Efeitos especiais para o filme 2012 em detalhes

As grandes produções para o cinema e filmes publicitários são consumidores ávidos por material oriundo de estúdios e artistas 3d. Quase tudo hoje em dia pode ser simulado de alguma maneira pela computação gráfica, evitando que sejam gastas quantias exorbitantes com aluguel de locações e colocando em risco a produção, por fatores que fogem do controle dos diretores como o clima. Muitas pessoas me perguntam sobre as ferramentas usadas para criar determinados efeitos em filmes, ou mesmo se apenas uma delas é usada para gerar esse tipo de efeito.

O que acontece nos filmes é que diversas produtoras são contratadas para trabalhar em cenas específicas de filmes, fazendo com que uma grande variedade de softwares e ferramentas seja usada para cenas diferentes. Um caso clássico disso é uma cena do filme Avatar, em que uma cena de batalha na árvore dos Na'vi temos nos ângulos de câmera por trás da árvore cenas da ILM e por trás dos veículos a Weta.

Caso você tenha curiosidade sobre a produção de efeitos especiais para cinema, um artigo muito interessante e completo sobre o assunto foi disponibilizado pela Cebas. A empresa é responsável por muitos dos softwares usados para a produção dos efeitos do filme 2012. A revista 3d World fez uma reportagem especial sobre o assunto, e deixou a empresa reproduzir na íntegra o material no seu web site.

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O conteúdo é extremamente rico e detalhado, mostrando cenas importantes no filme junto com uma descrição das empresas e softwares usados para a produção do material. Por exemplo, aquela cena ícone do filme em que uma onda gigante atinge os Himalaias é descrita em detalhes. A empresa responsável por essa cena foi a Scanline VFX, usando uma equipe de 80 pessoas para criar um total de 90 tomadas de animação para a cena. Os softwares usados nesse caso foram o 3ds Max, Flowline e o V-Ray.

Outra cena impressionante no filme é a destruição completa de Los Angeles por um terremoto, que foi elaborado pela Uncharted Territory usando o 3ds Max e o plugin da Cebas Thinking Particles. O ponto interessante dessa cena é descrito no artigo como sendo a modelagem completa da cidade virtual que foi destruída. O pessoal do estúdio teve que modelar todos os prédios que seriam destruídos usando partículas por completo, sem usar truques ou técnicas para acelerar o processo.

Se você é curioso por material sobre computação gráfica e animação 3d, recomendo ler com cuidado o artigo completo para aprender mais sobre como os efeitos para esse filme foram criados.

Tutorial 3ds Max 2010: Animando e desintegrando tecido com partículas

A simples simulação de física usando computação gráfica é algo complexo e que geralmente exige tanto do hardware como do artista 3d, pois a quantidade de parâmetros e detalhes que precisam ser observados é muito grande, mesmo com o auxílio de plugins e ferramentas extras. Se a mesma animação ainda envolver o uso de partículas, então o nível de complexidade sobe significativamente. Para os usuários do 3ds Max que estejam interessados em aprender o funcionamento de plugins como o Thinking Particles, usado para fazer os efeitos do filme 2012 e promovido de maneira intensiva pela Cebas como uma revolução em termos de gerenciamento de partículas.

O tutorial abaixo mostra o funcionamento da ferramenta mesclado com uma animação usando simulações físicas do 3ds Max, para desintegrar em pequenas partes uma bandeira reagindo com a força do vento. Essa é uma das primeiras animações que os meus alunos produzem ao começar a trabalhar com o Reactor, ou qualquer outro sistema que apresente simulações físicas ou Cloth.

Essa é a animação produzida no tutorial:

Flag Disintegration from Nahuel on Vimeo.

O material está dividido em duas partes, sendo que apenas no segundo vídeo é que podemos acompanhar a criação da animação usando as partículas do Thinking Particles.

Com o primeiro vídeo é possível acompanhar de maneira bem rápida e simples a criação de um plano que será configurado para simular uma bandeira. Nada de especial nessa parte, apenas a configuração e seleção do Final Render stage 1, que é produzido pela mesma Cebas como o render padrão para esse projeto.

Para as pessoas que nunca tiveram a oportunidade de conhecer ou trabalhar com o Thinking Particles, esse tutorial é de extrema utilidade, pois mostra ao mesmo tempo como é possível criar animações complexas, e também permite visualizar o também complexo processo de configuração dessa ferramenta. Assim como acontece com outros sistemas de efeitos dinâmicos, o sistema de partículas é todo configurado e ajustado usando estruturas de nós, que permitem flexibilidade e ajustes diversos nos objetos.

Essa gama de opções nos sistemas baseados em nós sempre é acompanhada pela dificuldade em compor esses tipo de objetos, pois as opções são tantas que os artistas acabam ficando meio que travados no primeiro contato com as ferramentas.

Fragmentando objetos com o 3ds Max 2010 e Volume Breaker

A Siggraph 2009 foi palco para apresentação de diversas ferramentas e novidades em softwares e plugins. Entre as empresas que apostaram alto na apresentação de novas funcionalidades está a Cebas, com a demonstração dos softwares usados para produzir o filme 2012, que deve estrear apenas em novembro. Esse filme mostra diversos efeitos e animações complexas usando partículas e principalmente destruição de elementos em 3d. Para ajudar na criação desse tipo de animação a Cebas criou uma ferramenta chamada Volume Breaker que fragmenta objetos no 3ds Max 2010, deixando o trabalho de animação e destruição bem mais simples.

Para demonstrar o uso da ferramenta, foram feitas sessões de exibição do software no 3ds Max 2010 e alguns dos vídeos gravados nessas apresentações estão começando a aparecer na internet. Abaixo está o vídeo usado na apresentação da Siggraph 2009.

O plugin Volume Breaker funciona como um modificador no 3ds Max 2010 e pode realmente fazer maravilhas em termos de animação com destruição de objetos. O mais interessante em termos de manipulação é que o plugin consegue interagir muito bem com outros modificadores do Max, como o famoso e útil Edit Poly. No vídeo de demonstração é possível conferir inúmeras vezes o plugin sendo usado em conjunto com o modificador, para selecionar apenas algumas poucas faces de um modelo que está sendo fragmentado.

Em termos de fragmentação de objetos 3d, a ferramenta se mostra bem versátil e permite criar diversas opções e alinhamentos das linhas que quebram o modelo. No final do vídeo é possível acompanhar o deslocamento do Gizmo do modificador, e como a posição desse objeto influência na maneira com que os fragmentos são gerados.

No que se refere a novidades o Volume Breaker não apresenta nada revolucionário, apenas a possibilidade de trabalhar com a integração entre modificadores do 3ds Max 2010. Mesmo assim, para os usuários que querem saciar o seu espírito destruidor ou trabalhar com efeitos especiais, é uma excelente adição ao 3ds Max 2010. É só esperar pelo filme 2012 para conferir o potencial de animação dessa ferramenta.

Junto com esse vídeo foi divulgado o Demo Reel da Autodesk para a Siggraph 2009, que mostra os melhores trabalhos desenvolvidos com softwares da empresa nesse último ano. Como de costume, a lista mostra diversos filmes e comerciais que usaram de alguma maneira ferramentas da Autodesk para finalizar seus efeitos especiais.

Novo Final Render Stage-1 R3 deve ser anunciado na Siggraph 2009

Existem alguns softwares que com o passar do tempo acabam perdendo terreno para novas tecnologias e concorrentes que conseguem oferecer recursos e tecnologias, por preços mais acessíveis ou mesmo sistemas de atualização e licenças flexíveis. Com isso essas ferramentas praticamente desaparecem de projetos importantes e tem a base de usuários bem reduzida. Esse é o caso de um renderizador chamado Final Render, que é desenvolvido e comercializado pela Cebas. O renderizador já foi bem famoso entre artistas e comunidade de usuários do 3ds Max, mas de uns tempos para cá praticamente desapareceu de projetos importantes e mesmo nos filmes em que os softwares acabam ganhando destaque em cenas e partes específicas com animações e efeitos complexos, o Final Render deixou de participar.

Se você for leitor mais antigo do blog, deve recordar que sempre publicava tutoriais e artigos relacionados ao Final Render. Mas, como esse material realmente parou de ser publicado e atualizado, consequentemente também parei de escrever sobre o mesmo. Mas, parece que ele pode começar a voltar.

Com a aproximação da Siggraph 2009, a Cebas está preparando para anunciar uma série de novidades e melhorias para o seu renderizador, que segundo a própria Cebas foi largamente utilizado como a principal ferramenta no filme 2012, que ainda vai estrear no final do ano. O anuncio oficial da Cebas pode ser conferido nesse link que descreve diversos produtos e softwares que devem ser amplamente divulgados na Siggraph.

Aqui no Brasil o filme só começa a ser exibido em novembro, mas já existe um trailer disponível.

O vídeo está em HD (720p).

Os efeitos que aparecem no filme são realmente extremamente complexos e com altíssimo nível de dificuldade, envolvendo os mais complicados tipos de animação em computação gráfica 3D:

  • Partículas
  • Partículas interagindo com elementos do cenário
  • Fluidos interagindo com partículas

Se boa parte dos efeitos presentes no filme foram realizados usando ferramentas da Cebas, podemos concluir que será muito benéfico para o produto deles usar o filme como demonstração do que pode ser feito com o Final Render.

Caso você queira conferir o artigo que divulga os planos da Cebas para a Siggraph, fica claro que esse filme será um dos principais chamarizes e vitrines para as atualizações realizadas nos seus softwares. Como o próprio texto menciona, boa parte dos seus softwares com o Final Render e o Thinking Particles, recebeu melhorias e suporte a novas tecnologias, especialmente para suprir a demanda dos efeitos desse filme. O trailer mostra que as animações e efeitos são bem complexos.

Isso significa que devemos ter uma boa quantidade de material divulgada pela Cebas durante a Siggraph, como tutoriais e diversos vídeos com Making of. Só resta esperar! Para saber mais sobre a Siggraph 2009, visite o web site oficial.

Iluminando e configurando personagens com o finalRender

Já fazia certo tempo que a Cebas não lançava nenhum vídeo promocional do finalRender. Essa semana eles disponibilizaram um vídeo interessante, relacionado à configuração de materiais e luzes para personagens humanóides. Esse é um dos tipos de trabalho mais complexos em termos de materiais em 3d, reproduzir os detalhes da pele humana em 3d com todas as imperfeições e o famoso subsurface scattering não é fácil! O autor de vídeo se chama Steve Weber, ele usa um dos seus trabalhos, que por sinal é muito bom, para ilustrar o processo de configuração dos materiais e iluminação de personagens com o finalRender.

finalRender Personagens

Ele usa o 3ds Max para fazer a animação do modelo apresentado, assim como toda a configuração de materiais. Mesmo que você não use o 3ds Max ou o finalRender, o vídeo é interessante por mostrar um processo complexo de simulação de animação. Nele o autor cria o modelo base no 3ds Max, depois passa para o Zbrush para fazer as imperfeições e detalhes para depois animar no 3ds Max. Além da qualidade da animação, o que chama a atenção é o sistema de músculos que ele criou para simular as deformações da pele.

Apesar de não mostrar em detalhes essa parte (o foco é no finalRender), o vídeo demonstra o quão complexo pode ser esse tipo de animação, principalmente quando o animador quer chegar ao nível de representar as contrações musculares de maneira fiel a um corpo real.

Voltando ao finalRender, o autor começa o vídeo com uma demonstração das configurações que ele usou para conseguir reproduzir a pele humana. Ele comenta os diferentes tipos de shaders e opções disponíveis e as vantagens de cada uma. Depois, ele começa a abordar a criação do subsurface scattering.

Durante a configuração dos materiais, ele faz um setup rápido da iluminação do finalRender, para que o material possa ser visualizado com a iluminação global habilitada. O resultado é muito bom!

Recomendo o vídeo a todos que tem interesse nesse tipo de criação, mesmo que seja por curiosidade. Afinal, o material é gratuito e sempre é possível aprender alguma nova. Se você ficou interessado, o vídeo pode ser acessado aqui. É necessário o Windows Media Player para assistir.