Blur e The Goon: Exemplo de financiamento para animações 3d

O financiamento de qualquer projeto de animação em 3d é muito complicado, principalmente quando falamos do cenário nacional. Já é complicado encontrar financiamentos para produzir cinema que não tenah apoio do governo, o que dirá em casos de animações em 3d. A situação é melhor fora do Brasil, mas também existem barreiras que produtores e estúdios precisam vencer para conseguir viabilizar seus projetos. E geralmente quando o dinheiro aparece, o estúdio precisa fazer modificações na história como tirar a violência para conseguir uma classificação etária mais ampla, visando retorno financeiro.

Uma outra alternativa para esse tipo de situação é o crowdfunding, que já é praticado de maneira excelente pelo Instituto Blender com os Open Movies. Só para citar os vários casos de sucesso temos o Tears of Steel e o Sintel. Nesse tipo de financiamento o estúdio recebe várias pequenas doações, ou compra antecipada do DVD da animação, e o estúdio usa os recursos para efetivamente produzir o projeto.

O mesmo sistema de financiamento está agora em uso pelo pessoal do estúdio Blur. Sim, é aquele mesmo estúdio famoso pelos seus curtas animados e que produz material para diversos jogos, filmes e TV. O pessoal do estúdio está com um projeto no Kickstart para financiar um filme, sobre as histórias do “The Goon”. Esse é um personagem criado por Eric Powell, sendo publicado em formato de revista em quadrinhos. O objetivo da arrecadação de fundos é conseguir 400.000,00 dólares até o dia 11 de Novembro. Nesse exato momento a arrecadação já está quase passando os 300 mil dólares.

Para mostrar um pouco do que eles pretendem fazer no projeto, o estúdio produziu um teaser do que seria o filme.

A temática da história é bem contemporânea e trata da caça a zumbis, que é exatamente a atividade principal do protagonista da história. E como o objetivo é produzir a animação usando apenas fundos oriundos de doações, o estúdio e o criador da história devem ter total liberdade para definir os rumos do roteiro, inclusive abrindo espaço para situações cômicas com temática mais adulta. Isso seria muito complicado de conseguir em projetos de animação voltados para o cinema “tradicional” em que o público infantil é o maior alvo, fazendo com que a animação seja sempre politicamente correta.

Uma das coisas que não encontrei na página de referência do projeto, é a duração da animação que será produzida. Será mesmo um filme? Com esse valor é possível conseguir mais de 30 minutos de animação.

Making of dos efeitos de Transformers 3

O uso de recursos para adicionar elementos virtuais em cenários reais é prática comum no cinema, e abre uma gama enorme de possibilidades para produções que necessitam representar grandes intervenções em áreas urbanas. Nessas últimas férias de meio de ano tivemos a estréia do terceiro filme da franquia Transformers que trouxe novamente um conjunto espetacular de efeitos visuais gerados por computação gráfica. O terceiro filme mostra diversas seqüências com os robôs gigantes que já são um deleite para os amantes da computação gráfica, mas a parte final mostra a destruição de uma grande área urbana, que sem o uso de recursos de computação gráfica seriam impossíveis de representar.

Caso você tenha interesse em conhecer um pouco da técnica usada pela produção do filme, o vídeo abaixo mostra muito bem como parte dessa simulação foi realizada.

O processo é bem engenhoso e conta com a reprodução de maneira fiel das edificações existentes em cada um dos cenários, que era posteriormente removidas do vídeo e substituídas por edifícios virtuais. Como hoje já é relativamente simples conseguir um bom nível de realismo nesse tipo de reprodução em 3d, o efeito fica bem verossímil!

Isso mostra como é importante conseguir reproduzir os movimentos de uma câmera real em ambientes virtuais, que é o chamado Camera Tracking. Com essa tecnologia é possível reproduzir e mapear as superfícies reais dos objetos, e passar as mesmas para um ambiente 3d. Nas imagens exibidas no vídeo podemos perceber que foi usada uma tecnologia semelhante a essa para reproduzir as edificações.

Esse é o tipo de material que mais interessa aos artistas 3d em produções como Transformers, e particularmente é o que me faz comprar os DVDs ou o Blu-ray de um filme como esses, pois é com os extras que acabo me divertindo, mais ainda do que com o filme.

Caso você também goste de assistir a esse tipo de material, aproveite e confira mais esse making of, enquanto o estúdio não pede para que o vídeo seja removido do Youtube. Os extras dos dois primeiros Transformers são muito bons, e espero que o terceiro não seja diferente, e quando começar as vendas eu definitivamente devo adquirir mais esse conjunto de extras!

V-Ray usado para efeitos especiais de Tron Legacy

O mercado de efeitos visuais para filmes e comerciais era sempre envolto em mito e dúvidas pela maioria dos artistas 3d, principalmente no que era relacionado com softwares ou ferramentas usadas nas produções. Já conheci inúmeros alunos que acreditavam na influência decisiva do software como único fator para a qualidade e escala dos projetos. É evidente que o software ajuda, mas o que realmente abre o leque na parte de criação é o conjunto de hardware poderoso e artistas habilidosos. Mesmo assim, ainda existiam softwares que atendiam a demanda dessas produções com mais frequência, como é o caso do “casal” Maya e mental ray. Na maioria das vezes a escolha se dava pelo fato da disponibilidade do software para ser executado em ambiente Unix.

Já faz algum tempo que esses computadores eram baseados em Irix e mais recentemente no Linux. É assim que funcionam empresas como a ILM. Mas, essa indústria está começando a apostar em outras ferramentas como sendo a base para a produção dos seus efeitos visuais. Nos últimos meses temos presenciado vários projetos de grande porte na área de jogos e filmes usando o V-Ray.

Nas últimas semanas a Digital Domain divulgou um vídeo com o Making of do filme Tron Legacy, em que foi usado o V-Ray no processo de criação para gerar as imagens digitais, que não são poucas, e que contextualizam o universo fantasioso do filme.

O vídeo mostra vários trechos do filme em sua forma bruta e testes de render realizados durante a produção. A Dogital Domain usou em muitas dessas cenas o V-Ray, principalmente para os personagens virtuais. Isso tem gerado discussões entre usuários e artistas, sobre a entrada definitiva do V-Ray na área de efeitos para cinema. Esse é apenas um dos trabalhos que fizeram uso do V-Ray como parte dos efeitos especiais. Outro caso foi um vídeo produzido pelo estúdio Blur para o trailer de um jogo, em que o software foi usado para criar os efeitos e o render final desse vídeo para o jogo FireFall.

A discussão é pertinente devido a fama que o V-Ray tem na área de visualização para arquitetura, e participação tímida no contexto dos efeitos especiais para cinema.

Essa discussão e a adoção do software em grande produções são sinais de que a industria está aberta a mudanças e sempre deve ganhar a atenção e holofotes na parte de produção, quem conseguir criar um software que tenham um bom custo benefício e que atenda as demandas dessas empresas no que se refere a ferramentas e velocidade para cumprir prazos.

DVD de treinamento gratuito em Softimage XSI 7 para artistas 3D

Com a onda de lançamentos e atualizações a Softimage lançou uma atualização para a sua suíte de animação e modelagem 3D, o Softimage XSI 7. A atualização do software acompanha várias pequenas melhorias e novas ferramentas, como o Softimage ICE, um editor de nós semelhante ao que o Blender 3D já tem há certo tempo e que começa a ganhar destaque em várias ferramentas, como no Cinema 4D. Esse artigo não é para falar sobre as novidades do Softimage XSI 7, mas sim de uma ótima parceria da Softimage com o Digital-Tutors para oferecer um treinamento básico inicial a todos os artistas 3d interessados em usar o Softimage XSI para seus trabalhos.

Como funciona esse treinamento gratuito? Simples, você acessa esse link no web site da própria Softimage, faz o download de três arquivos ZIP, cada um com aproximadamente 650 MB, extrai o conteúdo e grava em um DVD. Pronto! Só é necessário fazer isso, na verdade o treinamento pode ser executado até mesmo do disco rígido, não é necessário gravar um DVD.

A maioria dos cursos da Digital-Tutors é paga, acredito que eles estão fazendo isso como forma de divulgar os seus próprios treinamentos de Softimage mais avançados.

O curso que eles oferecem, mostra uma visão geral de como funciona o Softimage, não espere conhecer detalhes específicos sobre o funcionamento de cada ferramenta. Mesmo assim é muito legal o treinamento e um artista que desconheça o software, pode contemplar várias áreas especializadas do Softimage. Não preciso dizer que já fiz o download e assisti quase todos os tutoriais. Posso dizer com segurança que vale a pena reservar algumas horas, para conhecer as técnicas e ferramentas.

Assim que você executa o DVD, vai encontrar um menu com as várias áreas abordadas no curso básico.

treinamento-DVD-gratuito-softimage-xsi-7

Esses são os assuntos abordados no treinamento:

  • Introdução ao XSI
  • Softimage XSI para produção de cinema
  • Softimage XSI para desenvolvimento de jogos
  • Softimage XSI para efeitos especiais
  • Softimage XSI para vinhetas e comerciais de TV

Cada uma dessas áreas é abordada com vários vídeos, mostrando a interface do Softimage e modelos 3d com exemplos acompanham, cada parte do treinamento.

Assim que já comentei no início do artigo, os tutoriais não são detalhados, mesmo com vídeos de quase 20 minutos, os assuntos abordados são tão complexos, que seria necessário um treinamento especializado, para conseguir resultados melhores.

Se você nunca teve nenhum tipo de contato com a ferramenta, mas assim como eu, gosta de conhecer todas as ferramentas 3d para poder avaliar e comparar as melhores opções, o download é mais que recomendado!