Visita as instalações da ILM

Uma das coisas que sempre tive vontade de fazer mas ainda não foi possível realizar, é viajar para conhecer alguns dos estúdios e locais mais influentes na área da computação gráfica, como os estúdios de animação e efeitos localizados nos EUA e também o instituto Blender. Mas, ainda pretendo ir visitar esses locais e até mesmo quem sabe participar da Siggraph desse ano, que acontecerá em Los Angeles. Assim poderia cobrir a feira e mostrar as novidades aqui no blog.

Enquanto não consigo realizar essas visitas, preciso me contentar com os vídeos que outras pessoas acaba, fazendo nas visitas a esses locais. Essa semana encontrei um video bem interessante, publicado pelo famoso animador Shawn Kelly em que ele faz uma visita ao quartel-general da ILM (Industrial Light and Magic).

Para quem não conhece o estúdio, esse é nada mais do que o local em que os pioneiros dos efeitos visuais e da computação gráfica nasceram. Hoje o estúdio é responsável pelos efeitos visuais e animações de produções de peso como os filmes do Star Wars, Indiana Jones e vários outros.

O vídeo da visita foi gravado na sede da ILM na Califórnia, em que o Shawn Kelly passeia pelas instalações e mostra um pouco da estrutura do estúdio e vários dos objetos relevantes que estão decorando o espaço, como a bicicleta usada na cena clássica do filme E.T.

É claro que o video não mostra nada comprometedor relacionado aos projetos que a ILM está desenvolvendo agora, mas sim os espaços comuns e “públicos” nas instalações do estúdio. Como a cafeteira disponível para os artistas do estúdio, e até mesmo a academia. Um dos espaços que mais freqüentaria caso estivesse na ILM seria a academia cafeteira! Esse trabalho exige muitas horas na frente do computador, e um café sempre ajuda. O processo de seleção para entrar nesse tipo de estúdio não é fácil, mas depois que se está integrado ao ambiente, o trabalho deve fluir de maneira bem fácil com espaços de trabalho que proporcionam o suporte ideal a atividades criativas.

Aproveite o video para conhecer um pouco mais sobre a ILM e como funciona a estrutura interna dos grandes estúdios de animação e efeitos. Quanta coisa interessante não deve ter sido exibida naquele cinema particular!

A história do Photoshop nos últimos 20 anos

No próximo dia 10 de Fevereiro um dos ícones da computação gráfica está comemorando 20 anos de existência. O photoshop já está no mercado ajudando pessoas a tratar imagens e fotografias desde o final dos anos 80, e ajudou a Adobe a se consolidar como uma das maiores empresas de computação gráfica do mundo. Ainda lembro da primeira versão do Photoshop que tive oportunidade de usar, ainda na metade dos anos 90 que foi a versão 4.0 que foi o grande redesign da interface do Photoshop. Além dos méritos técnicos do Photosop e a qualidade das suas ferramentas de manipulação para imagens formadas por mapas de pixels, o seu grande mérito foi ter se popularizado entre usuários que não são de informática. Qualquer pessoa hoje sabe que passar uma foto pelo “Photoshop” é o mesmo que “Melhorar artificialmente as imagens”.

Se você, assim como eu, gosta de computação gráfica e da sua história vai querer ler e conferir as imagens reunidas nesse artigo do Webdesignerdepot que fala sobre a história do Photoshop nos últimos 20 anos. Para quem nunca usou as versões antigas do software é interessante conhecer as primeiras interfaces.

O vídeo abaixo mostra uma entrevista com Thomas Knoll, um dos criadores do Photoshop e que hoje trabalha na Industrial Light and Magic produzindo efeitos especiais para filmes. A entrevista é conduzida nos corredores da ILM, basta reparar nos manequins que estão no fundo do cenário.

O mais engraçado desse vídeo é que sempre assisto aos extras de DVD`s em que aparece a equipe da ILM trabalhando em efeitos, e nunca tinha associado esse Thomas Knoll ao criador do Photoshop.

O Photoshop e a Adobe passam por momentos difíceis hoje em dia, pois o lançamento do Photoshop CS4 foi um fracasso de vendas que infelizmente acabou acontecendo em um ano de crise econômica. O resultado não foi muito bom para a Adobe, fazendo com que o projeto do Photoshop CS5 e da sua suíte de aplicativos fosse colocada como prioridade.

Desde o lançamento da versão CS3 com suporte a objetos 3d e edição simplificada de vídeo que nenhum recurso realmente “indispensável” é lançado, fazendo com que os usuários e artistas não se empolguem para comprar uma nova licença. Isso acabou derrubando as vendas do Photoshop CS4.

Making of do filme Avatar

Nesse final de semana consegui fazer uma visita ao cinema para assistir ao tão esperado Avatar, que tudo indicada seria um marco em termos de computação gráfica e efeitos. Em minha opinião, o filme superou as minhas expectativas e cumpriu muito bem a promessa de mostrar efeitos revolucionários, aliados a uma história cativante e interessante. O objetivo desse artigo é falar sobre a parte técnica do filme, pois não tenho conhecimento suficiente de cinema para fazer uma crítica convincente sobre o enredo do filme. O grande chamariz desse filme na parte técnica é a apresentação da chamada Captura de performance, que pretende passar para modelos 3d a atuação realizada por atores reais.

Essa técnica adiciona um pouco mais de realismo as cenas, permitindo que os próprios atores adicionem vida aos personagens e não os animadores. O modelo é uma evolução da técnica conhecida como captura de movimento, em que apenas os movimentos dos atores é capturado e passado para personagens virtuais. Quer ter uma idéia de como isso funciona? O vídeo abaixo mostra um Making of do filme, com diversas cenas que apresentam a captura de performance. Repare que os atores tem até pequenos dispositivos parecendo microfones de um headset, mas são câmeras para capturar as expressões faciais.

A maioria dos efeitos especiais presentes no filme foi desenvolvido pela WETA do diretor Peter Jackson, que deu vida a maioria das cenas envolvendo os personagens virtuais. As grandes produções sempre usam mais de uma empresa especializada em efeitos, devido aos prazos apertados e complexidade dos efeitos. Por isso, um pouco depois que o projeto começou, a ILM entrou no projeto para ajudar a finalizar as cenas no prazo.

Toda a parte de visualização 3d do filme impressiona, pois os personagens parecem realmente interagir com o ambiente. Desde as sombras que os objetos recebem e projetam no ambiente, até as texturas da pele e os olhos dos personagens. A quantidade de detalhes em todos os objetos virtuais é impressionante. Depois de trabalhar com computação gráfica por vários anos, ainda achava difícil ficar impressionado com efeitos especiais, mas o material apresentando nesse filme me surpreendeu.

A ILM ficou responsável por boa parte das cenas envolvendo os veículos militares e máquinas. Quer ter uma idéia da coordenação envolvida no projeto? Existe uma cena no filme em que dezenas de naves militares se alinham para destruir uma parte do planeta, não vou dizer qual é a parte para não estragar a história. Essa essa foi criada tanto pela ILM como pela WETA. Existem basicamente dois enquadramentos de câmera para essa cena com visualizações da parte de trás dos veículos, e outro enquadramento mostrando o solo na parte frontal da formação. Quando visualizamos a cena de trás, as animações são da ILM e a parte frontal é da WETA.

Já pensou ter que produzir esse tipo de animação, em dois ambientes diferentes e sem saber o que está sendo criado pela outra empresa? Isso só foi possível graças a pré-visualização extremamente detalhada que o James Cameron entregou para ambas as empresas. Mais informações sobre os efeitos de Avatar podem ser conferidas nesse artigo.

O próximo passo é tentar assistir ao filme em 3d, que infelizmente só está disponível na minha cidade em 3D dublado. Isso é lastimável, pois em outras capitais existem cópias em 3d legendadas.

Se você ainda não assistiu ao filme, corra para conferir uma das simulações 3d mais realistas do cinema.

Making of do Homem de ferro, apresentado na Siggraph pela ILM

Com o fim da Siggraph os visitantes estão finalmente começando a publicar vídeos produzidos por eles mesmos, durante a visita a feira, e para a nossa alegria, alguns desses vídeos registram palestras e apresentações fantásticas, como a palestra da Industrial Light and Magic e o seu trabalho no Homem de ferro. Para a nossa alegria, falo das pessoas que interessadas em computação gráfica, à palestra foi estritamente técnica! Esse é um tipo de material que dificilmente aparece no DVD, destinado ao público em geral, o que faz o evento ainda mais imperdível.

O vídeo está no Youtube e pelo visto, foi gravado usando um celular. Mesmo assim, a qualidade do áudio e do vídeo é muito boa, ainda mais se você visitar o próprio Youtube e acionar a opção para assistir ao material em alta resolução. No total são 40 minutos de apresentação, que estão divididos em duas partes.

Bem, antes de continuar o artigo, o vídeo é esse:

A primeira parte do vídeo mostra vários dos detalhes relacionados, como a criação dos movimentos e integração dos cenários e do homem de ferro virtual, produzido pela ILM. Na apresentação são exibidas várias partes das filmagens e dos modelos virtuais usados na produção dos efeitos.

Uma das coisas que eles usaram para acelerar o processo de criação é o MOCAP, ou captura de movimento. Na palestra, o pessoal da ILM mostra vários vídeos e fotos, do processo de captura e cenas do filme que usam a técnica. Como a captura de movimento não resolve tudo, os animadores ainda precisaram fazer vários ajustes, usando a velha e boa animação por keyframes.

Algumas cenas são inclusive híbridas, com a base da animação sendo feita com captura de movimento e os ajustes finos, realizados pelos animadores com keyframes.

Para quem gosta de visualizar ferramentas 3d em uso, nos vídeoa aparecem várias imagens com o personagem em shade e wireframe, ao que parece na interface do Maya. Eles tiraram a interface, mostrando apenas a visão 3d, mas o gizmo do Maya é perfeitamente visível em alguns dos vídeos.

A segunda parte da palestra aborda os desafios e truques usados pela equipe para trabalhar a iluminação do personagem. Como o Homem de Ferro é um personagem metálico, as reflexões na sua superfície são difíceis de simular, sem mencionar a composição com os cenários reais.

Tudo isso é abordado, com exemplos das soluções e truques desenvolvidos pela equipe para trabalhar a animação.

Sei que está tudo em inglês, mas esse é o tipo de material imperdível para quem gosta de computação gráfica, e principalmente para estudantes e profissionais. É uma palestra que dificilmente temos condições de assistir, caso não façamos uma visita a Siggraph.

O vídeo é apresentação obrigatória nas minhas aulas sobre animação e efeitos, geralmente mostro alguns vídeos para inspirar e mostrar aos alunos, como funciona o processo de criação nessa área, e esse tipo de conteúdo é fantástico para isso.

Já tinha escrito um artigo sobre a pré-visualização do homem de ferro, mas esse material é muito melhor.

Amanhã publico mais um artigo, sobre essas palestras da Siggraph.