Sony bloqueia Sintel no Youtube por violação de copyright

O que você faria caso fosse acusado de plágio em um dos seus projetos, mesmo tendo a certeza de que tudo é criação sua? A Fundação Blender passou por esse tipo de contratempo nos últimos dias, graças a um incidente no seu canal do Youtube. Um dos seus últimos projetos de animação aberta chamado de Sintel, foi bloqueado pelo Youtube devido a uma alegação de violação de direitos pela Sony. Sim, a gigante japonesa que é produtora de eletrônicos e proprietária de vários estúdios alegou que um trecho da animação Sintel estava violando os seus direitos.

Por algumas horas foi impossível assistir Sintel no Youtube, pois aparecia uma mensagem avisando sobre a possível violação. A imagem que ilustra esse artigo foi publicada na BlenderNation, e representa exatamente a situação. Essa não é a primeira vez que produtores de conteúdo independentes sofrem com o que provavelmente foi mais um caso de “falso positivo” pelo sistema de varredura digital do Youtube.

sony-blocks-sintel

Hoje a reprodução da animação já estava restaurada, mas durante o período de tempo em que o bloqueio persistia, uma boa quantidade de usuários se mobilizou para reclamar e criticar a atitude do Youtube. Isso provavelmente deve ter acelerado o processo de revisão do vídeo.

Mas, o que exatamente aconteceu?

Para quem não conhece o sistema de verificação de conteúdo do Youtube, a explicação para a existência desses contratempos é muito simples. Quem faz essas varredura é um software que compara o conteúdo dos vídeos com material fornecido pelos estúdios, e quando encontra alguma coisa suspeita o vídeo do canal é imediatamente bloqueado e marcado para revisão. A verificação humana do conteúdo é feita apenas no final do processo, o que gera essa grande quantidade de “falsos positivos” e cria esse ambiente inóspito para pequenas produtoras de conteúdo.

O mais irônico nessa situação é que a Sony usa imagens do Big Buck Bunny para divulgar televisores, sem citar a fonte. Isso é uma violação da licença creative commons. Tudo bem que o bloqueio de Sintel não é culpa da Sony e provavelmente deve ser creditado ao software de detecção do Youtube, mas não deixa de ser irritante e em certos aspectos revoltante.

Você quer ajudar o Instituto Blender a criar ainda mais animações como Sitel? Não deixe de conferir o projeto gooseberry, que inclusive está precisando da sua ajuda.

Blender 2.70 disponível para download

O instituto Blender já está promovendo o projeto Gooseberry em todos os seus canais e web sites, o que significa que teremos muitas novidades relacionadas com o desenvolvimento do Blender nos próximos meses. Essas novidades e alterações agora devem ser adicionadas nas nova família de versões do software! Sim, o Blender 2.70 acaba de ser lançado com muitas novidades relacionadas com ferramentas e também na interface para o usuário. Mas, antes que você se desespere em relação as alterações na interface, apenas algumas pequenas mudanças e ajustes foram adicionadas, nada próximo da proposta de reformulação completa que presenciamos alguns meses atrás.

Blender 2.70 Splash

O que tem de novidade nessa versão? Essa é uma pequena lista com as novidades, que podem ser conferidas com mais detalhes diretamente no release log do Blender 2.70:

  • Blender Cycles agora suporta renderização volumétrica: Agora é possível gerar imagens usando simulações de luz com aquele efeito suave de neblina.
  • Marcadores no tracking podem agora possuem atributo de peso: Na janela em que realizamos o tracking de movimento, é possível atribuir pesos para os marcadores.
  • Novas opções de modelagem e modificadores: Existe agora um modificador chamado Wireframe que como o nome mesmo já explica, transforma um modelo 3d em estruturas apenas com as arestas dos polígonos. Outras pequenas mudanças também foram adicionadas como o suporte ao uso de N-Gons pelo modificador boolean.
  • Game engine com suporte a LOD: Uma das técnicas que usamos para reduzir o consumo de recursos computacionais em jogos é o chamado Level of Detail. Agora é possível usar esse recurso na game engine do Blender.

Essas são apenas algumas das novidades dessa versão, que ganhou muitas pequenas melhorias e correções de problemas. Ao longo das próximas semanas devo produzir alguns vídeos e artigos específicos sobre cada uma dessas novidades, e também será possível encontrar alguns desses recursos nos cursos do EAD – Allan Brito.

Por enquanto, você já pode fazer o download da nova versão do Blender e já conferir o que será usado pelos artistas e estúdios participantes do projeto Gooseberry. O projeto já está na fase de crowdfunding e você pode ajudar de imediato assinando o serviço Blender Cloud. A maneira de ajudar no projeto mudou um pouco, mas ainda é com base na pré-venda do conteúdo. Mas, isso é assunto para outro artigo!

Projeto Gooseberry: Longa metragem produzido com Blender?

Os projetos abertos organizados pelo Instituto Blender são um dos grandes destaques e impulsionadores do desenvolvimento do software, usando sempre recursos e colaborações oriundas da comunidade de usuários do software. Já faz um bom tempo desde que o primeiro projeto do tipo foi organizado e até hoje todos eles foram um grande sucesso, mesmo considerando o problemático Yo Frankie! que acabou distanciando as iniciativas voltadas para desenvolver a Game Engine do Blender. O assunto voltou a ser de interesse da comunidade de usuários do Blender, pois o instituto anunciou o próximo projeto para esse ano que tem nome código de Gooseberry.

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É tradição nos projetos do instituto Blender organizar os projetos com nomes código referentes a frutas ou vegetais, e com o próximo grande projeto não poderia ser diferente.

Qual será o objetivo desse projeto? A coisa agora irá tomar proporções muito maiores que os projetos anteriores, pois o objetivo agora é produzir uma Animation Feature Film. Mas, o que é isso? Nada mais é do que um longa metragem de animação! Quem acompanha as animações resultantes dos projetos abertos do instituto Blender, sabe que geralmente essas animações são de curta metragem, resultando sempre em tempos inferiores à 20 minutos. O objetivo agora é criar algo muito maior, envolvendo não só pessoas trabalhando localmente no próprio instituto Blender mas também em estúdios ao redor do mundo.

Isso vai envolver desafios de produção nunca antes enfrentados pelo instituto, e claro a necessidade de angariar muito mais recursos financeiros do que nos outros projetos. É interessante ter noção do custo desses projetos até para saber como animações simples podem demandar somas grandes de investimento. Por exemple, em uma entrevista sobre o projeto que resultou na animação Big Buck Bunny, foi explicitado que o custo total de produção foi de aproximadamente 150.000 Euros. A animação tem aproximadamente 15 minutos de duração. Sim, criar animações com qualidade exige muito investimento.

Por enquanto não existem datas e detalhes sobre o projeto Gooseberry, mas assim que mais informações forem divulgadas no web site oficial, publico aqui no blog. Por enquanto, podemos somente aguardar e torcer para que muitas melhorias sejam implementadas no Blender devido a essa nova iniciativa do instituto.

Wires For Empathy: Projeto de animação aberta com Blender

Os chamados projetos Open Movie deram muita visibilidade ao Blender nesses últimos anos, começando com o já antigo Elephants Dreams que foi um marco para a comunidade de usuários do Blender e plantou a semente que estamos colhendo e aproveitando hoje com os vários projetos de animação bem sucedidos como Sintel e Big Buck Bunny, e outros que apesar de conseguirem gerar produtos acabaram se transformando em experiências complicadas para o instituto Blender, como foi o caso do Yo Frankie!. O grande destaque desses projetos, depois da qualidade do material produzido é que todo o conteúdo gerado é compartilhado com os usuários interessados. É possível fazer o download dos arquivos fonte da animação, inclusive texturas e roteiro.

animação aberta com Blender

Animação aberta com Blender

Esse modelo de desenvolvimento dos Open Movies com Blender (Animação aberta com Blender) está se expandindo e ganhando novos adeptos não relacionados diretamente com a fundação ou instituto Blender. É o caso do “The Tube Open Movie” que está desenvolvendo a animação chamada Wires For Empathy, que usa os mesmos preceitos dos outros projetos do instituto Blender. Depois que tudo estiver pronto, o material usado na produção será compartilhado pelos produtores para que todos tenham acesso ao conteúdo.

Sobre o que se trata essa animação? É uma história inspirada na narrativa que conta a trajetória de Gilgamesh. Como é uma releitura, os acontecimentos da chamada epopeia de Gilgamesh foram adaptadas para os dias de hoje. Ficou curioso sobre o projeto? A seguir um trailer da animação que foi apresentado na Siggraph 2013.

No blog da produção do The Tube Open Movie, é possível acompanhar a progressão do projeto assim como conferir dicas sobre soluções técnicas encontradas pelos artistas para realizar determinadas tarefas no Blender. Quer ajudar esse projeto? No blog existe um link para fazer doações e acelerar o desenvolvimento da animação.

Caso você não tenha reparado, a imagem da Splash Screen do Blender 2.68 é desse projeto!

Você ainda não conhece os projetos Open Movie do instituto Blender? Aqui está uma lista com os nomes e links para cada um dos projetos realizados até agora:

Aprendendo a usar o Blender

Ficou animado em usar o Blender para produzir animação aberta com Blender? Talvez um dos cursos online do EAD – Allan Brito ajudem você a começar o seu projeto de animação 3D. Os cursos disponíveis sobre Blender são os seguintes:

Tears of Steel

A espera pelo lançamento do projeto Mango terminou, pois ontem a tarde aproximadamente as 14 horas pelo horário de Brasília, finalmente pudemos conferir o resultado dos meses de trabalho e produção realizados pelo Instituto Blender. Se você ainda não assistiu ao curta de animação, o vídeo já está embutido nesse artigo e pode ser conferido em FullHD diretamente do Youtube mesmo. Além da versão no Youtube, você ainda pode fazer o download do filme em formatos MKV e MOV diretamente do site do projeto. Os arquivos fontes ainda não estão disponíveis para download, pois os mesmos devem ser primeiro distribuídos por meio dos DVDs, para depois serem disponibilizados no web site do projeto.

Qual a minha opinião sobre o resultado? Como é de costume nos projetos do Instituto Blender, o resultado superou as expectativas dos mais animados artistas e entusiastas do Blender. Só por considerarmos que o Blender foi usado para praticamente tudo dentro da produção que envolveu:

  • Modelagem 3d
  • Animação
  • Texturas
  • Composição
  • Tracking
  • Pós-produção
  • Montagem do vídeo

Isso mostra como a ferramenta é versátil e capaz de gerar resultados de alto nível com os conhecimentos e recursos certos. É claro que existem pequenos problemas em alguns pontos do Tears of Steel, mas eles não conseguem ofuscar o resultado final que é simplesmente fantástico. A existência de problemas é algo perfeitamente normal em qualquer produção como essa, sendo até comum encontrar esse tipo de problema até em filmes comerciais e material produzido para séries de TV.

Uma das características que não ressaltei em relação ao Tears of Steel na minha retrospectiva sobre o projeto, é que todo o material é distribuído sob uma licença Creative Commons. Isso significa que você pode utilizar os vídeos, modelos 3d, música, texturas e qualquer coisa do projeto em outras produções desde que esteja citada a fonte. E nesse tipo de aplicação, estão inclusive contempladas as produções comerciais de outros projetos usando o material do Tears of Steel!

Se você gostou do resultado, recomendo adquirir o DVD do projeto, pois isso ajuda na manutenção do Instituto Blender e na produção de futuras iniciativas.

Para outros exemplos de produções semelhantes que usam basicamente o Blender para gerar os modelos 3d, animação e praticamente tudo, recomendo uma visita ao web site do Project London. Essa produção iniciou antes mesmo do Tears of Steel e teve uma receptividade positiva entre artistas e usuários do Blender, exatamente por usar o software como base para gerar seus efeitos visuais. Até a licença do conteúdo é diferente, com a única ressalva que no caso do Project London o material não pode ser usado para fins comerciais.