Tutorial Blender: Usando a topologia dinâmica na escultura

No episódio 07 do meu videocast prometi fazer alguns tutoriais relacionadas com as novidades do Blender 2.66, e parece que agora consegui abordar os principais recursos! Só estava faltando mostrar a topologia dinâmica dentro do Blender, que ajuda muito no trabalho de modelagem usando escultura. Mas, para que serve exatamente a topologia dinâmica? Quando você trabalha na escultura de qualquer objeto em 3d, é sempre necessário adicionar subdivisões nesse objeto seja por meio do multires ou subdivision surface para conseguir uma boa quantidade de polígonos. Caso contrário a ferramenta de escultura não consegue deformar as superfícies dos objetos.

Já pensou se fosse possível adicionar essas pequenas divisões apenas quando necessário durante a escultura em tempo de execução? É exatamente isso que a topologia dinâmica faz! Mas, melhor do que explicar com palavras é mostrar na prática, o vídeo a seguir é um tutorial de como você pode usar o recurso no Blender 2.66 ou superior.

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Como você pode perceber pelo tutorial, o recurso é de grande ajuda na modelagem usando técnicas de escultura, e você precisa somente de um pouco de habilidade manual para conseguir criar modelos com grande quantidade de detalhes. Já aviso que resultados expressivos na escultura geralmente demoram um pouco em termos de edição manual, mas o tempo demandado nesse aspecto compensa o trabalho.

Só recomendo um pouco de cautela com a quantidade de polígonos resultantes em termos de modelagem, pois isso pode facilmente se transformar em um pesadelo técnico caso você precise animar o personagem. Nos casos em que for necessário animar os personagens, é interessante fazer a retopologia do personagem para garantir que a quantidade de polígonos seja passível de manipulação.

Agora você já conhece alguns dos principais recursos do Blender 2.66a, e eu com a promessa paga, posso partir para outros assuntos nos tutoriais. O Blender 2.67 está chegando e com eles muitas novidades como o suporte ao SSS no Cycles e o já quase lendário Freestyle integrado ao Blender como mais uma opção para renderizar projetos no estilo NPR.

Blender 2.5: Amostra do Unlimited Clay para escultura digital

A escultura digital é uma das áreas relacionadas com a criação em 3d que demandam conhecimentos técnicos sobre as ferramentas usadas para a escultura, mas um pouco de habilidade artística para conseguir chegar em resultados de qualidade. É por esse motivo que muitos usuários e artistas de softwares como o ZBrush e Mudbox que tenham experiências prévias com escultura em argila acabam tendo facilidade, e conseguem resultados de extrema qualidade nas esculturas. O Blender apresenta um módulo de escultura digital muito bom, mas que poderia ser melhorado, e esse é o objetivo de um projeto do Unlimited Clay desenvolvido pelo Farsthary, usuário e desenvolvedor ativo na comunidade do Blender.

Qual o objetivo do Unlimited Clay? Antes de explicar o objetivo do Unlimited Clay, vamos relembrar um software lançado na metade de 2010 e que impressionou a maioria dos artistas que teve a oportunidade de usar a ferramenta. O Sculptris surgiu como projeto pessoal e sem fins lucrativos de Tomas Pettersson, e apresentava um sistema de escultura digital impressionante devido a possibilidade de usar resoluções altíssimas, e mesmo assim mantendo a capacidade do software de editar a malha criada com a escultura. Essa solução engenhosa chamou a atenção de artistas e grandes empresas da área, tanto é que poucas semanas depois de lançado o Sculptris foi comprado pela Pixologic, que são os desenvolvedores do ZBrush.

Mas, e o Unlimited Clay? Sim, o projeto do Farsthary tem como objetivo encontrar uma solução parecida com a do Sculptris, mas dentro da interface do Blender. Será que eles está conseguindo? O vídeo abaixo mostra o resultado do projeto até agora.

sculptris-like sculpting from Raul Fernandez Hernandez on Vimeo.

Como podemos perceber pelo vídeo de demonstração o projeto está bem adiantado, sendo possível usar uma solução para escultura digital bem parecida com o Sculptris. No vídeo podemos acompanhar como são adicionados detalhes na malha que está sendo esculpida em diferentes resoluções, e o Blender consegue trabalhar com subdivisões minúsculas. Em vários momentos do vídeo o autor do projeto demonstra a diferença de escala entre as partes da escultura, e como os detalhes são minúsculos.

Se você procura por uma solução para escultura digital gratuita e ficou desanimado quando o Sculptris foi compraco pela Pixologic, o Blender pode ser a solução ideal para suprir as suas necessidades de trabalhar com esse tipo de modelagem 3d.

Surface Sketching ajuda na modelagem orgânica com Blender

A modelagem orgânica de objetos é sem sombra de dúvidas o tipo de criação em 3d que exige mais disciplina e habilidades artísticas. Se o objeto da modelagem ainda precisar passar por softwares ou ambientes de escultura digital, a necessidade de algum tipo de habilidade ou experiência com escultura é ainda maior. Uma das ferramentas usadas para facilitar a criação de versões e correções em modelos 3d orgânicos é a chamada retopologia, presente em boa parte dos softwares 3d que trabalham com modelagem orgânica. A retopologia pode funcionar de várias maneiras, sendo a mais comum a interseção de superfícies com modelos 3d prontos, que geram novos objetos 3d com estrutura mais organizada.

Um artista e usuário do Blender conhecido como Eclectiel, desenvolveu um pequeno script que deve ajudar significativamente o trabalho de retopologia, e também de modelagem orgânica com o Blender 2.50. A ferramenta se chama Surface Sketching e como o nome mesmo diz, o seu objetivo é desenhar superfícies em 3d de maneira automatizada. O script aproveita as opções de desenho existentes no Grease Pencil do Blender, especializado em desenhar sobre objetos na 3D View, fazendo a ligação entre as linhas e criando superfícies em 3d.

Depois que as linhas são desenhadas sobre a 3D View ou sobre outros modelos 3d, podemos acionar um pequeno botão chamado Add Surface, que cria superfícies 3d baseadas em Meshes ligando as linhas. Bem, explicar com palavras é uma coisa, melhor mesmo é visualizar a ferramenta em funcionamento:

Surface Sketching for Blender (timelapse demo) from Blend_Ideas on Vimeo.

Como fica claro pelo vídeo o processo de criação de superfícies 3d, seja para retopologia ou para modelagem 3d mesmo, fica muito simplificada. Basta criar algumas linhas e deixar que o script faça as ligações entre os objetos. Além da facilidade em criar modelos 3d com esse tipo de ferramenta, o que chama a atenção no script é a elegância com que as superfícies são criadas. Repare que em momento algum são adicionadas faces triangulares ou arestas cruzadas na superfície. O resultado é sempre uma malha regular e bem organizada.

Caso você queira fazer o download da ferramenta do Surface Sketching para o Blender 2.50, visite esse endereço. Será necessário usar uma versão de testes do Blender 2.50 superior a Rev 27974 que é posterior a ao Blender 2.50 Alpha 2. Essas versões são encontradas no graphicall.org.

Blender no Google SoC 2010

O Google Summer of Code 2010 está começando a receber trabalhos e projetos envolvendo o desenvolvimento e melhoria de softwares abertos. Para quem não conhece o Summer Of Code, ele é uma iniciativa do Google para oferecer atividades remuneradas para os estudantes de computação em férias no hemisfério norte. Eles aproveitariam o tempo extra nas férias de verão para trabalhar em projetos de melhoria para softwares de código aberto como o Blender, GIMP e Inkscape. Esse ano o YafaRay está tentando ter algum projeto aceito no SoC, mas isso depende da proposta feita pelo estudante interessado em melhorar o software escolhido.

Tudo isso é feito com apoio financeiro de cinco mil dólares para o estudante que conseguir terminar o projeto.

Esse ano o Blender está participando do projeto com diversas idéias e propostas. Para ajudar os estudantes que queiram se engajar em desenvolver partes do Blender, existe uma série de idéias para novos recursos que podem ser desenvolvidos para o Blender nessa página. Entre as idéias dos projetos estão diversos itens que podem ajudar significativamente o uso do Blender.

Para ajudar no entendimento das propostas, compilei uma pequena lista com os destaques dessas propostas:

  • Melhorar o módulo de escultura digital com inclusão de novos pincéis e suporte a novas ferramentas;
  • Melhorar o sistema de texturas com adição ao suporte de composição em múltiplas camadas;
  • Integrar o Blender como Ptex para melhor manipular texturas UV. Esse é o aplicativo disponibilizado pela Disney para abolir o uso de texturas UV;
  • Adicionar técnica para retopologia automática baseada em faces quadradas;
  • Criação automática de Seams para texturas UV;
  • Reformular um editor visual de relacionamentos e hierarquias;
  • Integrar a engine Bullet no sistema de física para animação;

As sugestões de projetos são apenas idéias oferecidas aos estudantes que queiram trabalhar no projeto. Só para lembrar que apesar do projeto ser direcionado para acadêmicos do hemisfério norte, nada impede que estudantes aqui do Brasil ou outros países participem do projeto.

O fato de o projeto ser aceito não é garantia que o mesmo seja finalizado, ficando a cargo do estudante e de seu mentor finalizar o projeto. Existem diversas ferramentas do Blender como o modificador Shrinkwrap e outros oriundos de iniciativas do Summer of Code. Agora é torcer para que os projetos submetidos sejam aceitos, e que o YafaRay também acabe sendo aceito no projeto. Uma das idéias do YafaRay é a integração com o Blender 2.50.

Para saber mais sobre o Google Summer of Code 2010, visite a sua página oficial.