Linux domina na produção de animações computadorizadas e efeitos

Uma coisa que muitos artistas iniciantes na área de computação gráfica não sabem é que, boa parte dos grandes estúdios de animação usa plataformas Linux para produzir seu material. Sim, aquelas animações que você assiste no cinema são na sua maioria totalmente elaboradas em ambientes Linux, por vários motivos, como a estabilidade e a possibilidade de personalizar o sistema, para atender demandas específicas de cada estúdio durante um grande projeto. Para saber mais sobre o uso do Linux em estúdios de animação, recomendo uma visita ao web site chamado de Linux Movies, que reúne informações muito interessantes sobre esses projetos.

Entre os materiais que podemos encontrar no Linux Movies, existem listas com os softwares usados nos estúdios, assim como alguns dos pontos chave do Linux, que fazem com que vários deles usem esse sistema operacional.

O uso do Linux nesse tipo de sistema é o que faz com que empresas como a Autodesk e SideFX, desenvolvam versões especiais do Maya e Houdini respectivamente para o ambiente Linux. Esse mercado é muito grande e praticamente dominado por esse tipo de ferramenta. Mas, aguarde por novidades em relação ao Blender nesse mercado, pois o Big Buck Bunny direcionou a atenção dessas empresas para o potencial criativo do Blender. O melhor de tudo é que o Blender já roda de maneira nativa no Linux.

Outras ferramentas como o 3ds Max, muito dificilmente devem rodar no Linux de maneira nativa. Quando ele foi desenvolvido, a Autodesk usou muito da tecnologia do Windows NT na época. Isso marcou a migração do 3d Studio para a o chamado 3ds Studio MAX na época.

Quer alguns exemplos de estúdios que usam Linux?

  • Dreamworks
  • ILM
  • Pixar
  • Digital Domain
  • Weta Digital

Todos esses estúdios usam Linux.

Não deixe de conferir o arquivo PDF, disponível na página inicial do sistema que é a representação de uma apresentação em slides, de uma palestra que o fundador do site ministrou sobre o tema. Como qualquer boa apresentação em slides, ela acompanha dados estatísticos e muitas imagens sobre o tema. Uma delas é até usada para ilustrar o artigo.

Bem, você não vai aprender nenhuma técnica nova, mas vai perceber que muito provavelmente precisará usar Linux para produzir animações de alto nível. Você já sabe usar ele? Quem sabe esse é o momento de começar? Se você aceitar minha sugestão, recomendo a dobradinha Blender e Ubuntu.

Junto com o Ubuntu, você ainda pode fazer a instalação do Houdini Apprentice para estudar, que é disponibilizado em versão para Linux também.

Qual sistema operacional usar para computação gráfica?

A pergunta formulada no título desse artigo é de difícil resposta e pode até mesmo em algumas situações gerar conflitos inflamados. A verdade é que tudo é questão de ponto de vista e objetivos profissionais. Muita gente trabalha bem com Windows, Mac Os ou Linux sem maiores problemas. Isso acaba sendo mais uma questão de preferência pessoal, relacionada com a sua experiência em ferramentas ou softwares necessários para algum desses sistemas. Por exemplo, uma pessoa que já trabalhe e tenha uma licença do V-Ray dificilmente irá migrar o seu parque de computadores para Linux ou Mac Os. Ele está errado? Claro que não, tudo é questão de costume ou necessidade.

Se esse mesmo usuário que está acostumado com V-Ray aplicado no 3ds Max, achar que o uso desses softwares não compensa mais, então a migração para outro sistema é válida.

Mas, imaginando que você queira migrar qual é a melhor opção? Não vou tentar responder essa pergunta, mas sim apontar um artigo interessante, escrito em Francês, sobre a escolha de sistemas operacionais para computação gráfica. Para os que não falam Francês, aqui existe uma tradução automática da página para o português.

No artigo, o autor fala sobre a experiência de um artista que precisa migrar do Windows para o Linux. No decorrer desse mesmo artigo, ele acaba fazendo uma análise rápida dos prós e contras de cada sistema, para a área de computação gráfica. Junto com a análise ele acaba listando algumas das principais ferramentas como o Blender 3D, Maya e outros.

O artigo é interessante e útil para pessoas que estejam nessa encruzilhada, querendo migrar para outros sistemas que não sejam o Windows. Grande parte dessa iniciativa pela mudança é decorrência da fama negativa do Windows Vista.

Por exemplo, você sabe o motivo pelo qual a Autodesk não lança o 3ds Max para outras plataformas? No artigo o autor comenta o motivo que faz com que essa ferramenta seja “exclusiva” do Windows e também os motivos que fazem outras empresas, que desenvolvem softwares comerciais, literalmente ignorarem sistemas com o Mac Os e Linux.

Quer um conselho? Leia, mas tente tirar as suas próprias conclusões. Muito do que é falado é interpretação subjetiva. O que vai importar mesmo no final é se a sua renderização ou animação é de qualidade.

Estudo de visualização para uma galeria de arte no Blender 3D

Usar luzes como fonte de iluminação é a primeira opção quando pensamos na iluminação de um ambiente, mas existem outras opções. Quando o trabalho envolve visualização de projetos arquitetônicos é sempre bom ter mais opções de iluminação, principalmente no que se refere a possibilidade de usar os próprios modelos 3d como emissores de energia luminosa. O Blender 3D não consegue fazer isso de maneira nativa, mas com o auxílio de renderizadores externos como o Indigo Renderer é possível usar objetos como emissores de luz.

Para exemplificar o uso dessa ferramenta, vou mostrar hoje um projeto em que estive trabalhando nas últimas semanas, que na verdade foi um trabalho bem rápido que fiz para um conhecido. Ele estava querendo um estudo preliminar sobre o projeto de uma galeria de arte, principalmente no que diz respeito ao estudo da iluminação interior.

O objetivo do projeto é verificar a viabilidade estética da iluminação. Como a imagem era um estudo, não avancei muito nos detalhes e pormenores da imagem. Apenas modelei o ambiente com base em algumas orientações verbais, nem croquis eu tinha, e acabei com o modelo do ambiente, que já foi mostrado aqui no tutorial sobre o Grease Pencil.

Não vou entrar nos detalhes da modelagem, apenas da iluminação. Para usar objetos como emissores de luz no Blender e renderizas com o Indigo, você deve seguir algumas pequenas regras para evitar problemas:

  • Use objetos simples, quanto mais simples melhor. Se for possível use apenas um plano, pois com objetos mais complexos, com muitas faces o Indigo acaba tento dificuldade para resolver a iluminação e o render pode demorar muito.
  • Na modelagem, tente seguir uma escala real. Uma boa comparação para o Indigo é considerar que uma unidade do Blender (Blender Unit) é igual a 1 metro. Isso é muito importante para o Indigo.
  • Configure as normais dos planos de maneira que elas controlem a direção da iluminação.

O modelo em si tem planos que emitem luz, nas laterais das paredes, no topo e na armação de destaca os quadros da galeria.

Qual a configuração do material? No Blendigo você deve escolher o material do objeto como sendo do tipo Emitter para que o mesmo emita energia luminosa. Você deve apenas ter muito cuidado com a cor da luz, que deve ser alguma coisa próxima do branco, para que você não tenha um ambiente com iluminação distorcida.

Pronto! Com tudo configurado é só acionar a renderização, que no meu caso levou aproximadamente 1 hora e meia para gerar esse resultado. Todo o processo foi feito no Ubuntu, com o Indigo sendo executado com o Wine.

Espero que com esse exemplo, os artistas envolvidos com renderização no Mental Ray, V-Ray ou Final Render descubram que o Blender com o Indigo pode gerar o mesmo tipo de simulação, com objetos emitindo luzes como eles fazem com o 3ds Max ou Maya.

Renderizando imagens no Linux com LuxRender e Indigo

Sempre que converso com algum artista interessado em usar o Blender 3D para modelagem e animação, o mesmo fica curioso sobre o uso do Blender em ambientes Linux. Será que funciona mesmo? Essa é uma dúvida comum, e a grande maioria dos artistas 3d iniciantes são oriundos de uma cultura que usa apenas Windows e não conseguem se imaginar usando outra ferramenta. Como não existem versões para Linux de renderizadores famosos como o V-Ray e Mental Ray, a maioria acha que é necessário usar Windows para trabalhar. Isso não é verdade e para provar que é possível trabalhar muito bem produzir imagens foto realísticas com Linux, resolvi escrever esse artigo.

Na verdade é uma visão geral de como instalar e usar o LuxRender e o Indigo no Linux. Hoje ambas as ferramentas tem versões nativas para Linux. Com o LuxRender é mais simples, ele é de código aberto, então precisamos apenas fazer o download do código fonte do software e compilar a versão mais recente.

Sei que para muita gente isso é grego, mas é apenas um exemplo do que se pode fazer. Se você já usou alguma vez o prompt de comando do Windows, consegue fazer o mesmo no Linux. Tudo que é necessário para isso é uma seqüência de comandos que podem ser encontrados aqui. Você nem precisa entender o que cada um faz, é só copiar e colar.

Depois da compilação concluída, você terá uma versão otimizada do LuxRender para o seu sistema. Agora é só instalar o LuxBlender na pasta de plugins do Blender e renderizar.

Para esse teste, criei uma cena bem simples, para testar a iluminação com o Physical Sky do LuxRender e Indigo. O Linux usado é o Ubuntu 8.04.

Depois que o modelo está pronto, agora é só acionar o LuxRender e esperar pelo resultado final.

E o Indigo? Para usar o Indigo no Linux, temos duas opções. Esperamos que o Nicholas Chapman, o desenvolvedor do Indigo publique versões nativas para o Linux, ou precisaremos usar o Wine, que é um software que emula o ambiente Windows no Linux. Emula como? Com ele podemos “simular” o ambiente do Windows dentro do Linux, para usar softwares que não estariam disponíveis de maneira nativa no Linux.

Por exemplo, podemos instalar o SketchUp no Ubuntu com o Wine.

O Indigo tem uma versão nativa para Linux, a 1.0.9 que não é a versão mais recente. Como o Indigo não é de código aberto, não podemos fazer o download do código fonte como no LuxRender.

Mas, podemos fazer uma instalação no Wine. Veja como funciona.

Quando você instala o Wine, ele cria um ambiente semelhante ao Windows em uma pasta especial dele. Veja na imagem que temos um diretório chamado “Arquivos de programas” e “Windows”. Você deve extrair o Indigo para uma pasta dentro do Wine para que ele possa funcionar.

Pronto? Agora é só usar o Blendigo, certo? Ainda precisamos fazer uma pequena alteração para que o Blendigo possa funcionar. O truque é bem simples, você precisa copiar ou criar um arquivo de texto chamado “IndigoWrapper.conf”, que deve apresentar o caminho para o executável do Indigo. Nesse caso eu configurei o meu arquivo para a pasta do Wine que contém o Indigo. Esse arquivo deve ser posicionado na pasta “bpydata” no diretório de Scripts do Blender 3D.

Pronto! Agora é só abrir o Blender 3D e usar o Blendigo normalmente. Veja a imagem abaixo em que o Indigo foi acionado de maneira automática com o uso do Blendigo.

Qual o meu objetivo com esse artigo? Mostrar que é possível sim trabalhar com Linux e produzir imagens realistas. Não vou dizer para você sair correndo e formatar o seu computador, mas deixar você curioso para tentar usar em um futuro próximo o Blender 3D em ambiente Linux. Quer ler o depoimento de um artista que antes só usava o Blender 3D no Windows e está impressionado com o ganho de performance no Linux? Leia esse artigo, em que Roland Hess comenta as agradáveis surpresas em migrar para Linux.

Ainda não tive tempo, mas em breve pretendo testar o Maxwell Render no Linux também, eles tem uma versão nativa para Linux.