Controle de renderização remota gratuita pelo Dropbox

A renderização de projetos que envolvem a criação e vídeo sempre gera uma enorme dor de cabeça para qualquer profissional, pois lida com uma enorme quantidade de dados e demanda uma série de computadores para gerar de maneira mais rápida uma animação. Por isso, o uso de renderização em rede sempre foi uma solução bastante usada por profissionais e artistas interessados em acelerar esse tipo de processo. Outro ponto crítico em relação a renderização em rede, é a transferência desses dados gerados pelo render para computadores remotos, para facilitar o processo de produção.

Bem, existe uma maneira muito simples e barata de agilizar todos esses processos de renderização usando um serviço gratuito na web chamado de Dropbox. Esse é um web site que funciona com o intuito principal de oferecer um espaço na “nuvem” para que você faça backup dos seus arquivos. O objetivo principal pode ser usado por qualquer pessoa, usando o espaço de 2 GB de maneira totalmente gratuita.

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Mas, como ele pode ajudar com projetos de renderização?

O grande trunfo do Dropbox é o seu aplicativo que permite sincronizar uma pasta no seu computador com a sua conta, e se for instalado em vários computadores é possível ter acesso aos arquivos em qualquer máquina, sendo que a sincronização é feita de maneira automática! O mesmo aplicativo está disponível para celulares e tablets, permitindo ter acesso aos arquivos em qualquer lugar que você estiver.

Ainda não entendeu? Me permita explicar como tenho usado o Dropbox para ajudar a gerenciar meus projetos de renderização.

A primeira aplicação é bem simples, e consiste no uso do Dropbox como forma de acompanhar o progresso de uma renderização para vídeo. Para isso eu configuro do Blender para salvar os arquivos de uma animação como seqüência de arquivos PNG, em uma pasta que está sincronizada com a minha conta no Dropbox. Posso deixar o computador renderizando em casa e sair para resolver outros problemas, e com o aplicativo do Dropbox no celular acompanho o progresso da renderização. Quando terminar, basta ligar o notebook para sincronizar o material com a minha pasta do Dropbox e começar a trabalhar na finalização da animação.

Outra maneira de trabalhar com o Dropbox é por meio de render compartilhado. Por exemplo, já instalei o Dropbox em três computadores diferentes e configurei o Blender para renderizar trechos diferentes de uma animação em cada um dos computadores. Por exemplo, cada computador ficava com trechos entre os frames 1-5000, 5001-7500 e 7501-9000 respectivamente, e a cada quadro renderizado os arquivos eram sincronizados em pastas diferentes.

Como eu não estava fisicamente próximo desses computadores, pude copiar os arquivos no final do processo e trabalhar de imediato na pós-produção. A mesma coisa poderia ser feita em trabalhos em equipe. Para aproveitar o web site, basta um computador com acesso a internet!

Esses são apenas alguns dos usos do Dropbox como forma de ajudar a trabalhar melhor com 3d e renderização. Já mencionei que o serviço é gratuito para uso de armazenamento de até 2GB? Mas, lembre que as vantagens no uso do Dropbox só aparecem mesmo com a instalação do aplicativo. Ele está disponível para Windows, Mac e Linux!

Renderização em rede com o Blender 3D e Indigo Renderer: Tutorial de configuração

O processo chamado de renderização é muito parecido na maioria dos softwares 3d. Assim que pressionamos o botão render, vemos a imagem começar a ser gerada aos poucos, seja com pequenos “quadradinhos” equivalentes aos núcleos do processador ou processadores disponíveis no computador, ou então uma linha que vai progressivamente gerando a imagem. Esse processo se repete na maioria dos casos, menos nos renderizadores chamdos de Unbiased. Nesses renderizadores a imagem já aparece com a configuração final, mas em baixíssima resolução, em que, aos poucos a imagem é progressivamente refinada, até que o ponto correto do render seja atingido.

O processo gera imagens próximas da realidade, mas geralmente com um tempo de render alto. Entre os diversos renderizadores que estão nessa categoria de Unbiased encontramos o Maxwell Render, FryRender, Indigo Renderer, LuxRender e Kerkythea. Cada um deles com as suas próprias características e nuances de configuração, mas funcionando do mesmo modo em termos de geração de imagens.

Como fazer para acelerar o render nesse tipo de renderizador? Uma das alternativas é usar computadores em rende, configurados como uma Render Farm. Isso faz com que o trabalho de renderização seja distribuído entre mais processadores, reduzindo consideravelmente o tempo de render. Se você for usuário do Blender 3D e do Indigo, um tutorial muito interessante mostra como é possível configurar a renderização em rede com o Blender 3D, Indigo renderer e o Blendigo.

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Na verdade, o processo de configuração envolve mais o ajuste dos computadores em si que o próprio Blender e Blendigo.

O funcionamento do processo de configuração é bem simples e envolve a determinação de um computador determinado Master e dos Slaves. O Master é o computador que inicia a renderização, e aciona os slaves para que os mesmos renderizem. Como isso é feito?

O Indigo é nativamente um renderizador acionado por linha de comando, assim como o YafRay. Portanto, podemos renderizar cenas e acionar opções, usando comandos no prompt do windows. No tutorial, o autor recomenda que usemos um arquivo bat, que nada mais é que uma sequencia de comandos do prompt, para facilitar a configuração dos computadores slave na renderização. Basta acionar o indigo com o parâmetro “-s” para que o mesmo seja acionado no modo Slave.

Nesse modo, o próprio Indigo fica procurando na rede o envio dos dados pelo computador denominado Master. No Blender 3D preciamos acionar uma opção no Blendigo chamada Working Master. Depois é só começar o render! Um computador chamado Working Master, aciona a renderização nos Slaves e ainda disponibiliza seus recursos para renderizar também.

Se a rede não tiver nenhum de restrição, como firewall ou bloqueios nas portas de comunicação, o próprio slave do Indigo escaneia a rede e detecta o master. O tutorial foi todo escrito usando o Windows XP e o Indigo 1.1.18.