V-Ray usado para efeitos especiais de Tron Legacy

O mercado de efeitos visuais para filmes e comerciais era sempre envolto em mito e dúvidas pela maioria dos artistas 3d, principalmente no que era relacionado com softwares ou ferramentas usadas nas produções. Já conheci inúmeros alunos que acreditavam na influência decisiva do software como único fator para a qualidade e escala dos projetos. É evidente que o software ajuda, mas o que realmente abre o leque na parte de criação é o conjunto de hardware poderoso e artistas habilidosos. Mesmo assim, ainda existiam softwares que atendiam a demanda dessas produções com mais frequência, como é o caso do “casal” Maya e mental ray. Na maioria das vezes a escolha se dava pelo fato da disponibilidade do software para ser executado em ambiente Unix.

Já faz algum tempo que esses computadores eram baseados em Irix e mais recentemente no Linux. É assim que funcionam empresas como a ILM. Mas, essa indústria está começando a apostar em outras ferramentas como sendo a base para a produção dos seus efeitos visuais. Nos últimos meses temos presenciado vários projetos de grande porte na área de jogos e filmes usando o V-Ray.

Nas últimas semanas a Digital Domain divulgou um vídeo com o Making of do filme Tron Legacy, em que foi usado o V-Ray no processo de criação para gerar as imagens digitais, que não são poucas, e que contextualizam o universo fantasioso do filme.

O vídeo mostra vários trechos do filme em sua forma bruta e testes de render realizados durante a produção. A Dogital Domain usou em muitas dessas cenas o V-Ray, principalmente para os personagens virtuais. Isso tem gerado discussões entre usuários e artistas, sobre a entrada definitiva do V-Ray na área de efeitos para cinema. Esse é apenas um dos trabalhos que fizeram uso do V-Ray como parte dos efeitos especiais. Outro caso foi um vídeo produzido pelo estúdio Blur para o trailer de um jogo, em que o software foi usado para criar os efeitos e o render final desse vídeo para o jogo FireFall.

A discussão é pertinente devido a fama que o V-Ray tem na área de visualização para arquitetura, e participação tímida no contexto dos efeitos especiais para cinema.

Essa discussão e a adoção do software em grande produções são sinais de que a industria está aberta a mudanças e sempre deve ganhar a atenção e holofotes na parte de produção, quem conseguir criar um software que tenham um bom custo benefício e que atenda as demandas dessas empresas no que se refere a ferramentas e velocidade para cumprir prazos.

2009 será o ano da animação 3d e filmes usando esteroscopia

Esse ano talvez marque uma revolução na maneira como assistimos filmes e animações nos cinemas, o que pode ter impacto direto na produção de material e efeitos em 3d. O uso da técnica conhecida como estereoscopia está ficando cada vez mais comum, devido a vários investimentos e projetores digitais de cinema e muitos filmes sendo produzidos com essa técnica. Até pouco tempo atrás era muito raro encontrar filmes e animações, que ofereciam esse tipo de recurso, por vários motivos, sendo o principal deles a deficiência nos projetores analógicos dos cinemas, que muitas vezes geravam imagens sem sincronia.

Com novos projetores digitais e softwares mais especializados na produção desse tipo de material, podemos esperar uma verdadeira avalanche de filmes e animações, usando essa técnica para 2009. Entre as animações que devem aparecer esse ano, com opções para projeção em 3d estão o próximo lançamento da Pixar – Up!, Ice Age 3 da Blue Sky e também a animação Monstros versus Aliens da DreamWorks. Esses são alguns dos principais títulos que devem receber versões em 3d, para cinemas com equipamento digital.

No começo do ano tive a oportunidade de assistir a animação Bolt, pois aqui em Recife existe um cinema equipado com esse tipo de projeção em 3d, e posso dizer que tirando o pequeno incômodo de assistir a animação com óculos o tempo todo, vale a pena! A sensação de profundidade oferecida pela técnica é muito boa! O efeito gerado pela projeção em 3d não faz com que as imagens saltem da tela, mas potencializa a profundidade das cenas, fazendo parecer que você está assistindo a uma cena real, com diferentes planos. Apenas as cores da animação ficam comprometidas, pois o resultado do uso desses óculos é que tudo tende para cores menos saturadas.

Para ilustrar melhor o assunto, esse é um pequeno making of e trailer da animação, Monstros versos Aliens, que será distribuída em versões 2d e 3D.

Repare em dois aspectos importantes em termos de produção, a equipe está usando o Maya 2009 para produzir a animação, pois ele já acompanha as ferramentas necessárias e câmeras especiais para esse tipo de projeto, sem a necessidade de plugins. Outro ponto interessante é que o Maya pode exibir imagens em 3d, durante o processo de produção. Portanto, os artistas envolvidos na produção da animação usam óculos 3d para visualizar as cenas e renderizações.

Isso muda um pouco a maneira com que animações em 3d são criadas, e também modifica um pouco o processo de edição e tratamento das cenas. A maioria das adaptações e ajustes é técnica, mas ainda assim é mais um aspecto que precisamos estudar. A meta dos estúdios é que em 2009 todas as animações 3d sejam produzidas usando estereoscopia.

Mas, não é só na área de animação 3d que esse tipo de técnica está chegando, pois vários filmes com atores reais estão em produção usando a técnica, que consiste no uso de uma câmera especialmente adaptada para capturar uma cena para cada um dos nossos olhos. Isso pode mudar o processo de pós-produção, pois não são todos os softwares de montagem de vídeo que suportam esse tipo de tecnologia. Um dos mais aguardados para esse ano é Avatar, que ainda está em produção e só deve ser lançado no final desse ano. O filme está gerando expectativa, por ser do James Cameron e apostar na estereoscopia desde muito cedo e também, segundo relatos da produção, as câmeras usadas no filme foram projetadas apenas para esse projeto.

Procure na sua cidade um cinema com suporte a esse tipo de projeção e assista alguma animação ou filme, usando essa nova tecnologia. Garanto que será uma agradável experiência, principalmente para quem entende como esse tipo de material é produzido!

Adobe Premiere CS4 na produção de cinema digital com câmeras RED

O que são as câmeras RED? Existe uma empresa chamada Red Digital Cinema camera company que desenvolve e fabrica câmeras de vídeo, especializadas em cinema digital, com algumas das resoluções mais altas atualmente. Por exemplo, caso você esteja interessado em produzir conteúdo para displays que exibam vídeo em FullHD ou 1080p, será necessário trabalhar com imagens em 1920 x 1080 pixels. Para um software 3d isso é simples, basta configurar o formato de saída do render, mas para câmeras o processo é bem diferente. As câmeras RED podem capturar vídeo em resoluções de até 4096 x 2304 pixels a 30 quadros por segundo, o que é uma resolução absurda até para os padrões atuais de alta qualidade de imagem.

Alguns artigo sobre esse tipo de equipamento já foram apresentados aqui no Blog, mas nenhum deles abordava a manipulação de material capturado com esse tipo de câmera. Na semana passada um ótimo tutorial foi publicado no Creative Suite Podcast, mostrando como é possível usar o novo plugin para o Adobe Premiere CS4 que permite editar material gravado com as câmeras RED. (arquivo MP4, 77 MB)

premiere-cs4-cinema-digital

No tutorial o autor nos apresenta as ferramentas do Premiere CS4 usadas para realizar e manipular os vídeos, assim como alguns truques para melhorar a performance do software, que pode cair muito se o seu hardware não agüentar vídeos com resoluções tão grandes.

A primeira coisa que é apresentada no tutorial é uma configuração mínima recomendada, para usuários de PC`s ou Mac`s, para conseguir manipular de maneira satisfatória os arquivos. Uma coisa é certa, apenas sistemas operacionais de 64 bits podem editar a enorme quantidade de dados gerada pela câmera.

Com o plugin do Premiere CS4 é possível importar diretamente para o Media Browser do software, os arquivos RD3 nativos das câmeras, e selecionar trechos específicos dos vídeos gravados. Depois de editar o material o autor ainda dá algumas dicas de como exportar vídeos no Premiere CS4.

Mesmo que seja difícil que alguém aqui no Brasil use esse tipo de câmera, pelo seu custo incrivelmente alto para os padrões atuais e até nos EUA, a adoção desse tipo de captura não é unânime entre produtores de cinema, é interessante conhecer a tecnologia.

Nunca se sabe quando é que poderemos usar esse tipo de material em nossos projetos.