Tutorial Adobe InDesign: Visão geral do design de documentos

A criação de portfólios e documentos impressos é tão importante quanto o conhecimento sobre animação e vídeo digital. Ainda é fácil encontrar pessoas que preferem manipular um documento bem diagramado, impresso em papel de qualidade e que pode ser consultado sem o auxílio de computadores. Nesse caso, a opção em software mais usada aqui no nosso mercado é o Adobe InDesign que por muito tempo usei para diagramar material didático. Por um bom tempo também ministrei aulas de InDesign, o que me fez perceber que profissionais de computação gráfica acabam dando menos importância a esse tipo de software, muito pelo desconhecimento do que ele realmente pode fazer.

Nas minhas aulas, geralmente as aulas de InDesign começavam com a pergunta; qual a diferença entre o InDesign e o Illustrator? A maioria dos alunos não sabia, e achava que os dois softwares realizavam a mesma tarefa. Caso você também não conheça o InDesign, pode ter uma ótima idéia das suas funções com o vídeo abaixo.

O vídeo faz parte da introdução ao InDesign, no web site de treinamentos e cursos online Lynda.com. Os cursos deles são pagos, mas nesse caso o canal que é mantido por eles no Youtube, publica alguns dos vídeos disponíveis apenas para seus alunos registrados. No tutorial não é abordado nenhuma ferramenta em profundidade, mas mesmo assim o autor do vídeo faz uma ótima introdução ao InDesign com a diagramação de um documento simples.

No final do vídeo é criado um documento relativamente simples, mas que faz uso das principais ferramentas do InDesign para preenchimento de cores, posicionamento de imagens, alinhamento e distribuição de objetos.

Apesar de não apresentar esse tipo de detalhamento, o vídeo mostra de maneira rápida o processo de design de um documento no InDesign de maneira clara e simplificada. Algumas ferramentas mais avançadas ficam de fora, como o gerenciamento de páginas e criação de documentos longos como livros, mas ainda assim o vídeo é bem interessante.

Mas, afinal qual a função do InDesign? Como você pode perceber no vídeo, o InDesign é uma ferramenta destinada à diagramação de documentos baseados em texto. Ele consegue elaborar layouts para impressão e Web, como revistas e até mesmo livros. Muito do que você lê hoje em termos de revistas e periódicos é produzido no InDesign ou no QuarkXpress.

A melhor opção de código aberto e gratuita ao InDesign se chama Scribus, e pode na maioria das situações substituir o software da Adobe muito bem.

Dicas básicas de animação com keyframes no 3ds Max

O primeiro passo para quem está querendo aprender animação 3D é o trabalho com keyframes. Antes de partir para a edição de curvas, pricípios de animação e outros, é necessário dominar os keyframes. Um keyframe, ou quadro-chave é usado para marcar posições chave de um objeto ao longo do tempo. Por exemplo, caso um animador precise criar uma animação em que um objeto se desloque em linha reta sobre um plano, basta criar dois keyframes em posições diferentes no espaço 3D e em frames diferentes.

Para os usuários do 3ds Max, o tutorial abaixo mostra muito bem o funcionamento básico dos keyframes, e as formas de adicionar e gerenciar esses quadros para criar animações. O vídeo é ideal para quem está começando a estudar animação, pois apresenta os elementos necessários para trabalhar com keyframes.

Como é possível perceber, o autor utilizar uma tecla na interface do 3ds Max chamada Auto-Key, que consegue adicionar keyframes de maneira automática nos objetos selecionados. Agora, antes de começar a criar uma animação é importante prestar atenção a seqüência de ações necessárias para que a animação seja criada. Repara que antes de posicionar o objeto na posição desejada, o autor do vídeo muda a posição do frame em que ele quer adicionar o keyframe.

Por exemplo, para fazer o objeto se mover de um lado para o outro, basta acionar o Auto-key e depois posicionar o objeto no ponto de partida de animação, depois você move o marcador do tempo até a posição final e por último desloca o objeto até a posição desejada no espaço 3d. Algumas pessoas ainda se atrapalham um pouco com essa ordem de ações e acabam perdendo o controle sobre a animação. Se alguma coisa de errado acontecer, repare que nos pontos em que existem keyframes, fica sendo exibido um pequeno quadrado vermelho que destaca a existência de mudanças no objeto.

Algumas dicas valiosas para trabalhar com animação no 3ds Max, que o vídeo não comenta:

  • Para excluir um keyframe, basta clicar sobre a marcação do keyframe na timeline e acionar o delete no teclado;
  • O primeiro keyframe não precisa ser adicionado com transformações no objeto, você precisa apenas clicar com o botão direito do mouse sobre a timeline e acionar a opção Set Key.
  • Para deslocar a posição de um keyframe é só clicar sobre ele na timeline, e com o botão do mouse pressionado arraste o keyframe até a nova posição.

Pronto! Agora você já sabe um pouco mais sobre os keyframes no 3ds Max, e pode começar a fazer as suas animações. Os princípios usados pelo 3ds Max são os mesmos para todos os softwares 3d, portanto é possível reaproveitar o conhecimento em outros softwares.

Render interno do Blender 3D com Iluminação Global?

Essa semana foi anunciado mais um projeto que pode mudar significativamente, partes importantes do Blender 3D. O mesmo desenvolvedor responsável pela simulação de volumetria no render do Blender, chamado Farsthary, está engajado na melhoria do renderizador interno do Blender 3D com a incorporação de recursos para gerar iluminação global, que hoje só pode ser realizada com renderizadores externos, como o YafaRay.

O projeto ainda está na sua fase inicial, mas renders já podem ser conferidas nesse link, em que várias imagens e vídeos de teste estão disponíveis. A mensagem que divulgou o projeto, assim como alguns comentários de outros artistas que usam Blender, pode ser conferida nesse endereço do fórum Blenderartists.org.

Para facilitar a percepção de como isso pode ajudar o render interno do Blender, montei um mosaico com algumas das imagens:

blender3d-global-illumination

Um dos recursos que deve ser adicionado ao Blender com esse novo projeto é a possibilidade de simular Caustics. Temos que admitir que é louvável o trabalho de melhorar esse tipo de recurso no Blender 3D, mesmo sendo um trabalho árduo, implementar um sistema de iluminação global no render do Blender, deve exigir uma completa reformulação do software.

Mesmo sendo trabalho voluntário, ainda me pergunto se recursos como o desenvolvimento do já lendário Render API, que permitiria uma melhor integração com outros softwares externos, como o YafaRay, Indigo e quem sabe até com renderizadores comerciais (V-Ray, Mental Ray e outros). Isso hoje ocorre com Scripts em Python que exportam o arquivo temporariamente para um formato compatível com o renderizador.

O meu objetivo não é criticar o desenvolvimento de mais uma ferramenta, apenas refletir sobre a real necessidade dela. As pessoas que ajudam no desenvolvimento do Blender o fazem pelos mais diversos motivos podem ser uma pesquisa acadêmica ou o simples fato de ajudar mesmo.

O problema nesse caso é a perda de foco do Blender, em tarefas que já podem ser realizadas, e muito bem, por softwares livres já existentes e com boa base de desenvolvimento. O YafaRay é um ótimo exemplo disso. Quem sabe mais ferramentas de modelagem, opções de configuração com nós ou animação avançada.

Esse é um ponto delicado no desenvolvimento do Blender, e outros softwares de código aberto. Quando um dos meus alunos me pergunta; por que o pessoal da Fundação não trabalha para criar ferramentas que igualem o Blender ao 3ds Max ou Maya?

A minha resposta é simples; eles não têm obrigação de fazer nada, inclusive o código fonte do software é aberto. Se você quiser criar ou melhorar uma ferramenta, basta fazer o download do código e modificar você mesmo.

Por isso, podemos refletir e até mesmo desejar melhorias no Blender, mas seria demais cobrar resultados ou ferramentas das pessoas que trabalham no código de maneira voluntária.

Só para concluir, acho que é uma coisa boa a iluminação global, mas ainda assim devo continuar usando o YafaRay, pela compatibilidade de projetos passados e atuais. Para chegar no mesmo nível do YafaRay, deve demorar um pouco para que esse projeto seja concluído.

Klein Bottle: Superfícies que não podem ser orientadas em 3D

A computação gráfica 3d é totalmente baseada em conceitos oriundos da matemática e geometria, mas a maioria desses conceitos acaba ficando um pouco de lado para a maioria dos artistas, pois o software cuida da parte mais complicada, os cálculos, enquanto os artistas 3d acabam se concentrando apenas na parte visual. Mas, ainda assim alguns dos conceitos teóricos da geometria e matemática acabam sendo úteis para testar alguns conceitos importantes na modelagem 3d. Nas minhas aulas sobre modelagem 3d, quando estou explicando o significado das “normais” das faces em objetos 3d, geralmente solicito para os alunos a criação de alguns modelos 3d básicos, para visualizar e controlar a orientação das faces.

O objetivo do exercício é mostrar que para alguns objetos os mais caros e sofisticados softwares 3d não conseguem resolver e identificar a parte de interior e exterior dos modelos 3d. Por exemplo, um cubo apresenta de maneira bem clara, faces voltadas para a parte de dentro e também para a parte exterior do modelo 3d, quanto a isso não há dúvida.

Para as pessoas que não conhecem, apresento o objeto chamado Klein Bootle, ou Garrafa de Klein:

garrafa-klein

Esse objeto tem uma característica muito interessante, ele não possui parte de dentro ou parte de fora, as normais dele não são orientadas para o mesmo lado. Isso não pode ser resolvido por nenhum software 3d, por um simples motivo; é impossível.

Sempre que passo esse modelo 3d para os alunos, e depois solicito que orientem as normais do objeto 3d na mesma direção, a principio algumas pessoas conseguem visualizar que é impossível, mas outras pessoas percebem o fato, apenas quando o software 3d não consegue resolver a situação. Isso acontecia nas aulas de modelagem com o Blender 3D, 3ds Max e outros.

Você pode até pensar que esse tipo de conhecimento é inútil para um artista 3d, mas é importante conhecer alguns aspectos da matemática e geometria que tem aplicação visual no nosso trabalho em 3d. A garrafa de Klein é muito famosa entre estudiosos de computação gráfica teórica, inclusive é muito fácil encontrar referencias, como imagens e modelos 3d desse objeto espalhado por cenários de jogos, filmes e seriados.

Se você não conhecia o objeto, agora já sabe um pouco mais sobre esse famoso ícone da geometria e computação gráfica. Para quem quiser colocar em prática o conceito, recomendo modelar o objeto no seu software 3d preferido e tente orientar as superfícies para o mesmo lado.

klein-blender3d

Configurações de câmera para o V-Ray no 3ds Max

Na maioria dos casos os artistas 3d concentram seus esforços na configuração das luzes de uma cena, para conseguir elaborar uma imagem realista. Mas, alguns aspectos de uma boa renderização ficam um pouco esquecidos, como os parâmetros e opções das câmeras. Uma câmera bem configurada pode fazer toda a diferença, na qualidade e realismo da cena.

Esse é um dos motivos que fazem o estudo da fotografia ser tão importante, para artistas envolvidos com renderização em softwares 3D. Um ótimo exemplo de como esse tipo de configuração pode fazer a diferença, é esse tutorial de renderização com o V-Ray no 3ds Max, em que um artista 3D explica os passos necessários para criar uma cena noturna, com o foco direcionado para objetos de pequena escala.

A imagem final do tutorial é essa:

tutorial-vray-3dsmax-cameras

Repare que temos a clara sensação de uma menor escala dos objetos sobre a mesa, inclusive com detalhes pequenos nas sombras. Para a parte de iluminação foi usada uma fonte de luz fotométrica, que pode ser copiada caso você queira tentar reproduzir a mesma cena. O arquivo IES da luz é disponibilizado como um link externo pelo autor.

O segredo do tutorial, explicado pelo artista em detalhes é o ajuste da câmera do V-Ray usando parâmetros e configurações de uma câmera fotográfica. Por exemplo, como essa é uma cena noturna, a câmera deve ser configurada com um tempo de exposição maior e valores pequenos na abertura do diafragma. Se alguma vez você já precisou realizar configurações e ajustes em uma câmera, essa tarefa não será difícil.

Nos casos em que a cena tem muita luz, as configurações necessárias para a câmera são exatamente o oposto, com uma menor exposição e mais abertura do diafragma. Isso mostra o quanto é importante o conhecimento de fotografia, para conseguir melhores resultados nas renderizações. Outro parâmetro que pode fazer a diferença na imagem é o ISO, que ajusta a sensibilidade da câmera para a iluminação.

É muito comum encontrar alguns artistas que ainda criam as cenas e ajustam apenas a luz, mas como você pode perceber pelo tutorial, os ajustes na câmera podem fazer muita diferença, até mesmo para a criação de imagens estáticas e compor um bom conjunto com a iluminação da cena.

Na maioria dos renderizadores, esses ajustes de câmera estão disponíveis e podem ser ajustados para melhorar as imagens de render. Você pode usar isso no Indigo, YafaRay, Maxwell Render e outros.