Tears of Steel

A espera pelo lançamento do projeto Mango terminou, pois ontem a tarde aproximadamente as 14 horas pelo horário de Brasília, finalmente pudemos conferir o resultado dos meses de trabalho e produção realizados pelo Instituto Blender. Se você ainda não assistiu ao curta de animação, o vídeo já está embutido nesse artigo e pode ser conferido em FullHD diretamente do Youtube mesmo. Além da versão no Youtube, você ainda pode fazer o download do filme em formatos MKV e MOV diretamente do site do projeto. Os arquivos fontes ainda não estão disponíveis para download, pois os mesmos devem ser primeiro distribuídos por meio dos DVDs, para depois serem disponibilizados no web site do projeto.

Qual a minha opinião sobre o resultado? Como é de costume nos projetos do Instituto Blender, o resultado superou as expectativas dos mais animados artistas e entusiastas do Blender. Só por considerarmos que o Blender foi usado para praticamente tudo dentro da produção que envolveu:

  • Modelagem 3d
  • Animação
  • Texturas
  • Composição
  • Tracking
  • Pós-produção
  • Montagem do vídeo

Isso mostra como a ferramenta é versátil e capaz de gerar resultados de alto nível com os conhecimentos e recursos certos. É claro que existem pequenos problemas em alguns pontos do Tears of Steel, mas eles não conseguem ofuscar o resultado final que é simplesmente fantástico. A existência de problemas é algo perfeitamente normal em qualquer produção como essa, sendo até comum encontrar esse tipo de problema até em filmes comerciais e material produzido para séries de TV.

Uma das características que não ressaltei em relação ao Tears of Steel na minha retrospectiva sobre o projeto, é que todo o material é distribuído sob uma licença Creative Commons. Isso significa que você pode utilizar os vídeos, modelos 3d, música, texturas e qualquer coisa do projeto em outras produções desde que esteja citada a fonte. E nesse tipo de aplicação, estão inclusive contempladas as produções comerciais de outros projetos usando o material do Tears of Steel!

Se você gostou do resultado, recomendo adquirir o DVD do projeto, pois isso ajuda na manutenção do Instituto Blender e na produção de futuras iniciativas.

Para outros exemplos de produções semelhantes que usam basicamente o Blender para gerar os modelos 3d, animação e praticamente tudo, recomendo uma visita ao web site do Project London. Essa produção iniciou antes mesmo do Tears of Steel e teve uma receptividade positiva entre artistas e usuários do Blender, exatamente por usar o software como base para gerar seus efeitos visuais. Até a licença do conteúdo é diferente, com a única ressalva que no caso do Project London o material não pode ser usado para fins comerciais.

Curta-metragem mostra invasão alienígena em Montevideo

O estado atual das tecnologias e equipamentos de informática para computação gráfica, permitem que qualquer artista ou estúdio com habilidade técnica e um pequeno investimento, pelo menos em hardware, possa criar curtas ou vídeo de qualidade cinematográfica. Sempre digo isso aos meus alunos nas aulas sobre animação e efeitos, o que separa os grandes estúdios dos pequenos é a disponibilidade de equipamentos para renderização de efeitos complexos e grandes formatos. Os softwares e técnicas usadas por esses estúdios, tirando alguns sistemas dedicados como o Flame ou Inferno, podem rodar em qualquer computador.

Um grupo de artistas uruguaios mostra muito bem que com habilidade artística e aplicando as técnicas corretas é possível criar efeitos compatíveis com os melhores filmes. Eles produziram um curta-metragem que mescla atores reais e modelos 3d baseados em computação gráfica para mostrar a invasão de Montevideo por robôs gigantes e naves. A qualidade da animação e dos efeitos é excelente e não deve nada na qualidade. Esse é o vídeo:

Agora a pergunta que você deve estar se fazendo agora; quais softwares foram usados para a produção? A base para a produção foi o 3ds Max. Ele foi usado para fazer a modelagem 3d de todos os objetos e configurar as animações. Mas, assim como acontece em projetos mais complexos como esse, principalmente quando é necessário mesclar elementos gravados em vídeo com objetos virtuais.

Os artistas usaram além do 3ds Max o FumeFX, Glu3D e o Boujou.

O Boujou é fundamental nesse tipo de projeto, pois ele é uma ferramenta especializada e sofisticada para fazer câmera match e tracking, fazendo o trabalho de mesclar o material gravado em vídeo com os robôs em 3d fácil e rápido. O software é até mais caro que o 3ds Max, mas o resultado final e a velocidade na pós-produção compensam o investimento. O FumeFX foi o responsável pela criação dos efeitos de fumaça e explosões na animação, já comentei sobre esse plugin para o 3ds Max aqui no blog várias vezes. O Glu3D é um outro plugin para o 3ds Max, mas especializado na simulação de elementos com dinâmica de fluidos.

Apesar de não ser um tutorial, o vídeo é uma excelente demonstração de como é possível criar material de qualidade com o conhecimento certo e investimento em hardware. O estúdio responsável pela animação se chama Aparato, no web site deles é possível encontrar mais material desenvolvido para o mercado publicitário.