Palestra sobre Produção cultural com Software Livre

No último dia 6 de setembro, tive a oportunidade de fazer uma coisa que gosto muito, que é ministrar uma palestra sobre o Blender 3D, para pessoas que interessadas em começar a trabalhar com esse tipo de ferramenta. O evento foi organizado pela Faculdade Joaquim Nabuco de Recife, o que facilitou um pouco meu deslocamento para o evento já que moro em Recife. A palestra fez parte de uma série de oficinas direcionadas aos estudantes de sistemas de informação da faculdade, que ainda estão nos primeiros períodos do curso. O convite para a palestra partiu da coordenação do curso e prontamente escolhi o Blender 3D como tema.

Na verdade a palestra foi sobre Produção cultural com software livre, portanto falei um pouco sobre o uso do Linux em produções recentes de grandes estúdios, mostrando vídeos e imagens do Linux sendo usados para efeitos especiais de filmes e animações.

Essas são algumas fotografias do evento, gentilmente cedidas pela equipe de imprensa da faculdade. Repare nas fotos que estou devidamente “uniformizado”.

Sempre que faço essas apresentações esqueço-me de fazer o registro fotográfico, mas prometo que de agora em diante vou tentar registrar esses eventos, até em vídeo.

O tempo para a palestra foi curto, apenas uma hora, mas foi o suficiente para mostrar o que tinha planejado. O meu objetivo com a palestra era fazer com que as pessoas saíssem da palestra, com idéia que era possível produzir conteúdos, como animação e jogos usando apenas software livre como o Blender 3D.

A palestra foi organizada da seguinte forma:

  • Apresentação das ferramentas livres usadas para produção cultural
  • Empresas que usam essas ferramentas e seus “produtos”
  • Plataforma de criação multimídia e suíte 3D com o Blender 3D
  • Projetos criados com o Blender
  • Exibição do Big Buck Bunny
  • Demonstração de algumas das técnicas usadas no Big Buck Bunny
  • Apresentação do projeto Apricot
  • Apresentação de vídeos com demonstração do Yo Frankie!
  • Demonstração do Blender como plataforma de desenvolvimento de jogos

Como você pode perceber pela quantidade de assuntos, o tempo foi bem curto, mas foi o suficiente. No final da palestra ainda fiz uma pequena demonstração rápida sobre o funcionamento dos blocos de lógica do Blender, para a criação e animações interativas.

Ainda levei um DVD do Mancandy FAQ para fazer um sorteio (repare no DVD ao lado do projetor), mas no final das contas percebi que seria difícil fazer um sorteio justo, pois não tinha uma maneira simples de sortear o DVD, pois o evento não exigia inscrição. Então esse fica acumulado para a próxima apresentação.

Linux domina na produção de animações computadorizadas e efeitos

Uma coisa que muitos artistas iniciantes na área de computação gráfica não sabem é que, boa parte dos grandes estúdios de animação usa plataformas Linux para produzir seu material. Sim, aquelas animações que você assiste no cinema são na sua maioria totalmente elaboradas em ambientes Linux, por vários motivos, como a estabilidade e a possibilidade de personalizar o sistema, para atender demandas específicas de cada estúdio durante um grande projeto. Para saber mais sobre o uso do Linux em estúdios de animação, recomendo uma visita ao web site chamado de Linux Movies, que reúne informações muito interessantes sobre esses projetos.

Entre os materiais que podemos encontrar no Linux Movies, existem listas com os softwares usados nos estúdios, assim como alguns dos pontos chave do Linux, que fazem com que vários deles usem esse sistema operacional.

O uso do Linux nesse tipo de sistema é o que faz com que empresas como a Autodesk e SideFX, desenvolvam versões especiais do Maya e Houdini respectivamente para o ambiente Linux. Esse mercado é muito grande e praticamente dominado por esse tipo de ferramenta. Mas, aguarde por novidades em relação ao Blender nesse mercado, pois o Big Buck Bunny direcionou a atenção dessas empresas para o potencial criativo do Blender. O melhor de tudo é que o Blender já roda de maneira nativa no Linux.

Outras ferramentas como o 3ds Max, muito dificilmente devem rodar no Linux de maneira nativa. Quando ele foi desenvolvido, a Autodesk usou muito da tecnologia do Windows NT na época. Isso marcou a migração do 3d Studio para a o chamado 3ds Studio MAX na época.

Quer alguns exemplos de estúdios que usam Linux?

  • Dreamworks
  • ILM
  • Pixar
  • Digital Domain
  • Weta Digital

Todos esses estúdios usam Linux.

Não deixe de conferir o arquivo PDF, disponível na página inicial do sistema que é a representação de uma apresentação em slides, de uma palestra que o fundador do site ministrou sobre o tema. Como qualquer boa apresentação em slides, ela acompanha dados estatísticos e muitas imagens sobre o tema. Uma delas é até usada para ilustrar o artigo.

Bem, você não vai aprender nenhuma técnica nova, mas vai perceber que muito provavelmente precisará usar Linux para produzir animações de alto nível. Você já sabe usar ele? Quem sabe esse é o momento de começar? Se você aceitar minha sugestão, recomendo a dobradinha Blender e Ubuntu.

Junto com o Ubuntu, você ainda pode fazer a instalação do Houdini Apprentice para estudar, que é disponibilizado em versão para Linux também.

Qual sistema operacional usar para computação gráfica?

A pergunta formulada no título desse artigo é de difícil resposta e pode até mesmo em algumas situações gerar conflitos inflamados. A verdade é que tudo é questão de ponto de vista e objetivos profissionais. Muita gente trabalha bem com Windows, Mac Os ou Linux sem maiores problemas. Isso acaba sendo mais uma questão de preferência pessoal, relacionada com a sua experiência em ferramentas ou softwares necessários para algum desses sistemas. Por exemplo, uma pessoa que já trabalhe e tenha uma licença do V-Ray dificilmente irá migrar o seu parque de computadores para Linux ou Mac Os. Ele está errado? Claro que não, tudo é questão de costume ou necessidade.

Se esse mesmo usuário que está acostumado com V-Ray aplicado no 3ds Max, achar que o uso desses softwares não compensa mais, então a migração para outro sistema é válida.

Mas, imaginando que você queira migrar qual é a melhor opção? Não vou tentar responder essa pergunta, mas sim apontar um artigo interessante, escrito em Francês, sobre a escolha de sistemas operacionais para computação gráfica. Para os que não falam Francês, aqui existe uma tradução automática da página para o português.

No artigo, o autor fala sobre a experiência de um artista que precisa migrar do Windows para o Linux. No decorrer desse mesmo artigo, ele acaba fazendo uma análise rápida dos prós e contras de cada sistema, para a área de computação gráfica. Junto com a análise ele acaba listando algumas das principais ferramentas como o Blender 3D, Maya e outros.

O artigo é interessante e útil para pessoas que estejam nessa encruzilhada, querendo migrar para outros sistemas que não sejam o Windows. Grande parte dessa iniciativa pela mudança é decorrência da fama negativa do Windows Vista.

Por exemplo, você sabe o motivo pelo qual a Autodesk não lança o 3ds Max para outras plataformas? No artigo o autor comenta o motivo que faz com que essa ferramenta seja “exclusiva” do Windows e também os motivos que fazem outras empresas, que desenvolvem softwares comerciais, literalmente ignorarem sistemas com o Mac Os e Linux.

Quer um conselho? Leia, mas tente tirar as suas próprias conclusões. Muito do que é falado é interpretação subjetiva. O que vai importar mesmo no final é se a sua renderização ou animação é de qualidade.