Artistas 3D que usam o Blender profissionalmente: Entrevista com Teisson Fróes

Uma das principais dúvidas que os artistas 3d iniciantes têm ao escolher o Blender 3D como seu software de produção 3d é; será que ele é realmente bom? Quais trabalhos profissionais usam Blender? A resposta é sempre a mesma para essas pessoas, que a diferença está no talento do artistas e não na qualidade ou poder do software. Alguns projetos como o Big Buck Bunny ou o Yo Frankie! mostram bem o poder que o Blender tem nas mão de artistas talentosos, mas o que realmente impressiona é que você pode estar assistindo comerciais de TV produzidos no Blender e nem sabia.

Aqui no Brasil é cada vez mais fácil encontrar artistas talentosos que usam o Blender 3D para produzir material publicitário de alta qualidade para TV. Hoje vou falar sobre mais um desses artistas chamado de Teisson Fróes, que tem um portfólio de trabalhos bem impressionante e produzido quase que na sua totalidade no Blender 3D. Quer conhecer mais sobre o trabalho do Teisson? Nesse link é possível fazer o download do Demo Reel dele (Arquivo MOV – 80MB), em que é possível conferir algumas imagens do próprio artista manipulando e produzindo algumas das suas cenas no Blender.

Dentre os seus trabalhos, podemos destacar o projeto que envolveu a modelagem e renderização de um Boeing da VARIG, posicionado no interior de um hangar. A modelagem foi realizada no Blender 3D com a iluminação feita no YafRay usando HDRI na iluminação. Se você não fez o download do Demo Reel do Teisson, essas são algumas imagens do projeto envolvendo a VARIG.

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Para conferir mais trabalhos do Teisson, assim como vídeos dos Making of`s dos seus trabalhos, em que é possível visualizar em algumas cenas o Blender sendo usado na produção, seja na modelagem ou animação de objetos, recomendo visitar os seguintes links:

  • Vídeo de produção para o comercial da VARIG
  • Vídeo de produção para o comercial da NET Digital
  • Páginas com links para vídeos e imagens dos trabalhos realizados pelo artista

Depois de assistir a todos os vídeos e materiais produzidos pelo Teisson, entrei em contato com ele e perguntei se o mesmo concordaria em participar de uma pequena entrevista. Assim que consegui organizar as perguntas para o artigo, enviei para ele e as respostas podem ser conferidas logo abaixo. Antes de terminar essa parte do artigo, gostaria de agradecer ao Teisson pela entrevista e materiais cedidos para a mesma, assim como o leitor Bruno Mendes que me deu a dica sobre os trabalhos dele, pelo formulário de contato.

Para falar com o artista e conferir mais dos seus trabalhos, esse é o link para a sua página oficial.

Agora a entrevista, intercalada com algumas fotos do próprio Teisson no seu ambiente de trabalho, editando o comercial para a NET Digital no Blender. Ainda é possível conhecer uma “pequena” render farm utilizada pelo artista, adaptada para a produção de trabalhos no Blender, YafRay e Indigo:

Allan Brito: Antes de começar a primeira pergunta, gostaria de parabenizá-lo pelo fantástivo portfólio. Hoje em dia, qual a sua principal atividade na área de computação gráfica? Composição? Modelagem? Artista de finalização?

Teisson Fróes: Minha principal atividade na computação gráfica está direcionada a viabilização de produções cinematográficas que possuam restrições específicas, ou seja, tornar “realizável” uma produção que tenha um tempo limitado ou uma verba limitada. E em alguns casos até inviabilidades geográficas, usando como principal ferramenta a pós-produção. Atualmente faço supervisão e opero o equipamento em todas as etapas da pós-produção, e em alguns casos que exija uma modelagem orgânica ou animação mais avançada, conto com uma equipe de frelancers.

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Allan Brito: Como você começou a trabalhar nessa área? Foi necessário algum curso ou formação especial para ingressar nessa carreira?

Teisson Fróes: Na realidade sou técnico em eletro-eletrônica e fiz um ano de engenharia da computação e um ano de bacharelado em cinema, participei de projetos do SEBRAE de incubadoras de empresas e de centros de pesquisas de aplicação de sistemas microcontrolados. A minha entrada na área audiovisual aconteceu quando fui convidado por um amigo, pelo meu interesse pelo setor e o fato de operar bem um computador, para auxiliar na finalização de uma produtora de efeitos especiais em Minas (Romsoft) e com passar do tempo a habilidade em manipular a imagem foi se desenvolvendo num processo autodidático.

Allan Brito: Como o Blender 3D está inserido no seu processo de trabalho?

Teisson Fróes: O Blender3D surgiu como uma solução para meu sistema de trabalho. Como já tenho familiaridade com linguagens de programação, ter um sistema aberto e customizável como Blender3D me deu a possibilidade de criar meu próprio workflow.

Allan Brito: O mercado brasileiro de publicidade discrimina artistas que conhecam apenas o Blender 3D? Ou é necessário conhecer softwares como o 3ds Max e Maya para trabalhar?

Teisson Fróes: Comparado a outros softwares o Blender3D é muito novo. Por este fato profissionais e produtoras que estão a mais tempo no mercado logicamente não o utilizam. De fato, existe um certo espanto quando digo que utilizo o Blender3D, ou uma insegurança quando digo que vou fazer algum trabalho no Blender3D. Mas o que eu tenho tentado mostrar, através do meu trabalho, em todos os lugares, é que existem, como o Blender3D, ferramentas poderosíssimas e muito flexíveis no universo freeware. Com relação a saber operar outros softwares, é fundamental, toda estrutura baseada numa única ferramenta é vulnerável e possívelmente limitada. Invista no Blender3D mas saiba utilizar outras plataformas.

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Allan Brito: Dentre os trabalhos expostos no seu portfólio, o que mais chama a atenção é o da VARIG. O que você pode nos dizes em relação à produção daquele comercial? Quais os desafios? Como o Blender 3D foi usado?

Teisson Fróes: Como já citei antes, meu trabalho é, viabilizar produções cinematográficas através da computação gráfica. A nova marca da Varig foi lançada na TV paralelamente com a atualização da nova programação visual, ou seja, ainda não havia nenhuma aeronave com a nova marca. Tínhamos a opção de trazer os aviões ou ir ao Texas para aplicar a nova arte e filma-los, por questões de cumprimento de prazos foi dispensada. Então pesquisei a possibilidade de construir um modelo 3D do 767 e aplicar em cenários e substituir as artes dos outros aviões via computação gráfica 3D + composição. Foi um trabalho super tranquilo com o Blender3D + Yafray em 10 dias.

Allan Brito: Pelo que podemos perceber nos vídeos do making of, foi usado um mapa HDRI para iluminação. Essa é geralmente a técnica que você usa para seus trabalhos?

Teisson Fróes: Na maioria dos casos de aplicação de objetos sintéticos em cenas reais utilizo o mapa de iluminação HDRI. Pois reproduz quase que perfeitamente a luz do ambiente em que o objeto será aplicado, poupa bastante tempo na criação da cena em 3D e na composição final.

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Allan Brito: Quais dicas você daria para artistas 3d que estão começando seus estudos agora? Qual é o melhor caminho a seguir? Modelagem? Animação?

Teisson Fróes: Para quem pretende trabalhar comercialmente com computação gráfica 3D, é interessante conhecer o software como um todo, porém pode-se ter um diferencial competitivo ao focar em uma função específica, como modelagem, animação, texturização e etc, ou talvez mais específicamente, como, se especializar em modelagem de carros, cenários, ou animação de personagens. No mais, o de sempre: dedicação, paciência, perseverança, insistência e profissionalismo.

Render interno do Blender 3D com Iluminação Global?

Essa semana foi anunciado mais um projeto que pode mudar significativamente, partes importantes do Blender 3D. O mesmo desenvolvedor responsável pela simulação de volumetria no render do Blender, chamado Farsthary, está engajado na melhoria do renderizador interno do Blender 3D com a incorporação de recursos para gerar iluminação global, que hoje só pode ser realizada com renderizadores externos, como o YafaRay.

O projeto ainda está na sua fase inicial, mas renders já podem ser conferidas nesse link, em que várias imagens e vídeos de teste estão disponíveis. A mensagem que divulgou o projeto, assim como alguns comentários de outros artistas que usam Blender, pode ser conferida nesse endereço do fórum Blenderartists.org.

Para facilitar a percepção de como isso pode ajudar o render interno do Blender, montei um mosaico com algumas das imagens:

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Um dos recursos que deve ser adicionado ao Blender com esse novo projeto é a possibilidade de simular Caustics. Temos que admitir que é louvável o trabalho de melhorar esse tipo de recurso no Blender 3D, mesmo sendo um trabalho árduo, implementar um sistema de iluminação global no render do Blender, deve exigir uma completa reformulação do software.

Mesmo sendo trabalho voluntário, ainda me pergunto se recursos como o desenvolvimento do já lendário Render API, que permitiria uma melhor integração com outros softwares externos, como o YafaRay, Indigo e quem sabe até com renderizadores comerciais (V-Ray, Mental Ray e outros). Isso hoje ocorre com Scripts em Python que exportam o arquivo temporariamente para um formato compatível com o renderizador.

O meu objetivo não é criticar o desenvolvimento de mais uma ferramenta, apenas refletir sobre a real necessidade dela. As pessoas que ajudam no desenvolvimento do Blender o fazem pelos mais diversos motivos podem ser uma pesquisa acadêmica ou o simples fato de ajudar mesmo.

O problema nesse caso é a perda de foco do Blender, em tarefas que já podem ser realizadas, e muito bem, por softwares livres já existentes e com boa base de desenvolvimento. O YafaRay é um ótimo exemplo disso. Quem sabe mais ferramentas de modelagem, opções de configuração com nós ou animação avançada.

Esse é um ponto delicado no desenvolvimento do Blender, e outros softwares de código aberto. Quando um dos meus alunos me pergunta; por que o pessoal da Fundação não trabalha para criar ferramentas que igualem o Blender ao 3ds Max ou Maya?

A minha resposta é simples; eles não têm obrigação de fazer nada, inclusive o código fonte do software é aberto. Se você quiser criar ou melhorar uma ferramenta, basta fazer o download do código e modificar você mesmo.

Por isso, podemos refletir e até mesmo desejar melhorias no Blender, mas seria demais cobrar resultados ou ferramentas das pessoas que trabalham no código de maneira voluntária.

Só para concluir, acho que é uma coisa boa a iluminação global, mas ainda assim devo continuar usando o YafaRay, pela compatibilidade de projetos passados e atuais. Para chegar no mesmo nível do YafaRay, deve demorar um pouco para que esse projeto seja concluído.

Tutoriais e trabalhos científicos sobre Blender 3D e YafRay

Que tal aprender um pouco mais sobre o Blender 3D e o YafRay, lendo trabalhos científicos e tutoriais preparados por um pesquisador da área de informática? Isso é possível, graças aos esforços de um professor espanhol chamado Carlos González Morcillo, que é doutor em informática. Ele é professor da Universidade de Castilla, e dedica boa parte dos seus estudos ao uso de ferramentas livres na computação gráfica. Claro que um dos focos do seus estudos é o Blender 3D. Para ajudar seus alunos e divulgar o Blender, ele publicou em seu web site uma série de tutoriais e documentos sobre o uso do Blender, para modelagem e animação.

Só existe um pequeno problema, o material está em espanhol e inglês, sendo que a maioria está em espanhol.

Os destaques da página são dois grande manuais sobre o uso do Blender e YafRay, assim como um documento generalista sobre o uso de ferramentas livres para computação gráfica.

Para os usuários que estão aprendendo a usar o Blender 3d, recomendo muito o download do manual do professor Morcillo. Mesmo sendo datado de 2006, muitas das técnicas que ele apresenta no material ainda podem ser aproveitadas hoje.

O material aborda o uso do Blender 3D, falando sobre suas funções básicas e da interface. Depois que a interface for explicada e compreendida, o material propõe a criação de alguns objetos, como forma de exercitar suas habilidades com modelagem 3d. Os objetos utilizados são bem distintos, e oferecem conhecimentos na área de design de produto e modelagem de personagem. O primeiro tutorial mostra o processo de modelagem de um ferro de passar roupas, e depois é apresentada a técnica de modelagem para personagens.

Para complementar o material ainda explica o processo de renderização usando o YafRay, para usar iluminação global e raytracing na geração das imagens.

Só por esse material que tem aproximadamente 45 páginas e disponibiliza também, os arquivos fonte para download, já valeria a visita ao web site do professor.

Mas ainda tem mais, como uma série de trabalhos científicos que abordam o uso de ferramentas livres para computação gráfica. Um dos que achei mais interessante é relacionado com o uso de renderização em rede com o Blender 3D.

YafaRay funcionando direto no Blender 2.47?

Você está lembrado do YafaRay? A nova geração do YafRay, o renderizador que melhor se integra com o Blender 3D? Até hoje, a única maneira de usar essa ferramenta, era com uma versão especial do Blender 3D, modificada no código fonte para poder exportar cenas para o novo YafRay. Isso era necessário, pois a única maneira de fazer uma integração real seria com a Render API, do Blender 2.50.

Como o Blender 2.50 não está sequer perto de ver a luz do dia, muitos usuários ficam frustrados e com receio de aproveitar as fantásticas opções de renderização do YafaRay, em ambientes de produção. O motivo é simples, a versão do Blender que permite fazer a exportação do modelo é ajustada no código fonte, e pode ser instável. Portanto, usar esse tipo de ferramenta em ambientes de produção é muito arriscado, especialmente quando isso significa colocar em risco um trabalho que envolva recursos financeiros.

Para os que gostariam de usar imediatamente o YafaRay, em ambientes de produção, a espera pode estar próxima do fim.

YafaRay e Blender 3D

Pois é, parece que a nova versão do YafRay pode começar a funcionar mais cedo do que esperávamos no Blender 2.47 e versões posteriores, antes mesmo da tão esperada Render API do Blender 2.50 seja disponibilizada. Nos fóruns do YafRay, foi anunciado que a ferramenta que exporta para o YafaRay foi portada com sucesso, para um Script em Python, permitindo que seja possível usar o YafaRay, antes mesmo do Blender 2.50. Será que era por isso que ninguém estava trabalhando na resolução dos problemas de compatibilidade, entre o Blender 2.47 e o YafRay 0.0.9? A única certeza que é que há sim a possibilidade de que isso seja uma realidade para a maioria dos usuários.

Como fazer para usar isso? Ainda não é tão simples, como mostram as instruções nessa mensagem publicada nos fóruns do YafRay. Você precisa compilar o YafaRay, com o Scons e depois colocar o script em Python do YafRay, dentro da pasta de Scripts do Blender 3d.

Ainda existem algumas limitações com esse método, que são a impossibilidade de visualizar o andamento do Render e o cancelamento do mesmo, quando você quiser desistir da imagem e começar novamente.

Mesmo assim, esse recurso promete!

Nova documentação e tutoriais sobre Blender 3D e YafaRay

Mesmo estando parado há muito tempo, a equipe responsável pelo desenvolvimento do YafaRay acaba de lançar uma atualização na documentação desse promissor renderizador. Para quem não conhece o histórico do YafRay, ele é o renderizador externo que melhor trabalha com o Blender 3D, mas desde 2006 ele não recebe nenhuma atualização significativa. Eu mesmo sou usuário antigo do YafRay e muitas das minhas cenas, ainda estão renderizadas e configuradas com ele. Mas, ele parou no tempo e precisava de uma reestruturação que está acontecendo, a nova geração do YafRay se chama YafaRay.

Ele está em desenvolvimento desde 2006, até hoje sequer entrou em Release Candidate, mas promete facilitar muito a vida dos usuários do Blender, principalmente as pessoas que precisam criar cenas foto realisticas.

Pois, a documentação e tutoriais do renderizador foram atualizados para o release 196, que não é o último, mas é bem mais atual que o da antiga documentação.

Essa nova documentação usa tanto o YafaRay com o Blender 3d para explicar o funcionamento da ferramenta. Veja alguns dos tópicos abordados na documentação:

  • Instruções sobre a instalação e dicas gerais: Nessa primeira parte a documentação explica como instalar e configurar o YafaRay para funcionar com o Blender 3D.
  • Configuração de objetos, luzes e câmeras: Aqui uma parte importantíssima do tutorial, como configurar objetos, luzes e câmeras para funcionar no YafaRay. Por exemplo, aqui você aprender sobre objetos que podem emitir energia luminosa e como configurar o Depth of Field de uma câmera.
  • Opções de materiais e texturas: Quem tem dificuldade em configurar materiais, deve gostar dessa parte, pois o texto já dá dicas sobre como configurar a aparência de vários tipos de superfícies.
  • Configurando o Render: No final da documentação uma breve explicação sobre os diferentes tipos de render e da configuração da iluminação. Essa é a parte que gera mais dúvida no novo YafRay, com os seus diferentes tipos de métodos (Path Tracing, Photon Mapping, Direct Lighting e Ambient Occlusion)
  • Glossário (incompleto)

Para melhorar ainda mais, o material pode ser copiado no formato PDF. Para fazer o download, visite esse endereço.

Apesar de não falar sobre a última versão do YafaRay (release 201), que apresenta novos recursos como volumetria, a documentação ajuda muito!