JefeCheck: Software gratuito para pós-produção de vídeo

A renderização de animações é sempre um grande desafio para qualquer artista 3d ou equipe de criação, pois geralmente é o estágio do projeto que pode demandar mais tempo de espera por parte da equipe. Um dos erros mais comuns de artistas 3d iniciantes é gerar vídeos já usando containers de vídeo! Isso é sem sombra de dúvida um dos grandes erros que você pode cometer, pois no caso de precisar editar esse vídeo posteriormente, o mesmo vai acabar sendo compactado novamente e mais informações são perdidas no processo. Claro que podemos gerar vídeos sem compressão que ocupam espaços gigantescos em disco, mas ainda assim prefiro outra solução.

No caso de animações a minha animação é sempre gerar uma sequência de imagens em formatos que suportam compressão Lossless como é o caso do PNG. A criação de sequências de imagens permite até interromper o render de maneira mais fácil, e depois unir as imagens em um software próprio para pós-produção. No meu caso uso sempre o Blender para esse tipo de tarefa, mas os outros artistas podem passar a usar uma ferramenta que se tornou gratuita depois de passar um tempo como opção paga para compor sequências de imagens que é o JefeCheck.

O software é especializado em reproduzir sequências de imagens representando desde storyboards animados até mesmo animações finalizadas, e a ferramenta ainda permite aplicar efeitos e filtros no resultado final, facilitando o processo de pós-produção.

O vídeo abaixo mostra alguns dos recursos do JefeCheck incluindo a sua interface. A gama de recursos é bem interessante, envolvendo o uso de imagens com canais alpha, HDR e até arquivos EXR com múltiplos canais. É possível aplicar efeitos e outros ajustes na imagens diretamente dentro do JefeCheck.

A ferramenta é muito útil como opção para realizar a montagem desse tipo de elemento em projetos de animação, pois permite trabalhar com efeitos e correções em animações de maneira rápida e simples. Até mesmo para a montagem de vídeos no formato timelapse é possível usar o JefeCheck.

Para todos os casos, o download do software é mais do que recomendado, seja você um profissional ou estudante que precisa montar esse tipo de imagem.

Finalizando uma imagem no Photoshop para arquitetura

Na criação de imagens com base em modelos 3d é importante sempre tentar pensar no processo de criação, aproveitando todo o potencial das ferramentas 3d e do que podemos utilizar em termos de montagem final. Por exemplo, um dos erros que muitas pessoas cometem é tentar pensar na imagem final como sendo de total responsabilidade do software 3d gerar cenários, vegetação e outros elementos. Esse tipo de coisa é muito mais simples de adicionar na pós-produção, e dependendo de como trabalhamos nesse tipo de estágio da criação, os resultados podem ficar muito bons! É difícil encontrar imagens que não passam por algum tipo de correção, mesmo que sejam ajustes mínimos de cores.

Para os que nunca tiveram a oportunidade de visualizar um pouco desse processo, encontrei o vídeo abaixo que mostra muito bem como essa pós-produção acontece, e de que maneira você pode começar a pensar nela para seus projetos. No vídeo é possível acompanhar a finalização de uma imagem mostrando o objeto principal do projeto que é uma edificação, e o artista responsável precisa adicionar elementos como um plano e fundo com o céu.

O objetivo desse tutorial não é produzir um cenário realista, pelo menos o resultado está bem longe disso, ficando mais próximo de algo estilizado no estilo pintura. Um ponto importante para esse tipo de composição é a adição de um objeto no primeiro plano, que atribui uma sensação interessante de escala para o conjunto todo. Os detalhes como as discretas luzes proeminentes de cada uma das torres nas edificações e a adição de pássaros na cena, mostram como alguns pequenos ajuste são simples de criar.

A qualidade e realismo da imagem final é um pouco questionável, mas ainda assim está bem mais interessante do que o resultado inicial apenas com o uso do render.

O material é um excelente exemplo de como é importante adquirir habilidades em ferramentas de finalização como é o Photoshop ou GIMP. Se não fosse possível trabalhar com os ajustes baseados em imagens, esse tipo de edição seria realizado junto como o render, o que poderia deixar o render um pouco mais longo.

Se você ainda não teve interesse de estudar esse tipo de conteúdo, recomendo começar o quanto antes!

Técnicas de produção para aquarela digital em arquitetura

O uso de técnicas tradicionais de ilustração está cada vez mais em desuso no mercado profissional, e fica até difícil encontrar profissionais que tenham experiência com ilustração aquarela ou mesmo usuários dedicados de aerógrafos. Ainda lembro da época na faculdade em que ficava lendo livros sobre ilustração baseada em aquarelas, principalmente para o mercado de arquitetura que consumia muito esse tipo de arte. Nos tempos dos renderizadores que usam algoritmos e técnicas sofisticadas, para gerar imagens realistas é até impensável apostar nesse tipo de mídia para qualquer campanha.

Mas, mesmo com toda a tecnologia disponível ainda existem pessoas e profissionais dedicados a trabalhar com as técnicas antigas, mas usando meios diferentes para chegar no resultado final. Um profissional chamado Scott Baumberger publicou uma série de ilustrações para arquitetura que mesclam o uso de ambientes 3d e processamento de imagens, para gerar simulações chamadas de aquarela digital.

Como ele faz essa aquarela digital? As apresentações abaixo mostram como o artista consegue começar em modelos 3d, para depois passar para ferramentas de pós-produção e gerar o efeito de aquarela digital.

Esse é um excelente exemplo de um tipo de representação par arquitetura que compete com as opções de visualização realista, é a chamada renderização do tipo NPR. A simples falta de interesse por esse tipo de visualização em faculdades e cursos sobre o assunto, mostra que saber criar esse tipo de imagem não é uma grande vantagem competitiva. Será que vale a pena conhecer esse tipo de técnica?

Claro que é válido! A criação de imagens realistas tem como objetivo principal o marketing e divulgação de projetos que tem grande potencial de vendas, mas o NPR é em algumas situações a melhor opção para demonstrar que algo ainda será criado. Para estudantes de arquitetura ou profissionais que trabalham com a visualização de idéias, esse tipo de render é o mais indicado para visualizar projetos. Até mesmo em termos de configuração de hardware para visualização esse tipo de imagem ajuda! Com computadores mais simples é perfeitamente possível criar esse tipo de imagem.

O problema é conseguir vender esse tipo de imagem, pois quem contrata esse tipo de serviço quer realismo. As imagens seria mais para uso próprio ou acadêmico.

Como funciona a correção de gama para artistas 3D?

Na área de computação gráfica existem vários termos que são conhecidos por pessoas mais ligadas as áreas técnicas, mas que para os artistas acabam passando despercebidas. Isso vale para os artistas 3d que estão iniciando os estudos e prática com softwares 3d também, pois os mesmos se concentram apenas na parte de modelagem 3d e renderização, deixando aspectos técnicos das imagens para segundo plano. Por exemplo, nas minhas aulas sempre tento abordar assuntos como Correção de Gama e problemas nas imagens como o famoso efeito Moiré. Esse efeito está ligado a criação de texturas e mapas do tipo displacement e tem relação com a maneira com que percebemos padrões em imagens.

Já a correção de gama se relaciona com o grau de brilho com que percebemos uma imagem. A grande maioria dos softwares 3d permite que algum tipo de correção de gama seja aplicada nas suas renderizações, desde o 3ds Max até o Blender 3D é possível aplicar esse tipo de correção. Mas, qual é o efeito que essa alteração exerce sobre as renderizações. O que justifica conhecer esse tipo de correção?

Caso você se interesse pela parte técnica e teórica da computação gráfica 3d, recomendo fazer o download de um arquivo PDF com um guia sobre correção de gama, organizado por um artista chamado Martin Breidt. (primeiro tutorial da lista)

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O artigo explica de maneira o funcionamento e as maneiras com que os algoritmos armazenam imagens, tanto no que diz respeito aos softwares 3d e nos dispositivos de visualização. Como você vai perceber ao ler o texto e a descrição do processo no PDF, o problema com a correção de gama é que os ajustes não são lineares. Por exemplo, uma imagem que precisa ser escurecida em 50% não pode ser ajustada com valores de correção equivalentes a 0.5, mas algo próximo de 0.3.

Parece confuso? Para muitas pessoas isso é um pouco contraditório, mas o funcionamento da correção de gama pode ser melhor entendida quando as bases do seu funcionamento, que são os métodos linear e não-linear com que as imagens são armazenadas é totalmente entendido.

Se você estiver aprendendo como funciona o processo de pós-produção e ajuste das imagens, o material e mais que recomendado!

Truque para minimizar o granulado dos renderizadores Unbiased

Os renderizadores chamados de Unbiased são baseados em física real para computar as informações e interações da luz nos ambientes 3d, o que inevitavelmente resulta em imagens com elevado grau de realismo. A maneira com que esses renderizadores funcionam demanda grande quantidade de cálculos e processamento para que a imagem seja gerada. Alguns usuários iniciantes até estranham a maneira com que os renders funcionam. O processo é chamado de renderização por refinamento progressivo, em que a imagem é gerada com grande quantidade de borrões e um granulado no render. Com o passar do tempo, mais interações são realizadas com a iluminação e a imagem vai ficando mais limpa.

Em algumas situações é necessário um tempo incrivelmente longo para gerar imagens totalmente livres de granulação. Para solucionar esse tipo de problema, existem basicamente duas soluções que são a renderização em rede, para acelerar as interações ou partir para a pós-produção. Caso você não tenha uma rede de computadores a disposição para renderizar, vou mostrar um truque bem simples que ajuda um pouco na finalização das imagens.

Ontem publiquei um artigo que mostra a modelagem de uma cadeira Panton no SketchUp. Para testar o método de modelagem no Blender 3D, acabei reproduzindo o modelo usando a mesma seqüência de modelagem e renderizei com o LuxRender a imagem. Como não queira ficar esperando por muito tempo para que a imagem ficasse livre do granulado, deixei as interações se desenvolvendo por aproximadamente 2 horas em um computador da faculdade. Para finalizar a imagem, use o Pixelmator para remover um pouco do granulado. Essa é a imagem gerada pelo LuxRender:

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Agora a técnica que pode ser reproduzida em qualquer editor de imagens, seja ele o GIMP ou Photoshop. O processo consiste na criação de duas camadas no software de edição, em que o processo de edição é todo realizado na camada superior.

Altere a transparência da camada superior para apenas 40% e aplique um filtro Gaussian Blur de aproximadamente 20%. Pronto! A imagem ficará com um leve efeito de Glow e o granulado será minimizado.

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Como as opções de gerenciamento de camadas e o filtro Gaussian Blur são comuns em praticamente todos os softwares de edição, o procedimento pode ser aplicado na maioria dos editores de imagem. Não é uma solução definitiva, mas ajuda a minimizar o granulado de maneira bem rápida.