Conversor gratuito de arquivos FBX

O trabalho em projetos envolvendo grandes equipes usando softwares 3d pode ser algo realmente complexo de gerenciar, principalmente quando o objetivo é montar algo como uma linha de produção. Nesse tipo de situação, a equipe de coordenação do projeto acaba distribuindo tarefas, cenas e modelos 3d para vários estúdios e artistas, que depois devem ser reunidos para fazer a montagem final. Para esse tipo de situação existem diversas opções de arquivos que são reconhecidos de maneira praticamente universal, como é o caso de extensões OBJ, 3DS e DXF. Cada um desses formatos de arquivo pode ser gerado e importado na mais variada gama de softwares 3d. O problema desse tipo de formato de arquivo é que geralmente alguma coisa acaba se perdendo no processo de exportação do material, acarretando em trabalho extra para quem recebe os arquivos.

Até pouco tempo atrás alguns estúdios recorriam ao uso de ferramentas que fossem amigáveis dentro de um sistema de produção parecido com linha de montagem, como é o caso do Softimage. Na época em que o estúdio Blur anunciou a migração da sua base tecnológica para o Softimage, uma das alegações é que o software se comportava melhor recebendo arquivos oriundos de outras ferramentas. Mas, isso foi na época anterior a compra do Softimage pela Autodesk.

A Autodesk tem um formato próprio de arquivos que é destinado a fazer transposição de dados entre suas ferramentas que é o FBX. Esse é o formato indicado para passar arquivos do 3ds Max para o Maya, ou Softimage e até para as ferramentas de CAD. O problema para alguns artistas está relacionado ao recebimento de arquivos no formato FBX que precisam ser manipulados em softwares que não reconhecem a versão, ou então o próprio arquivo FBX. Por exemplo, os arquivos gerados pelo recém lançado 3ds Max 2012, podem não abrir no Maya 2011. Outro exemplo é o uso desse tipo de dados em softwares como o Blender, Modo ou outro que não seja da Autodesk.

Se você já passou por esse tipo de situação, deve gostar de saber que a Autodesk lançou um conversor de arquivos FBX, que pode ser copiado de maneira totalmente gratuita. O software é capaz de manipular esses arquivos de várias formas, fazendo a conversão entre versões e transformando arquivos FBX em OBJ, DXF e 3DS. Isso permite que artistas e usuários de softwares que não sejam da Autodesk possam integrar material gerado no 3ds Max, Maya, Softimage e MudBox de maneira muito mais rápida em seus projetos.

O vídeo abaixo mostra um pouco do funcionamento desse conversor e como manipular arquivos FBX.

Tutorial 3dsmax: Configurando um personagem com o CAT

O antigo 3dsmax contava com um software especializado em animação para personagens chamado de Character Studio que depois ficou conhecido como Biped, e por muito tempo ele reinou como a maneira mais rápida e fácil de trabalhar com animação com personagens, bípedes claro, dentro do 3dsmax. Ainda lembro da época em que ministrava cursos sobre o 3dsmax e mostrava o Biped para os alunos, em que podíamos posicionar as posições dos passos para as pernas do personagem e ao pressionar o play na animação, tínhamos como resultado o personagem seguindo os passos. Para quem nunca tinha imaginado trabalhar com animação, esse era um feito e tanto. Depois que Autodesk adquiriu o Softimage vieram junto com ele algumas ferramentas interessantes como o CAT, que é hoje incorporado ao 3dsmax.

Essa ferramenta tem objetivo semelhante ao do Character Studio, mas a sua flexibilidade e poder para trabalhar com personagens complexos é muito superior ao do antigo Biped. Caso você nunca tenha tido a oportunidade de trabalhar com o CAT no 3dsmax, encontrei um tutorial básico de configuração de personagem com o sistema que pode ser de grande ajuda para quem nunca teve a chance de usar a ferramenta.

O vídeo é simples e mostra a criação e configuração de ossos no sistema do CAT para um personagem bípede. Uma das grandes diferenças que já notamos para esse tipo de configuração é que a estrutura não aparece pronta, mas é criada pelo artista para se adaptar ao personagem.

O processo é todo realizado com o uso de um painel na área de criação do 3dsmax em que encontramos os chamados CAT Objects dentro dos helpers. Nessa área estão disponíveis opções como o CATParent que é usado para criar a estrutura do personagem. Ao pressionar esse botão será criado o controle principal do personagem na base, que deve ser selecionado para adicionar os ossos e partes individuais que fazem parte desse personagem. Esse procedimento deve ser seguido pelo artista para montar a estrutura. Existem partes específicas para personagens como o Bone da pélvis (Create Pelvis) que é importante no controle da hierarquia e biodinâmica do conjunto.

Depois que a pélvis está criada, o artista parte para a adição dos outros ossos. O interessante no processo é que a criação da simetria já considera os ajustes realizados o personagem anteriormente. No final é usado o Skin para fazer a ligação e controlar o peso dos vértices do personagem.

Agora você já tem uma idéia de como funciona o CAT no 3dsmax para gerar animação de personagens!

Lagoa Multiphysics promete simulações realistas no Softimage

A animação usando simulações físicas sempre delegada para plugins ou softwares especializados devido a sua complexidade e competência em resolver problemas complexos, que seriam incrivelmente trabalhosos de criar usando apenas técnicas tradicionais de animação. Esse sempre foi o legado dos plugins que a cada dia ficam mais sofisticados. O 3dsmax é uma das ferramentas que apresenta a maior quantidade de plugins para esse tipo de animação com destaque para Fume FX e o Krakatoa que permitem criar animações complexas e com grande apelo visual. Outro sistema que oferece grandes possibilidades para a simulação física em animação é o Softimage com o seu incrível e poderoso sistema ICE.

Um sistema de simulação física para o Softimage que usa o ICE foi apresentado essa semana e deixou muita gente de queixo caído. A qualidade e complexidade das animações, sem mencionar a variedade de simulações, acaba transformando esse software em um dos mais promissores na área de efeitos baseados em física. O seu nome é Lagoa Multiphysics e uma demo em vídeo mostra em imagens o que acabei de descrever com palavras:

Lagoa Multiphysics 1.0 – Teaser from Thiago Costa on Vimeo.

O software ainda não está disponível para download ou sequer foi lançado, mas podemos acompanhar recursos avançados como materiais granulados com diferentes índices de fricção, fluidos com densidades variadas, estruturas elásticas e muito mais.

Mas, afinal o que é esse ICE? Para quem não está acostumado a usar o Softimage a plataforma ICE (Acrônimo para Interactive Creative Environment) é uma plataforma que permite expandir o Softimage usando nada mais que uma estrutura de nós. É a tendência de todos das suítes de computação gráfica 3d oferecer esse tipo de sistema, pois ele permite criar sistemas complexos e escalonáveis para projetos de animação e visualização.

Mesmo sem a popularização do Softimage aqui no Brasil a plataforma ICE é muito bem conceituada entre artistas especializados em efeitos especiais, e principalmente no mercado publicitário pela sua flexibilidade.

O autor do Lagoa Multiphysics se chama Thiago Costa e mesmo sem maiores informações sobre o sistema no seu web site pessoal, lá é possível conferir vários dos seus trabalhos usando o Softimage ICE. É uma excelente fonte de informações para usuários do Softimage e também para quem estuda a produção de animações 3d.

Pesquisa sobre o mercado de computação gráfica 2009-2010

Assim como aconteceu no ano passado o site CG Genie acabou de publicar o resultado prévio de uma pesquisa de opinião realizada com usuários de softwares 3d, com o objetivo de estabelecer um ranking entre as ferramentas e passar uma boa idéia de como os usuários percebem e usam essas ferramentas. É importante ressaltar que esse tipo de pesquisa não tem caráter científico, ou mesmo valor para atribuição de mercados, pois o número de pessoas envolvidas é muito pequeno. Para acessar os resultados da pesquisa que são relacionados ao mercado de computação gráfica de 2009, visite o endereço indicado.

Mas, o que essa pesquisa diz? Como podemos interpretar esses dados?

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A pesquisa mostra diversos aspectos interessantes. Abaixo, compilei algumas das observações que fiz sobre a pesquisa e o mercado de computação gráfica:

  • O mercado está polarizado em soluções proprietárias e gratuitas, sendo liderados pela Autodesk e Fundação Blender respectivamente;
  • Entre as pessoas que responderam as perguntas da pesquisa a proporção de profissionais foi de 47%, sendo seguidos por 13% de estudantes e 37% de entusiastas que usam os softwares apenas por diversão;
  • Sobre a evolução dos softwares em relação ao ano passado, uma boa parte das ferramentas melhorou no conceito dos usuários. Mas, algumas delas caíram de qualidade em relação aos usuários. O Softimage, Lightwave, Maya e Cinema 4D estão relacionados entre os softwares que tiveram queda de qualidade;
  • Na análise do Marketshare de cada ferramenta as surpresas são a projeção de crescimento do Blender e do Modo, que devem cada vez mais chegar perto das ferramentas da Autodesk. Hoje os maiores marketshares da indústria são do 3ds Max, Maya e ZBrush;
  • Qual o maior retorno sobre o investimento? Na lista dos softwares que oferecem o melhor retorno sobre o dinheiro investido, temos o Modo e o Blender no topo da lista. Claro que o Blender é listado pelo investimento zero em software, e o Modo pela quantidade das suas ferramentas de modelagem;
  • Sobre a maneira com que as empresas ou instituições gerenciam e atualizam as suas ferramentas, as opiniões são bem diretas. A Autodesk dá muita atenção para o 3ds Max e deixa o Maya e Softimage de lado. A SideFX só não tem um marketshare maior de usuários devido ao alto preço do seu software, pois eles fazem um trabalho incrível. O Terragen é a grande surpresa dessa lista, que traz usuários muito satisfeitos em conjunto com os usuários do Blender. A avaliação da Fundação Blender foi muito positiva.

No geral é possível tirar algumas conclusões da pesquisa:

  • Um dos grandes destaques é o Modo 3D;
  • O Blender teria muito mais usuários se fosse mais fácil e rápido importar e exportar projetos do software para outras ferramentas;
  • A Newtek deve estar furiosa com o sucesso do Modo, já que o software é fruto de uma dissidência interna na empresa;
  • A Autodesk é vista como a grande vilã da pesquisa com usuários do Maya e Softimage insatisfeitos;
  • Se o Houdini 3D fosse mais barato, o Marketshare da Autodesk iria diminuir drasticamente;

E você, o que pensa da pesquisa?

Python agora oficialmente no Cinema 4D

Entre as diversas opções de trabalho em ambientes que envolvem o trabalho com computação gráfica 3d, a que mais gera demanda em estúdios e produtoras de médio ou grande porte é a capacidade de criar ferramentas personalizadas. Por exemplo, se para um determinado projeto você precisa trabalhar com animação de coisas repetitivas como trens e vagões, seria excelente ter uma ferramenta que já criasse os trilhos e depois ajustasse a trajetória de animação do trem sobre os trilhos. Isso é o ideal, e não a criação manual de todo o conjunto. Para conseguir esse nível de sofisticação é preciso conhecer alguma linguagem que se integre com a ferramenta 3d e criar as opções.

Uma das linguagens mais usadas na área de computação gráfica agora ganhou o suporte oficial da Maxon, empresa que desenvolve e comercializa o Cinema 4D. A Maxon comprou o software que fazia a integração entre o Python e o Cinema 4D chamado de Py4D. Essa é uma jogada da Maxon para oferecer mais capilaridade entre os profissionais de computação gráfica, pois já existem várias ferramentas de alto nível usando Python.

cinema-4d-python-py4d.png

Por exemplo, entre essas ferramentas podemos citar o Blender, Softimage e o Houdini. Todas elas usam Python para criar ferramentas personalizadas e até mesmo alterar aspectos da interface. O que a Maxon faz com isso é permitir que profissionais e estúdios que já usam Python, tenham mais “conforto” ao escolher o Cinema 4D para desempenhar algum tipo de tarefa nos seus projetos.

A necessidade de usar Python em projetos é tamanha que estúdios como o Blur, trabalham no desenvolvimento de maneiras para adaptar e interpretar Python em ferramentas como o 3ds Max. Assim eles podem criar ferramentas parecidas para o Softimage e o 3ds Max. O projeto do Blur se chama Py3dsMax e pode ser copiado de maneira gratuita no link indicado.

Quem já usa o Blender e estuda a criação de scripts em Python tem uma excelente vantagem competitiva nesse aspecto, pois pode migrar depois para a criação de ferramentas para o Softimage, Houdini, Cinema 4D e até mesmo 3ds Max. Se você estava em dúvida sobre que linguagem usar, recomendo estudar Python.