvimento acabar acontecendo. O receio que tenho em relação ao sistema de modelagem do Blender, é que o seu lançamento acabe deixando os artistas iniciantes com a modelagem no Blender mais preguiçosos.

Quer saber como funciona exatamente esse B-Mesh? Já gravei vários tutoriais em vídeo sobre o B-Mesh no passado, e estou listando alguns deles aqui que mostram o funcionamento desse novo sistema.

Como podemos perceber pelos vídeos, o sistema adiciona novas ferramentas, mas não vai fazer com que os seus conhecimentos sobre modelagem com Blender sejam invalidados. Portanto, nada de aprender a modelagem toda do zero, será apenas um processo de adaptação as novas ferramentas.

O tema está recebendo bastante atenção da comunidade de usuários do Blender, inclusive com discussões acaloradas sobre as vantagens e desvantagens do uso de N-Gons. Apesar do receio de que os N-Gons criem artistas 3d preguiçosos, acredito que a atualização é bem vinda.

Feb
2

Na criação de animações envolvendo personagens virtuais é sempre preciso passar pelo processo conhecido como Rigging, antes de partir para a animação dos elementos 3d. O Rigging consiste na configuração dos elementos que devem deformar a malha do modelo 3d para que o mesmo possa representar da melhor maneira possível as ações planejadas para a animação. E isso se aplica não só as animações, mas também aos projetos de jogos digitais. Todos os jogos 3d que envolvem algum tipo de personagem acabam precisando de trabalhos de Rigging e nos jogos mais detalhados em termos de personagens, o Rigging é extremamente sofisticado.

Caso você queira conhecer um pouco sobre o Rigging de um jogo recente, encontrei o reel de um dos artistas que trabalhou na produção do jogo Gears of War 3, que inclusive é um dos jogos que estou jogando atualmente, e no reel do artista chamado Jeremy Ernst é possível perceber que os detalhes e controles do Rig são impressionantes.

O software usado para apresentar o Rig é o Maya, mas as ferramentas de controle e configuração do personagem não são as existentes por padrão no Maya. Foi criado um script que ajuda nas tarefas de Rigging e muitas das facilidades que visualizamos no vídeo são oriundas exatamente dessa ferramenta personalizada.

Esse é um caminho natural para artistas que acabam se especializando em Rigging que é o de criar as suas próprias ferramentas, pois todos que já trabalharam com Rigging sabem que existem muitas tarefas repetitivas no processo.

O exemplo é bem interessante como demonstração de habilidade com o Rigging, e espero que sirva de inspiração para os artistas que estejam interessados em seguir o caminho da produção de material 3d para jogos. E como sempre gosto de procurar mais detalhes sobre esse tipo de projeto, existem dois documentos interessantes na página da Unreal Engine que mostram detalhes técnicos sobre o Rigging facial usado no Gears of War 3 e outro sobre a segunda versão do jogo, comentando sobre a iluminação e detalhes implementados nos cenários.

Esse tipo de jogo é excelente para os longos períodos de espera em que precisamos aguardar a renderização de um projeto terminar.

Dica: Se você quiser aprender um pouco sobre Rigging, estou oferecendo um curso online sobre Rigging de personagens com Blender. Para informações sobre como se inscrever, visite a página de detalhes do curso sobre Rigging de personagens.

Feb
1

A iluminação de cenários e ambientes ainda é um dos temas que mais geram dúvidas em artistas 3d iniciantes, principalmente se o ambiente envolver a mistura de elementos com luz natural e artificial. Os renderizadores modernos com algoritmos sofisticados de iluminação global acabam ajudando bastante o processo, mas ainda é comum encontrar pessoas que não sabem bem o que fazer para iluminar ambientes de maneira correta ou mesmo fazer pequenos ajustes em cenários já prontos. Isso é reflexo da falta de experiência e conhecimento sobre assuntos que ajudam muito no trabalho com computação gráfica 3d.

Entre esses assuntos está o conhecimento sobre fotografia que é primordial para usar renderizadores modernos, principalmente os que são baseados em física. Sempre que me perguntam sobre cursos ou conhecimentos importantes para artistas 3d, o primeiro que recomendo é relacionado a fotografia. Como os renderizadores baseados em física utilizam parâmetros e valores reais nos ajustes das suas câmeras, os artistas acabam tendo que lidar com propriedades como:

  • ISO
  • Shutter
  • Exposure
  • Film Type

Essas são apenas algumas dessas propriedades presentes na maioria das câmeras. Com o conhecimento sobre o funcionamento desse parâmetros, um artista poderia realizar modificações na iluminação de uma cena, sem modificar nenhum parâmetro relacionado diretamente com luzes da cena.

Modificando o ISO das câmeras no Cinema 4D

O vídeo abaixo mostra o resultado dos ajustes e modificações realizados no parâmetro ISO das câmeras físicas do Cinema 4D. Com esse parâmetro ISO podemos deixar o filme a câmera mais sensível a luz. Valores altos de ISO permitem trabalhar com baixa luminosidade, pois registram variações pequenas e fracas de iluminação. Já para ambientes em que existe luz em abundância, o ideal é usar valores baixos de ISO como 100, 200 ou 400.

Esse é um exemplo bem interessante e prático de como podemos fazer ajustes e modificações em uma determinada cena, sem precisar necessariamente modificar a intensidade das luzes ou mesmo adicionar novas fontes de luz na cena. Para quem não conhecia o procedimento, a mudança de comportamento é muito interessante, pois a maioria dos artistas que não conhece essa possibilidade só trabalha pensando em adicionar ou remover pontos de luz, ou no máximo mudar a intensidade das luzes existentes.

A fotografia pode ajudar muito na configuração da iluminação de cenas em 3d!

Jan
31

O curso de Animação baseada em Física com Blender acabou de receber uma atualização com a sua segunda aula publicada. Esse curso é um pouco diferente dos outros disponíveis no EAD – Allan Brito, pois é o único em que são usados elementos da Game Engine do Blender, para conseguir aplicar alguns conceitos e ferramentas de animação baseada em física. As duas primeiras aulas são destinadas a aplicação das simulações do tipo Rigid Body. Quando um determinado objeto faz parte desse tipo de simulação, os mesmos são suscetíveis a gravidade e colisões entre objetos.

Como resultado temos um movimento realista e a possibilidade de criar animações baseadas em gravidade de maneira bem rápida. E o melhor de tudo é que podemos gravar keyframes nesse tipo de animação, para conseguir renderizar os projetos usando qualquer renderizador, até mesmo o Blender Cycles.

A aula 02 mostra o funcionamento do constraint do tipo Rigid Body Joint, e a sua utilidade dentro de animações usando Rigid Body.

O vídeo abaixo mostra um pouco do que é abordado nessa aula, e a utilidade do Rigid Body Joint.

Como é possível perceber pelos vídeos, o Rigid Body Joint permite deixar partes de um objeto em simulações de Rigid Body totalmente fixa. Isso permite trabalhar com vários tipos de animações interessantes como portas, roldanas, gangorras e diversos tipos de elementos.

Um dos vídeos mostra como criar um dos exemplos mais interessantes em termos de animação baseada em física, que é a construção de uma parede de tijolos usando diversos cubos, que são destruídas usando uma esfera arremessada apenas usando mecanismos de gravidade. Ao longo do curso são apresentados os recursos e ferramentas necessárias para expandir esse tipo de animação, dando subsídios para que sejam criadas até mesmo máquinas de Rube Goldberg.

Esse é um tipo de máquina que foi elaborada pelo mestre da animação Rube Goldberg, sendo presença comum em desenhos mais antigos como Tom e Jerry. Você deve lembrar daquelas máquinas baseadas em gravidade e que eram extremamente complexas, mas que tinham objetivos simples como apanhar o Jerry.

Como o funcionamento da máquina é baseado em gravidade, a criação e configuração desse tipo de estrutura se encaixa perfeitamente em animações baseadas em física.

Para saber mais sobre o curso de animação baseada em física e realizar a sua inscrição, visite a página do curso.

Jan
31

A criação de qualquer tipo de animação demanda grande volume de trabalho por parte da equipe envolvida com o projeto, e principalmente a seleção de ferramentas e opções que possam otimizar o processo de criação. E quando as animações exigem que determinadas cenas tenham dezenas e até mesmo centenas de personagens interagindo uns com os outros, o perigo do orçamento estourar ou então os prazos serem dilatados aumenta de maneira significativa. As animações de multidões são ao mesmo tempo um grande desafio para qualquer produção, e também a oportunidade de conhecer e trabalhar com ferramentas e softwares especializados nesse tipo de animação 3d.

Com o Blender é possível trabalhar com alguns tipos de animações de multidões usando um tipo especial de partículas chamado de Boids. Os Boids permitem simular comportamentos de grupo e são excelentes para trabalhar com animações de insetos, peixes e animais que trabalham em grandes grupos. Outra vantagem dos Boids é que podemos adicionar comportamentos para simular lutas e batalhas entre os diversos grupos de personagens.

Mas, em alguns tipos de situação os Boids não podem ajudar a realizar tarefas complexas com os personagens, principalmente se precisarmos de detalhes no movimento. Para suprir esse tipo de necessidade, um artista e desenvolvedor chamado “snot_nose” publicou nos fóruns Blenderartists.org um script que usado em conjunto com a Game Engine do Blender, permite criar movimentos e detalhes nos personagens duplicados várias vezes ao longo do cenário. O sistema é ideal para criar animações usando ângulos próximos de câmera, e deve ajudar outros artistas a criar animações usando múltiplos personagens.

O material pode ser copiado de maneira gratuita pelos links publicados no fórum Blendersrtists, mas ainda está em desenvolvimento e precisa receber melhorias, como o próprio autor descreve no texto em que explica o funcionamento do script.

É interessante ter mais opções para expandir as capacidades do Blender para animação, principalmente quando falamos de multidões que eram algo muito distante para a maioria dos projetos de animação alguns anos atrás, mas hoje já está bem servido de ferramentas e tecnologias gratuitas como esse script do Blender.

Mas, ainda assim é importante lembrar que a animação dos personagens é apenas o primeiro passo, e depois disso temos a renderização que pode ser ainda mais trabalhosa. Portanto, planejamento é a chave para evitar problemas com os prazos na execução de animações desse tipo. Assim que esse script estiver terminado e totalmente funciona, aviso aqui no blog.

Jan
31

Curso de Animação Baseada em Física

Curso Rigging de personagens

Livros recomendados

Blender 3D - Guia do Usuário Blender 3D - Jogos e Animações Interativas Modelando personagens com o Blender 3D Google Sketchup Pro 8 - Passo a Passo Google SketchUp Pro: Aplicado ao Projeto Arquitetônico Autocad 2011 - Utilizando Totalmente Desenvolvendo Personagens em 3D com 3Ds Max ZBrush para iniciantes

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