Mapeamento 3d físico de vídeo para arquitetura

O desenvolvimento de projetos para design de interiores é um dos tipos que mais exige a parte de edição das texturas e materiais, pois geralmente nesse tipo de situação o cliente quer fazer vários estudos com texturas e cores diferentes. Já tive a oportunidade de participar de vários projetos em que a modelagem 3d era usada como forma de desenvolver o projeto com o estudo de materiais. A apresentação para os clientes geralmente é feita usando um vídeo que mescla os diversos materiais e texturas, usando animação linear ou mesmo uma pequena interface multimídia usando o Flash.

Mas, já pensou de fosse possível criar um grande painel interativo que mostrasse essas opções de materiais e texturas em um ambiente real? Você poderia até imaginar o uso de painéis de LCD gigantes que seriam acoplados as paredes, mas o efeito não seria muito bom devido as bordas dos painéis que ficariam visíveis. A solução para fazer esse tipo de estudo é o uso de projetores!

Um experimento muito interessante desenvolvido por um artista chamado Beam mostra como isso pode ser possível, usando mapeamento 3d sobre as superfícies e mobiliário de uma sala, em que dois projetores criam o efeito interativo dos materiais. O vídeo abaixo mostra o resultado desse mapeamento físico e a projeção das texturas em um ambiente com as paredes completamente brancas.

Living Room from Mr.Beam on Vimeo.

O resultado final é muito interessante e mostra o que podemos fazer em termos de apresentação interativa para projetos.

Com o uso desse tipo de recurso dentro de uma loja ou stand, as pessoas poderiam escolher em tempo real as cores e texturas das paredes e também a aparência do mobiliário. O interessante é que a projeção perfeitamente alinhada com as superfícies do ambiente, evitam a necessidade de realizar diversas renderizações e testes com materiais, que podem demandar muito tempo e ajustes na iluminação. A única limitação é que ninguém pode caminhar pelo ambiente sem gerar sombras na cena.

Para saber mais sobre o projeto, recomendo a visita ao blog oficial do projeto, em que o artista mostra outros experimentos com mapeamento físico de superfícies para projeção de vídeos. Infelizmente não existem instruções detalhadas sobre a técnica utilizada, mas apenas a idéia já é interessante.

V-Ray usado para efeitos especiais de Tron Legacy

O mercado de efeitos visuais para filmes e comerciais era sempre envolto em mito e dúvidas pela maioria dos artistas 3d, principalmente no que era relacionado com softwares ou ferramentas usadas nas produções. Já conheci inúmeros alunos que acreditavam na influência decisiva do software como único fator para a qualidade e escala dos projetos. É evidente que o software ajuda, mas o que realmente abre o leque na parte de criação é o conjunto de hardware poderoso e artistas habilidosos. Mesmo assim, ainda existiam softwares que atendiam a demanda dessas produções com mais frequência, como é o caso do “casal” Maya e mental ray. Na maioria das vezes a escolha se dava pelo fato da disponibilidade do software para ser executado em ambiente Unix.

Já faz algum tempo que esses computadores eram baseados em Irix e mais recentemente no Linux. É assim que funcionam empresas como a ILM. Mas, essa indústria está começando a apostar em outras ferramentas como sendo a base para a produção dos seus efeitos visuais. Nos últimos meses temos presenciado vários projetos de grande porte na área de jogos e filmes usando o V-Ray.

Nas últimas semanas a Digital Domain divulgou um vídeo com o Making of do filme Tron Legacy, em que foi usado o V-Ray no processo de criação para gerar as imagens digitais, que não são poucas, e que contextualizam o universo fantasioso do filme.

O vídeo mostra vários trechos do filme em sua forma bruta e testes de render realizados durante a produção. A Dogital Domain usou em muitas dessas cenas o V-Ray, principalmente para os personagens virtuais. Isso tem gerado discussões entre usuários e artistas, sobre a entrada definitiva do V-Ray na área de efeitos para cinema. Esse é apenas um dos trabalhos que fizeram uso do V-Ray como parte dos efeitos especiais. Outro caso foi um vídeo produzido pelo estúdio Blur para o trailer de um jogo, em que o software foi usado para criar os efeitos e o render final desse vídeo para o jogo FireFall.

A discussão é pertinente devido a fama que o V-Ray tem na área de visualização para arquitetura, e participação tímida no contexto dos efeitos especiais para cinema.

Essa discussão e a adoção do software em grande produções são sinais de que a industria está aberta a mudanças e sempre deve ganhar a atenção e holofotes na parte de produção, quem conseguir criar um software que tenham um bom custo benefício e que atenda as demandas dessas empresas no que se refere a ferramentas e velocidade para cumprir prazos.

Tutorial After Effects CS4: Simulando ambientes 3D

A criação de ambientes em 3d pode ser um grande desafio para a maioria dos artistas e usuários que trabalham com softwares puramente 2d como Photoshop, Ilustrator, Premiere ou Corel Draw. É perfeitamente possível trabalhar com simulações usando truques de perspectiva, para reproduzir os ambientes e deformações características desse tipo de imagem. Com um pouco de criatividade e pequenos truques é possível criar 3d usando qualquer software. Mas, ainda existem opções de softwares intermediárias chamados de 2.5D como o After Effects que apresenta elementos para manipulação em 3d, mesmo não apresentando opções de modelagem e criação semelhantes ao 3ds max ou Blender.

O que faz o After Effects ser chamado de 2.5D é ao mesmo tempo a ausência de opções de modelagem, mas manipulação de cenários e câmeras em 3D.

No vídeo abaixo mostra um exemplo de como podemos usar os recursos existentes no After Effects para criar uma sala em 3d, mesclando animação e textos para vídeo design. Claro que o efeito é muito simplificado em relação ao que encontramos em softwares 3d nativos, mas a técnica pode ajudar significativamente os video designers e produtores de multimídia.

O segredo de tudo está na manipulação da timeline do After Effects, que apresenta uma gama enorme de opções de edição. Nesse caso a timeline passa de grande vilã do After para aliada. Entre essas opções disponíveis na timeline está a transformação de qualquer canal em 3d. Isso é feito com o uso do pequeno ícone parecido com um cubo em 3d, disponível para todos os canais do After Effects. Assim que o canal é convertido em 3d, podemos usar coordenadas em x, y e z para rotacionar e posicionar os elementos gráficos existentes na composição.

O autor do tutorial aproveita essa característica para criar diversos planos e com deformações simples e transformações, posiciona os mesmos cuidadosamente de maneira a simular um ambiente em 3d.

Depois que os planos estão posicionados, é possível trabalhar com ajustes na iluminação e até mesmo movimentos de câmera para passar a idéia de ambiente em 3d. Mesmo sem usar texturas ou técnicas avançadas de iluminação, o resultado do tutorial pode servir para criar vinhetas e montagens simulando de maneira leve e rápida o comportamento de vídeos em 3d.

A animação com texto no final atribui o aspecto final do efeito 3d simulado pelo tutorial. Nas minhas aulas sobre After Effects a simulação de ambientes em 3d, especialmente quando usávamos sistemas de partículas geravam resultados visualmente muito interessantes. Se você nunca tentou fazer esse tipo de animação com o After Effects, esse vídeo pode ser um excelente pode de partida.