Simulações físicas em 3d na web com Papervision e Jiglibflash

Os projetos que envolvem o uso de animações 3d na web sempre foram um grande desafio para a maioria dos artistas, pois envolvia o uso de tecnologias especializadas em mostrar apenas vídeos ou vetores 2d. Esse problema era resolvido com o uso de vídeos incorporados em web sites criados em Flash, que acabavam mostrando o 3d, mas por outro lado carregavam significativamente o tamanho dos arquivos usados no web site. Desde que o Flash passou a usar o ActionScript 3, o número de módulos e classes personalizadas cresceu significativamente e possibilitou o surgimento de projetos como o Papervision 3d.

Só o uso do Papervision 3d com o Flash já permite a criação de web sites vetoriais de maneira muito semelhante ao que fazemos em softwares como o Blender 3D e 3ds Max. Ainda é possível adicionar um pouco mais de complexidade ao Flash com classes especializadas em física, como é o caso do JiglibFlash. Para termos uma idéia mais clara do que é possível fazer com a união dessas duas classes, os objetos 3d criados no Papervision podem participar de simulações como Rigid Bodies!

Se você quiser aprender os procedimentos necessários para criar uma animação usando Papervision 3d e JiglibFlash, simulando Rigid Bodies, visite o endereçoi indicado.

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No web site é possível encontrar as instruções para criar uma cena com diversos cubos que sofrem ação da gravidade, como qualquer outra simulação de Rigid Body. Assim que os cubos colidem uns com os outros, as reações baseadas em massa entram em ação criando uma animação totalmente automática. O melhor de tudo é que o processo inteiro está armazenado em um arquivo vetorial bem pequeno.

Esse é um assunto interessante para artistas que gostariam de expandir seus projetos para a internet, pois o processo é muito semelhante a um jogo. É necessário aprender um pouco de programação e se adaptar as nuances do Flash e do próprio Papervision, mas garanto que o resultado dessas animações aplicadas em qualquer portfólio faz o profissional ter portas abertas na maioria das agências envolvidas com web.

Sempre que posso abordo o uso do Papervision 3D nas minhas aulas de desenvolvimento multimídia para web, mas infelizmente a carga horária acaba sendo curta para avançar na criação de aplicativos 3d para web.

Usando SourceBinder para criar 3D interativo para web com Papervision 3D

Os profissionais que trabalham com computação gráfica 3d acabam direcionando a sua atuação profissional para a área publicitária, ou produção de conteúdo visual para cinema e TV. Mas, ainda existe um campo vasto e praticamente inexplorado para artistas 3d que é a internet. A produção de conteúdo 3d para internet ainda está apenas começando e pode apresentar diversas oportunidades em termos de projetos e criação. O Blender 3d até tentou se estabelecer como plataforma de criação 3d para a web com o seu plugin que permitia executar conteúdo 3d, diretamente no navegador. Mas, a aposta na tecnologia acabou levando a NaN a falência, pois ainda era cedo para basear a sua produção nesse tipo de tecnologia. Isso já tem mais de dez anos!

Hoje o cenário em termos tecnológicos e velocidade de banda na internet são completamente diferentes e um dos grandes responsáveis pela disseminação da web 3d é o Flash Player. Já existem diversas bibliotecas de classes e ferramentas que permitem criar conteúdo 3D compatível com o ambiente do Flash Player, que está presente em praticamente todos os computadores com acesso a internet. Um desses módulos mais famosos é o Papervision 3D que é um conjunto de classes personalizadas, capaz de manipular objetos em 3D e até mesmo animar modelos complexos modelados no Blender 3D ou outro software capaz de exportar objetos no formato COLLADA.

Nesse semestre, comecei a ministrar aulas sobre o Papervision para criação de conteúdo 3D para web integrado em aplicativos multimídia. No curso foi possível perceber um dos principais problemas relacionados ao Papervision que é o conhecimento e configuração das classes. Se você quiser fazer um teste com um ambiente de configuração visual do Papervision, recomendo consultar o SourceBinder que trabalha com um sistema de nós para configurar bibliotecas externas para o Flash. O software é capaz de fazer animações e simulações usando diversas bibliotecas para web, inclusive com simulações físicas!

Quer ver um exemplo? O vídeo abaixo mostra o software criando um ambiente 3d que simula o comportamento de Rigid Bodies com a aplicação do Papervision 3D e do JiglibFlash. O resultado é um ambiente interativo que é semelhante a um jogo 3d, mas que pode ser associado a qualquer navegador que suporte o Flash Player.

Physics made with SourceBinder using JiglibFlash and Papervision from Balazs Serenyi on Vimeo.

Quem conhece o funcionamento de um sistema baseado em nós, vai encontrar muita facilidade em usar o SourceBinder. Todo o processo de criação é visual e não requer conhecimentos em programação ou ActionScript para aplicar os comportamentos nos objetos.

No vídeo é possível acompanhar a criação de um pequeno muro formado por vários cubos. Esses cubos recebem propriedades de Rigid Body para reagir com colisões e também com a gravidade. No final do vídeo podemos acompanhar a criação de um objeto de maior massa, que acaba deslocando todos os objetos no cenário.

Para quem ainda está com dúvidas sobre a área de atuação no mercado de computação gráfica 3d, esse é um excelente caminho a seguir.

Autodesk Dragonfly: Layouts de plantas e perspectivas isométricas gratuitas

Essa semana a Autodesk publicou um sistema baseado em internet ainda experimental que pode ser do interesse de vários estudantes e profissionais ligados à arquitetura. O projeto se chama Autodesk Dragonfly, sendo um tipo de editor e visualizador de layouts para projetos de interiores em 3d e 2d, totalmente baseado em internet. O sistema funciona diretamente no navegador e pode manipular objetos de maneira semelhante ao que acontece em softwares como o 3ds Max e Blender, mas de maneira muito mais simples. Para falar a verdade ele é semelhante em muitos aspectos, ao que acontece em editores de cenários como de jogos estilo The Sims.

Como o sistema é baseado totalmente em internet, ele pode ser executado em qualquer sistema operacional como mostra essa imagem que tirei do Dragonfly rodando no Ubuntu.

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O que é possível fazer no sistema?

Entre as diversas possibilidades de edição estão à visualização de elementos em perspectiva isométrica e em planta, com a colocação e edição de objetos e elementos arquitetônicos, como portas e mobiliário. Tudo isso é feito diretamente na interface, entre as opções a única que apresentou problemas foi a adição de móveis no modo de perspectiva isométrica. Em planta, os objetos foram adicionados sem maiores problemas.

Outro ponto interessante sobre o sistema é a possibilidade de detectar colisões nas paredes, quando estamos posicionando algo como um quadro, o próprio sistema detecta quando o objeto se aproxima de uma parede e faz as rotações e ajustes para alinhar os objetos.

Mesmo sendo uma opção sem muita flexibilidade e de estar bem distante das opções oferecidas por uma boa suíte 3d, o Dragonfly pode ser uma ótima opção para desenvolver protótipos ou idéias rápidas de projetos, principalmente quando o assunto é organizar o mobiliário em uma planta. Todos os layouts desenvolvidos no sistema são salvos no próprio Dragonfly, você pode inclusive compartilhar a sua criação com outros usuários e consultar outros layouts de diversos arquitetos ou usuários.

Se você estiver pensando em testar o Autodesk Dragonfly, saiba que ele ainda tem dois pontos negativos muito fortes:

  • Não gera imagens dos layouts! Tudo deve ser visualizado no próprio sistema;
  • Os designs podem ser impressos apenas na versão 2D em planta. Quando estamos visualizando os objetos em 3D na vista isométrica a opção de impressão fica desabilitada
  • A edição e ajuste do modelo só podem ser realizados na vista em planta

Fora esses pontos negativos, a idéia é muito interessante. Como é totalmente gratuita, vale a pena fazer um teste.

Autodesk Newport: Interatividade e visualização de projetos arquitetônicos em 3D

As interfaces e a maneira com que interagimos com os sistemas estão avançando a cada dia, e como todos devem estar cientes, muito em breve as interfaces sensíveis ao toque devem ser o padrão para uso de softwares. Ainda acho que o sistema mouse e teclado sobrevivem na parte da criação, pois é direcionado para o perfil técnico das pessoas que trabalham com computação gráfica. Mas, os consumidores em breve só devem usar interfaces sensíveis ao toque. Com isso em mente, podemos nos questionar sobre os tipos de produtos e sistemas em que teremos que trabalhar para oferecer serviços e material relacionado com computação gráfica para esse tipo de interface.

Um projeto inovador, ainda em fase de desenvolvimento nos laboratórios da Autodesk, pode trazer uma luz para a resposta. O projeto se chama até agora Newport, e a sua proposta é bem interessante e mescla conceitos de desenvolvimento de jogos, com interfaces sensíveis ao toque. Isso aliado a uma boa interface e algumas ferramentas interessantes, podem realmente trazer uma experiência diferente para os possíveis clientes em empreendimentos imobiliários.

Quer ver um exemplo? O vídeo abaixo mostra a tecnologia em ação, com uma pessoa interagindo em tempo real com um projeto de edificações.

O primeiro ponto que podemos destacar é a interação da pessoa com a representação técnica do projeto, pois ela usa a planta da casa para se locomover. Ao caminhar pela planta, o display mostra de maneira síncrona a posição e visão da pessoa na edificação que ainda não existe. Isso é de grande ajuda, pois a maioria das pessoas não consegue visualizar os projetos apenas pelo desenho técnico, e as plantas são a ilustração mais usada para esse propósito.

Outro ponto interessante foi a possibilidade de fazer escolhas de materiais e revestimentos na interface. O usuário escolhe uma pequena placa correspondente ao material, para que o ambiente interativo seja atualizado em tempo real. Depois, ainda é possível posicionar uma maquete sobre a interface, para que o modelo 3d mude de perspectiva e mostre a parte externa da edificação.

O público alvo dessa tecnologia são escritórios de arquitetura e empresas especializadas em projetos, mas acredito que no futuro uma interface como essa possa ser aproveitada para outros propósitos. A junção de modelagem 3d com a tecnologia de interação para jogos não é novidade, mas o conceito em si de usar interfaces sensíveis e mais interação, fazem a diferença nesse tipo de projeto. Repare que no web site do projeto, o slogan deles diz “game engine para arquitetos”. Se fosse só por isso, acredito que o Blender 3D já faz um ótimo trabalho, oferecendo a possibilidade de criar ambientes interativos, sem o uso de códigos.

Renderização em tempo real com V-Ray: Vídeos demonstrativos

Parece que o assunto de hoje é V-Ray! Bem, apesar de ser relacionado do V-Ray novamente, esse artigo não faz menção ao uso do Blender, mas sim uma tendência na computação gráfica, mais precisamente na produção 3d. Já falei mais de uma vez aqui que o futuro está no 3d em tempo real, que apesar de parecer distante já começa a dar os seus primeiros passos, para a disseminação entre artistas. O que você acha de tentar fazer a configuração de um ambiente em 3d, com iluminação global e tudo mais, tendo feedback em tempo real?

Uma versão especial do V-Ray está para disponibilizar esse tipo de funcionalidade, mas não se anime muito, pois é necessário um hardware que agüente o tranco, para conseguir o render em tempo real. Para demonstrar o recurso, o pessoal da chaosgroup, divulgou uma série de vídeos demonstrativos, em que eles mostram como é possível atingir o efeito em uma viewport do tipo activeshade.

VRay realtime render

No total são quatro vídeos que demonstram bem o uso do software. Para fazer o download do material, visite esse artigo no VRay.info.

Para que você tenha uma idéia do hardware necessário para atingir esse nível de performance, os computadores usados para gravar os vídeos têm oito núcleos. Não espere uma versão comercial desse sistema para breve, segundo o anuncio dos desenvolvedores do V-Ray, o software ainda está em Alpha e precisa de muito trabalho para ficar estável.

Repare no último vídeo em especial, que mostra um dos principais tipos de cenas renderizadas com o V-Ray, uma maquete eletrônica. O autor dos vídeos deixa qualquer pessoa que trabalha nessa área babando impressionado com as alterações em materiais ou luzes, com o feedback em tempo real. Ele muda a posição da luz, a viewport do 3ds Max é atualizada automaticamente!

Agora, você pode estar perguntando; mas eu não uso v-ray, como posso começar a usar esse tipo de tecnologia?

Para quem não usa o V-Ray, pode começar a investir no 3d em tempo real, como animações interativas, que é direcionado realmente para o cliente final. Essa versão do V-Ray apenas ajuda na produção, mas o cliente ou consumidor de 3d não poderá usufruir dessa tecnologia.

Quando criamos 3d interativo, com renderização em tempo real, estamos criando um produto semelhante a um jogo, que pode ser distribuído e comercializado. Invista nessa área, procure se informar sobre produção de jogos com game engine. Quem usa Blender 3D, tem uma vantagem competitiva, pois ele já disponibiliza uma engine integrada. Mesmo ela sendo limitada, podemos usar outras engines mais sofisticadas para gerar 3d interativo de qualidade.