Render em rede com o 3ds Max

As soluções existentes hoje em dia para acelerar o processo de renderização envolvem o uso de GPUs para distribuir o render na placa de vídeo, que é a mais moderna, e temos também a solução mais tradicional que é o render em rede. Como sempre recebo perguntas pelo Twitter ou aqui no blog, sobre o tema, achei que um vídeo explicando o funcionamento desse tipo de recurso no 3ds Max seria de grande ajuda. O vídeo no caso foi publicado pela própria Autodesk, e mostra todas as opções de render em rede disponíveis para o 3ds Max.

Existem no total três opções distintas de render no 3ds Max que são:

  • Distributed Bucket Rendering: Com essa opção de render podemos distribuir os chamados render buckets, que são aqueles pequenos “quadradinhos” equivalentes a um processador, que aparecem no render com mental ray em vários computadores. Com isso, teremos uma imagem estática que é gerada usando inúmeros buckets, um para cada núcleo dos processadores usados na rede. Esse tipo de render é excelente para projetos de visualização para arquitetura, pois gera imagens com grande realismo e resolução no mental ray de maneira rápida.
  • Network Strip Rendering: A técnica consiste no corte das imagens geradas pelo 3ds Max em vários pedaços diferentes, que são renderizados por computadores distintos na render. Esses pedaços são posteriormente unidos pelo Backburner do 3ds Max (aquele programa que é instalado junto com o 3ds Max). O processo é indicado para render de imagens também, mas tem aplicação em animações.
  • Backburner Rendering: O último processo de render em rede distribui os jobs de render por vários computadores, e faz a união dos arquivos resultantes. Esse processo é mais indicado para animações e permite trabalhar com gerenciamento remoto dos processos.

Mesmo com todas essas opções de render em rede, ainda acredito que a tendência no futuro é o uso cada vez maior das GPUs como artifício para acelerar a criação de imagens e vídeos. Para usuários e artistas sem condições de comprar vários computadores, uma boa placa de vídeo pode ajudar de maneira significativa. Caso você trabalhe em um estúdio ou empresa que disponha de vários computadores e licenças do 3ds Max, pode começar a aproveitar de imediato essas opções para acelerar a sua produção.

Controle de renderização remota gratuita pelo Dropbox

A renderização de projetos que envolvem a criação e vídeo sempre gera uma enorme dor de cabeça para qualquer profissional, pois lida com uma enorme quantidade de dados e demanda uma série de computadores para gerar de maneira mais rápida uma animação. Por isso, o uso de renderização em rede sempre foi uma solução bastante usada por profissionais e artistas interessados em acelerar esse tipo de processo. Outro ponto crítico em relação a renderização em rede, é a transferência desses dados gerados pelo render para computadores remotos, para facilitar o processo de produção.

Bem, existe uma maneira muito simples e barata de agilizar todos esses processos de renderização usando um serviço gratuito na web chamado de Dropbox. Esse é um web site que funciona com o intuito principal de oferecer um espaço na “nuvem” para que você faça backup dos seus arquivos. O objetivo principal pode ser usado por qualquer pessoa, usando o espaço de 2 GB de maneira totalmente gratuita.

dropbox.png

Mas, como ele pode ajudar com projetos de renderização?

O grande trunfo do Dropbox é o seu aplicativo que permite sincronizar uma pasta no seu computador com a sua conta, e se for instalado em vários computadores é possível ter acesso aos arquivos em qualquer máquina, sendo que a sincronização é feita de maneira automática! O mesmo aplicativo está disponível para celulares e tablets, permitindo ter acesso aos arquivos em qualquer lugar que você estiver.

Ainda não entendeu? Me permita explicar como tenho usado o Dropbox para ajudar a gerenciar meus projetos de renderização.

A primeira aplicação é bem simples, e consiste no uso do Dropbox como forma de acompanhar o progresso de uma renderização para vídeo. Para isso eu configuro do Blender para salvar os arquivos de uma animação como seqüência de arquivos PNG, em uma pasta que está sincronizada com a minha conta no Dropbox. Posso deixar o computador renderizando em casa e sair para resolver outros problemas, e com o aplicativo do Dropbox no celular acompanho o progresso da renderização. Quando terminar, basta ligar o notebook para sincronizar o material com a minha pasta do Dropbox e começar a trabalhar na finalização da animação.

Outra maneira de trabalhar com o Dropbox é por meio de render compartilhado. Por exemplo, já instalei o Dropbox em três computadores diferentes e configurei o Blender para renderizar trechos diferentes de uma animação em cada um dos computadores. Por exemplo, cada computador ficava com trechos entre os frames 1-5000, 5001-7500 e 7501-9000 respectivamente, e a cada quadro renderizado os arquivos eram sincronizados em pastas diferentes.

Como eu não estava fisicamente próximo desses computadores, pude copiar os arquivos no final do processo e trabalhar de imediato na pós-produção. A mesma coisa poderia ser feita em trabalhos em equipe. Para aproveitar o web site, basta um computador com acesso a internet!

Esses são apenas alguns dos usos do Dropbox como forma de ajudar a trabalhar melhor com 3d e renderização. Já mencionei que o serviço é gratuito para uso de armazenamento de até 2GB? Mas, lembre que as vantagens no uso do Dropbox só aparecem mesmo com a instalação do aplicativo. Ele está disponível para Windows, Mac e Linux!

Octane Render: Renderizador realista baseado em GPU

A renderização por softwares que usam algoritmos ou métodos do tipo Unbiased para gerar imagens são notoriamente mais realistas, pela sua fidelidade em relação ao comportamento da luz com a física real. Apesar da sua fidelidade com o realismo dos ambientes, esse tipo de software demanda longos tempos de render para gerar imagens sem a granulação característica por esse tipo de imagem. Por exemplo, as imagens geradas por softwares como o LuxRender, Indigo Render ou Maxwell Render podem necessitar de várias horas de render para conseguir gerar imagens de qualidade. Uma das maneiras de acelerar esse processo é usando computadores com diversos núcleos ou então render em rede.

Um renderizador chamado Octane Render foi anunciado no início dessa semana prometendo revolucionar a velocidade e maneira com que os renders do tipo Unbiased funcionam. O seu segredo é fundamentar o seu processo de geração de imagens na GPU e não na CPU, aproveitando o poder das modernas placas de vídeo que já apresentam diversos núcleos em paralelo.

Já conheço esse software desde metade do mês passado, pois faço parte dos beta testers convidados a participar dos estudos e testes do renderizador, e posso dizer que é realmente impressionante o resultado e velocidade do software. O vídeo abaixo mostra uma rápida demonstração do software usando uma cena crida no Blender 3D. Com o Octane é possível importar modelos 3d no formato OBJ que pode ser gerado por praticamente qualquer ferramenta 3d.

Como o render é gerado pela GPU, a manipulação e ajustes da cena são feitos em tempo real pelo artista. O software como um todo é baseado em nós, o que pode confundir um pouco as pessoas com pouca experiência nesse tipo de sistema, mas é apenas questão de costume.

Depois de todos esses pontos positivos chegou a hora de falar sobre o que não é muito agradável! O software será pago? Sim, o Octane será um software comercial seguindo os mesmos moldes do Indigo Renderer mas muito mais barato. O seu custo está estimado em 99 Euros no lançamento previsto para Fevereiro desse ano. Mais informações sobre a ferramenta podem ser encontradas no web site da Refractive Software, empresa responsável pelo desenvolvimento do software.

Assim que tiver mais material disponível, publico uma análise mais detalhada sobre a ferramenta inclusive com vídeos.