VrayPattern: Modelagem com base em texturas

O uso de texturas para ajudar na modelagem de elementos complexos é amplamente usado por artistas para representar objetos, que não adicionem grande complexidade nas cenas. Isso é bem comum em jogos, e dependendo do projeto e enquadramento usado na cena em visualização para arquitetura. As duas técnicas mais comuns que usamos para esse tipo de trabalho são os chamados mapas de Bump e Displace. Apesar de parecem redundantes, a função e aplicabilidade de cada uma das opções são bem específicas.

No primeiro caso temos os mapas de Bump que atribuem pequenos relevos as superfícies em que são aplicados. O ponto positivo desse tipo de mapa é que não precisamos ter subdivisões nos objetos 3d, mas por outro lado a qualidade das deformações cai bastante quando a câmera está posicionada próximo da superfície.

Já com os mapas de Displace, podemos criar deformações baseadas no deslocamento de vértices. O ponto negativo é que os objetos 3d precisam de quantidade razoável de subdivisões para gerar boas deformações.

Um recurso muito interessante e que faz uso de mapas do tipo Displace está sendo desenvolvido para o Vray, chamado de VrayPattern. Caso a equipe responsável pelo software cumpra o que prometeu, o recurso pode mudar significativamente a modelagem de elementos que seguem padrões definidos. Mais informações e imagens de demonstração do VrayPattern podem ser encontradas nesse endereço.

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Como ele funciona? A proposta é simples, mas genial. A idéia é criar um sistema que consiga criar deformações de qualidade em superfícies 3d simples, para gerar modelos 3d complexos baseados apenas em texturas. Essa será a “mágica” realizada pela ferramenta.

As imagens que ilustram esse artigo mostram bem como esse tipo de ferramenta poderá acelerar em muito a criação de fachadas. A fachada dessa edificação é formada por várias faces que recebem uma textura, especialmente preparada, para gerar detalhes como janelas e juntas de dilatação.

O resultado é que toda a fachada da edificação é gerada usando apenas mapas do tipo Displace. Sim, eu sei que parece bom demais para ser verdade, mas caso isso se confirme será uma maneira extremamente simples e ao mesmo tempo poderosa de gerar geometria.

Quer outro dado ainda mais impressionante? A descrição do projeto atesta que será possível gerar superfícies com quantidades de padrões, praticamente infinitos. Ainda não existe data prevista para o lançamento do VRay Pattern.

BlendME: Addon para análise energética em arquitetura no Blender

Com o advento do Blender 2.5 um sistema diferente do que estávamos acostumados a usar foi criado para gerenciar scripts criados usando Python, permitido que vários desenvolvedores e até mesmo artistas possam criar pequenas rotinas ou até mesmo integrar o Blender com outros softwares. Entre os diversos recursos que estão ausentes para áreas como a representação de projetos para arquitetura, encontramos a análise energética de edificações que é extremamente simples de criar no SketchUp, mas no Blender ainda era um pouco complicada, para não dizer quase impossível.

Quando colocamos essa tarefa nas mãos de usuários menos experientes então, a dificuldade em manipular arquivos de texto com dados científicos sobre aspectos como a iluminação e controle de temperatura, deixam o processo quase isolado.

Isso está para mudar com o surgimento de um Addon para o Blender 2.5 que deve permitir fazer análise energética, iluminação e até mesmo insolação usando apenas ferramentas de código aberto e gratuitas. Esse plugin se chama BlendME e o mesmo ainda não está disponível para download, apenas como demonstração em vídeo criada pelo autor do material.

A análise térmica dos projetos usa como base o EnergyPlus e as informações de luminosidade são calculadas com o Radiance. Ainda temos a possibilidade de trabalhar com cálculos relacionados a dinâmica de fluidos com o OpenFOAM. Para ter uma idéia de como é fácil trabalhar com o Addon, o vídeo abaixo mostra um pouco do funcionamento da análise de insolação de uma pequena edificação, sendo realizada diretamente na interface do Blender 2.5.

O que impressiona no vídeo é que todo o processo é realizado dentro do Blender, sem a necessidade de recorrer a nenhuma ferramenta externa. No painel do Addon podemos encontrar opções para controlar a posição geográfica da edificação e até mesmo a data e dia do ano, para que o caminho do sol na abóbada celeste seja projetada.

No web site do projeto é possível encontrar mais informações sobre o projeto.

Como fazer o download? O autor dessa ferramenta ainda não liberou o download da mesma, devido ao fato da API do Blender ainda estar sendo alterada. Portanto, será necessário aguardar que a mesma esteja estável e sem mudanças, para que o autor do projeto permita o download do script.

Mesmo sem a disponibilidade do BlendME, o simples fato de saber que algo assim já existe é bastante animador!

Dicas sobre cursos e softwares na área de computação gráfica

O final do ano está chegando e com ele aparece a época do ano em que as pessoas procuram por cursos ou projetos, que podem desenvolver ao longo de 2011. Como recebo muitos e-mails com mensagens pelo formulário de contato com dúvidas muito parecidas, resolvi escrever esse artigo com dicas sobre quais cursos e softwares você deve estudar, caso queira trabalhar na área de computação gráfica. Espero que com isso você possa tomar decisões com mais segurança e com menos chance de arrependimento.

Entre as perguntas que recebo com a maior freqüência pelo formulário de contato, uma das que mais se repete é: qual é o melhor software 3d?

Essa é uma pergunta muito difícil de responder, pelo simples fato das ferramentas 3d como um todo apresentarem particularidades que surgem como vantagens em projetos específicos. Esse é um dos motivos pelos quais em grandes produções com orçamentos generosos, diversas ferramentas são usadas de maneira a aproveitar o que cada uma tem de melhor. Isso pode deixar o aprendizado de qualquer ferramenta mais complicado, mas existe uma maneira de contornar o problema.

Então, podemos concluir que não existe uma ferramenta única que deve ser usada para estudar? A resposta é sim! Caso você queira trabalhar na área, é importante conhecer mais de uma ferramenta. Como cada estúdio acaba adotando uma ferramenta, ser especialista em apenas uma ferramenta pode acabar fechando algumas portas.

Inside the 3D Animation & Visual Effects Campus

A dica que sempre passo para meus alunos é tentar entender o processo como um todo, e sempre estar disposto a aprender novos métodos e não se prender em interfaces. Por exemplo, a modelagem poligonal é um excelente exemplo de técnica praticamente universal. Ao aprender o seu funcionamento em ferramentas como o Blender, você será capaz de migrar para outra ferramenta, apenas com o trabalho de localizar as ferramentas usadas na modelagem.

Sei que os usuários iniciantes podem ter um pouco de dificuldade em visualizar esse tipo de informação nos primeiros contatos com esse tipo de ferramenta, mas garanto que um pouco de paciência e atenção podem ajudar muito quando as oportunidades surgirem. Ainda lembro quando precisei trabalhar com o Cinema 4D pela primeira vez. Como já tinha experiência com modelagem no 3dsmax, Blender e Maya. O processo de migração para a nova interface consistiu basicamente na localização das ferramentas necessárias para a criação dos objetos 3d.

Quando vale a pena investir pesado em apenas um software?

Caso você perceba que na sua cidade ou região a maioria dos estúdios e produtoras usa determinada ferramenta, então essa é uma excelente justificativa para estudar apenas um software em especial. Se esse não for o caso, recomendo que procure um bom curso e foque no processo.

E os cursos?

Esse é assunto para outro artigo.

Atualização sobre Blender 2.5 e Freestyle

A criação de projetos que envolvem o uso de renderizações do tipo NPR deve receber nos próximos meses uma excelente opção de uso no Blender 2.5, que é a integração com o renderizador chamado de Freestyle. O projeto que envolve a integração com essa ferramenta ainda remonta de um Google Summer of Code de aproximadamente dois anos. No início ainda para a família do Blender 2.4x que posteriormente foi portado para o 2.5, hoje a ferramenta ainda está em fase experimental, mas muito mais estável que nos seus primeiros testes. Agora é até possível começar a arriscar projetos mais complexos esse renderizador com a técnica NPR.

Com esse tipo de técnica o objetivo da imagem é exatamente o oposto do que encontramos no processo de render fotorealista, em que procuramos simular da melhor maneira aspectos relacionados com iluminação e materiais. Com o Freestyle é possível criar efeitos como traços a mão livre e até mesmo linhas estilo cartoon. É o paraíso para quem gosta de estilização.

O procedimento para usar a ferramenta é bem simples, e requer apenas o uso de uma versão especial do Blender já com o render, que pode ser copiada do Graphicall.org. Para esse artigo, estou usando essa versão do Blender.

Depois que você copiar e extrair essa versão do Blender, o próximo passo é modelar ou abrir algum dos seus modelos. Lembre de fazer uma cópia de segurança, caso o modelo usado seja importante. Com o modelo aberto, precisamos apenas localizar na janela Properties a aba chamada de Freestyle e selecionar um dos tipos de controle. Para esse exemplo vamos usar o “Python Scripting Mode” e depois clicar no botão Add Freestyle Module.

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Assim poderemos escolher entre diversos estilos de renderização que já acompanham essa versão do Blender.

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O último passo é habilitar o Freestyle no campo Post Processing para poder visualizar o resultado na janela de render, e pressionar F12. Se tudo correu bem, você verá o modelo 3d usado como exemplo com o render e o estilo aplicado sobre o mesmo.

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Para mostrar apenas as linhas do estilo gerado pelo Freestyle, desabilite a opção Solid na aba Layers que está na aba Render.

Tutoriais GIMP: Liquid Rescale e Content Aware Fill

O lançamento do Photoshop CS5 trouxe várias ferramentas impressionantes como o Content Aware Fill, praticamente permite a qualquer artista remover partes de uma fotografia com base na seleção de uma área. Seria como fazer todo aquele trabalho com o Stamp, copiando pedaços dos pixels para compor sobre a área que precisa ser excluída, mas de maneira automatizada. Essas opções foram apresentadas como grandes novidades da ferramenta, mas muitas delas já estavam disponíveis em softwares como o GIMP. Essa é uma opção de código aberto ao Photoshop que permite realizar exatamente os mesmos efeitos, com a vantagem de não demandar a compra de uma licença para seu uso. Você pode usar de maneira totalmente gratuita.

No GIMP temos duas ferramentas chamadas de Liquid Rescale e Resynthesizer que permitem realizar as mesmas edições do Photoshop. Uma funciona para redimensionamento de imagens sem deformar partes chave, e a outra preenche partes da imagem usando padrões identificados pelo próprio software.

O tutorial abaixo mostra de maneira bem simples o funcionamento de ambas as ferramentas no GIMP, e pode servir como referência para qualquer pessoa interessada em reproduzir o efeito. Basta fazer o download da ferramenta, que é totalmente gratuita e editar as suas fotografias.

Para usar o Liquid Rescale o procedimento é extremamente simples, e consiste na marcação das áreas na imagem que não devem sofrer nenhum tipo de deformação no processo de escala. Isso pode ser feito usando um pincel simples, configurado para fazer esse tipo de separação. No tutorial, o autor do vídeo marca as pessoas que estão na fotografia e partes da vegetação. Com tudo marcado, podemos acionar o redimensionamento da fotografia e tudo será esticado, menos as partes selecionadas. O funcionamento é bem parecido com o Content Aware Scale do Photoshop.

Agora o mais legal que é o Resynthesizer, que funciona com base na seleção de uma área da fotografia. No caso da imagem do tutorial foi selecionada uma das pessoas. Quando essa pessoa está selecionada, o autor aciona o filtro chamado de Heal Selection. Com isso, o próprio GIMP identifica a imagem e preenche os espaços com pixels da cores parecidas. O resultado é que a pessoa é removida da imagem.

Só para lembrar, o Resynthesizer precisa ser instalado no GIMP. Você pode fazer o download do Resynthesizer nesse endereço.