Análise do livro Blender 2.5 Lighting and Rendering

Uma das leituras que aproveitei no mês de Janeiro foi o lançamento da PacktPub chamado de Blender 2.5 Lighting and Rendering, que está trazendo uma série de livros sobre o Blender, dedicados a versão 2.5 sendo esse focado apenas em iluminação e render. Um dos aspectos interessantes dessa obra é que o autor trabalha apenas com o render interno do Blender, que recebeu muitas melhorias na versão 2.5 e permite trabalhar com efeitos avançados e que atendem a maioria dos projetos de animação. Apesar de ainda preferir o uso de renderizadores avançados como YafaRay, LuxRender ou Indigo os exemplos abordados no livro ajudam muito no entendimento de como funciona a iluminação com o Blender.

O livro que revisei está no formato eletrônico que apresenta uma vantagem significativa em relação ao material impresso, que é a disposição de ilustrações em cores.

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O material é muito bom e tira proveito das ferramentas do Blender para ensinar boas técnicas de iluminação para cenários e outros tipos de projetos, sempre aproveitando o que há de melhor em termos de opções para cada contexto.

Abaixo a lista de capítulos do livro traduzidos, e com uma breve explicação sobre o conteúdo:

  1. Teoria da cor e iluminação no Blender: O ponto de partida do livro mostra como funciona o sistema de iluminação do Blender, e apresenta as teorias e conceitos necessários para compreender a iluminação.
  2. Iluminação para cenas externas: Aqui já temos a aplicação prática da iluminação em cenários externos com o uso de luzes para gerar sombras e adicionar cores com base na luz.
  3. Técnicas para iluminação baseada no ambiente: Nesse capítulo o autor explica as ferramentas de iluminação baseadas no ambiente como é o caso do Ambient Occlusion, explicando o funcionamento dos parâmetros da ferramenta.
  4. Materiais para cenas externas: Junto com a iluminação, precisamos fazer ajustes nos materiais dos objetos para conseguir bons efeitos em projetos de render ou animação. Esse capítulo aborda o uso dos Shaders do Blender para utilização em cenas externas.
  5. Iluminação para ambientes internos: A iluminação de ambientes internos exige uma abordagem diferente, que é a realizada nesse capítulo em que o autor explica técnicas como a utilização dos Render Layers para ajudar na iluminação.
  6. Mapeamento UV e texturas: Objetos em menor escala exigem o uso de técnicas mais precisas de texturização. O autor aborda o uso do mapeamento UV para posicionamento de texturas nesse capítulo.
  7. Materiais e texturas para ambientes internos: Com os conceitos de mapeamento UV bem definidos, o próximo passo é ajustar essas texturas para projetos de render interno.
  8. Mesclando iluminação interna e externa: Quando temos projetos que mesclam ambientes internos e externos, a abordagem e preparação da cena também muda. Esse é o objetivo desse capítulo que mostra como integrar as técnicas apresentadas em capítulos anteriores nesse contexto híbrido.
  9. Materiais e texturas para iluminação mesclada: Assim como a iluminação, o uso de materiais e texturas também precisa de adaptação em projetos híbridos. O autor explica como realizar essa adaptação nesse capítulo.

Durante o livro o autor faz menção a aplicação prática dos exemplos diversas vezes, facilitando a sua utilização em praticamente qualquer projeto. Se você procurava um livro sobre iluminação, sem o uso de GI ou técnicas avançadas, trazendo mais para a parte artística, recomendo a leitura desse material!

Revista BlenderArt 30 disponível para download

A revista BlenderArt acabou de ganhar mais uma edição gratuita destinada a divulgar conteúdo de maneira gratuita, sempre envolvendo assuntos relacionados com a computação gráfica 3d e o Blender. A revista é uma das iniciativas mais antigas na comunidade de usuários do Blender para manter uma boa base de tutoriais, e artigos sobre assuntos específicos. Para os que estão começando a trabalhar com o Blender agora, vale uma visita no repositório de números da revista que já abordou os mais variados temas. Já tivemos revistas dedicadas a arquitetura, jogos, design de personagens, animação e muito mais.

A cada nova edição existe um tema escolhido pela equipe e que dessa vez é “Once Upon an Image“, ou em tradução livre “Era uma vez uma imagem”.

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Essa edição está bem pequena, ficando longe das que já passavam facilmente das 60 páginas. Agora são apenas 30, mas que contam com material bem interessante, principalmente se você quiser criar animações.

Aqui está um sumário com os principais artigos:

  • 7 elementos do enredo em histórias digitais: Aqui você vai aprender um pouco sobre os segredos para criar uma história cativante, que é contada usando meios digitais como é o caso da animação 3d.( 7 Elements of Digital Storytelling)
  • Seu personagem tem sentimento?: Esse é um dos problemas apontados pelos críticos da animação 3d, que faz com que os chamados personagens virtuais não tenham carisma. Quais as características necessárias para passar sentimentos em personagens virtuais? O artigo tenta listar alguns desses pontos. (Does your Character Have any Feelings?)
  • Dominando hierarquias para animação: O título original desse artigo é um tanto quanto confuso, mesmo para quem conhece o assunto. É algo como “The parent inverse and the origin of children” que é algo como o inverso da hierarquia e a origem dos filhos. Apesar desse título, o artigo se mostra muito útil dentro do contexto da criação e controle de animações no Blender, pois aborda o uso de hierarquias de maneira bem detalhada. (The Parent Inverse and the Origin of Children)
  • Configurando a composição de imagens: Esse artigo aborda a configuração de uma composição usando a técnica do terço, em que as partes da tela são divididas em três partes. (Rule of Thirds)

O download da revista é mais que recomendado, principalmente para os usuários do Blender que tem atenção mais que especial do pessoal da revista.

Tutorial Fusion 5: Vegetação em ambientes 3D com partículas

Qual a melhor maneira de criar vegetação em ambientes 3d? Essa é uma das muitas dúvidas que pairam sobre os artistas que precisam elaborar animações ou cenas, que envolvem o uso de grande quantidade de vegetação. Alguns deles partem para soluções mais drásticas, como modelar a vegetação, mas logo descobrem que isso consome uma quantidade absurda de recursos do computador, fazendo o tempo de render inviabilizar qualquer projeto. Quem tiver um pouco de paciência para pesquisa, encontra várias técnicas inteligentes de simular vegetação em ambientes 3d ou softwares que ajudam nessa tarefa.

No Blender temos agora o script Trees from curves, que possibilitou a criação das florestas e vegetação que aparecem na animação Big Buck Bunny. Para os usuários de outras ferramentas 3d, existem várias opções e softwares. Uma das mais conhecidas técnicas para representar árvores e vegetação é aplicar um mapa, ou imagem, de uma árvore em um plano e usar um mapa de opacidade, para deixar apenas as áreas com a foto da árvore visíveis.

Para ilustrar bem essa técnica, encontrei um excelente tutorial sobre o Fusion 5, ferramenta que é um mix entre plataforma de modelagem 3d e composição. Nele o autor realiza essa mesma operação para simular vegetação.

Tutorial Fusion 5

O tutorial está em vídeo, com resolução excelente. Para quem não conhece o Fusion, o vídeo é uma ótima oportunidade de aprender um pouco mais sobre essa poderosa ferramenta, pouco utilizada no Brasil, mas com grande aceitação em outros países. Como você deve perceber pelo vídeo, o Fusion tem um sistema de funcionamento semelhante ao Blender e outras ferramentas 3D. O Autor faz uso intensivo de nós, em um sistema parecido com o Outline para determinar sistemas de emissão e posicionamento de partículas e outros elementos da cena.

As partículas que citei são usadas para criar uma área com vegetação densa, usando a mesma técnica citada no início do artigo, em que o artista aplica um mapa com a imagem de uma árvore em um plano, para depois com um mapa de opacidade remover a parte opaca da superfície. Nesse caso, o artista mostra como usar as ferramentas 3d do Fusion, para com as partículas realizar a mesma operação em vários planos, com imagens diferentes com o objetivo de criar uma região com vegetação densa.

Depois que os planos com as árvores estão devidamente posicionados, ele ainda usa as ferramentas do Fusion para adicionar neblina e Depth of Field na câmera, para que a cena fique ainda mais realista. O tutorial é muito bom e pode ser um desafio interessante, para artistas que usam ferramentas 3d diferentes tentem reproduzir a técnica em seus próprios softwares.

Se você usa Blender, está ai um ótimo exercício.

Para fazer o download do vídeo sobre Fusion, visite o seguinte endereço. Além do vídeo, o autor disponibiliza para download os arquivos das árvores usadas no tutorial.

Mas já vou avisando, são aproximadamente 150 MB. Apesar de ser grande, o conteúdo é muito bom!

Tutorial Adobe After Effects: Efeitos visuais e tracking avançado

Que tal aprender como fazer efeitos visuais com o Adobe After Effects? Esse é um assunto muito interessante e que pode ser útil, para todos que trabalham com animação, modelagem 3d e computação gráfica de maneira geral. Um dos efeitos visuais mais trabalhosos, por exigir várias pequenas tarefas e não por ser complexo, consiste na substituição de um elemento disponível em algum tipo de vídeo. Por exemplo, quando temos um “poste” gravado em um vídeo, podemos remover o mesmo de uma seqüência em vídeo, de maneira semelhante ao que faríamos no photoshop ou gimp.

Quando o objeto é estático no vídeo, o processo até que é simples. Mas e quando ele está em movimento? Nesse caso, o artista precisa usar um apanhado de técnicas para remover com sucesso esse objeto. As técnicas envolvem rotoscopia e motion tracking.

Se você nem imagina como esse tipo de edição pode ser realizada no After Effects, encontrei um tutorial muito bom e completo, que mostra todo o processo. Ele é de um artista chamado DJRoto, que precisou realizar a edição para substituir um pequeno detalhe em um vídeo.

After Effects - Tutorial Tracking

O processo foi o seguinte, ele tinha um vídeo em que um DJ, ele próprio, estava conduzindo uma festa. O disco de vinil que ele estava usando no vídeo apresentava a logomarca da casa noturna em que ele estava. Como ele precisava usar o mesmo vídeo, para outro propósito que exigia que a logomarca não estivesse ali, ele resolveu editar o vídeo para substituir a marca. Mas, no vídeo o disco se move constantemente. Então a edição com o After Effects se faz necessária.

Ficou interessado no vídeo? Visite esse endereço para assistir o material. Já vou avisando, o vídeo tem quase 70MB, mas por outro lado o tempo do tutorial é de mais de 30 minutos.

Para quem já conhece o After, o processo será fácil de entender. Mas se você não conhece o processo, está ai mais uma ótima razão para reservar um tempinho e assistir o tutorial. Tenha certeza que saber um pouco mais não fará mal algum. Pelo menos você poderá dizer que conhece a famosa interface e timeline do After Effects.

Tutoriais sobre After Effects

Certa vez estava ministrando aulas de After Effects para uma turma interessada apenas em modelagem 3d e animação, mas achava que conhecer o After Effects não iria adicionar muita coisa ao seu trabalho. Eles tinham a idéia errônea de que outra pessoa faria a composição efeitos. Se você está nessa situação, achando que a melhor saída é se especializar em apenas uma área, me permita fazer uma revelação a você. O mercado de artistas digitais no Brasil exige que você conheça um pouco sobre tudo! Por motivos financeiros, várias empresas evitam a contratação ou terceirização de serviços como edição de vídeo. A obrigação de fazer isso recai sobre os artistas envolvidos no projeto, que já estão “na casa”.

Essa é uma demanda de mercado, mas ainda existe outro motivo para que um artista 3d conheça o After Effects, ou outra ferramenta de composição como o Shake. Ao saber como essas ferramentas funcionam, você pode produzir animações e vídeos, nas ferramentas 3d que você usa já pensando em facilitar o processo de pós-produção.

Além de ser um diferencial para a empregabilidade da área, será uma vantagem para quem trabalha como freelancer, pois poderá produzir material de maneira otimizada para agências e estúdios de animação.

Já publiquei alguns tutoriais sobre After Effects aqui, mas o ideal mesmo é ter uma referência com muitos tutoriais e dicas. Para quem está interessado em realmente estudar After Effects, recomendo uma visita a lista de artigos e tutoriais do Creative Cow, uma das maiores comunidades para edição e efeitos em vídeo do mundo.

Tutoriais de after effects

Depois que você visitar o web site, poderá conferir mais de 40 tutoriais, classificados por artista. Vá com calma e reserve algum tempo para visitar todos! Alguns dos artigos são baseados em versões mais antigas do After Effects, mas nem por isso deixam de ser interessantes.

Aproveite os tutoriais que abordam motion design, que é uma das técnicas mais trabalhosas e requisitas por estúdios e emissoras de TV. O que faz um motion designer? Ele cria aquelas vinhetas com gráficos animados, usando vários recursos de animação e efeitos do after para criar gráficos em movimento.

A técnica é um pouco trabalhosa, mas o resultado é muito legal.