Planejando uma animação 3d com storyboards e vídeos

Qual é a fase mais importante produção de uma animação 3d? Sem sombra de dúvida que é o planejamento e preparação da equipe para trabalhar com o roteiro e conceito da animação. Na maioria das animações 3d, mesmo as que tema penas como propósito a ilustração ou ambientação do público para jogos, o processo de criação desse tipo de material se assemelha em muito ao que acontece com estúdios tradicionais de animação. Boa parte da animação, mesmo as que tem menos de 10 minutos de duração, envolvem em alguns casos o uso de tomadas de câmera complexas e uso de veículos de transporte futuristas, que exigem do diretor do projeto vários estudos de câmera e posicionamento dos atores.

Caso você tenha curiosidade de comparar o processo de planejamento de uma animação, com o resultado final de um desses vídeos, vários trechos de documentários sobre a produção das animações para o jogo Resident Evil 5 da Capcom foram disponibilizados no youtube, como forma de divulgar o jogo. No vídeo abaixo o pessoal do estúdio, assim como parte da equipe responsável pela animação explica os procedimentos e passos necessários, antes de começar efetivamente a trabalhar na animação.

Repare que dentre todos os aspectos da preparação da animação, um deles é bem ressaltado pela equipe: custo. Sim, com a visualização prévia do material, a empresa responsável pela produção da animação pode diminuir os custos da produção, oferecendo soluções mais fiéis para a produção e evitando os desperdícios. Esse é o vídeo:

No processo de preparação do material, a equipe do estúdio Third Floor prepara animatics e story boards em vídeo. Veja que interessante o processo deles, que faz o caminho inverso de muitas produções: usar atores reais para simular as cenas de uma animação 3d. Nesse caso, o uso dos atores é mais barato que a execução da animação.

Essa foi a preparação, mas e o resultado final? Olhe só como ficou:

É interessante identificar as partes da pré-produção como vídeo finalizado e visualizar a evolução do material. Esse é mais um exemplo de que sem planejamento e principalmente, o dimensionamento correto dos custos, um projeto de animação pode naufragar feio o estúdio. Principalmente nesses tempos de vacas magras, em que vários artistas 3d estão perdendo cargos em estúdios de animação. O melhor mesmo é planejar para não passar por problemas.

O que é melhor? Ser um generalista ou especialista em computação gráfica 3d?

A crise econômica mundial, principalmente nos mercados americano e europeu começa aos poucos a chegar também nas áreas criativas, responsáveis por boa parte dos empregos na área de computação gráfica 3d. Os pequenos estúdios e produtoras de animação começam a sentir os efeitos da crise com a diminuição da demanda por animações e comerciais. Esse tipo de crise deve demorar a chegar e afetar de maneira muito tímida os gigantes dessa área como a Pixar, ILM e DreamWorks Animation, mas os pequenos estúdios estão começando a sentir.

Um dos efeitos dessa crise é que muitos desses pequenos estúdios começam a reduzir as contratações dos chamados artistas freelancers, contratados apenas para finalizar um determinado projeto em que são especialistas. No mercado americano, principalmente os estúdios, a redução das contratações e até mesmo demissões na área, gera uma demanda muito forte por profissionais e artistas com conhecimentos gerais em várias áreas, para substituir esse pessoal que não tem mais espaço ou demanda. A busca por profissionais generalistas está aumentando e muito!

Os chamados profissionais generalistas são aqueles que não dominam uma área em especial, mas tê conhecimentos medianos em várias áreas do processo de criação. Por exemplo, esse tipo de profissional consegue facilmente trabalhar com modelagem 3d, texturas, scripts, animação e pós-produção. Sim, tudo isso no mesmo projeto.

New Art: Computer Animation

O mercado americano e europeu, era conhecido por acolher os especialistas que tinham muito trabalho para atuar apenas nas áreas em que realmente dominavam. Um escultor digital só trabalhava basicamente com ZBrush ou MudBox, quando aparecia um projeto para trabalhar com subdivisão ele se recusava a aceitar. Agora a coisa está mudando!

Os artistas brasileiros estão em vantagem nesse quesito, pois aqui o mercado sempre acolheu melhor os generalistas. Quem já teve oportunidade de trabalhar em alguma produtora sabe que todos tem que fazer tudo, algumas vezes até o cafezinho fica sob responsabilidade dos artistas. As produções aqui tem sempre que ser de baixíssimo custo de produção, o que inviabiliza a contratação de pessoas especializadas apenas para uma parte do processo.

Por um lado isso é difícil, pois a formação desses profissionais é muito mais complicada. Na maioria dos casos, as pessoas se identificam mais com uma área, seja ela a modelagem 3d ou animação, mas uma área sempre é a predileta.

Para quem quiser saber mais, uma discussão sobre esse assunto está acontecendo nos fóruns da Cg Society, em que artistas ao redor do mundo comentam os efeitos dessa crise, e demanda por artistas generalistas nos seus respectivos países e mercados.

E você? Que tipo de artista pretende ser? Generalista ou especialista?

Como são os salários na área de computação gráfica e 3D?

A grande maioria das pessoas começa a trabalhar com computação gráfica, olhando pelo lado romântico da coisa, procurando criar algo virtual e realista. Esse foi o meu caso e muito provavelmente é o seu, que está lendo esse artigo. Mas com o tempo e um pouco de habilidade, você começa a encarar o seu trabalho com computação gráfica 3d com fins comerciais. O quanto antes você se inserir na economia de mercado, mais rápido será o seu processo de profissionalização.

Logo depois que você começa a trabalhar, aparece uma dúvida comum a todos que almejam um dia viver da sua produção com 3d, quanto ganha um profissional nessa área? Quando ganham os profissionais da indústria americana? E no Brasil?

Essa é uma pergunta muito complicada de responder, pelo fato de não haver sindicalização ou associações de usuários no Brasil, os profissionais precisam negociar diretamente com as empresas os seus salários e fica a critério de cada uma avaliar a remuneração. Eu sei bem o que é isso, na época em que eu coordenava um curso técnico de computação gráfica, tinha que tirar as dúvidas de vários pais de alunos, sobre o quanto de ganha nessa área.

E nos EUA? Bem, lá esse trabalho é um pouco mais organizado. Um colega me enviou um link interessante essa semana, com o resultado de uma pesquisa informal, realizada com profissionais da área de computação gráfica e efeitos especiais, perguntando a sua média salarial! Apesar do caráter informal, nem todos os profissionais precisam participar, os dados da pesquisa podem ajudar muito na hora de ter uma idéia do valor que gera esse trabalho.

Para acessar os dados da pesquisa, visite esse link direto para o arquivo PDF.

Na lista você encontra as mais diversas atividades e cargos dentro da indústria de computação gráfica, desde as pessoas que escrevem scripts, modeladores, animadores, especialistas em personagens, diretores de arte, especialistas em cabelo e roupas digitais e muito mais!

Os valores estão divididos em mínimos, médios e máximos para que seja possível ter uma idéia da variação dos cargos. Os pagamentos ali são baseados em semana, então os valores refletem os pagamentos semanais.

O que podemos concluir com a pesquisa?

Um dos cargos com menor salário é o de modelador 3d. Quase todos os profissionais envolvidos no processo de produção, ganham mais que um modelador.

Outra coisa, os níveis de salário lá estão bem mais altos que os padrões brasileiros, mas acho que isso já era óbvio.

Como atingir os cargos com salários mais altos? Estudem bastante! Os cargos de supervisão são os que pagam mais. Mas, para chegar lá você precisa de conhecimento técnico e muita experiência.

Acho que essa receita para o sucesso “estudar muito” já era conhecida também, não é?