Download gratuito de perfis IES para iluminação em arquitetura

Nos projetos que envolvem o uso de iluminação para visualização de ambientes, um dos requisitos mais comuns em termos de luzes é a representação da iluminação da maneira mais fiel possível ao produto final do projeto. Isso significa que o o artista precisa tentar simular o efeito da iluminação nos softwares 3d, posicionando as luzes nos mesmos locais em que devem ficar os spots no espaço físico real. Como resolver esse tipo de problema? Para os que possuem excelente percepção e noção de fotografia, o processo de iluminação desses ambientes não deve ser difícil. Mas, para as pessoas que têm mais dificuldade com a iluminação, a representação real pode ser desafiadora.

Usando perfis IES para iluminação

Uma solução muito interessante para esse tipo de problema é adotar perfis IES para representar a iluminação. Esses arquivos armazenam informações físicas da luz e as reproduzem nos softwares 3d. O seu uso é bem simples, e consiste em um arquivo com extensão “ies” que pode ser associado a um ponto de luz. Ao renderizar a cena com aquele arquivo associado, o resultado será a representação da iluminação com características idênticas ao que teríamos no mundo real.

Com base nesse tipo de tecnologia, diversos fabricantes de lâmpadas disponibilizam perfis IES para seus produtos, e podemos já prever a marca e modelo das lâmpadas usadas na iluminação dos ambientes.

Download gratuito de perfis IES para arquitetura

Um desses fabricantes que disponibiliza perfis IES para download é a marca HE Williams, que mantém um arquivo IES para cada modelo de luminária e lâmpada no seu catalogo. Mesmo que essa marca não seja muito conhecida no Brasil, pelo menos eu não conheço, é interessante fazer o download dos perfis IES, pois as características técnicas dos produtos podem atender a alguma demanda específica em projetos de iluminação.

Como usar arquivos IES?

A maneira com que esses arquivos são usados varia de acordo com cada renderizador. Mas, na maioria das vezes devemos associar o arquivo a um ponto de luz, material ou então em renderizadores que usem iluminação baseada em geometria. O importante é saber que na maioria dos casos existe suporte para esse tipo de arquivo nos melhores renderizadores de imagens.

Análise do livro Blender 2.5 Lighting and Rendering

Uma das leituras que aproveitei no mês de Janeiro foi o lançamento da PacktPub chamado de Blender 2.5 Lighting and Rendering, que está trazendo uma série de livros sobre o Blender, dedicados a versão 2.5 sendo esse focado apenas em iluminação e render. Um dos aspectos interessantes dessa obra é que o autor trabalha apenas com o render interno do Blender, que recebeu muitas melhorias na versão 2.5 e permite trabalhar com efeitos avançados e que atendem a maioria dos projetos de animação. Apesar de ainda preferir o uso de renderizadores avançados como YafaRay, LuxRender ou Indigo os exemplos abordados no livro ajudam muito no entendimento de como funciona a iluminação com o Blender.

O livro que revisei está no formato eletrônico que apresenta uma vantagem significativa em relação ao material impresso, que é a disposição de ilustrações em cores.

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O material é muito bom e tira proveito das ferramentas do Blender para ensinar boas técnicas de iluminação para cenários e outros tipos de projetos, sempre aproveitando o que há de melhor em termos de opções para cada contexto.

Abaixo a lista de capítulos do livro traduzidos, e com uma breve explicação sobre o conteúdo:

  1. Teoria da cor e iluminação no Blender: O ponto de partida do livro mostra como funciona o sistema de iluminação do Blender, e apresenta as teorias e conceitos necessários para compreender a iluminação.
  2. Iluminação para cenas externas: Aqui já temos a aplicação prática da iluminação em cenários externos com o uso de luzes para gerar sombras e adicionar cores com base na luz.
  3. Técnicas para iluminação baseada no ambiente: Nesse capítulo o autor explica as ferramentas de iluminação baseadas no ambiente como é o caso do Ambient Occlusion, explicando o funcionamento dos parâmetros da ferramenta.
  4. Materiais para cenas externas: Junto com a iluminação, precisamos fazer ajustes nos materiais dos objetos para conseguir bons efeitos em projetos de render ou animação. Esse capítulo aborda o uso dos Shaders do Blender para utilização em cenas externas.
  5. Iluminação para ambientes internos: A iluminação de ambientes internos exige uma abordagem diferente, que é a realizada nesse capítulo em que o autor explica técnicas como a utilização dos Render Layers para ajudar na iluminação.
  6. Mapeamento UV e texturas: Objetos em menor escala exigem o uso de técnicas mais precisas de texturização. O autor aborda o uso do mapeamento UV para posicionamento de texturas nesse capítulo.
  7. Materiais e texturas para ambientes internos: Com os conceitos de mapeamento UV bem definidos, o próximo passo é ajustar essas texturas para projetos de render interno.
  8. Mesclando iluminação interna e externa: Quando temos projetos que mesclam ambientes internos e externos, a abordagem e preparação da cena também muda. Esse é o objetivo desse capítulo que mostra como integrar as técnicas apresentadas em capítulos anteriores nesse contexto híbrido.
  9. Materiais e texturas para iluminação mesclada: Assim como a iluminação, o uso de materiais e texturas também precisa de adaptação em projetos híbridos. O autor explica como realizar essa adaptação nesse capítulo.

Durante o livro o autor faz menção a aplicação prática dos exemplos diversas vezes, facilitando a sua utilização em praticamente qualquer projeto. Se você procurava um livro sobre iluminação, sem o uso de GI ou técnicas avançadas, trazendo mais para a parte artística, recomendo a leitura desse material!

Como funcionam as luzes do YafaRay com o Blender?

Como você deve estar lembrado de outros artigos que publiquei no blog algumas semanas atrás, aos poucos vou divulgar alguns materiais que uso nas minhas aulas para guiar o desenvolvimento de conteúdos relacionados com computação gráfica. Uma das maneiras que mais uso para organizar esse tipo de contúdo são os chamados mapas mentais. Esses mapas são excelentes para visualizar de maneira geral a organização de qualquer tipo de conteúdo. Uso esse tipo de estrutura para organizar desde minhas aulas até capítulos dos livros que escrevo. O tema do mapa mental que publico hoje é relacionado com a iluminação e ajustes de luz usando Blender e YafaRay.

Os usuários do Blender que trabalham com o YafaRay devem saber que para renderizar qualquer cena usando o YafaRay e Blender, é necessário fazer uma pequena adaptação entre as luzes usadas no Blender e o que temos disponível no YafaRay. Dependendo do tipo de luz usada no YafaRay, teremos diferentes opções para ajustar a iluminação da cena. O mapa mental abaixo mostra essas variações:

Clique na imagem para ampliar

Assim que começamos a usar o YafaRay, é necessário escolher um dos diversos tipos de luzes disponíveis no script que exporta a cena para o renderizador. A única luz do Blender que não é compatível com o YafaRay é a do tipo Hemi.

Cada uma daz luzes dispões de opções próprias e efeitos distintos que ficam mais fáceis de localizar quando usamos esse mapa mental para visualizar os tipos. Entre as principais opções temos a luz do tipo Sun, muito usada na renderização de cenas externas como forma de simular a luz do sol.

Quando conhecemos os métodos de renderização do YafaRay, podemos fazer associações entre as luzes e os métodos. Por exemplo, ao escolher como forma de renderizar a imagem o Path Tracing as luzes com grande tamanho e área são as melhores opções. Sempre que a luz é pequena ou está escondida, o algoritmo do Path Tracing tem dificuldade em finalizar a renderização e distribuição de luz. Por isso, as melhores luzes para esse método são a Area, Sphere com a Lamp e os objetos que emitem luz.

Recomendo que o mapa mental seja impresso e fique em local acessível para auxiliar nos estudos das pessoas que ainda estão estudando esse tipo de renderizador.

Depois publico outro sobre os métodos de renderização.

Guia sobre uso de luzes fotométricas com o Indigo Renderer

A escolha do melhor tipo de iluminação para cada ambiente ou projeto pode ser uma tarefa bem trabalhosa, pois dependendo do objetivo de cada projeto a escolha em si pode ser determinante para alcançar ou não esses objetivos. Por exemplo, projetos que exigem o máximo em fidelidade entre a simulação dos ambientes reais com a iluminação criada nos softwares, demanda técnicas e ferramentas que possam simular essa situação. Nesses casos, a melhor escolha é usar as chamada luzes fotométricas baseadas em perfis do tipo IES. Quando escolhemos esse tipo de iluminação para nossos projetos, estaremos usando um pequeno arquivo de texto com extensão “ies”, que armazena todas as informações relevantes sobre a fonte de luz usada para emitir energia.

Esse é um recurso que não é suportado por todos os renderizadores ou softwares, mas a tendência é que a maioria dos renderizadores passar a oferecer esse tipo de suporte. Caso você seja usuário do Indigo Renderer, pode fazer o download de um excelente guia sobre configuração e uso de luzes IES no Indigo.

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Para quem decide usar esse tipo de luz no Indigo ou qualquer outro renderizador, o primeiro desafio é conseguir encontrar os arquivos IES corretos. Nesse caso, a melhor opção é recorrer aos web sites dos fabricantes de lâmpadas, pois a grande maioria oferece o download de inúmeros arquivos IES prontos para usar em qualquer projeto. Isso dá um aspecto de maior veracidade a iluminação, pois é possível aplicar o mesmo tipo de lâmpada especificada no projeto real, na visualização criada no computador.

Além do pequeno guia em PDF que mostra o básico e necessário para usar luzes IES no Indigo, mesmo que você não seja usuário do Indigo Renderer, pode achar dois outros links extremamente úteis no artigo. O primeiro é um pequeno arquivo zip com diversos perfis de lâmpadas prontas para uso, todas já no formato ies. Mas, como seria complicado trabalhar com esse tipo de visualização, tendo que aplicar o perfil em um modelo 3d para visualizar o efeito da luz, existe também um pequeno software que permite abrir o arquivo IES e visualizar uma prévia da iluminação gerada pelo perfil, assim como dados sobre a lâmpada.

Junto com o Indigo Renderer, esses perfis podem ser usados no LuxRender e futuramente no YafaRay, quando o suporte a luzes IES estiver estável.

Tabela com tipos de lâmpadas disponíveis no LuxRender para design de interiores

Entre todos os renderizadores externos disponíveis para o Blender 3d, um dos mais simples de usar e configurar é o YafaRay. Mas, mesmo sendo simples o YafaRay ainda exige dos seus usuários o conhecimento sobre o funcionamento dos seus parâmetros para que seja possível criar imagens de qualidade e materiais com características que se assemelhem a superfícies reais. Nesse quesito o LuxRender e o seu script de exportação no Blender são bem mais amigáveis para usuários menos experientes. No LuxBlend é possível encontrar uma excelente gama de presets (ou modelos) prontos para uso em qualquer projeto. Os presets abrangem tanto as configurações do render como os materiais usados na cena.

O problema dos presets é que nem sempre podemos avaliar o impacto que a escolha de cada preset tem no projeto. Para ajudar nessa avaliação, existem algumas tabelas de materiais e luzes com a aplicação dos presets em cenas renderizadas no LuxRender. Com esse tipo de recurso podemos usar uma referência visual para selecionar o melhor preset para nosso projeto. Uma dessas tabelas acaba de ser atualizada e representa a aplicação dos espectros de luz em objetos configurados para emitir energia luminosa no LuxBlend.

Como funciona esse espectro?

Nos projetos envolvendo o LuxRender é necessário usar planos ou objetos que emitem energia luminosa, que são mais adequadas para a simulação de física real nos renderizadores Unbiased. Quando escolhemos um material do tipo Light é possível associar texturas nessa luz, que por padrão sempre ficam marcadas como blackbody.

Existe outra opção chamada de “lampspectrum” que habilita o uso de diversas opções de luzes prontas no render. Pelo nome da lâmpada fica complicado diferenciar os tipos e efeitos que cada luz terá na cena. O processo fica muito mais simplificado com a ajuda da tabela.

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Essas informações armazenadas no LuxBlend funcionam de maneira muito semelhante as luzes fotométricas, mas com a vantagem de não necessitar dos arquivos com extensão “.ies” com as informações da fonte de luz. Tudo está pronto para uso no LuxRender.

É por esse tipo de recurso que o LuxRender está se tornando de longe a opção preferida pelos meus alunos, sempre que mostro os presets e comparo com o YafaRay e Indigo, os alunos acabam preferindo usar o LuxRender pela rapidez na configuração da cena e dos materiais. O tempo de render é maior, mas a parte mais complicada fica muito mais simples para pessoas sem experiência com ajustes de materiais e parâmetros de renderização.

Claro que essa é uma solução que deve ser adotada apenas no primeiro contato com a ferramenta, para com o tempo deixar os presets de lado e criar suas próprias configurações e ajustes personalizados.