Indigo Renderer 3.4

O Indigo Renderer é um software bem conhecido pelos usuários mais antigos do Blender, pois um bom tempo atrás ele era uma das opções interessantes que os artistas usando o Blender tinham para gerar imagens realistas. O Indigo já foi gratuito, mas não era de código aberto como o Blender, mas sim um software Freeware que na época ainda não estava totalmente finalizado e era distribuído para várias plataformas para fins de desenvolvimento. Com o passar do tempo o autor do software interrompeu a distribuição gratuita e assim nasceu o Indigo Renderer que conhecemos hoje, que é um renderizador comercial compatível com o Blender.

Hoje o software está na sua versão 3.4 que foi lançada recentemente com algumas novidades bem interessantes para quem quiser trabalhar com visualização em arquitetura ou produtos, que são o foco do Indigo. A primeira coisa que você deve estar se perguntando é sobre a licença, pois o software já não é mais gratuito. Sim, mas ainda existe uma versão gratuita do Indigo Renderer que possui limitações de tamanho do render e uma marca dágua na parte inferior direita da imagem e funciona por 30 dias, mas de resto os recursos do software funcionam da mesma forma para a licença paga ou a versão gratuita durante o período de testes.

Entre os recursos que mais chamam a atenção no novo Indigo, é a possibilidade de trabalhar com secções diretamente no renderizador, sem a necessidade de editar absolutamente nada no modelo 3d. Para fazer isso é necessário apenas ajustar no próprio painel do Indigo a opção, como mostra esse tutorial hospedado no site do renderizador.

Indigo Renderer 3.4

A mesma coisa vale para os usuários do SketchUp que é outro software que possui scripts integrando a plataforma de modelagem com o renderizador. No caso do Blender o Blendigo está estável e funcionando sem nenhum problema até agora na versão 2.64a. Estou com uma versão comercial do Indigo e fazendo diversos testes no renderizador junto com o Blender, e nos próximos meses vários tutoriais interessantes sobre o software devem aparecer aqui no blog.

Uma coisa já posso adiantar em relação ao Indigo! Um dos diferenciais da ferramenta é a velocidade, pois apesar de usar algoritmos unbiased e renderização por refinamento progressivo, o Indigo consegue ser muito rápido.

Novos tutoriais e concurso sobre renderização com Blender 3D e Indigo Render

O Indigo Render já foi uma das melhores opções em termos de renderizador gratuito para o Blender 3D, pois a sua maneira de trabalhar simula com muita precisão o comportamento físico da luz no mundo real. Essa é a característica principal dos renderizadores classificados como Unibased render engine. Desde que o Indigo mudou a maneira com que as suas licenças são oferecidas para os usuários finais, não me animei muito em usar a ferramenta. Mas, se você é um usuário antigo do Indigo e quer ter a chance de ganhar uma licença para a versão 2.0 do software, um concurso lançado nos fóruns de usuários do renderizador pode ser a sua chance.

O concurso é bem simples e tem como objetivo a criação da imagem mais realista e que mostre o potencial do Indigo como render realista. Os critérios de participação do concurso são bem simples e envolvem a disponibilização da cena vencedora para distribuição junto com o renderizador, e também do uso de todos os elementos do projeto como texturas e blocos de mobiliário. Nas regras do concurso não há absolutamente nenhuma restrição para uso da versão gratuita do render, que pode ser usada da mesma maneira que a paga. Apenas com a restrição do tamanho máximo do render que é de 0.7 Megapixels e uma marca d'água na imagem.

O vencedor leva vários prêmios, entre eles uma licença da versão 2.0. Para saber mais sobre o concurso e as regras, visite esse endereço nos fóruns do Indigo. O prazo se encerra no dia 30 de setembro.

Para os usuários mais antigos do Blendigo, o script que faz a integração entre o Blender 3D e o Indigo, o tutorial abaixo foi produzido pela equipe do renderizador para atualizar os artistas interessados no uso da ferramenta.

Assim como esse vídeo, também estão disponíveis novos arquivos com tutoriais e documentação atualizada sobre o uso do Blender 3D com o Indigo. Uma lista com os novos recursos pode ser encontrada nesse endereço nos fóruns do Blenderartist.org.

Se você for usuário do SketchUp, o Indigo é uma excelente opção de renderizador para maquetes eletrônicas pela existência de uma versão gratuita e também o nível de realismo que pode ser atingido usando o renderizador. Para ter uma idéia de como um render do tipo Unbiased pode melhorar o seu render, basta visitar a galeria de softwares concorrentes como o Maxwell Render ou FryRender. É uma pena que ainda não exista um script para renderizar modelos do SketchUp no LuxRender de maneira direta, para fazer comparações.

Como ficou o Indigo Render depois das alterações de licença?

Logo depois que o Indigo Render mudou a maneira com que as suas licenças de uso eram gerenciadas, muitos artistas se dividiram e tomaram rumos bem distintos. Uma parte das pessoas acabou migrando para soluções como o LuxRender e outras acabaram aderindo a alteração, e compraram uma licença do Indigo. A vantagem em comprar uma licença é o direito a suporte e a promessa de atualizações mais freqüentes da ferramenta, assim como do pessoal que trabalha, nos diversos plugins responsáveis pela integração do Indigo com o Blender 3D, SketchUp e outras ferramentas.

O que mudou?

A ferramenta já está na sua versão 2.0 que foi lançada poucos dias atrás e teve a sua interface remodelada. Para testar e mostrar como é que esse novo Indigo 2.0 está se comportando, fiz o download da nova versão e instalei o Blendigo apropriado para o Indigo 2.0. Um ponto positivo nesse novo Indigo é que os scripts de integração são atualizados de maneira bem mais rápida que antigamente, mas agora os desenvolvedores são pagos para fazer esse trabalho. Em termos visuais a interface da ferramenta mudou muito pouco no Blender 3D.

As funcionalidades do Indigo e recursos existentes na versão gratuita, anterior ao aviso da mudança são bem parecidas e se você quiser usar a ferramenta hoje, não deve ter dificuldades em configurar uma renderização.

Quem sofreu mais alterações em termos de interface foi o renderizador em si, que ganhou uma série de pequenos ícones e opções na parte superior da interface, como mostra a imagem abaixo.

indigo-blender-3d-render-20.jpg

Esse foi um render teste que realizei usando o Blender 3D como modelador. No que se refere ao desempenho, sempre tive a impressão que o Indigo era um pouco mais eficiente que o LuxRender no refinamento do render, mas é uma diferença bem pequena. Não tenho dados ou comparações em tempo que possam comprovar isso. Ainda existe uma versão gratuita do Indigo para uso pessoal, que apresenta algumas limitações:

  • Marca d’água presente no render
  • Resolução da imagem limitada a 1024×768

Uma ferramenta que pode se beneficiar do uso de opções avançadas de render com o Indigo é o SketchUp, que não apresentam nenhuma ferramenta robusta de renderização com preço tão atraente como o Indigo. Quem sabe alguém não se anima e desenvolve um script em Ruby para gerar cenas para o LuxRender?

Tutorial de mapeamento UV com Blender 3D para uso no Indigo Render

Os avanços e novidades constantes no Indigo Render fazem com que seja um tanto quanto complicado, principalmente para artistas 3d acompanhar a evolução das suas ferramentas. Todos que conheço mostram grande interesse em aprender o seu funcionamento, mas quando comento que para usar de maneira eficiente seus recursos é necessário conhecer o código usado para exportar as cenas, e fazer uso dos recursos ainda ausentes nos scripts que exportam as cenas de softwares como o Blender 3D e 3ds Max, os artistas declinam do uso imediatamente. Com a ressurreição do YafRay, agora achamado oficialmente YafaRay, o interesse pelo Indigo começa a diminuir. Mas, ainda acredito que as tecnologias e métodos de renderização fazem ambos os softwares ótimas opções para artistas baseados no Blender 3D.

O uso de materiais texturas sempre foi um tema um tanto quanto complicado no Indigo, principalmente pela exigência em usar texturas com mapeamento UV para que os objetos sejam renderizados de maneira correta. A técnica do mapeamento UV para texturas é muito importante, mas alguns artistas iniciantes ainda não tem total domínio da técnica e ficam limitados à criar apenas cenas com cores sólidas.

Existem dois excelentes tutoriais nos fóruns do Indigo que mostram ao mesmo tempo, a integração do Blender com o Indigo no uso de texturas, assim como a técnica e ferramentas necessárias para criar esse tipo de mapeamento. Os tutoriais são os seguintes:

  • Tutorial sobre configuração do Blendigo para texturas UV (Render com Indigo)
  • Tutorial para criar mapeamento UV no Blender 3D

O primeiro tutorial é mais antigo e ainda aborda do Indigo 1.0.9 e o Blender 2.46. Apesar de ser muito bom, o tutorial apresenta apenas a integração entre o Blender 3d e Indigo. Já com o segundo tutorial, mais recente e direcionado apenas para o Blender 3d, sem menção ao Blendigo ou Indigo, você pode aprender de maneira bem simples o processo de configuração das texturas com a versão 2.48a.

Para esse tutorial o autor usa como exemplo um modelo 3d de um pneu. Todo o processo é descrito e exemplificado com imagens, desde a seleção e edição dos seams até o alinhamento da textura UV. Os seams são arestas especiais que devem ser marcadas para que a malha do modelo 3d seja aberta. A maneira com que essas arestas são selecionadas e marcadas é determinante para o sucesso e facilidade do mapeamento. Caso o artista escolha arestas que não formem um corte limpo e claro na malha, o resultado será um mapa de textura dividido e difícil de trabalhar.

Os tutorial são indicados para quem trabalha, ou quer trabalhar com o Indigo, mas também aos artistas interessados em aprender mais sobre texturas no Blender 3D.

Como usar luzes fotométricas no Blender 3D?

Quem trabalha com visualização de projetos arquitetônicos e precisa representar ambientes com certa precisão, tanto nas dimensões com o na iluminação final do projeto, deve necessariamente trabalhar com luzes fotométricas. Já não faz muito tempo, que recomendei uma biblioteca gratuita de luzes fotométricas, também chamadas de IES. Naquele artigo eu tinha prometido mostrar com usar esse tipo de luz no Blender 3D, para que qualquer pessoa pudesse simular iluminação de ambientes de maneira realista.

Para trabalhar com esse tipo de iluminação no Blender, farei uso do renderizador Indigo. Desde a sua versão 1.0.2, o Indigo suporta o uso de luzes do tipo IES. Recomendo que você leia atentamente o artigo sobre luzes IES, indicado no início desse texto. Ele aponta para uma biblioteca gratuita dessas luzes, assim como mostra as ferramentas necessárias para manipular e abrir esse tipo de arquivo.

Bem, vamos ao que interessa, para começar esse tutorial, irei utilizar os seguintes softwares:

  • Blender 3D 2.46
  • Indigo Renderer 1.0.9 (Versão estável mais recente)
  • Blendigo Versão 1.0.9 (Script para integrar o Blender com o Indigo)
  • Python 2.5 (Necessário para usar scripts no Blender)

Para aprender a instalar e configurar o Blendigo, leia esse outro tutorial. Se você estiver lendo esse tutorial quando versões mais atualizadas dessas ferramentas estiverem disponíveis, as configurações apresentadas podem mudar.

Antes de começar, me permita explicar com funciona essa integração para que fiquem claros os passos necessários para modelar e ajustar a cena. Quando usamos luzes IES no Indigo, precisamos ajustar um material de qualquer objeto, para que ele emita luz. Na configuração do material podemos acionar a opção Photometrics, para esse material apenas, e escolher um arquivo IES para que o material adquira as mesmas propriedades fotométricas da lâmpada, representada pelo arquivo IES.

Bem, chega de conversa e vamos ao tutorial! Para poder trabalhar com o Indigo criei uma cena bem simples, que vai servir com o cenário para o nosso teste.

Ele é composto por um cenário simples, sem luzes (Lamp) e apenas um pequeno plano, que deixei um pouco maior que o normal, para que fique mais fácil de localizá-lo na imagem. O plano será o nosso emissor de luz.

Se você não tiver paciência, para criar a cena, estou disponibilizando a mesma aqui para download, assim você pode seguir o tutorial com a atenção concentrada na iluminação.

Depois que o modelo estiver pronto, acione o Blendigo no menu File -> Export -> Blendigo 1.0.9 para que a janela de configuração do Script apareça.

Lá você deve escolher a opção material. Essa é a parte do Blendigo que configura os materiais, nele precisamos configurar o material do plano. Como ele ainda não tem nenhum, selecione o plano e adicione um novo material nele. No meu caso, ele ficará com o nome “Material.001”, você pode alterar o nome se quiser.

Agora no painel de materiais, você deve fazer o seguinte, escolher o nome do material “Material.001” e configurar na aba inferior o Indigo Mat, como sendo “EMITTER = lights+meshes”.

O próximo passo é acionar o botão Photometric, para que o material possa receber informações de um arquivo IES. No seletor de arquivos escolha um arquivo IES.

Pronto! Antes de acionar a renderização, precisamos apenas fazer mais uma coisa, acione o botão Environment na parte superior, para desligar qualquer iluminação adicional, escolha a opção “None (lit by mesh emmiters)”.

Isso fará com que a cena seja iluminada apenas pelos emissores de luz.

Agora sim, você pode acionar o render! Nesse caso, aperte o botão EXPORT Scene. Se tudo correu bem, você deve ver a cena renderizando no Indigo.

Algumas coisas que você deve saber, sobre as luzes IES no Indigo:

  • A direção da luz é controlada pela normal do plano emissor, caso a sua luz seja emitida na direção errada, verifique a normal do plano
  • Algumas luzes IES não podem ser emitidas de planos, você verá um erro no momento de renderizar com o Indigo, mude de arquivo IES para resolver
  • Escolha bem o arquivo IES, você pode visualizar informações sobre a luz, com o a potência e dimensões no IES Viewer (Link para download no início do artigo).

Para não deixar a cena tão simples, adicionei algumas poltronas ao cenário e deixei renderizar por alguns minutos, eis o resultado.

Agora você já sabe como usar luzes fotométricas no Blender 3D.