Making of do Homem de ferro, apresentado na Siggraph pela ILM

Com o fim da Siggraph os visitantes estão finalmente começando a publicar vídeos produzidos por eles mesmos, durante a visita a feira, e para a nossa alegria, alguns desses vídeos registram palestras e apresentações fantásticas, como a palestra da Industrial Light and Magic e o seu trabalho no Homem de ferro. Para a nossa alegria, falo das pessoas que interessadas em computação gráfica, à palestra foi estritamente técnica! Esse é um tipo de material que dificilmente aparece no DVD, destinado ao público em geral, o que faz o evento ainda mais imperdível.

O vídeo está no Youtube e pelo visto, foi gravado usando um celular. Mesmo assim, a qualidade do áudio e do vídeo é muito boa, ainda mais se você visitar o próprio Youtube e acionar a opção para assistir ao material em alta resolução. No total são 40 minutos de apresentação, que estão divididos em duas partes.

Bem, antes de continuar o artigo, o vídeo é esse:

A primeira parte do vídeo mostra vários dos detalhes relacionados, como a criação dos movimentos e integração dos cenários e do homem de ferro virtual, produzido pela ILM. Na apresentação são exibidas várias partes das filmagens e dos modelos virtuais usados na produção dos efeitos.

Uma das coisas que eles usaram para acelerar o processo de criação é o MOCAP, ou captura de movimento. Na palestra, o pessoal da ILM mostra vários vídeos e fotos, do processo de captura e cenas do filme que usam a técnica. Como a captura de movimento não resolve tudo, os animadores ainda precisaram fazer vários ajustes, usando a velha e boa animação por keyframes.

Algumas cenas são inclusive híbridas, com a base da animação sendo feita com captura de movimento e os ajustes finos, realizados pelos animadores com keyframes.

Para quem gosta de visualizar ferramentas 3d em uso, nos vídeoa aparecem várias imagens com o personagem em shade e wireframe, ao que parece na interface do Maya. Eles tiraram a interface, mostrando apenas a visão 3d, mas o gizmo do Maya é perfeitamente visível em alguns dos vídeos.

A segunda parte da palestra aborda os desafios e truques usados pela equipe para trabalhar a iluminação do personagem. Como o Homem de Ferro é um personagem metálico, as reflexões na sua superfície são difíceis de simular, sem mencionar a composição com os cenários reais.

Tudo isso é abordado, com exemplos das soluções e truques desenvolvidos pela equipe para trabalhar a animação.

Sei que está tudo em inglês, mas esse é o tipo de material imperdível para quem gosta de computação gráfica, e principalmente para estudantes e profissionais. É uma palestra que dificilmente temos condições de assistir, caso não façamos uma visita a Siggraph.

O vídeo é apresentação obrigatória nas minhas aulas sobre animação e efeitos, geralmente mostro alguns vídeos para inspirar e mostrar aos alunos, como funciona o processo de criação nessa área, e esse tipo de conteúdo é fantástico para isso.

Já tinha escrito um artigo sobre a pré-visualização do homem de ferro, mas esse material é muito melhor.

Amanhã publico mais um artigo, sobre essas palestras da Siggraph.

Composição e efeitos do Homem de ferro e Speed Racer

Você deve estar lembrado do artigo que escrevi sobre os animatics para o Homem de ferro. No artigo um vídeo muito interessante, fazia uma comparação do Animatic com a produção final, com os elementos de computação gráfica e reais. Bem, agora o mesmo web site chamado Pixel Liberation Front, divulgou um vídeo que mostra as diferenças do que foi filmado, sem pós-produção, com o material resultante da pós-produção e composição final, para o Homem de ferro e o Speed Racer.

O vídeo não pode ser copiado, apenas assistido, para assistir visite esse link.

Na parte do Homem de ferro, o vídeo mostra basicamente a composição com aquelas interfaces dos computadores, que não existem e a correção de cor. Praticamente todos os monitores que aparecem no filme, são resultado de pós-produção. Qual o motivo? Primeiro os vídeos e interfaces que aparecem no filme são fictícias, e a luminosidade das telas não é forte o suficiente para ganharem destaque na tela.

Mas e o Speed Racer? Bem, esse sim usa e abusa de composição e efeitos. Sob o aspecto da computação gráfica, não podemos dizer que é um filme que faz uso intensivo ou realista de ambientes 3d, mas devo dizer que mesmo sendo estranho nos primeiros momentos, os gráficos estilizados impressionam!

Calma, não vou contar detalhes do filme, mas pode esperar dele uma mistura de anime com aquelas animações que passam nos programas infantis pela manhã. Mesmo assim o resultado, somado com uma história cativante é muito bom.

Acho que todo o filme foi feito em cenários usando Chroma Key, apenas as tomadas externas em que não há enquadramento de janelas ou portas, ficou livre de algum tipo de composição. Mesmo assim as cores do filme são saturadas, para fazer os tons de todos os elementos parecerem com células de animação.

O que podemos aprender com esses vídeos? Que nem sempre a melhor solução é gerar todos os elementos de uma cena de uma única vez. Por exemplo, ao gerar uma cena 3d, use camadas e várias imagens para fazer a composição. Faça uso do Photoshop ou Gimp nas suas imagens, e para vídeos use o Premiere, After Effects, Final Cut ou outra ferramenta qualquer que permita unir vários trechos de filme.

O segredo para fazer isso é ter paciência, antes de sentar na frente do computador faça um breve planejamento da sua cena ou animação. Coloque no papel mesmo, o que você precisa e use os animatics para realizar testes.

Animatics e pré-visualização do Homem de Ferro

Muitos animadores iniciantes se inspiram em filmes de sucesso, ou que tenha relação com personagens carismáticos, com o os recentes filmes de super-heróis para se inspirar. Muitos dos meus alunos me perguntam em sala, como reproduzir aqueles efeitos e animações em 3d, produzidas para filmes recentes como Homem Aranha 3 ou Quarteto Fantástico. Claro que eu digo a eles que esse tipo de efeito é muito complexo e envolve várias pessoas, que trabalhando em equipe conseguem animações e efeitos tão complexos. Geralmente eles desistem quando eu explico a dinâmica da animação que a ILM usou no Transformers e a quantidade de peças móveis que os animadores tiveram que manipular.

Antes de partir para animações tão complexas, recomendo sempre aos meus alunos para caprichar nos animatics, pois esse é um mercado promissor e que requer menos poder de processamento e finalização na animação. Quer ter uma idéia de como funcionam esses animatics em filmes? Veja essa ótima demonstração dos animatics para o filme do Homem de ferro. O vídeo foi gentilmente publicado pelo Pixel Liberation Front.

Repare que depois de assistir ao vídeo, fica ainda mais clara a complexidade em se fazer esse tipo de animação. O animatic serve para verificar vários aspectos da animação:

  • Seqüência narrativa
  • Posição e enquadramento da câmera
  • Tempo da animação
  • Montagem da cena

Todos esses itens podem ser avaliados, sem que a equipe principal de animação precise fazer a finalização dos modelos mais complexos, trabalhar na pós-produção e outros. Repare que até os modelos 3d estão mais simplificados, claro que para um iniciante ainda é complicado, mas qualquer pessoa com conhecimentos intermediários de modelagem consegue criar essas formas.

Acho que isso justifica a necessidade de criar esse tipo de material, antes de iniciar qualquer fase de produção final em animação.

Como parte do desenvolvimento profissional de qualquer pessoa envolvida com computação gráfica, trabalhar com animatics pode ser uma ótima maneira de começar a trabalhar para empresas estrangeiras.

A indústria do cinema está seguindo os passos de outros segmentos e buscando mercados mais baratos, para produzir seus filmes e animações. Muitas empresas hoje terceirizam serviços em países como Índia, a indústria do cinema já transferiu boa parte das suas produções para a Austrália e Nova Zelândia.

O que eu quero dizer com isso é você deve ficar atento as oportunidades, pois logo essa onda de terceirização pode nos favorecer, aqui abaixo da linha do equador. Quem sabe isso não seja uma ótima desculpa para estudar inglês?