Tutorial sobre o novo sistema de render volumétrico para o Blender 3D

Entre as diversas ferramentas que estão sendo desenvolvidas para o Blender 3D e que não foram adicionadas a versão 2.49, por ainda não apresentar ferramentas e procedimentos estáveis e que possam ser aplicados em ambientes de produção, encontramos o novo sistema de render volumétrico. Para usar esse sistema foi adicionado ao painel de materiais do Blender uma opção para selecionar um novo tipo de material, chamado de volumetric. O desafio para usar esse tipo de sistema é a quantidade de opções e controles adicionais aos materiais do Blender 3d, que podem ser um grande desafio para usuários novos e até mesmo os mais experientes na ferramenta podem ficar sem saber os procedimentos para usar a volumetria.

O tutorial abaixo mostra de maneira bem detalhada os procedimentos para usar a ferramenta e criar simulações com nuvens e outros elementos volumétricos no Blender 3D com o chamado Sim Physics. Se você quiser testar o novo sistema acompanhando o tutorial, o link para a versão do Blender usada no vídeo é esse aqui (Windows). Mas, devo alertar que essa é uma versão experimental do software que não deve ser usada em ambientes de produção.

O vídeo tem mais de 30 minutos de duração:

Blender volumetric clouds tutorial from Falgor on Vimeo.

O primeiro passo realizado pelo artista é a configuração de um material do tipo volume, aplicado em um cubo simples do Blender 3D. Não é necessário fazer nenhum tipo de ajuste na renderização para que as imagens comecem a ser geradas com esse tipo de recurso. As configurações do material podem ser ajustadas no menu volume, que aparece aquando usamos esse novo tipo de material. Mas, os parâmetros usados por padrão resultam em volumetria semelhante a uma “fumaça negra”, pois os valor do absorption está configurado para 1. Esse valor determina que o material absorve energia luminosa na cena, resultando nessa fumaça escura.

No decorrer do tutorial é possível acompanhar uma descrição breve das ferramentas feitas pelo autor, para que seja possível criar uma simulação de nuvens bem realista. Inclusive com o uso do sistema de partículas do Blender para modelar as nuvens. Esse é um excelente início para um possível módulo no Blender 3D para gerar cenários e ambientes virtuais com base em parâmetros reais.

Tutoriais de iluminação para estúdio fotográfico

O assunto iluminação sempre deixa a maioria dos usuários com várias dúvidas, principalmente se o modelo 3d ou cenário virtual precisa de um tratamento especial na parte de luzes. Sempre digo aqui, e não canso de repetir que a melhor maneira de aprender iluminação é estudar fotografia. Se fosse possível fazer uma comparação literal, seria melhor ainda estuda cenografia para teatro. O ambiente dos palcos de teatro é muito similar ao que encontramos em softwares 3d, sem nenhuma iluminação tudo fica escuro! Os cenógrafos precisam adicionar luzes do tipo Spot e outras para conseguir iluminar bem o ambiente, ao mesmo tempo em que passam as emoções da cena.

Se você precisa, ou quer aprender mais sobre iluminação, recomendo uma visita ao Lowel EDU. Esse web site tem dicas fabulosas sobre organização de iluminação para vídeo, que podem ser aproveitadas para ambientes 3D.

My little Product Photo Setup

Lá é possível encontrar vários tutoriais, com ilustrações e fotografias explicando a organização da iluminação no cenário. Entre os tutoriais, destaco alguns:

  • Fundamentos de posicionamento para fontes de luz: Esse é um tutorial generalista, que mostra de maneira geral, com vários fundamentos de iluminação, como o sistema de três pontos. Na página do tutorial é até possível visualizar o efeito da iluminação sobre uma pessoa, de diferentes ângulos.
  • Iluminando entrevistas: Mais um tutorial, explicando em detalhes o processo necessário para iluminar uma entrevista. Assim como nos outros artigos, o material é ilustrado com fotografias de uma entrevista para vídeo.
  • Usos específicos para a luz: Você sabe quando usar cada tipo de luz? Quando usar Spot ou Plano de luz? Esse tutorial explica de maneira rápida os detalhes de cada fonte de luz, assim como a situação mais adequada para usar cada um desses tipos. Para quem não conhece nada de luminotécnica, essa parte dos tutoriais é muito interessante.
  • Glossário de termos técnicos: Para finalizar, considero essa parte do web site uma verdadeiro tesouro! É muito difícil encontrar boas referências para os termos técnicos usados na iluminação, até mesmo para fazer pesquisas mais refinadas. Aqui é possível encontrar vários desses termos bem explicados.

Como de costume, o único inconveniente é que o material está todo em língua inglesa. Mas, acredite em mim, quando digo que vale o esforço para entender um pouco mais sobre iluminação. Por outro lado, como muito dos tutoriais é ricamente ilustrado com fotografias e diagramas, talvez fique até simples de compreender as dicas, mesmo sem dominar a língua.

Como usar luzes fotométricas no Blender 3D?

Quem trabalha com visualização de projetos arquitetônicos e precisa representar ambientes com certa precisão, tanto nas dimensões com o na iluminação final do projeto, deve necessariamente trabalhar com luzes fotométricas. Já não faz muito tempo, que recomendei uma biblioteca gratuita de luzes fotométricas, também chamadas de IES. Naquele artigo eu tinha prometido mostrar com usar esse tipo de luz no Blender 3D, para que qualquer pessoa pudesse simular iluminação de ambientes de maneira realista.

Para trabalhar com esse tipo de iluminação no Blender, farei uso do renderizador Indigo. Desde a sua versão 1.0.2, o Indigo suporta o uso de luzes do tipo IES. Recomendo que você leia atentamente o artigo sobre luzes IES, indicado no início desse texto. Ele aponta para uma biblioteca gratuita dessas luzes, assim como mostra as ferramentas necessárias para manipular e abrir esse tipo de arquivo.

Bem, vamos ao que interessa, para começar esse tutorial, irei utilizar os seguintes softwares:

  • Blender 3D 2.46
  • Indigo Renderer 1.0.9 (Versão estável mais recente)
  • Blendigo Versão 1.0.9 (Script para integrar o Blender com o Indigo)
  • Python 2.5 (Necessário para usar scripts no Blender)

Para aprender a instalar e configurar o Blendigo, leia esse outro tutorial. Se você estiver lendo esse tutorial quando versões mais atualizadas dessas ferramentas estiverem disponíveis, as configurações apresentadas podem mudar.

Antes de começar, me permita explicar com funciona essa integração para que fiquem claros os passos necessários para modelar e ajustar a cena. Quando usamos luzes IES no Indigo, precisamos ajustar um material de qualquer objeto, para que ele emita luz. Na configuração do material podemos acionar a opção Photometrics, para esse material apenas, e escolher um arquivo IES para que o material adquira as mesmas propriedades fotométricas da lâmpada, representada pelo arquivo IES.

Bem, chega de conversa e vamos ao tutorial! Para poder trabalhar com o Indigo criei uma cena bem simples, que vai servir com o cenário para o nosso teste.

Ele é composto por um cenário simples, sem luzes (Lamp) e apenas um pequeno plano, que deixei um pouco maior que o normal, para que fique mais fácil de localizá-lo na imagem. O plano será o nosso emissor de luz.

Se você não tiver paciência, para criar a cena, estou disponibilizando a mesma aqui para download, assim você pode seguir o tutorial com a atenção concentrada na iluminação.

Depois que o modelo estiver pronto, acione o Blendigo no menu File -> Export -> Blendigo 1.0.9 para que a janela de configuração do Script apareça.

Lá você deve escolher a opção material. Essa é a parte do Blendigo que configura os materiais, nele precisamos configurar o material do plano. Como ele ainda não tem nenhum, selecione o plano e adicione um novo material nele. No meu caso, ele ficará com o nome “Material.001”, você pode alterar o nome se quiser.

Agora no painel de materiais, você deve fazer o seguinte, escolher o nome do material “Material.001” e configurar na aba inferior o Indigo Mat, como sendo “EMITTER = lights+meshes”.

O próximo passo é acionar o botão Photometric, para que o material possa receber informações de um arquivo IES. No seletor de arquivos escolha um arquivo IES.

Pronto! Antes de acionar a renderização, precisamos apenas fazer mais uma coisa, acione o botão Environment na parte superior, para desligar qualquer iluminação adicional, escolha a opção “None (lit by mesh emmiters)”.

Isso fará com que a cena seja iluminada apenas pelos emissores de luz.

Agora sim, você pode acionar o render! Nesse caso, aperte o botão EXPORT Scene. Se tudo correu bem, você deve ver a cena renderizando no Indigo.

Algumas coisas que você deve saber, sobre as luzes IES no Indigo:

  • A direção da luz é controlada pela normal do plano emissor, caso a sua luz seja emitida na direção errada, verifique a normal do plano
  • Algumas luzes IES não podem ser emitidas de planos, você verá um erro no momento de renderizar com o Indigo, mude de arquivo IES para resolver
  • Escolha bem o arquivo IES, você pode visualizar informações sobre a luz, com o a potência e dimensões no IES Viewer (Link para download no início do artigo).

Para não deixar a cena tão simples, adicionei algumas poltronas ao cenário e deixei renderizar por alguns minutos, eis o resultado.

Agora você já sabe como usar luzes fotométricas no Blender 3D.