Guia de pintura com GIMP: Criando um planeta com anéis

A criação de cenários e ambientes espaciais foi um dos motivos pelos quais comecei a me interessar por computação gráfica, ainda quando era criança. Hoje, com uma gama enorme de ferramentas e opções disponíveis para trabalhar tanto na parte de criação 3d como em ferramentas de pintura, deixa esse processo ainda mais divertido. Sempre que posso tento adicionar o tema em alguma das minhas aulas, seja com efeitos de pintura no Maya ou partículas no Blender. Caso você tenha interesse por esse tema e goste de usar ferramentas voltadas a pintura digital, encontrei um tutorial simples e rápido de executar que ensina a reproduzir planetas com anéis no GIMP.

A técnica é bem simples e consiste na aplicação de alguns filtros e pequenos truques de edição, para ter como resultado final a seguinte imagem:

tutorial-gimp.jpg

Pela complexidade e passos envolvidos, o tutorial pode ser muito útil para projetos em que você precisa reproduzir vários planetas. Nesse caso, o único requisito para gerar outros planetas é trocar a textura.

O processo é descrito em poucos passos, e consiste basicamente na utilização de uma textura indicada pelo próprio autor do tutorial. A mesma textura deve ser redimensionada e ter um filtro do tipo Blur aplicado no mínimo três vezes para conseguir suavizar as linhas na imagem.

Depois do filtro o autor recomenda aplicar um efeito de lente que dará o aspecto esférico para a imagem, lembrando que é necessário criar uma camada no plano de fundo sem nada, para que depois possamos adicionar um plano de fundo com pequenos pontos representando estrelas.

As estrelas são criadas usando outro filtro do GIMP chamado de HSV Noise que é aplicado em uma camada com preenchimento preto. Isso é feito logo antes de usarmos a ferramenta de gradiente do GIMP para gerar o efeito de iluminação e finalmente atribuir o aspecto esférico ao planeta.

Agora, o truque interessante está na criação da atmosfera em que será necessário selecionar a borda do planeta e com a opção Feather border do Border Select separar o controno do planeta para pintura com uma cor semelhante a usada na textura.

A parte mais complicada do tutorial é a criação dos anéis, envolvendo o uso do filtro Difference Clouds e Whirl and Pinch com várias transformações. Mesmo que você decida reproduzir apenas o planeta, o tutorial já será de grande utilidade em projetos que demandem esse tipo de cenário.

Outro ponto positivo é que podemos adaptar as técnicas para uso em outros softwares, como o Photoshop e Pixelmator.

Já mencionei que o GIMP é gratuito?

GIMP 2.8: Lista com algumas das novidades

Entre as diversas opções que temos para trabalhar com editoração de imagens em um mundo dominado pelo Photoshop, temos o GIMP que oferece ferramentas e opções mais que suficientes para a grande maioria das pessoas. Até mesmo em casos como a pintura de texturas e criação de mapas UV para modelagem 3d, o GIMP substitui perfeitamente o Photoshop. Se você acompanha o blog já deve conhecer também as diversas ferramentas equivalentes a recursos aclamados do Photoshop CS5, casos do Content-aware Fill e outros. Sim, esses recursos estão presentes no GIMP já faz um bom tempo.

Uma nova versão do GIMP está sendo preparada para lançamento em 2011 e já podemos conferir várias das novidades nessa pequena lista, com 24 itens novos para a versão 2.8. Está previsto para dezembro a disponibilização de uma versão Release Candidate, indicando que pouco tempo depois poderemos aproveitar a versão estável.

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Quais são essas novidades? Bem, não vou comentar todas, mas as que considero importantes para o fluxo de trabalho de usuários antigos do GIMP e também dos mais recentes.

Entre as tarefas que mais realizo no GIMP está a criação de diagramas e anotações em imagens, seja em fotografias ou mesmo em imagens renderizadas. Se você já usou o GIMP, deve saber que a edição de texto é feita em janelas separadas. Agora será possível adicionar, editar e formatar o texto diretamente na moldura da imagem. Isso será extremamente útil e deve acelerar bastante o processo de criação.

Quando trabalhamos em projetos envolvendo diversas camadas com imagens e textos, o processo de edição acaba sendo dificultado pela quantidade de informações. Agora poderemos organizar as camadas em grupos!

Pequenas mudanças podem fazer a diferença também, como é o caso da adição de contornos nos pinceis usados para trabalhar com pintura. Nos casos em que é necessário editar mapas de texturas no GIMP, isso ajudará a visualizar a área de efeito do pincel.

Essas mudanças facilitam bastante a vida de quem já usa a ferramenta e terá impacto positivo no uso da ferramenta por usuários mais novos, pois a edição e manipulação de imagens no GIMP fica cada vez mais simplificada.

Tutoriais GIMP: Liquid Rescale e Content Aware Fill

O lançamento do Photoshop CS5 trouxe várias ferramentas impressionantes como o Content Aware Fill, praticamente permite a qualquer artista remover partes de uma fotografia com base na seleção de uma área. Seria como fazer todo aquele trabalho com o Stamp, copiando pedaços dos pixels para compor sobre a área que precisa ser excluída, mas de maneira automatizada. Essas opções foram apresentadas como grandes novidades da ferramenta, mas muitas delas já estavam disponíveis em softwares como o GIMP. Essa é uma opção de código aberto ao Photoshop que permite realizar exatamente os mesmos efeitos, com a vantagem de não demandar a compra de uma licença para seu uso. Você pode usar de maneira totalmente gratuita.

No GIMP temos duas ferramentas chamadas de Liquid Rescale e Resynthesizer que permitem realizar as mesmas edições do Photoshop. Uma funciona para redimensionamento de imagens sem deformar partes chave, e a outra preenche partes da imagem usando padrões identificados pelo próprio software.

O tutorial abaixo mostra de maneira bem simples o funcionamento de ambas as ferramentas no GIMP, e pode servir como referência para qualquer pessoa interessada em reproduzir o efeito. Basta fazer o download da ferramenta, que é totalmente gratuita e editar as suas fotografias.

Para usar o Liquid Rescale o procedimento é extremamente simples, e consiste na marcação das áreas na imagem que não devem sofrer nenhum tipo de deformação no processo de escala. Isso pode ser feito usando um pincel simples, configurado para fazer esse tipo de separação. No tutorial, o autor do vídeo marca as pessoas que estão na fotografia e partes da vegetação. Com tudo marcado, podemos acionar o redimensionamento da fotografia e tudo será esticado, menos as partes selecionadas. O funcionamento é bem parecido com o Content Aware Scale do Photoshop.

Agora o mais legal que é o Resynthesizer, que funciona com base na seleção de uma área da fotografia. No caso da imagem do tutorial foi selecionada uma das pessoas. Quando essa pessoa está selecionada, o autor aciona o filtro chamado de Heal Selection. Com isso, o próprio GIMP identifica a imagem e preenche os espaços com pixels da cores parecidas. O resultado é que a pessoa é removida da imagem.

Só para lembrar, o Resynthesizer precisa ser instalado no GIMP. Você pode fazer o download do Resynthesizer nesse endereço.

Tutorial Blender 3D, GIMP e YafaRay: Simulando os grupos de luz do LuxRender

Um dos recursos mais legais do LuxRender para quem trabalha com visualização de projetos são os chamados grupos de luz. Já mencionei esse recurso em diversos tutoriais aqui no blog, sendo que esses mesmos grupos de luz podem ser encontrados no Maxwell Render sob o nome de Multilight e também no V-Ray e Mental Ray por meio de um script do 3ds Max. Essa ferramenta consegue fazer alterações em fontes individuais de luz, fazendo com que os objetos do cenário mudem a projeção da cor e até mesmo as interações com a sombra. Isso permite criar versões diferentes de um mesmo render, sem a necessidade de trabalhar com várias renderizações.

Algumas ferramentas como o YafaRay não possuem esse tipo de recurso, mas isso pode ser simulado usando editores de imagem como o GIMP. Essa semana estava navegando e encontrei um excelente tutorial nos fóruns de usuários do SketchUp, em que um artista explicava a técnica para simular o uso do Multilight do Maxwell Render no SketchUp com outro renderizador. Resolvi experimentar a técnica usando o Blender 3D e YafaRay e esse foi o resultado:

Como você pode perceber pelo vídeo, o procedimento no YafaRay e Blender é realmente simples. Para a cena de teste foram usados dois pontos de luz, com intensidades e cores diferentes. O segredo é fazer uma renderização para cada fonte de luz em separado, gerando uma imagem para cada uma. Depois é necessário criar uma composição no GIMP em que todas as imagens renderizadas ficam organizadas em camadas, com adição de um fundo preto.

Cada um dos layers deve ter o modo de mistura alterado para addition. Pronto, agora basta fazer alterações na opacidade e habilitar ou desabilitar a visualização dos layers, para conseguir simular o efeito de a luz ligar ou desligar, e também a alteração da intensidade da mesma.

Essa técnica pode ser usada para gerar diferentes versões da iluminação de um projeto, ou mesmo animações com ferramentas especializadas na captura de tela. O tutorial original comenta sobre o uso do Camstudio, mas você pode usar praticamente qualquer ferramenta.

Download gratuito de texturas e imagens de árvores e arbustos

A técnica mais simples que podemos aplicar em modelagem 3d para simular a presença de árvores e arbustos em cenas ou maquetes eletrônicas, é com um truque usando texturas. O processo é bem simples e pode economizar no tempo de render também, pois com o uso de texturas nas cenas o uso de geometrias complexas é evitado. Para conseguir usar texturas para simular vegetação, antes de qualquer coisa é necessário conseguir uma boa coleção de imagens em resolução razoável. Se você ainda não tem nenhuma imagem como essa, pode fazer o download de uma coleção de texturas com árvores e arbustos nesse web site de um artista 3d chamado Michal Kotek. As imagens estão em resolução excelente e disponíveis nos formatos TIF e JPG, em que temos mapas com a imagem da árvore e também os chamados mapas de opacidade.

A imagem abaixo mostra as árvores e vegetação disponível na coleção de texturas:

texturas-gratuitas-vegetacao-maquetes-3d.jpg

Como podemos usar esse tipo de textura em softwares 3d?

Para mostrar como é possível usar esse tipo de recurso em softwares como o Blender 3D, resolvi fazer um vídeo bem curto, que apresenta o procedimento para editar as texturas. A edição visa criar imagens no formato PNG com o fundo transparente para uso no Blender, que em minha opinião geram o melhor resultado. O vídeo não apresenta narração, apenas uma música de fundo. O procedimento é bem simples e consiste na criação de uma máscara de Layer, aplicada na imagem que deve ter o fundo transparente.

Depois que você cria a máscara de Layer, copie e cole o conteúdo do mapa de opacidade para que o fundo da imagem seja totalmente removido. Esse mesmo procedimento funciona em softwares como o Photoshop, com a adição de uma máscara de camada.

No Blender 3d, basta seguir o procedimento demonstrado no vídeo, em que a textura é aplicada usando UVs no plano e configurada para afetar a transparência do modelo 3d. Para que a transparência fique boa, desligue o botão CalcAlpha na configuração das texturas. caso esse botão esteja ligado, a textura ficará um tanto quanto estranha.

Essa técnica não é nova e já foi usada muitas vezes em ambientes que precisavam simular grandes quantidades de vegetação, mas com poucos recursos de processamento, como jogos mais antigos. O único cuidado com esse tipo de textura é no posicionamento da câmera que precisa ser muito bem pensado e planejado, para que a natureza 2D das árvores não seja passada para quem visualiza a imagem.