Seagulls fly fecha as portas

A semana que passou foi muito triste para o mercado brasileiro de computação gráfica, pois um dos maiores estúdios nacionais anunciou no seu web site que estaria fechando as portas. Para quem não conhece a Seagulls fly é, ou era, uma das mais renomadas empresas especializadas em produção de material baseado em computação gráfica para as mais variadas mídias seja o mercado publicitário, jogos digitais e cinema. O portfólio deles era um dos mais legais e impressionantes em termos de quantidade e qualidade em território nacional, mas tudo isso não foi suficiente para manter a empresa, e por motivos que não foram divulgados a empresa não conseguiu se manter com uma combinação que muitos tentando conseguir que é a do portfólio com os recursos humanos!

Restaurant's "Sorry we're Closed" sign

Os motivos que fazem uma empresa como essas fecharem são os mais diversos e levantam questões sobre como devemos lidar com situações semelhantes, para não ver nossos projetos indo no mesmo rumo. Assim como existem empresas que não conseguem se manter por 1 ou 2 anos, é fácil encontrar exemplos de empresas que perduram por 10, 20 ou 30 anos. A área de tecnologia é cruel com corporações, pois as mudanças no mercado são rápidas o suficiente para deixar qualquer diretor de empresa de cabelos em pé! Se a empresa não for rápida o suficiente para adaptar o seu meio de produção e ambiente as realidades e mudanças no mercado, é muito fácil perder o rumo.

Para iniciativas no Brasil as coisas são um pouco mais complicadas, pois o nosso sistema tributário que coloca o governo como sócio de absolutamente tudo e os altos encargos trabalhistas, deixam a gestão financeira dessas empresas um verdadeiro malabarismo. A minha especialidade não é em contabilidade ou gastos trabalhistas, mas em algumas situações esses encargos passam de 50% do valor pago ao funcionário!

A variação cambial é outro fator determinante, pois muito do que é adquirido e contratado nesse tipo de mercado está ligado ao dólar, e uma dívida adquirida em dólar na época em que o mesmo estava próximo de 1,50 deve ter explodido as finanças da empresa com a subida para a faixa dos 2,00 Reais.

Isso é apenas parte dos desafios de manter uma produtora ou estúdio, e nenhuma delas se aplica ao caso da Seagulls fly, até pelo simples motivo de não terem sido divulgados os motivos pelos quais a empresa anunciou o seu fechamento.

É inevitável pensar nesse tipo de dificuldade, quando você encontra situações como essa, e fica como alerta para as pessoas interessadas em trilhar esse caminho. Os benefícios são muitos, mas é preciso ter cuidado ao longo do trajeto.

Qual a melhor versão de software 3d para começar a estudar?

Dentre a maioria dos e-mails que recebo aqui do blog, com dúvidas sobre softwares 3d, uma pergunta tem aparecido com mais e mais freqüência na minha caixa de entrada. Pelo que parece, essa dúvida foi motivada pelos recentes artigos que publiquei aqui no Blog, com a nova interface do Blender 3D, que está sendo planejada para a versão 2.50 do software. As dúvidas estão relacionadas à facilidade com que será possível migrar de softwares, com mudanças tão drásticas na interface dos mesmos. Por exemplo, vale à pena estudar Blender 3D agora com essa mudança na interface, planejada para as próximas versões?

Antes de responder a essa pergunta, me permitam explicar que isso é muito relativo e está diretamente ligado com o seu objetivo em aprender um software 3d.

Uma coisa que muita gente ainda acredita ser verdadeira, é que a maioria das empresas que trabalha com softwares 3d, sempre utiliza as últimas versões dos softwares. Isso é uma ilusão, pois a maioria das empresas está interessada mesmo em produzir conteúdos, como animações e imagens. A parte do software é o meio apenas.

Ainda conheço alguns artistas que usam o 3ds Max 8 como software, pelo simples fato dessa versão atender a todas as suas necessidades criativas.

Sem mencionar o fato de uma atualização de software, principalmente no que se refere a ferramentas 3d, demandar uma atualização de hardware também.

No caso do Blender 3d as coisas são um pouco mais complicadas, pois é muito fácil atualizar o software. Já que ele é totalmente gratuito, basta visitar o web site e fazer o download.

O que você precisa entender ao estudar esse tipo de software é a função de cada ferramenta, para poder se adaptar a qualquer software. O botão extrude está presente em softwares como o Blender 3D, 3ds Max, LightWave, Maya, Softimage e Cinema 4D. Mesmo não tendo usado nenhuma dessas ferramentas, sabendo o que faz o extrude, você saberá quando e como usar ele. Esse é o segredo!

Quando um dos meus alunos me fala que recusou uma proposta de emprego, por não conhecer o software que a empresa usa, eu geralmente digo a ele que em tom de sermão, que esse tipo de oportunidade não se perde por conhecimento de software. Você pode muito bem se adaptar a qualquer software 3d, contanto que a parte básica dos softwares 3d esteja bem fundamentada.

A moral da história? Pode estudar qualquer software hoje mesmo, e não se preocupe com as atualizações, elas são inevitáveis, mas é o seu conhecimento dos fundamentos da computação gráfica 3d que devem determinar a facilidade com que a adaptação, a novas interfaces e softwares será realizada.