A evolução da técnica de Chroma Key na produção de vídeo digital

Na criação de vídeos para cinema e TV é possível usar uma técnica muito antiga e que ganha retoques e melhorias ao longo dos anos, permitindo criar efeitos e composições cada vez melhores para contar histórias ou compor cenários. A técnica que me refiro aqui é o famoso Chroma Key, que é conhecida da maioria das pessoas em séries bem antigas. Quem não lembra dos seriados que encolhiam os personagens ou colocavam as pessoas em ambientes espaciais, mostrando uma borda levemente chuviscada em volta dos personagens denunciado o uso do Chorma Key? Com o tempo e a melhoria dos algoritmos de processamento e também na resolução e qualidade dos vídeos é possível criar efeitos impressionantes com Chorma Key.

O processo de produção com esse tipo de efeito é bem simples e envolve apenas alguns cuidados e planejamento criterioso da locação, ou do estúdio usado para fazer a gravação das imagens. O processo é amplamente usado em seriados para TV e filmes que pretendem economizar no uso de locações ou não tem orçamento, para construir ou isolar ruas inteiras de cidades.

No vídeo abaixo, podemos conferir diversos exemplos de produções e seriados que usam a técnica para economizar na produção, fazendo a composição de atores reais com cenários em fundo verde ou azul. O nível de sofisticação e composição é impressionante, pois os vídeos inclusive tem o ângulo e enquadramento da câmera planejados para se encaixar perfeitamente nos efeitos.

Repare que até mesmo em tomadas externas comuns o processo é utilizado para evitar levar grandes equipes para gravações externas. O plano de fundo pode ser gravado de maneira independente com uma equipe fazendo apenas a captura das imagens, sem a necessidade de levar atores e equipes de apoio para rua. Tudo fica concentrado no estúdio, para depois ter o plano de fundo adicionado na pós-produção.

A maioria dos softwares de edição não linear como o Adobe Premiere e o Final Cut da Apple permite criar esse tipo de efeito, mas o uso de softwares mais sofisticados como o Fusion, Shake e outros pode ajudar no refinamento do processo. Quando é necessário usar elementos em 3d a coisa complica um pouco mais, pois é necessário usar marcações no cenário e câmera tracking para sincronizar a câmera real com a virtual. Mas, ainda assim é perfeitamente possível e barato fazer esse tipo de efeito com os softwares e hardware disponível hoje em dia.

Tutorial de introdução ao Terragen 2: Criando nuvens em 3D

Desde que publiquei na última semana um artigo falando sobre o lançamento do Terragen 2, algumas pessoas me solicitaram um pequeno tutorial em português, com algumas dicas de como começar a trabalhar com o software. Nesse final de semana acabei gravando um vídeo mostrando o básico sobre a interface do Terragen 2, assim como uma introdução a configuração de paisagens e efeitos atmosféricos do software. Para produzir esse tutorial, foi usada a versão gratuita do Terragen, que apresenta algumas limitações em termos de renderização, como limites para o anti-aliasing e detalhamento dos objetos no cenário, mas nada que dificulte a criação de ambientes e paisagens.

Antes de continuar, assista ao vídeo com a introdução ao Terragen:

Na parte superior da interface do Terragen, encontramos vários botões com opções para configurar a cena e adicionar efeitos e propriedades a atmosfera, iluminação, terreno, elevações e outros. Todas as vezes que você quiser editar ou adicionar elementos, use um desses botões. No menu localizado a esquerda da interface, aparecem as opções de ajuste e configuração dos elementos geométricos.

Um dos pontos interessantes para quem está conhecendo o Terragen pela primeira vez, é a quantidade de parâmetros e opções que simulam ambientes e características reais de paisagens. Por exemplo, repare no nome que cada um dos tipos de nuvens recebe. Como forma de estudar a composição climática da nossa atmosférica, os itens de configuração do software ajudam muito. Principalmente pela possibilidade de adicionar e visualizar em tempo real as alterações.

Por isso, o uso do Terragen é muito interessante para estudantes e pessoas na criação de paisagens realistas.

No tutorial é apresentada a técnica necessária para acionar nuvens volumétricas ao cenário virtual, que são uma representação em 3D das nuvens. Existem outros objetos que representam simulações das nuvens em 2D. O consumo de recursos nesse caso é bem menor, mas por outro lado à qualidade visual das nuvens é inferior ao efeito de nuvens volumétricas.

Se você quiser continuar com a criação dessa interface, recomendo que adicione algum tipo de elemento ao terreno, como elevações ou mesmo superfícies com água. O resultado do render com esse tipo de paisagem é excelente. O processo de criação para esse tipo de objeto é bem semelhante ao que fizemos para os itens da atmosfera, quando foram adicionadas as nuvens.

Terragen 2: Lançado o simulador de paisagens virtuais com versão gratuita

O que esperar de um software que ficou mais de uma década em desenvolvimento? Ainda na época em que estava terminando a faculdade de arquitetura, descobri esse ótimo software que tinha uma versão gratuita e permitia gerar imagens de paisagens. Como ele era gratuito para fins não comerciais, resolvi usar o mesmo para elaborar planos de fundo e paisagens com céus para meus trabalhos acadêmicos. Se você já tentou tirar uma fotografia do céu para mesclar com uma imagem renderizada, sabe o quando é trabalhoso acertar os tons e cores para uma boa composição. Com o Terragen é possível fazer esse tipo de ajuste sem maiores problemas, e com a possibilidade de controlar a mistura de cores.

A empresa que desenvolve o Terragen acaba de lançar o Terragen 2, que esteve por muito tempo em desenvolvimento pela Planetside. Hoje temos o chamado Terragen Classic, que é o software que conheço e uso desde a época da faculdade e o Terragen 2. A versão chamada de Classic é gratuira para fins não comerciais, portanto você pode usar livremente para fins educacionais, apenas com algumas restrições como a limitação no tamanho máximo do render.

Mas, acredite em mim quando digo que é uma experiência interessante e criativa, começar a pintar mapas de displacement no Terragen e com isso gerar paisagens. Ao misturar os mapas com a geração de oceanos, é possível criar paisagens bem diferentes. O Terragen 2 é bem mais sofisticado e caro, mas mesmo assim a Planetside fez questão de manter uma versão gratuita para fins educacionais.

Quer aprender como funciona o Terragen Classic? O vídeo abaixo é uma demonstração breve de como funciona o software.

Apesar de ser breve, podemos perceber a maneira com que o Terragen trabalha baseado em mapas. Você pinta a imagem e o software faz o trabalho de deslocar os objetos e gerar a paisagem.

Com o Terragen 2 a coisa fica um pouco mais complexa e podemos interagir com mais objetos na cena, como uma interface com mais opções de manipulação, e a visualização da geometria. No Terragen Classic, tinhamos que em algumas vezes “chutar” a posição da câmera.

Se você quiser um software que não apresenta muitas opções e pode se transformar rapidamente em hobby, afinal criar paisagens é divertido também, recomendo experimentar o Terragen. Eu mesmo sempre que posso, acabo criando algumas paisagens ainda no Terragen Classic.

Download gratuito do Vue 7 Pionner Beta

Uma das ferramentas mais poderosas para criar paisagens virtuais está com uma versão destinada ao uso doméstico e educacional, sendo distribuída gratuitamente pela web. O chamado Vue 7 Pionner é distribuído pela comunidade de usuários do Vue que é especializada em prover tutoriais e modelos 3d para uso nas cenas do Vue, essa comunidade se chama Cornucopia 3D. Antes que você vá com muita sede ao pote, é bom salientar que essa versão de aprendizado do Vue é Beta, portanto não é indicada para uso pesado, sem mencionar a eventual aparição de problemas com o uso do software.

Mas o que é o Vue? Para quem nunca ouviu falar do Vue, o vídeo abaixo mostra muito bem tudo que é possível fazer com esse software. Ele reúne alguns dos melhores trabalhos em termos de paisagens virtuais desenvolvidos com o Vue, no caso a versão profissional chamada Vue Spirit.

Para fazer o download do Vue 7 Pionner, visite esse endereço que leva diretamente ao Cornucopia 3D.

Mesmo sendo uma versão Beta, existem algumas limitações em relação ao uso do software:

  • Manipulação de arquivos: Essa versão do software não consegue abrir arquivos, sendo assim você até pode salvar os seus trabalhos, mas depois não será possível abrir os mesmos para edições futuras.
  • Tamanho do render: O tamanho da renderização esta limitada a imagens com 1920 x 1080, sendo assim o trabalho pode ser visualizado até em Full HD sem problemas. Mas, fica comprometido em termos de qualidade para impressão.
  • Imagens renderizadas: O ponto negativo em relação ao render é que aparece uma marca d'água com o logo do Vue em todas as imagens renderizadas.

Apesar de ser uma versão Beta e com todas essas pequenas limitações, o Vue ainda é muito interessante de usar e testar, pelas suas ferramentas únicas para elaboração de cenários e paisagens virtuais.

Um dos grande chamarizes para o Vue é a possibilidade de usar as opções interativas, manipulando os modelos 3d com opções de iluminação automática, e conferindo os resultados em uma pequena janela de preview.

Como gosto de testar e conhecer vários softwares 3d, já estou fazendo o download dessa versão Beta para testar. Antes já usava o Vue PLE, que tinha uma política de uso semelhante ao Pionner, mas era um pouco mais flexível em relação ao uso de arquivos.

Incrível exemplo de animação para jogos produzida no 3ds Max, Vue e After Effects

Apesar de nos últimos meses não ter me dedicado muito a jogos de computador, ainda acompanho com muito interesse as animações e cinematics, produzidos por algumas empresas especializadas. Na maioria dos casos esses cinematics são pequenas produções, com apenas alguns minutos de duração. Mas, em termos técnicos o nível de detalhamento e sofisticação na animação 3d é impressionante e digna das maiores produções, que estamos tão acostumados a visualizar no cinema. Uma empresa chamada Realtime UK do Reino Unido, acabou de publicar nos fóruns da CG Society, um dos seus últimos trabalhos que é exatamente uma pequena animação para um jogo chamado Stormbirds.

Para quem tiver interesse em fazer o download, ele está disponível em HD (720p), e tem aproximadamente 150 MB.

O pessoal do estúdio publicou o material no fórum, e como é de costume do pessoal lá na CG Society, os artistas ao redor do mundo fizeram várias perguntas ao pessoal do estúdio, sobre o processo de criação do material. Em reposta, uma pessoa do estúdio publicou várias informações e algumas telas dos modelos 3d usados na animação, para ilustrar o processo de criação.

Para ajudar as pessoas que tem pouco conhecimento com o inglês, elaborei um pequeno sumário com algumas informações, publicadas no fórum:

  • Tempo total de produção da animação: oito meses
  • Softwares usados no projeto: 3ds Max, Vue, After Burn, V-Ray, Adobe Premiere e After Effects
  • No caso do Vue, ele foi usado apenas na cena em que um avião parecido com um A10, aparece sobrevoando um cenário de floresta. Os outros cenários foram todos produzidos no 3ds Max
  • Na cena do Vue, foi necessário fazer um truque de composição posicionando imagens estáticas no plano de fundo do 3ds Max, para poder integrar o material com os mesmos efeitos de Motion Blur
  • Todas as partículas e fumaça da animação foram criadas no After Burn
  • Apesar de parecer obra de softwares como o ZBrush, os terrenos são todos oriundos de modelagem poligonal mesmo no próprio 3ds Max
  • Para finalizar o projeto em tempo, o estúdio usou a sua própria render farm

Mesmo sem um making of mais extenso, recomendo o download do material que pode ser copiado de maneira gratuita e em alta resolução. Para quem está estudando computação gráfica, o vídeo é um excelente exemplo de trabalho profissional, de um estúdio de tamanho médio que presta serviços para a indústria de jogos.

E o jogo? Será que é bom? Não sei dizer, mas os cinematics são excelentes!