Nova técnica para simular iluminação global na renderização em tempo real

Entre as diversas engines comerciais existentes no mercado para desenvolvedores de jogos, a que oferece as opções e visual mais realista é sem dúvida a CryEngine, usada no jogo Crysis. Essa engine consegue apresentar visuais que se assemelham em muito a renderizações usando iluminação global de ferramentas como o V-Ray e Mental Ray, sendo que o ambiente é um jogo com interação em tempo real. Para mostrar como essa engine está avançando para deixar esse tipo de aplicativo ainda mais realista, quando comparado com ferramentas de renderização tradicional, um artigo foi apresentado na Siggraph apresentando a técnica chamada de Light Propagation Volumes. Se você é estudante e se interessa pela parte teórica da computação gráfica, o material disponível para apresentar a técnica é um prato cheio!

Ao visitar o endereço indicado, será possível encontrar o artigo científico que explica em detalhes o funcionamento da técnica, a apresentação em formato PPT e vídeos com o uso dessa renderização em jogos.

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A técnica em si é bem engenhosa e se propõe a acelerar a primeira reflexão dos fótons, que acontece em renderizadores como o V-Ray, Mental Ray e outros. Essa reflexão geralmente é pré-computada e demanda muitos recursos do computador, o que torna inviável o seu uso em aplicativos como jogos. A técnica proposta pela Crytek e já implementada na CryEngine 3 resolve esse problema com o uso do Light Propagation Volumes. Se você acha que a técnica envolve apenas a iluminação difusa gerada pela primeira reflexão em superfícies irregulares, está enganado pois no mesmo artigo são apresentados alguns efeitos óticos possíveis de conseguir com a técnica, como reflexões borradas (Glossy reflections).

Os dois vídeos disponíveis para download são um pouco grandes em comparação com o tempo disponível de material em cada um deles, e mostra a aplicação de grandes quantidades fontes de luz em um ambiente e a demonstração da iluminação global no outro vídeo.

Mesmo que você não entenda o material apresentado na apresentação em PPT ou no artigo científico que está em inglês, e aborda muita matemática relacionada com a geração dessas imagens, ainda vale o download ao menos dos vídeos para que possamos ter uma idéia de como será num futuro breve, a renderização em tempo real na maioria dos softwares. Outro ponto interessante é que o artigo científico faz uma breve introdução teórica sobre a renderização em tempo real, que pode ser útil para quem está fazendo pesquisa na área.

Hoje a aplicação direta dessa tecnologia são os jogos, mas é provável que a mesma tecnologia seja usada para apresentar produtos e criar animações interativas também.

Silicon Graphics tem pedido de falência

Essa semana uma das empresas que teve maior contribuição para o desenvolvimento da computação gráfica como conhecemos, em termos de desenvolvimento de hardware e software foi a falência, e deve ser vendida para sanar as dívidas. Para quem começou a trabalhar com computação gráfica 3d nos últimos 3 anos, o nome Silicon Graphics deve soar estranho, pois hoje a sua participação no mercado é ínfima. Até o início dessa década, qualquer pessoa que precisasse de soluções de computação gráfica 3d para animação ou manipulação de grande quantidade de dados, necessariamente precisaria usar uma estação gráfica SGI.

Posso dizer que desde quando comecei a me interessar por computação gráfica 3d, lia reportagens e matérias em revistas e web sites relacionados ao assunto, mostrando como essas estações dava suporte a criação de efeitos em filmes e até mesmo para a Pixar por certo tempo.

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Mas, o que aconteceu? Qual o motivo que fez a Silicon Graphics passar por dificuldades pela segunda vez? Sim, eles já tinham enfrentado problemas em 2006.

O que decretou o fim do reinado da SGI na área de computação gráfica 3d, foi o desenvolvimento espantoso do PC e da aceleração gráfica, que permitiu que os estúdios e artistas migrassem para soluções baseadas no IBM-PC para produzir 3d. Só para você ter uma idéia, na época em que a SGI dominava o mercado, praticamente não existia versões do Maya e Softimage para outros sistemas operacionais.

Hoje em dia é possível montar um PC extremamente poderoso para trabalhar com computação gráfica de alto nível, ainda mais com o lançamento de versões do Maya para Linux, acabou selando o destino da SGI no mercado de Workstations. Praticamente todos os estúdios que trabalham com animação usando softwares como o Maya, aposta em soluções baseadas em Linux com Workstations PC.

Fora o desenvolvimento de Hardware, a SGI teve papel fundamental no desenvolvimento do Maya também, principalmente na época em que a empresa era a controladora da Alias|Wavefront, que depois foi vendida para a Autodesk.

O problema foi que a empresa não soube se adaptar a esse novo mercado, e não reduziu os preços dos seus computadores. A incapacidade de se adaptar ao mercado atual levou a essa falência, o que é realmente uma pena.

Para saber mais sobre a venda da SGI, visite esse endereço e leia o comunicado oficial da própria SGI.

Como configurar a iluminação no LightWave 3D? Simulando o sol!

Desde quando comecei a trabalhar com softwares 3d, sempre conheci o LighWave como sendo o software com o melhor renderizador interno do mercado. Isso foi antes do surgimento e difusão de softwares como Mental Ray, V-Ray, Final Render e Maxwell Render. Hoje em dia o mercado conta com tantas opções que o LightWave perde em mercado até mesmo para o seu maior reduto, que são as produtoras americanas. Ainda encontramos alguns poucos filmes e séries de TV que usam a ferramenta para seus efeitos, mas a base de usuários já foi bem maior.

Só para ter uma idéia, houve uma época em praticamente só o LightWave contava com uma sistema de radiosidade integrada ao render, totalmente nativo e sem a necessidade de comprar nada extra. Hoje a coisa é bem diferente, a Autodesk “manda” o Mental Ray junto do 3ds Max e já tem um sistema de radiosidade integrado.

Nesse ponto, percebemos o quanto a concorrência entre empresas que trabalham com o desenvolvimento de softwares 3d é saudável, sei que a Autodesk não é santa, mas a Newtek perdeu a liderança no seu pacote de aplicativos, sem fazer os prognósticos corretos das ações de sua concorrência.

Bem, deixando essa análise de mercado de lado, voltemos a falar sobre o sistema de renderização do LightWave. Mesmo sem nenhuma perspectiva de usar o software, e nenhum curso em vista aqui pela região, ainda gosto de aprender e entender o sistema de renderização e iluminação pioneiros do LightWave. Os fóruns de usuários da Newtek são um excelente local para encontrar esse tipo de material, e hoje pela manhã fazendo uma visita aos fóruns, encontrei um ótimo tutorial sobre iluminação com o LightWave 3D em vídeo.

Na verdade, o tutorial não aborda o uso das ferramentas padrão do LightWave para renderização, mas sim de um plugin gratuito que permite associar texturas e imagens ao background, para simular de maneira realista a iluminação do sol. O processo é relativamente simples, e no tutorial o autor mostra todos os passos de como o plugin funciona na sua essência.

Depois que a imagem está associada ao ambiente, o autor mostra na maior parte do tutorial as configurações e ajustes necessários nos parâmetros, para conseguir determinados efeitos de iluminação. Para as pessoas que estão interessadas em aprender um pouco mais sobre iluminação, ao menos os parâmetros e testes de render do autor, podem servir para um maior entendimento de como funciona a iluminação com configurações reais.

O arquivo está no formato MOV e tem aproximadamente 140MB (compactado).

Como montar seu próprio estúdio de animação 3d?

Qual o seu objetivo com o estudo de softwares e ferramentas ligadas à computação gráfica? Em algumas ocasiões isso é apenas um hobby, mas pode ser o inicio de uma carreira promissora, criando imagens ou animações para fins comerciais. Como passei muito tempo ministrando aulas sobre o assunto, sempre estava respondendo várias perguntas dos meus alunos; como é o mercado de trabalho? O que fazer para ter sucesso na área? A saída é abrir o seu próprio estúdio?

A resposta para essas perguntas é; o mercado não é fácil para ninguém! Isso não se resume apenas a quem trabalha com computação gráfica.

Mas, e se você quiser empreender o seu próprio negócio na área de computação gráfica? Como fazer para montar o seu próprio estúdio? Essa é a melhor alternativa?

Bem, o Brasil é chamado de país dos empreendedores, portanto, acho que esse é o desejo da maioria das pessoas que almejam um dia viver de computação gráfica. Se essa é a sua situação, o pessoa da revista 3D World, deve publicar na sua próxima edição um guia completo, sobre como montar o seu próprio estúdio de animação 3d. Ainda não tenho a revista, mas para mostrar um pouco do material, eles disponibilizaram um arquivo PDF com um guia, detalhando os passos necessários montar o seu próprio negócio.

O PDF foi feito de maneira que você pode imprimir o “pôster” no formato A3 e acompanhar os passos necessários, para a implementação e funcionamento do seu próprio estúdio de animação. O guia mostra os passos necessários um ano antes e depois do lançamento do projeto.

Para quem tem essa pretensão, o material é muito bom! Claro que você deve fazer adaptações para a realidade do mercado de trabalho no Brasil. Quem quiser levar a iniciativa a sério, deve fazer uma visita ao Sebrae, para buscar informações e apoio no empreendimento.

Esse é um passo enorme na vida profissional, abrir pode trazer mais trabalho e ao mesmo tempo preocupações. Você vai precisar se preocupar com contas, impostos, licenças de software, atualizações de hardware e principalmente na captação de clientes.

O guia que aborda assuntos como:

  • Estrutura tecnológica
  • Pesquisa de marketing
  • Finanças
  • Contratações

Se o seu objetivo é abrir um estúdio de animação no futuro, recomendo a leitura desse guia. Você pode tirar excelentes dicas dele.

Revista Render Out! 4: download gratuito

Já faz um bom tempo que não comento o lançamento de revistas eletrônicas sobre computação gráfica, desde o último artigo sobre esse assunto já passaram alguns lançamentos de peso, como o novo número da Render Out! e da CG Arena. Entre as duas, prefiro muito mais a Render Out! pela consistência das matérias e pela ótima contextualização que os autores dos artigos conseguem imprimir no conteúdo. Por exemplo, nela podemos encontrar matérias sobre a produção de imagens e conceitos como storyboard, não só do lado artístico, mas também do lado técnico. Isso é muito importante para quem procura conhecimento.

Antes de mais nada, se você quiser fazer o download da revista, visite esse endereço. Se prepare para um download mediano, o arquivo tem aproximadamente 40 MB. Para quem torce o nariz, para as publicações em língua inglesa, pode ficar feliz! Existe uma versão em espanhol da revista.

Agora vamos a uma pequena lista, dos principais artigos da revista:

  • A influência da modelagem 3d na publicidade
  • Produzindo a cena Aaron
  • Lost Planet: Extreme condition
  • O Storyboard
  • Entrevista com Jacobo Navarro
  • O caminho para ser freelancer
  • Scripts e expressões para o Softimage XSI

Dentre todos os artigosm recomendo em particular os que falam sobre storyboards e as dicas para ser freelancer. Os artigos não são específicos sobre um determinado software, mas falam de maneira geral como elaborar um bom Storyboard e passa algumas dicas sobre os desafios de ser autônomo. Claro que a maior parte do texto faz referência a normas trabalhistas da Espanha, mas mesmo assim é possível tirar várias lições do artigo.

Pronto! Como você pode perceber o pessoal continua com a mesma proposta de trazer matérias relacionadas à produção e making of, de imagens produzidas por artistas consagrados.

Estou avaliando a possibilidade de assinar uma das famosas revistas pagas sobre computação gráfica e 3d, como a 3D World. Eles têm um sistema de assinaturas pela internet. As matérias técnicas não são o chamariz desse tipo de revista, mas conhecer a análise que eles fazem sobre as diversas ferramentas e sobre a indústria de computação gráfica é importante!

Tutoriais e dicas, podemos encontrar nessas revistas gratuitas. Por exemplo, nas últimas edições da 3D World parece que eles fizeram uma reportagem especial sobre o Big Buck Bunny. Bem, se eu assinar, começo a comentar as matérias aqui também.