Novidades sobre o lançamento do B-Mesh no Blender 2.6

O projeto que transformou o Blender no software que conhecemos hoje foi oriundo do esforço para migrar a plataforma da versão 2.4 para o 2.5. E junto com essa transformação do software estavam previstos nas ferramentas e atualizações em sistemas internos do Blender como aconteceu com a parte de animação. Hoje podemos adicionar keyframes em praticamente qualquer parâmetro do Blender graças a essa reformulação. Entre essas reformulações existem ainda algumas pendências que não foram finalizadas como é o caso do B-Mesh. Essa é uma evolução do sistema de representação de polígonos do Blender, que adiciona novas ferramentas e suporte aos famigerados N-Gons.

Mas, o que são os N-Gons e o que é o B-Mesh?

Para começar a explicação é bom deixar claro o que são os N-Gons e o motivo deles serem controversos entre artistas 3d. A maioria dos softwares comerciais de modelagem suportam o uso de N-Gons que nada mais são do que faces com mais de quatro lados. Esse polígonos com mais de quatro lados algumas vezes ajudam, e outras vezes atrapalham a criação de modelos 3d.

Quem já tentou modelar alguma coisa com o Blender, deve saber que em certos tipos de operações de modelagem o resultado acaba sendo um conjunto de faces triangulares e quadradas, exatamente pela incapacidade do Blender de representar polígonos com mais de quatro lados.

Isso é uma limitação? Depende do ponto de vista. Como artista 3d e modelador, sempre procuro deixar a topologia dos meus modelos 3d organizada e usando apenas quadrados. Isso é inclusive recomendado no curso de modelagem poligonal, em que comento sobre essa característica relacionada a representação dos polígonos. O motivo para preferir faces quadradas são simples:

  • Deformam melhor em animação
  • Não quebram os loops e impedem atualizações nos modelos

Essa característica do Blender de limitar o uso de polígonos apenas em quadrados e triângulos me forçou a procurar técnicas e métodos mais eficientes de modelagem poligonal, e hoje me sinto mais confiante em organizar a topologia de um modelo 3d, mesmo quando não estou no Blender.

Nas oportunidades em que ministro aulas sobre modelagem no 3ds Max, Maya ou outros softwares que suportam N-Gons, acabo percebendo que os alunos se preocupam menos com a topologia, pois é mais “fácil” não precisar se preocupar com manutenção das faces quadradas na modelagem.

O B-Mesh está prometido para o Blender 2.63 que deve ser lançado no final de Abril ou Maio, dependendo de como a seqüência de desenvolvimento acabar acontecendo. O receio que tenho em relação ao sistema de modelagem do Blender, é que o seu lançamento acabe deixando os artistas iniciantes com a modelagem no Blender mais preguiçosos.

Quer saber como funciona exatamente esse B-Mesh? Já gravei vários tutoriais em vídeo sobre o B-Mesh no passado, e estou listando alguns deles aqui que mostram o funcionamento desse novo sistema.

Como podemos perceber pelos vídeos, o sistema adiciona novas ferramentas, mas não vai fazer com que os seus conhecimentos sobre modelagem com Blender sejam invalidados. Portanto, nada de aprender a modelagem toda do zero, será apenas um processo de adaptação as novas ferramentas.

O tema está recebendo bastante atenção da comunidade de usuários do Blender, inclusive com discussões acaloradas sobre as vantagens e desvantagens do uso de N-Gons. Apesar do receio de que os N-Gons criem artistas 3d preguiçosos, acredito que a atualização é bem vinda.

Retopologia com o 3ds Max em modelos do ZBrush

O resultado final da modelagem 3d poligonal é uma malha 3d formada por diversas faces, arestas e vértices. A organização desses elementos para formar o modelo 3d é chamada de topologia. Em algumas situações particulares, precisamos recorrer a processos de retopologia para modificar completamente a estrutura poligonal de um determinado objeto, geralmente para reduzir o número de polígonos. Esse tipo de situação é muito comum quando os artistas 3d produzem a base dos modelos em ferramentas como o ZBrush, que por serem softwares destinados a escultura, acabam gerando malhas 3d com formas orgânicas, mas que quando são convertidas para polígonos, resultam em centenas ou milhares de pequenas faces.

Isso dificulta bastante o processo de animação e deformação dessas malhas usando bones. Para evitar problemas e facilitar a animação, é preciso recorrer a retopologia. O processo pode ser realizado com as mais diversas ferramentas e dependendo do objeto e nível de detalhes desejado no modelo 3d, pode ser bem demorado de finalizar.

Retopologia no 3ds Max de modelos do ZBrush

O tutorial abaixo mostra um exemplo de como podemos realizar o processo de retopologia no 3ds Max, usando como base um modelo 3d importado do ZBrush.

Como podemos perceber pelo vídeo que mostra muito bem a enorme densidade da malha desse personagem, a retopologia é mais do que necessária para facilitar até mesmo a manipulação e ajustes de partes do modelo 3d.

O processo de retopologia pode ser trabalhos, pois o artista precisa acompanhar a distribuição das novas arestas e faces do modelo 3d, e esse tipo de atenção requer um ritmo de trabalho mais lento. Pelo menos a parte mais complicada que é a concepção do modelo 3d já está pronta, precisamos apenas adicionar os elementos necessários para criar uma nova geometria.

No 3ds Max existem ferramentas próprias para a retopologia que são usadas pelo autor do vídeo para ajudar no processo. Para quem trabalha com modelagem de personagens, o processo de retopologia deve ser muito bem entendido para que o resultado do seu trabalho acabe resultando em modelos 3d fáceis de manipular e animar. Caso contrário, mesmo que você tenha muita habilidade com o ZBrush ou MudBox, sempre será necessário recorrer a outros artistas para finalizar os seus projetos.

Tutorial Blender: Criando um copo com líquido

A renderização de superfícies e materiais que simulam líquidos é um desafio interessante para qualquer artista 3d, pois esse tipo de material agrega vários efeitos óticos avançados, e muita coisa pode atrapalhar a visualização realista desse tipo de objeto. Se o líquido estiver dentro de um recipiente transparente a coisa pode ficar ainda mais complexa, pois a superfície do líquido acaba se mesclando com a do recipiente transparente, e pequenos defeitos aparecem na renderização.

Se você nunca tentou simular esse tipo de material e cena no Blender, encontrei um tutorial em vídeo que pode ser de grande ajuda. No vídeo o autor cria um copo de vidro com uma quantidade de líquido dentro, representando o que seria leite.

O vídeo é bem curto e pode ser acompanhando de maneira muito simples, mesmo por usuários com pouca experiência com Blender, mas com algum conhecimento básico sobre as ferramentas.

A modelagem do copo e do líquido é o segredo para conseguir um bom resultado nesse tipo de situação, e o autor consegue resolver esse problema de maneira engenhosa, por meio de um conjunto de ferramentas do Blender. Primeiro é criado o perfil do copo usando curvas para conseguir arcos mais arredondados para os cantos do copo, que em seguida são convertidos para polígonos. A conversão é necessária para que seja possível usar o Spin e gerar a superfície do copo.

Com a superfície criada o próximo passo é fazer a separação do volume que irá representar posteriormente o volume do líquido, e nesse tutorial esse líquido tem as propriedades de leite.

Uma opção muito útil do Blender e que poucas pessoas conhecem é o separate, acionado no modo de edição com a tecla P. Ao selecionar qualquer parte de um polígono e pressionando essa tecla, podemos criar novas partes de um polígono com base na seleção. Em várias situações de modelagem esse tipo de ferramenta ajuda de maneira significativa a compor novos polígonos!

No final do tutorial o autor aplica o material que irá representar o leite, e fazendo uso do preset de Subsurface Scattering para o leite, a coisa fica bem rápida de configurar! Com a cena pronta, é possível alterar o tipo de material do líquido para visualizar efeitos diferentes de transparência.

Dicas para otimizar o uso 3ds Max 2012

Os usuários mais antigos de vários softwares 3d como o 3ds Max acabam adquirindo uma série de pequenas dicas ao longo do tempo, que ajudam a resolver pequenos problemas no uso da ferramenta. Essas dicas são extremamente valiosas para usuários iniciantes, pois acabam ajudando muito em tarefas de modelagem, animação e finalização de projetos. Para os artistas que utilizam o 3ds Max, encontrei uma lista muito interessante de dicas sobre como usar melhor o 3ds Max, contabilizando um total de 100, que explicam diversos aspectos e detalhes do software.

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O material é de autoria de um artista chamado Jamie Gwilliam que mantém um blog sobre o uso do 3ds Max. Por exemplo, o artista aborda em várias das suas dicas, procedimentos que ajudam a evitar problemas futuros em projetos de modelagem.

A dica 56 é um excelente exemplo disso! Nessa dica o autor explica como aplicar um modificador Boolean de maneira a garantir um histórico de transformações na modelagem, para garantir uma maior flexibilidade na edição.

Outras dicas são mais elementares, mas ainda assim interessantes como o uso das teclas 1, 2, 3 e 4 para alternar entre modos de seleção de sub-objetos como vértices, arestas e faces.

Apesar da lista ser muito útil, recomendo um pouco de cautela na consulta, pois o material é muito extenso! Para pessoas sem muita experiência com o 3ds Max, é interessante sair pontuando os assuntos que são relevantes para o seu trabalho como o software, pois as dicas acabam tendo um espectro muito amplo de abrangência, o que pode atrapalhar mais do que ajudar.

Modelando uma escada helicoidal com o Blender

A modelagem de elementos arquitetônicos sempre representa um desafio para a maioria dos artistas 3d, pois esses elementos envolvem a criação de detalhes e estruturas que não são comuns na rotina de um artista acostumado a trabalhar, principalmente com estruturas mais orgânicas. Um desses elementos que sempre representa um problema na modelagem são as escadas, que dependendo da sua configuração ou tipologia, podem demandar o uso de Add-ons ou o uso de várias ferramentas para que seja possível modelar a escadaria. Entre esses tipos mais complicados de escadas estão as conhecidas como helicoidais.

Como modelar escadas helicoidais no Blender?

Caso você nunca tenha tentado modelar esse tipo de escada no Blender, o vídeo abaixo pode ser de grande ajuda para entender como funciona o processo. No tutorial, que está em inglês, o autor do vídeo trabalha com a criação de apenas degrau e depois usando o modificador Array, ele consegue fazer várias cópias desse mesmo objeto. Mas, o modificador sozinho não é capaz de distribuir as cópias ao redor de um objeto.

O tutorial mostra como podemos usar um objeto do tipo Empty para distribuir as cópias geradas pelo Array ao redor de um ponto. Depois de criar os degraus da escada, o autor ainda parte para a modelagem do corrimão e outros elementos que compõe a escada. Como forma de praticar a modelagem 3d, o tutorial é excelente para mostrar algumas possibilidades sobre o modificador Array, que não ficam muito claras a princípio, mas que podem ser atingidas com apenas alguns pequenos ajustes.

Mesmo que você não tenha interesse na modelagem 3d para arquitetura, recomendo assistir ao vídeo, para observar como o artista resolveu a modelagem usando esse pequeno truque com o modificador Array e um Empty!

Quer aprender a trabalhar com o Blender? Não custa nada lembrar que você pode fazer um curso de Blender 2.5 básico de maneira totalmente gratuita visitando o EAD – Allan Brito, e se tiver interesse em expandir os seus conhecimentos para modelagem poligonal ou animação 3d, pode se inscrever nos outros cursos disponíveis no site. Em algumas semanas devem estar disponíveis mais cursos de Blender nesse mesmo endereço.