Blender 2.61 disponível para download

O Blender recebeu hoje mais uma atualização que o consolida ainda mais como opção viável para produção de animações e material audiovisual. O Blender 2.61 já está disponível para download para diversas plataformas e versões de sistemas operacionais, mantendo o seu tamanho diminuto em relação a outras ferramentas 3d que exigem gigabytes de espaço em disco, o Blender com os seus 37 MB (versão Windows em ZIP) consegue fazer muito do que precisamos para a maioria dos projetos envolvendo animação e 3d.

As novidades dessa versão já são um prelúdio do que podemos esperar do projeto Mango, que será o próximo Open Movie do Instituto Blender, e seu foco será no uso de atores reais mesclados com elementos virtuais.

Recursos e novidades do Blender 2.61

Entre os recursos adicionados ao Blender nessa atualização, podemos destacar dois como sendo os que devem ter maior impacto na vida dos animadores e artistas usando o software. O primeiro é o sistema de tracking de câmera de funcionamento semelhante ao que temos em ferramentas até agora caras e proprietárias. Com esse novo sistema, podemos criar filmes e rastrear a superfície dos objetos para conseguir alinhar objetos 3d na sua superfície.

Blender-2.61-splash

O outro recurso é o novo renderizador do Blender que tinha o codinome de Cycles, mas que passou a efetivamente ser chamado de Cycles. A vantagem desse renderizador é seu uso de algoritmos de renderização modernos como o Path Tracing, permitindo a utilização de iluminação global dentro do Blender, sem a necessidade de nenhum software ou pugin externo. A ferramenta ainda não está com o mesmo grau de maturidade e opções do que o LuxRender, mas é apenas questão de tempo até que o sistema evolua.

Dica

Se você quiser aprender um dos novos recursos do Blender 2.61, o renderizador Cycles, pode se inscrever no curso de renderização avançada com Blender Cycles que estou ministrando de maneira totalmente online!

As outras novidades envolvem o simulador de oceanos para ajudar reproduzir grandes superfícies de líquido, e também o avançado modificador Dynamic Paint que permite transformar objetos em molduras que podem ser modificadas ou “pintadas”. A lista completa com as novidades pode ser conferida nesse endereço, assim como vários arquivos de exemplo podem ser copiados de maneira gratuita nesse outro link. Agora é se preparar e estudar todas essas novidades!

Blender 2.61 Beta e novidades em ferramentas

O Blender 2.60 foi lançado no final de Outubro e já temos o seu sucessor quase saindo do forno, pois a versão 2.61 já está disponível para download como um beta. Sim, o Blender que deve entregar aos seus usuários a versão estável do Cycles e o aguardado sistema de camera tracking está na sua versão Beta (Release Candidate?), e já pode ser copiado nesse endereço. A nomenclatura mudou um pouco, mas essa é uma versão que deve ser avaliada e testada antes de ser adotada em ambientes de produção.

Os maiores destaques dessa versão são exatamante o Cycles e o sistema de tracking de câmera, mas diversas correções de bugs e melhorias devem ser aplicados junto com a atualização.

Mas, para os que acham que depois dessa atualização não devem restar mais grandes atualizações, você está muito enganado! Para as versões futuras do Blender ainda resta muita coisa para ser lançada. Nesse artigo vou destacar duas delas que devem ser de grande ajuda para animadores. A primeira é uma atualização para o sistema de tracking de câmera que vai permitir realizar tracking de objetos no Blender.

Ao usar objetos de referência em vídeo, poderemos substituir elementos em vídeo como mostra o exemplo abaixo:

A outra atualização está relacionada com um patch chamado Particle Surface Polygonizer, que transforma os fluidos que simulam partículas em polígonos! Hoje esse tipo de simulação com base em partículas é limitada pelo uso de objetos e materiais que não representam de maneira satisfatória as superfícies dos líquidos.

O vídeo abaixo mostra um exemplo de como isso pode ajudar na simulação de fluidos:

Essas são apenas algumas das futuras atualizações que podem aparecer no Blender, e se somam a outros recursos como o já prometido B-Mesh e outros que estão ainda aguardando para fazer parte do já vasto leque de recursos do Blender.

Como começar a usar o Blender?

Se você quiser começar a usar o Blender, recomendo começar com o curso gratuito de Blender 2.5 no EAD – Allan Brito. O curso foi criado com o Blender 2.5, mas a interface e menus do 2.6 são idênticos aos da versão 2.5 e o curso pode ser aproveitado e aplicado na íntegra nessa nova versão. Esse curso é 100% online e não tem custo de inscrição.

Making of dos efeitos de Transformers 3

O uso de recursos para adicionar elementos virtuais em cenários reais é prática comum no cinema, e abre uma gama enorme de possibilidades para produções que necessitam representar grandes intervenções em áreas urbanas. Nessas últimas férias de meio de ano tivemos a estréia do terceiro filme da franquia Transformers que trouxe novamente um conjunto espetacular de efeitos visuais gerados por computação gráfica. O terceiro filme mostra diversas seqüências com os robôs gigantes que já são um deleite para os amantes da computação gráfica, mas a parte final mostra a destruição de uma grande área urbana, que sem o uso de recursos de computação gráfica seriam impossíveis de representar.

Caso você tenha interesse em conhecer um pouco da técnica usada pela produção do filme, o vídeo abaixo mostra muito bem como parte dessa simulação foi realizada.

O processo é bem engenhoso e conta com a reprodução de maneira fiel das edificações existentes em cada um dos cenários, que era posteriormente removidas do vídeo e substituídas por edifícios virtuais. Como hoje já é relativamente simples conseguir um bom nível de realismo nesse tipo de reprodução em 3d, o efeito fica bem verossímil!

Isso mostra como é importante conseguir reproduzir os movimentos de uma câmera real em ambientes virtuais, que é o chamado Camera Tracking. Com essa tecnologia é possível reproduzir e mapear as superfícies reais dos objetos, e passar as mesmas para um ambiente 3d. Nas imagens exibidas no vídeo podemos perceber que foi usada uma tecnologia semelhante a essa para reproduzir as edificações.

Esse é o tipo de material que mais interessa aos artistas 3d em produções como Transformers, e particularmente é o que me faz comprar os DVDs ou o Blu-ray de um filme como esses, pois é com os extras que acabo me divertindo, mais ainda do que com o filme.

Caso você também goste de assistir a esse tipo de material, aproveite e confira mais esse making of, enquanto o estúdio não pede para que o vídeo seja removido do Youtube. Os extras dos dois primeiros Transformers são muito bons, e espero que o terceiro não seja diferente, e quando começar as vendas eu definitivamente devo adquirir mais esse conjunto de extras!

Estabilização de câmera com o Blender 2.5

O Blender está para receber uma série de novidades como fruto dos investimentos do projeto Google Summer of Code, que fora organizados em grupos identificados por nomes de frutas e verduras, como é costume encontrarmos nos projetos abertos do Instituto Blender. Entre esses projetos está o que é identificado como Salad Tomato, que agrega as iniciativas de criar uma ferramenta de Camera Tracking para o Blender. A ferramenta será de grande utilidade para o pessoal do instituto, pois o próximo Open Movie deve envolver o uso de material criado com o Blender, mesclado com filmagens reais.

Como o interesse do intituto Blender é especial por esse projeto, parece que o desenvolvimento está bem acelerado. Um artista já fez uso das versões preliminares disponíveis no graphicall.org, e compilou uma série de guias e tutoriais que mostram a utilidade desses novos recursos para artistas que trabalham com vídeo.

Entre esses tutorials e guias estão a criação de um pequeno esquema para estabilização de vídeo, sendo essa a alegria dos produtores de vídeo amadores!

Abaixo você pode conferir o tutorial sobre estabilização de vídeo com o Blender 2.5:

O tutorial faz uso de um tipo de vídeo muito comum que é aquele que gravamos enquanto andamos segurando a câmera. O resultado é a perda da estabilidade da câmera, gerando uma tremedeira incômoda e em algumas vezes nauseante. Já existem soluções de estabilização gratuitas até mesmo no editor do Youtube, mas acredito que essa é a primeira solução gratuita, e presente em um software que nem tem como foco principal a edição de vídeo.

Além de aprender como usar a técnica baseada em um script escrito usando Python, podemos conferir a nova janela na interface do Blender, chamada de MovieClip Editor. Ainda não tive a oportunidade de usar a versão experimental do Blender, mas acredito que toda a parte de Tracking deva ser realizada nessa janela.

No processo de tracking já podemos conferir os controles de rastreamento de pixels muito semelhnate ao que existe em outros softwares com o recurso, como é o caso do After Effects. Se você é usuário do Blender e trabalha com edição de vídeo, deve gostar bastante dessa nova versão!

Os outros tutoriais abordam os seguintes assuntos:

Primeira imagem do sistema de Tracking de vídeo no Blender

Os projetos que estão em desenvolvimento como parte do Google Summer of Code 2011 para o Blender formam uma verdadeira salada de frutas, e não estou falando no sentido figurado. Todos os projetos foram organizados em grupos identificados por nomes código usando nomes de frutas e vegetais em inglês, e o grupo que concentra todas as novidades é chamado de “Salad”. Para entender melhor o que cada um dos projetos representa, você pode conferir o diagrama abaixo que mostra os projetos que fazem parte de cada um dos grupos. O diagrama foi criado por Sean Olson.

gsoc-large.png

Entre todos esses projetos existe um deles que desperta grande interesse por todas as pessoas que trabalham com animação no Blender, que é o desenvolvimento de um sistema integrado de Camera Tracking para o software. Esse sistema deve fazer parte do próximo “pacote” de atualizações que será adicionado ao Blender pelo próximo Open Movie, planejado para mesclar elementos reais com virtuais. Nesse caso, o uso de um sistema de tracking é mais que fundamental!

Mas, o que faz esse tipo de sistema?

Um software especializado em traking de câmera consegue realizar uma tarefa bem complexa, relacionada com a identificação das superfícies em uma imagem, com base na reprodução de um vídeo. O processo funciona mais ou menos assim:

  1. O software faz uma análise do vídeo identificando pontos e arestas;
  2. Depois esses pontos são calculados e convertidos em planos;
  3. Esses planos identificam superfícies e objetos no vídeo
  4. O movimento da câmera que gravou o vídeo é então convertido em uma câmera virtual, que pode ser usada para gerar elementos para integração com o vídeo.

Com esse princípio em mente, podemos entender como fica fácil colocar objetos sobre uma mesa, ou então criar planos em que atores podem interagir com elementos reais de vídeo.

Como forma de mostrar um pouco do progresso no desenvolvimento do sistema de traking do Blender, já foi divulgada a imagem da interface desse sistema que ainda não está disponível para testes, mas logo deve ganhar algumas versões no grupo “Tomato”. Na barra de ferramentas estão os controles para marcação de pontos e ajuste do tracking. Por enquanto é só a imagem da interface que temos para analisar, e nada mais além de esperar pelos primeiros alphas da ferramenta.

GSoC-CameraTrackingWip.png

Se você trabalha com edição de vídeo e recorre a softwares caros de traking para mesclar vídeo com 3d, o Blender pode ser uma solução viável para os seus projetos no curto prazo!