Iluminação Global no Cinema 4D para visualização arquitetônica

As técnicas e ferramentas de iluminação global já foram usadas como diferencial competitivo em vários softwares 3d no passado, mas hoje é quase que uma ferramenta padrão de todos os softwares. A grande maioria das ferramentas apresenta algum tipo de opção nativa para usar iluminação global. O uso desse tipo de recurso está tão disseminado entre artistas 3d que a grande maioria, sequer estuda ou tenta desenvolver habilidades ou técnicas de iluminação tradicionais. Essa técnica é chamada de Fakeosity, uma alusão a radiosidade, em que o artista tenta por meio de luzes tradicionais, simular o efeito de um ambiente de iluminação global.

Nas minhas aulas sobre iluminação até tento passar alguns desses conceitos, mas depois que as ferramentas de iluminação global são abordadas na aula, dificilmente os alunos querem voltar a ter o trabalho de planejar o posicionamento e cor das luzes. A vantagem em não usar iluminação global é o tempo de render das cenas que é extremamente curto, mas por outro lado é necessário ter habilidade artística para conseguir bons resultados, pois cada cena exige uma solução única.

Se você é usuário do Cinema 4D, existe um tutorial muito interessante sobre iluminação global para ambientes internos nesse link.

tutorial-cinema-4d-iluminacao-global.jpg

Com o tutorial é possível aprender um pouco do funcionamento desse recurso no Cinema 4D, e também perceber como esse tipo de ferramenta é extremamente simples de usar. Na verdade, todo o processo e configuração é feito no painel de renderização, em que o artista deve selecionar a opção para considerar a iluminação global quando a imagem estiver sendo gerada.

Apenas com o ajuste do posicionamento da iluminação e algumas opções no painel de renderização, podemos conseguir ótimos resultados na renderização. Esse tipo de técnica é uma das mais simples em termos de qualidade e fidelidade da iluminação no que se refere ao Cinema 4D, mas é um excelente ponto de partida para quem está aprendendo a usar a ferramenta.

A parte de modelagem do tutorial é bem simples também, consistindo apenas de algumas primitivas geométricas com deformadores aplicados aos objetos de maneira a criar o ambiente para o tutorial. Esse tipo de modelo é muito bom para testes, em termos de semelhança ele remete ao formato do famoso Cornell Box.

Tutorial de Radiosidade com Blender 3D e YafaRay

A radiosidade é uma das diversas técnicas usadas para melhorar a iluminação em ambientes 3d, inclusive é um método de representar a luz que não é muito usado hoje nos diversos renderizadores comerciais V-Ray, Mental Ray e outros. No Blender 3D a radiosidade é mais utilizada para adicionar cores em vértices para projetos que usam render em tempo real na Game Engine. A configuração de uma cena com radiosidade no Blender 3D apresenta algumas particularidades, como a necessidade de um objeto do tipo Mesh que emita energia luminosa na cena. Sim, a maneira com que a radiosidade funciona exige que criemos um objeto que emita luz.

Caso você queira aprender a técnica necessária para reproduzir a iluminação com radiosidade com o Blender 3D, usando o YafaRay para renderizar a cena, o tutorial abaixo mostra a técnica necessária para criar uma simulação dessa maneira. No YafaRay existe uma opção chamada Meshlight que permite aos objetos emitir energia luminosa na cena.

O tutorial está disponível em 720p e também pode ser uma excelente introdução a renderização com o YafaRay com o Blender 3D.

O objetivo do vídeo é criar uma cena em que o cubo com várias faces fragmentadas, apresenta cores e níveis de iluminação diferentes. Para isso será necessário transformar as faces dos objetos em entidades independentes, assim será possível editar e ajustar de maneira mais fácil os materiais. Na modelagem da cena o procedimento é exatamente o mesmo que usamos normalmente no Blender 3d.

No momento da renderização é que usamos as opções de iluminação global do YafaRay, para determinar que os objetos devem emitir luz. Você deve escolher o script que faz a integração entre o Blender 3D e YafaRay. Assim que o YafaRay for acionado, você deve acessar a opção Object/Light/Camera e pressionar o botão “Enable Mesh Light”. Apenas se esse botão estiver pressionado é que os objetos podem ser habilitados para emitir energia luminosa. Podemos escolher opções como a cor da luz e também a intensidade.

Esse procedimento é realizado para cada um dos objetos que emite luz na cena. Depois que está tudo configurado na parte de materiais e objetos que emitem luz, o próximo passo é determinar o método de renderização usado na cena. No YafaRay existem vários métodos, sendo que nesse em particular o autor usou Pathtracing.

Pronto! Agora é só acionar o render e a cena será gerada com os objetos coloridos na cena emitindo energia luminosa. O efeito é exatamente o mesmo que a radiosidade cria em renderizações.

Making of de comercial usando o LightWave 3d: Cachorro-peixe

Um comercia muito interessante está sendo veiculado nas TVs aqui do Brasil há algumas semanas, em que um carro da Volkswagen é tão bom que cabe até mesmo um cachorro-peixe. Claro que uma suposta aparição desse cachorro-peixe teria que ser trabalhada como computação gráfica e foi exatamente isso que aconteceu. Esse comercial é exclusivo para o mercado brasileiro, por isso os amigos que estão lendo esse artigo em outros países podem não conhecer o comercial. Por isso, estou publicando o vídeo que está disponível no Youtube. Como é de costume, a minha análise sobre o comercial não envolve o mercado publicitário, e sim a produção técnica do mesmo. Qual foi o software usado para produzir o comercial?

Mesmo que muita gente ainda desconheça, o software usado foi o LightWave 3D, como o título do artigo já denuncia. Isso prova que não é necessário usar os softwares mais “famosos” para produzir material de qualidade.

Antes de continuar o artigo, caso você não tenha assistido ainda o comercial, aqui está o vídeo:

Para promover o comercial e o excelente trabalho realizado pela Bitt Animation, responsável pela parte de computação gráfica do comercial, a Newtek publicou na sua newsletter uma entrevista com o pessoal do estúdio, fazendo várias perguntas sobre o uso do LightWave 3d no comercial.

No texto, disponível apenas em inglês, podemos encontrar algumas imagens do modelo 3d do cachorro e algumas informações interessantes sobre a produção:

  • O tempo total de produção do comercial foi de cinco semanas
  • Apenas o LightWave foi usado para a modelagem e animação
  • Na renderização foi usada a radiosidade do LightWave, que é uma das melhores ferramentas de render do mercado
  • O tracking da câmera foi feito diretamente no LightWave, posicionando a parte gravada em locações reais como plano de fundo e animação sobre as imagens
  • As cenas mais difíceis envolviam os closes do personagem, quando a câmera estava muito próxima do mesmo a iluminação ficava muito mais complicada

Esses são apenas os principais pontos comentados no artigo, que apresenta muito mais informação. Ainda é possível fazer o download do comercial em formato MOV.

Um dado interessante, a Bitt Animation é baseada na Argentina.

Tutoriais e palestras gratuitas sobre o LightWave 3D 9.5

Já faz um bom tempo que não falo aqui no Blog sobre o LightWave 3D, e a Newtek atualizou a sua página sobre o LightWave despois da Siggraph com vídeos e tutoriais de demonstração, resolvi publicar um artigo falando sobre algumas dessas atualizações, para que os interessados em usar o software, possam conhecer mais sobre ele. Se o seu objetivo é evitar softwares da Autodesk, o LightWave é uma ótima opção, junto com o Houdini e o Cinema 4D. Uma das coisas que sempre me chamaram muito a atenção em relação ao LightWave é a sua ótima relação custo x benefício. Entre as ferramentas 3d proprietárias de alto desempenho, o LightWave é o que apresenta menor custo em comparação aos benefícios propostos.

Sempre que precisei indicar soluções pagas para escritórios e produtoras, eles acabavam optando pelo LightWave, pelo seu valor ser inferior a novecentos dólares, para versões sem o manual do software impresso.

Bem, mas e se antes de comprar, você quiser avaliar e conhecer melhor o software? Até mesmo estudar as suas ferramentas para conhecer mais sobre ele? Para isso, a Newtek tem um arsenal de tutoriais em vídeo sobre o LightWave 9.5 e palestras gravadas na Siggragh 2008. Eu mesmo não tenho licença do LightWave e não o utilizo para meus projetos, mas como gosto de conhecer as técnicas e ferramentas do software, para comparar com os softwares da Autodesk e até mesmo o Blender 3D, já assisti e estudei os vídeos disponíveis no web site e posso recomendar o material da Siggraph!

Os tutoriais sobre o LightWave são até básicos e mostram opções de modelagem poligonal e opções de animação avançada e câmeras. Mas, nos vídeos da Siggraph é que encontramos algumas demonstrações muito interessantes do poder do software. Entre os vídeos e assuntos abordados, esses são os mais interessantes:

  • Opções avançadas de radiosidade: Aqui vale ressaltar que o LightWave tem um dos melhores renderiadores entre os softwares 3d.
  • Criação de pelos e cabelo com o FiberFX
  • Making of e exemplos dos efeitos no seriado Sarah Connor Chronicles: Esse é um ótimo exemplo de como o LightWave é usado em seriados, com uso intenso de efeitos especiais
  • Usando o editor de nós para criar materiais

Cada vídeo tem aproximadamente 10 minutos de duração, mas são muito interessantes para compreender um pouco mais do software, e a melhor parte é que tudo é gratuito. Os vídeos da Siggraph não podem ser copiados, mas os tutoriais sobre o LightWave 9.5 podem ser copiados sem maiores problemas.

Guia completo sobre o funcionamento da renderização por Radiosidade

Qual a melhor técnica para renderizar uma cena? A quantidade de opções e soluções disponíveis é tão grande que fica difícil escolher. Nos renderizadores modernos como o Mental Ray, V-Ray e Maxwell Render quase não encontramos mais o termo Radiosidade sendo colocado em destaque, mas ele ainda é um dos métodos mais eficientes para calcular e iluminação real de uma cena. Duas das ferramentas que oferecem soluções baseadas em radiosidade fantásticas são o finado LightScape da Autodesk, que já foi descontinuado e o LightWave.

Esse último ainda apresenta um módulo de Radiosidade muito poderoso, e devo dizer um dos melhores renders que conheço, há pelo menos 10 anos que trabalho com 3d.

Um web site da Holanda, publicou um guia completo sobre as configurações e o funcionamento do sistema de radiosidade do LightWave 9.5, que aborda tanto a parte teórica da Radiosidade, como o processo de configuração do LightWave.

Recomendo uma visita ao guia, para compreender melhor o processo de funcionamento da radisosidade, assim como o comportamento dos raios de luz ao interagir com esse tipo de sistema.

Como é possível perceber pela imagem que ilustra esse artigo, o tutorial é ilustrado de maneira muito rica, com representações das trajetórias dos fótons e seu comportamento.

Esses são os assuntos abordados no tutorial:

  • Introdução
  • Painel de controle do LightWave
  • O processo de Radiosidade (explica como funciona o processo)
  • Radiosidade pelo algoritmo Monte Carlo
  • Radiosidade e Final Gather
  • Radiosidade apenas para o plano de fundo do cenário
  • Opção de interpolação
  • Controlando raios secundários
  • Resolvendo possíveis problemas

Ficou interessado? Para acessar o guia sobre Radiosidade, visite esse endereço.

O tutorial está bem escrito e mostra algumas imagens fantásticas, produzidas pela equipe do web site. As imagens são relacionadas com visualização de projetos arquitetônicos e design, todas renderizadas com o LightWave.

Se você não conhece o LightWave, devo dizer que é hoje ainda uma das ferramentas com melhor custo x benefício entre as suítes 3d proprietárias. Da última vez em que precisei recomendar uma ferramenta como essa, para uma instituição de ensino interessada em plataformas de animação, mas que não se interessaram pelo Blender, o LightWave foi a ferramenta mais em conta. O preço da licença era de aproximadamente 950 dólares, e não haviam diferenças entre versões, como acontece com a maioria das ferramentas hoje. Segundo o exemplo da Microsoft que vende o Windows em inúmeras versões, a Autodesk, por exemplo, comercializa o 3ds Max e o Maya em várias versões diferentes.

Bem, deixando a questão das licenças de software de lado, o tutorial é recomendado a todos que queiram aprender mais sobre o funcionamento, dos diferentes tipos de renderização. Mesmo que você não use o LightWave, pode aproveitar alguns dos conhecimentos para configurar melhor o seu próprio renderizador.