Análise do livro Blender 2.49 Scripting

Uma coisa que sempre repito para meus alunos nas minhas aulas sobre computação gráfica 3d, é que para conseguir passar para níveis em que você tem controle total sobre o seu ambiente de produção, nesse caso os softwares 3d, em algum momento eles precisam trabalhar com programação. Essa programação pode assumir diversos níveis de complexidade, sendo o mais comum a criação de scripts. No Blender esse tipo de programação é feita usando a linguagem Python que é muito simples de usar e aprender. O desafio de aprender Python para trabalhar com computação gráfica 3d no Blender, é desvendar os detalhes da API do Blender que permitem trabalhar com Python para “dizer” ao Blender o que você precisa.

Nesse ponto, ganhamos poucas semanas atrás uma excelente fonte de informação sobre esse tipo de tarefa que é o livro Blender 2.49 Scripting, escrito por Michel Anders. Estou com o livro já faz quase três semanas e passei esse tempo todo lendo e exercitando as quase trezentas páginas de exemplos e exercícios. Como estou com a versão eletrônica do livro, não poderei tirar a tradicional fotografia segurando o livro.

Mas, o livro é realmente bom?

Antes de falar sobre o livro, me permitam fazer uma separação clara aqui sobre o processo de aprendizado de duas coisas que podem parecer as mesmas, mas são bem diferentes. Se você investir tempo aprendendo como funciona a linguagem Python, não estará automaticamente aprendendo a programar para o Blender. A linguagem Python é usada nos mais variados ambientes e tarefas, e a maioria dos seus livros e fontes de informação não fazem relação com o Blender. Até tenho um livro sobre Python, mas o mesmo não aborda nada sobre o uso dele em computação gráfica.

Nesse ponto o livro do Michel Adams é perfeito, pois apresenta a linguagem Python para as pessoas que tem interesse em aprender, já associada com a API do Blender. Isso acelera em muito o processo de aprendizagem. No meu caso, precisei aprender primeiro Python para depois ir pesquisando a API do Blender e descobrir como poderia usar e criar ferramentas personalizadas para meus projetos.

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Outro ponto positivo para o livro, além de abordar a linguagem associada ao Blender é o seu enfoque prático. Tudo é apresentado com um exemplo prático, mesmo que seja simples ou até mesmo para assuntos mais complexos como a manipulação de animação. Essa é uma lista com os tópicos e capítulos abordados no livro:

  1. Entendendo o funcionamento do Blender e Python
  2. Criando e editando objetos
  3. Grupos de vértices e materiais
  4. Pydrivers e Constraints
  5. Manipulando frames
  6. Shape keys, IPOs e Poses
  7. Criando shaders
  8. Renderização
  9. Opções extras com Python

Infelizmente o livro só está disponível em inglês, mas é uma fonte incrivelmente rica de informações para pessoas interessadas em aprender a criar scripts e rotinas para o Blender. Mesmo sendo no 2.49? Sim! Mesmo abordando o Blender 2.49, a parte complicada que é fazer entender as ligações entre o Blender com o Python são bem desenvolvidas, depois é só consultar as alterações na API para migrar os conhecimentos para o Blender 2.50.

Eu recomendo esse livro para todos os usuários do Blender que queiram expandir os seus conhecimentos no software.