Tutorial 150 – Blender: Usando o Freestyle para renderização

A oferta de renderizadores que funcionam em conjunto com o Blender já foi bem limitada, se resumindo praticamente ao YafRay quando comecei a usar o software já faz quase 10 anos! Hoje a quantidade de renderizadores compatíveis é impressionante, e temos até mesmo um renderizador de alta qualidade já embutido no próprio Blender. Mas, você sabia que além do Blender Cycles é possível usar outra opção para estilizar as imagens geradas dentro do Blender? Já falei algumas vezes sobre o Freestyle, mas nunca demonstrei os passos para habilitar e usar esse renderizador.

O melhor de tudo é que não é necessário fazer o download de absolutamente nada! O Freestyle já está instalado com o seu Blender. Para demonstrar exatamente o funcionamento do renderizador, gravei um pequeno tutorial com o procedimento necessário para usar o Freestyle:

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Uma das vantagens do Freestyle é permitir que as imagens renderizadas no Blender tenham um aspecto estilizado, sem a necessidade de praticamente nenhum tipo de pós-produção em softwares com o Photoshop ou GIMP. É possível adicionar estilos em linhas e contornos para gerar efeitos e realçar as formas das imagens.

No vídeo de exemplo, mostro como é possível adicionar e modificar as opções do Freestyle para gerar contornos em objetos que são renderizados no Blender. Com isso podemos criar o efeito de célula de animação, muito comum em produções de animação 2d que utilizam softwares 3d como base. Mas, é preciso tomar cuidado com a quantidade de efeitos adicionados aos projeto, pois dependendo da complexidade da linha, é necessário fazer o processamento do efeito para cada quadro da animação!

Aprendendo sobre renderização com o Blender

O uso de ferramentas e técnicas de renderização pode ser desafiante para quem não tem experiência com softwares 3d ou fotografia. Por isso, recomendo consultar algum dos cursos do EAD – Allan Brito que abordam exatamente esse tema! Vários desses cursos usam o Blender Cycles para conseguir qualidade máxima no render:

Modelagem 3d no SketchUp e renderização no Blender Cycles?

O SketchUp e o Blender são duas das melhores ferramentas gratuitas para se trabalhar com modelagem 3d, mas ambas apresentam objetivos bem distintos do ponto de vista da produção. O Blender é uma suíte 3d destinada a fazer praticamente tudo dentro do ambiente de produção, e o SketchUp acaba ficando mais dedicado ao uso no mercado de visualização para arquitetura. Mas, uma coisa que poucos usuários percebem é que o SketchUp pode trabalhar muito bem junto com o SketchUp para suprir uma das maiores deficiências do software que é a renderização realista.

É perfeitamente possível instalar renderizadores no SketchUp como o V-Ray ou Maxwell Render para conseguir efeitos realistas impressionantes, mas tudo isso exige a compra desses softwares que não são gratuitos. Ainda existem opções de renderização gratuita para o SketchUp, mas a grande maioria não oferece suporte a recursos de visualização avançada. Nos últimos meses o Blender recebeu um recurso que pode ser de grande ajuda para usuários do SketchUp. Esse recurso se chama Cycles!

O novo renderizador do Blender é capaz de gerar imagens muito realistas, sendo inclusive capaz de gerar imagens e animações com apoio de tecnologias modernas, como é o caso da aceleração por GPU.

A melhoria no suporte a importação de arquivos COLLADA no Blender ajudou muito nesse tipo de integração. Quer aprender como funciona? Podemos criar uma cena simples de exemplo no SketchUp como a que aparece na imagem a seguir.

sketchUp-Blender-Cycles-01.png

A cena no SketchUp deve ser exportada para o formato COLLADA, usando a extensão dae. Isso pode ser feito no menu Arquivo -> Exportar modelo 3d e depois escolha a opção dae.

No Blender, podemos importar de maneira nativa os arquivos do SketchUp usando a opção import no menu File.

sketchUp-Blender-Cycles-02.png

Repare que o modelo 3d criado no SketchUp acabou sendo enviado de maneira integral para o Blender.

sketchUp-Blender-Cycles-03.png

Agora, só precisamos configurar o Cycles de maneira correta, para renderizar a cena usando uma luz do tipo Sun.

sketchUp-Blender-Cycles-04.png

O resultado poderia ficar muito melhor com o uso de texturas e outros elementos, mas serviu para provar que os dois softwares podem trabalhar muito bem juntos. Mesmo que os modelos 3d sejam criados integralmente no SketchUp, podemos usar o Blender que é totalmente gratuito para renderizar as cenas usando técnicas realistas.

LuxRender 1.0 disponível para download

Um dos renderizadores externos com melhor compatibilidade com o Blender, e que compartilha a sua filosofia aberta está com uma nova versão estável. Entre as opções existentes para renderização externa com o Blender que também são de código aberto podemos destacar o LuxRender e o YafaRay. Mas, desde que o Blender teve a sua mudança drástica de interface e funcionamento interno com a série 2.5x, o LuxRender é a opção que melhor se integra ao Blender. Nos últimos dias o LuxRender atingiu um marco no seu desenvolvimento, e depois de ficar várias semanas em Release Candidate chegou na sua versão 1.0 final.

Caso você queira fazer o download dessa versão estável para o seu Blender, basta visitar esse endereço e começar a usar o LuxRender junto com o Blender. Mas, e o Cycles? Essa é uma pergunta que sempre recebo de usuários do Blender que não sabem ainda qual versão usar para seus projetos.

LuxRender 1.0 Splash

O Cycles hoje é uma ferramenta que oferece grande diferencial para criação de projetos dentro do Blender, pois com ele é possível gerar imagens realistas sem a necessidade de plugins ou scripts externos. Mas, o Cycles em termos de desenvolvimento ainda está longe de atingir a quantidade de recursos que o LuxRender já disponibiliza. Por exemplo, o uso de light groups e até mesmo suporte a recursos avançados de iluminação como luzes fotométricas, tudo isso já funciona perfeitamente no LuxRender.

Até pouco tempo atrás era complicado simular luzes pontuais com o Cycles, pois o algoritmo do Path Tracing usando pelo Cycles “não gosta” de fontes de luz pequenas. É por esse motivo que sempre acabamos usando luzes em forma de plano ou área. Somente na versão 2.64 do Blender é que o Cycles começará a suportar as luzes do tipo Spot do Blender.

Com a versão 1.0 do LuxRender o software atinge um nível de maturidade que é procurado por artistas e pessoas interessadas em criar imagens para ambientes de produção. Isso significa menos problemas na produção de imagens.

O meu conselho para quem quiser trabalhar com criação de imagens com o Blender é saber tanto o Cycles como o LuxRender, pois ambos são excelentes para gerar imagens realistas. Para os que estão interessados em aprender o LuxRender, estou preparando outro curso sobre renderização com Blender, mas agora usando o LuxRender para complementar o já existente curso sobre renderização com Cycles.

O quanto vale investir em GPU para render?

O uso de GPUs como forma de acelerar a renderização é sempre ponto de muitas dúvidas por parte dos artistas que precisam escolher uma boa placa de vídeo, e montar um computador que possa utilizar os recursos de softwares como o V-Ray RT, iray, LuxRender, Octane Render e outros. Entre as diversas dúvidas que os usuários acabam tendo é se realmente vale a pena investir em placas de vídeo profissionais, como a linha Quadro da Nvidia. Esse tipo de placa é mais cara que as GeForce, e por serem voltadas para o mercado de aplicações profissionais apresentam algumas vantagens relacionadas a durabilidade e desempenho.

O que encontramos usualmente é o uso de placas destinadas a jogos como é o caso das GeForce em softwares profissionais, mas apesar de funcionar de maneira razoável, a médio e longo prazos a durabilidade e desempenho desse tipo de equipamento tende a limitar os softwares, principalmente em cenas pesadas que exigem muito da placa.

Nvidia-Quadro-6000-GPU.jpg

Um exemplo de como esse tipo de placa pode ajudar em ambientes de produção pode ser encontrado nesse artigo da Viz-world que comenta exatamente como placas da linha Quadro ajudaram a Tigar Hare, criadores de jogos como o Call of Duty, a gerar cenários e imagens de maneira mais rápida. No artigo eles comentam como placas Quadro e Tesla da Nvidia conseguiram acelerar o render e permitiram o uso de recursos mais avançados, usando o V-Ray RT. As placas Tesla são ainda mais caras e robustas que as Quadro, mas apenas com o uso das Quadro já teríamos um grande ganho.

Comprar esse tipo de placa separada pode ser um investimento pesado para qualquer artista, mas se colocarmos o valor da placa agregado junto com um computador montado para esse tipo de propósito, o custo pode compensar o investimento. Se esse tipo de equipamento acompanhar ainda os novos processadores Sandy Bridge da Intel, teremos um computador com excelente quantidade de recursos para render.

Se você estiver interessado em adquirir um desses computadores já preparados para render pesado, recomendo uma visita a página da First Place para conhecer alguns computadores otimizados para render. Eles já apresentam os processadores Sandy Bridge e placas Quadro, o que é uma grande vantagem em termos de disponibilização de recursos.

Renderização volumétrica com Blender 3D e LuxRender

A renderização de volumetria ou efeitos atmosféricos sempre é um problema, assim como os efeitos necessários para gerar ambientes aquáticos como comentei em artigo publicado ontem aqui no blog. Esse tipo de efeito pode ser gerado no Blender 3D com uma opção presente nas luzes do tipo Spot que é o Halo. Ao acionar essa opção na luz, podemos “visualizar” os raios de luz com uma espécie de neblina que representa muito bem a volumetria. Quando o projeto envolve o uso de renderizadores externos como o LuxRender ou YafaRay, o procedimento para gerar esse tipo de efeito muda significativamente.

No caso do LuxRender é um pouco complicado de começar a trabalhar com esse tipo de efeito, pois até mesmo na documentação do software existem poucas informações ou procedimentos sobre o funcionamento desse tipo de opção. Um usuário do LuxRender publicou um pequeno estudo nos fóruns do LuxRender com uma cena de teste e os procedimentos necessários para gerar o efeito. O resultado do efeito pode ser conferido na imagem abaixo, que foi incluída na Wiki do LuxRender:

tutorial-render-volumetria-luxrender-blender-3d.jpg

O procedimento para criar esse tipo de efeito no LuxRender envolve alguns pequenos truques. O primeiro é a criação de m sólido geométrico que precisa ser configurado com um material chamado boundvolume, que define a área em que a emissão do volume deve acontecer. O funcionamento é semelhante ao Domain usado nas simulações de fluidos.

No exemplo disponibilizado pelo usuário ele criou um cubo que envolve o volume completo da cena para que o efeito seja gerado apenas dentro do volume. Pelos testes que consegui fazer em outras cenas, percebi que esse mesmo volume gera uma pequena neblina na sua área. A interação com os raios de luz é que marca a trajetória dos pontos de luz na cena.

Além disso, ainda é preciso alterar o Integrer usado para renderizar a cena, pois apenas com as opções Path e Directlight é que a criação de volumes funciona. Essa é uma limitação da versão 0.61 do LuxRender que já está nos planos dos desenvolvedores para correções na atualização para o LuxRender 0.7. Recomendo que você faça o download da cena disponível nos fóruns e estude as configurações. O efeito é muito interessante, mas deixa o render ainda mais lento do que já é no LuxRender, portanto é necessário cuidado ao adotar esse tipo de efeito em projetos importantes.