Animação 3D forense: LightWave 3D usado para investigação sobre o voo 1549

O uso de softwares 3d para produção de material relacionado com entretenimento é amplamente conhecido por todos, inclusive pelas pessoas que começam a trabalhar com animação e modelagem 3d. Como esse tipo de conteúdo é bem comum na TV e cinema, fica difícil não usar ele como referência e almejar uma carreira nessa área. Mas, ainda existem diversas aplicações de softwares 3d que não são óbvias ou mesmo famosas a ponto de despertar interesse em artistas 3d iniciantes. Por exemplo, uma outra área em que podemos usar esses softwares é na investigação forense, com a simulação de incidentes ou acidentes. Quem assiste programas na TV a cabo e produções dos canais Discovery Channel ou History Channel deve saber do que estou falando.

Esse tipo de conteúdo é consumido em larga estala por essas produtoras de conteúdo para documentários, e pode ser um campo de trabalho para artistas que se aventurem na comunicação em língua inglesa.

Você deve estar lembrado do acidente sofrido pelo voo 1549 da US Airways, em que o piloto foi forçado a fazer uma aterrissagem no rio Hudson em Nova York, depois que as turbinas do seu avião foram atingidas por pássaros. Boa parte da investigação desse acidente foi feita fazer reconstituições em 3d da trajetória do avião. A empresa responsável pela produção dos vídeos e da pesquisa sobre a trajetória e eventos daquele voo, publicou um artigo detalhando o processo de produção das animações e conteúdos que ajudaram nas investigações.

O resultado pode ser conferido no vídeo abaixo:

Toda a produção foi feita no LightWave 3D com o auxílio dos arquivos de áudio e dados do radar.

animacao-3d-forense-lightwave-voo-1549.jpg

Entre os desafios para criar esse tipo de material está a necessidade de se manter ao máximo atrelado aos eventos que ocorreram naquele dia, sem desviar em momento algum do que os dados mostram. Quando estamos trabalhando em animações ou outros projetos, é perfeitamente normal fazer ajustes durante a produção. Nesse caso, tudo que é mostrado precisa corresponder ao que realmente aconteceu.

A transcrição dos diálogos entre o piloto e a torre foram montados no Adobe Premiere, para facilitar o entendimento da seqüência de eventos. Ainda existem mais vídeos e infográficos que foram usados para reconstruir a cena completa.

Você já pensou na possibilidade de se especializar em animação 3d forense?

Modelando a sua própria Scarlett Johansson virtual

A criação de personagens virtuais para projetos de animação ou mesmo para posicionamento em imagens estáticas, pode derivar de duas fontes. Entre as mais simples, temos a criação de personagens fictícios e que são derivados do design de personagens para compor e contextualizar projetos. Esse é um tipo de projeto relativamente simples de desenvolver, pois o artista 3d pode ao longo da modelagem realizar pequenos ajustes e tomar a liberdade de adicionar seu próprio toque pessoal a modelagem. Mas, quando o tema envolve a reprodução de pessoas já existentes, como é o caso dos chamados personagens virtuais, o processo de design e criação complica, pois não é possível fazer nenhum tipo de adaptação do modelo 3d. O artista precisa seguir a risca a anatomia do personagem.

Para as pessoas interessadas em aprender o processo de criação dos chamados personagens virtuais, um artista 3d está desenvolvendo um personagem virtual baseado na atriz Scarlett Johansson. Todo o processo de criação da Scarlett Johansson virtual está documentado com imagens e vídeos, nessa discussão nos fóruns da CG Society.

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O começo do projeto parece até simples, mas depois de algumas mensagens e imagens do processo de modelagem o artista conseguiu criar com excelente nível de realismo a atriz Scarlett Johansson.

Para iniciar o projeto é necessário fazer uma boa pesquisa com referências para a modelagem, constituindo fotos encontradas na própria internet que ajudam a projetar com mais exatidão a face da personagem. Com as referências localizadas o artista passa para um conjunto de ferramentas 3d constituídas pelo ZBrush e o LightWave 3D, para conseguir reproduzir as partes iniciais da modelagem. A escultura digital é fundamental nesse tipo de modelagem que envolve a reprodução de figuras orgânicas.

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Logo nas primeiras mensagens publicadas no fórum, podemos fazer o download de várias imagens e vídeos com a demonstração de como a modelagem foi realizada. Se você é usuário do LightWave 3D ou tem interesse na modelagem de personagens, esse é o tipo de material que serve de base para criar modelos 3d realistas e os chamados atores virtuais. Claro que com mais recursos, o ideal mesmo seria usar um scanner a laser, para criar um modelo topologicamente perfeito da atriz. Mas, para quem não pode usar esse recurso, o melhor mesmo é recorrer a modelagem 3d tradicional mesmo.

O detalhamento do modelo é feito no ZBrush, com a escultura de partes como a mandíbula com os dentes da personagem virtual. O projeto ainda não está completo, pois o artista ainda não chegou na criação de cabelos e vestimenta. Vale acompanhar essa mensagem, para visualizar a progressão do projeto.

LightWave 3D Core: Fracasso total ou previsão do futuro?

Nas últimas semanas a Newtek, empresa responsável pelo desenvolvimento e comercialização do LightWave 3D conseguiu o que muitos publicitários e gerentes de marketing sonham fazer; criar uma campanha para divulgar um produto, que desperte interesse de consumidores fiéis e também os da concorrência. Desde que um e-mail enviado para vários usuários cadastrados no web site da Newtek, eu estou incluso nessa lista, indicando o lançamento de algo revolucionário chamado de LightWave Core, a comunidade de artistas 3d estava em polvorosa tentando descobrir do que se tratava o produto.

O mais interessante da campanha é que o web site contava com um contador regressivo, mas também com várias mensagens escondidas sobre o que seria o Core. Essas mensagens estavam em código, nas fontes usadas para o site, no código HTML do mesmo e muito mais. Uma página de login que mostrava mensagens diferentes para combinações específicas de usuário e senha. Em suma, a comunidade inteira de artistas 3d que freqüentam web sites como a CG Society estava muito curiosa para saber do que se tratava essa nova tecnologia.

Hoje, mais exatamente às 19:00 no horário de Brasília estava agendada uma palestra online, no mesmo estilo da Apple, transmitida por streaming que revelaria os “segredos” do CORE.

Resultado? O interesse da comunidade foi subestimado:

  • Web site e fóruns da Newtek fora do ar;
  • Sistema de Streaming com atraso;
  • Apresentação em vídeo com os recursos 3d é amadora;

Até agora, algumas horas depois do lançamento o web site da Newtek está instável e demorando vários minutos para carregar páginas simples. Ao que parece o frisson gerado pela campanha superou as melhores expectativas da Newtek.

Mas, afinal o que é o CORE?

O LightWave 3D CORE é a próxima geração do LightWave, que muda completamente os paradigmas em que o LightWave é desenvolvido. Por exemplo, agora o aplicativo está integrado e não existe mais o Modelador/Layout separados em duas plataformas diferentes. Ele está escrito sob um novo paradigma de desenvolvimento, fazendo com que seja mais fácil atualizar o sistema e permite adicionar recursos, como um histórico de eventos e modificadores organizados em grupos.

Algumas imagens da interface, apresentada no vídeo (clique para aumentar):

lightwave-core

Essas são algumas características do CORE:

  • Compatível com processadores de vários núcleos;
  • Utiliza a GPU
  • Multiplataforma
  • Utiliza Python como linguagem

Isso é tudo que consegui reunir até agora, pois pouco foi divulgado e os servidores ainda estão instáveis.

Agora, o mais polêmico é hardCORE membership, apresentado como parte do CORE. Os usuários compram o software por um modelo de assinatura. Você precisa desembolsar 1400 dólares para ter acesso ao software, assim como vídeos e documentação assim como:

  • Fóruns exclusivos
  • Acesso a material beta
  • Convites VIP para eventos
  • Tutoriais exclusivos

Esse tipo de comportamento, impondo um sistema de assinaturas para os usuários foi um gigantesco tiro no pé, para apresentar um software revolucionário sim, mas para os usuários do LightWave. A maioria dos recursos apresentados já estão disponíveis há um bom tempo em softwares como o 3ds Max, Maya, Softimage e Blender 3D.

A grande maioria das mensagens e comentários sobre o sistema são negativas. Sem mencionar a apresentação amadora e extremamente podre preparada pela Newtek. Até o plano de fundo do vídeo, que consegui assistir por alguns breves momentos era péssimo, parecendo um vídeo caseiro. A interface simples e os conceitos apresentados foram decepcionantes, para o tamanho do segredo e expectativa gerada em torno do software.

Mesmo antes do software ser lançado, esse já é um tremendo fracasso em termos de relação com futuros consumidores. Todo o esforço e interesse levantado pela brilhante campanha, foi perdido em pouco mais de duas horas. O que resume bem a situação é o comentário de um artista 3d frustrado em um dos fóruns que visitei; “a Autodesk teria feito a apresentação direitinho“.

Para saber mais, recomendo visitar esse endereço, em que o assunto está sendo discutido na CG Society.

Novo guia sobre renderização com Radiosidade

A Radisidade é um dos métodos de renderização mais poderosos, para similar a iluminação com excelentes níveis de realismo. Dentre os softwares 3d mais famosos, o LightWave 3d é conhecido por aplicar muito bem as técnicas de radiosidade para criar imagens foto realistas. Na sua última atualização, o LightWave 9.6 recebeu algumas atualizações importantes nos métodos de renderização. Para quem gostaria de aprender um mais sobre a Radiosidade do LightWave, um ótimo guia sobre esse essa técnica foi atualizado recentemente, inclusive com alguns tutoriais direcionados para iluminnação de ambientes.

A radiosidade apresenta vantagens e desvantagens, mas ao que parece a Newtek conseguiu desenvolver ferramentas e artifícios para minimizar as desvantagens. A principal desvantagem da radiosidade aparece em cenas com animação. Para ser mais específico, quando um objeto interage com superfícies.

guia-radiosidade-render

Como a radiosidade cria uma estrutura sobre as superfícies, sempre que um objeto se deslocava nas superfícies, a iluminação tinha que ser calculada para cada frame da animação. No LightWave 9.6 é possível usar a radiosidade para aninação, com as atualizações no sistema de renderização.

O tutorial ainda tem mais um bônus, que é a explicação detalhada e simples dos métodos usados pelo LightWave para gerar a iluminação globlal. Caso você já tenha visto termos como Monte Carlo e Final Gather, o tutorial explica de maneira simples o significado de cada um dos métodos, assim como suas vantagens e desvantagens na renderização.

Além da radiosidade para animação a Newtek aprimorou o algoritmo responsável pelo cálculo da iluminação global, para deixar o processo mais rápido e suportar recursos como mapas de Bump. Se você for usuário do LightWave e quiser conhecer as principais técnicas e funcionamento do sistema de iluminação global do software, o material disponível no guia é mais que recomendado.

Para os outros artistas 3d, fica a dica de uma excelente documentação sobre um método que pode ajudar muito em projetos de animação, mais especificamente se apenas a câmera for animada. O funcionamento é semelhante ao Light Cache do V-Ray em que a solução pode ser carregada de um arquivo. Na radiosidade a iluminação global é calculada para o primeiro frame, e depois apenas a posição da câmera é renderizada. Como a solução da iluminação fica gravada nas superfícies como uma textura, os movimentos da câmera não demandam novos cálculos.

Por isso, muitos artistas especializados em visualização de projetos arquitetônicos ainda preferem usar radiosidade no 3ds Max, Blender 3D ou LightWave. O funcionamento e nível de sofisticação de cada software é bem diferente, mas o conceito principal de radiosidade é o mesmo para todos.

Making of de comercial usando o LightWave 3d: Cachorro-peixe

Um comercia muito interessante está sendo veiculado nas TVs aqui do Brasil há algumas semanas, em que um carro da Volkswagen é tão bom que cabe até mesmo um cachorro-peixe. Claro que uma suposta aparição desse cachorro-peixe teria que ser trabalhada como computação gráfica e foi exatamente isso que aconteceu. Esse comercial é exclusivo para o mercado brasileiro, por isso os amigos que estão lendo esse artigo em outros países podem não conhecer o comercial. Por isso, estou publicando o vídeo que está disponível no Youtube. Como é de costume, a minha análise sobre o comercial não envolve o mercado publicitário, e sim a produção técnica do mesmo. Qual foi o software usado para produzir o comercial?

Mesmo que muita gente ainda desconheça, o software usado foi o LightWave 3D, como o título do artigo já denuncia. Isso prova que não é necessário usar os softwares mais “famosos” para produzir material de qualidade.

Antes de continuar o artigo, caso você não tenha assistido ainda o comercial, aqui está o vídeo:

Para promover o comercial e o excelente trabalho realizado pela Bitt Animation, responsável pela parte de computação gráfica do comercial, a Newtek publicou na sua newsletter uma entrevista com o pessoal do estúdio, fazendo várias perguntas sobre o uso do LightWave 3d no comercial.

No texto, disponível apenas em inglês, podemos encontrar algumas imagens do modelo 3d do cachorro e algumas informações interessantes sobre a produção:

  • O tempo total de produção do comercial foi de cinco semanas
  • Apenas o LightWave foi usado para a modelagem e animação
  • Na renderização foi usada a radiosidade do LightWave, que é uma das melhores ferramentas de render do mercado
  • O tracking da câmera foi feito diretamente no LightWave, posicionando a parte gravada em locações reais como plano de fundo e animação sobre as imagens
  • As cenas mais difíceis envolviam os closes do personagem, quando a câmera estava muito próxima do mesmo a iluminação ficava muito mais complicada

Esses são apenas os principais pontos comentados no artigo, que apresenta muito mais informação. Ainda é possível fazer o download do comercial em formato MOV.

Um dado interessante, a Bitt Animation é baseada na Argentina.