Estabilização de câmera com o Blender 2.5

O Blender está para receber uma série de novidades como fruto dos investimentos do projeto Google Summer of Code, que fora organizados em grupos identificados por nomes de frutas e verduras, como é costume encontrarmos nos projetos abertos do Instituto Blender. Entre esses projetos está o que é identificado como Salad Tomato, que agrega as iniciativas de criar uma ferramenta de Camera Tracking para o Blender. A ferramenta será de grande utilidade para o pessoal do instituto, pois o próximo Open Movie deve envolver o uso de material criado com o Blender, mesclado com filmagens reais.

Como o interesse do intituto Blender é especial por esse projeto, parece que o desenvolvimento está bem acelerado. Um artista já fez uso das versões preliminares disponíveis no graphicall.org, e compilou uma série de guias e tutoriais que mostram a utilidade desses novos recursos para artistas que trabalham com vídeo.

Entre esses tutorials e guias estão a criação de um pequeno esquema para estabilização de vídeo, sendo essa a alegria dos produtores de vídeo amadores!

Abaixo você pode conferir o tutorial sobre estabilização de vídeo com o Blender 2.5:

O tutorial faz uso de um tipo de vídeo muito comum que é aquele que gravamos enquanto andamos segurando a câmera. O resultado é a perda da estabilidade da câmera, gerando uma tremedeira incômoda e em algumas vezes nauseante. Já existem soluções de estabilização gratuitas até mesmo no editor do Youtube, mas acredito que essa é a primeira solução gratuita, e presente em um software que nem tem como foco principal a edição de vídeo.

Além de aprender como usar a técnica baseada em um script escrito usando Python, podemos conferir a nova janela na interface do Blender, chamada de MovieClip Editor. Ainda não tive a oportunidade de usar a versão experimental do Blender, mas acredito que toda a parte de Tracking deva ser realizada nessa janela.

No processo de tracking já podemos conferir os controles de rastreamento de pixels muito semelhnate ao que existe em outros softwares com o recurso, como é o caso do After Effects. Se você é usuário do Blender e trabalha com edição de vídeo, deve gostar bastante dessa nova versão!

Os outros tutoriais abordam os seguintes assuntos:

Editor de vídeo: Lightworks se torna Open Source

O mercado de edição de vídeo é bem concorrido e com variadas opções para fazer desde pequenas edições, até mesmo trabalhar com os chamados pesos pesados como o Avid e o Final Cut. O Premiere da Adobe perdeu um pouco de espaço nos últimos anos, mas a versão CS5 parece que despertou novamente o interesse dos usuários e artistas pelo software. Já trabalhei com o Final Cut e o Premiere, mas devo relatar que a minha experiência com o Final Cut foi sempre melhor, seja pelo da facilidade em tratar containers e codecs de vídeo, ou pela incrível gama de opções que acompanham o Final Cut Studio. O Premiere ficou mais relegado ao campo acadêmico, pois ministrei aulas sobre ele por muito tempo.

Mas, e na área do software livre? Sim, temos várias opções nessa área como o Cinelerra.

Nos próximos meses teremos mais uma opção de para trabalhar com edição não-linear de vídeo totalmente baseado em código aberto. O software conhecido como Lightworks será lançado e distribuído usando uma licença de código aberto. Sim, a ferramenta foi anunciada como de código aberto em Abril desse ano, e como a data para o lançamento foi o final de 2010, estamos provavelmente muito próximos da versão pública do Lightworks de código aberto.

lightworks.jpg

Mas, essa ferramenta é realmente boa?

Nada como verificar uma lista de filmes e produções para TV que usaram o Lightworks para a montagem e edição do seu material, para comprovar que a ferramenta é adotada em larga escala por estúdios e produtoras de vídeo.

A presença desse tipo de opção no formato de software de código aberto pode mudar significativamente a quantidade de pessoas que usa softwares nesse formato, trazendo cada vez mais diversidade e opções para ambientes Linux. Segundo o comunicado da empresa, os planos são de lançar uma versão do Lightworks para Windows ainda esse mês, e no início de 2011 trazer a versão para Linux.

Assim que tiver notícias sobre esse lançamento, aviso aqui no Blog. Fico imaginando se o marketshare do Premiere deve cair quanto esse tipo de software for lançado, pois muitas das pessoas que adotam a ferramenta na plataforma Windows devem migrar para a solução de código aberto.

Mapeamento de projeções para superfícies em arquitetura

Uma das técnicas usadas para adicionar elementos visuais em edificações e grandes superfícies é o chamado mapeamento de projeções, que consiste nada mais do que a identificação de pontos chave em superfícies para projetar imagens e vídeos que transformem aquela superfície estática e sem movimento, em verdadeiras interfaces. Essa é uma técnica que mistura ao mesmo tempo os conceitos de realidade aumentada em projetos reais e a simples visualização de projetos de design. Já faz um tempo que apresentei um artigo no blog falando sobre o uso desse tipo de projeção para arquitetura em maquetes, proporcionando maneiras novas de mostrar opções e detalhes construtivos em projetos.

Mas, o uso da técnica não está restrita apenas ao uso em projetos para arquitetura e pode servir para os mais variados propósitos. Por exemplo, com o lançamento do filme Iron Man 2 a produtora do filme criou uma ação de divulgação simplesmente fantástica. Eles pegaram uma das músicas da trilha sonora do filme e criaram um tipo de videoclipe baseado em projeções mapeadas sobre um castelo na Inglaterra. A música escolhida é o Shoot to Thrill do AC/DC que tem várias músicas na trilha do filme.

O resultado do projeto pode ser conferido no vídeo abaixo. Antes de começar a assistir ao vídeo é extremamente recomendável aumentar o volume.

ACDC Vs Iron Man 2 – Architectural Projection Mapping on Rochester Castle from seeper on Vimeo.

No vídeo é possível conferir uma sequência de imagens extremamente bem boladas para a superfície do castelo. Repare na parte do vídeo em que uma das fachadas começa a ser preenchida com tinta, e o excesso acaba escorrendo pelas estacadas laterais. É tudo perfeitamente mapeado e sincronizado com a música.

Além da parte de divulgação do filme Homem de Ferro 2, o vídeo prova que é perfeitamente possível transformar uma obra antiga de arquitetura em um monumento urbano interativo e interessante. É a integração entre o antigo e o novo mediado pela tecnologia.

Para os profissionais de computação gráfica o vídeo demonstra o que pode ser feito em termos de projeção e mapeamento em superfícies, e como uma edificação aparentemente sem nenhum atrativo em termos de tecnologia pode se transformar em algo completamente novo, apenas com o uso inteligente de imagens e mapeamento 3d da superfície.

Você achava que realidade aumentada estava restrita apenas a webcams?

Tutorial com 90 minutos sobre modelagem 3d para design

O conhecimento de técnicas para modelagem 3d é essencial para qualquer pessoa que tenha um mínimo de interesse em trabalhar com computação gráfica 3d. Essas técnicas de modelagem estão basicamente divididas em duas grandes categorias que são a modelagem orgânica e a geométrica. Na área da modelagem geométrica existe um tipo chamado de hard surface modeling, que poderia ser traduzida para modelagem de objetos com superfícies sólidas. A modelagem desse tipo de objeto oferece desafios e problemas bem diferentes para os artistas, que os oferecidos pela modelagem orgânica.

Entre as diferenças está a organização da topologia dos modelos 3d que deve ser criada de maneira a facilitar a criação de áreas vazadas, ou com bordas suavizadas nos modelos 3d. Ainda existem algumas pessoas acreditando que o uso de modificadores ou ferramentas de suavização são suficientes para esse tipo de projeto, mas é na organização da malha como um todo que reside o segredo para criar modelos eficientes.

Quer um exemplo de hard surface modeling? A imagem abaixo mostra um projeto usando Maya e ZBrush que já apareceu aqui no blog, criado pelo artista russo chamado Vadim:

tutorial-modelagem-3d-arestas-design-1.jpg

Repare nas bordas e arestas do modelo 3d que aparecem na imagem. Existem edge loops posicionados de maneira estratégica em todo o modelo 3d.

Caso você tenha interesse em aprender mais sobre esse tipo de modelagem 3d, um artista especializado nesse tipo de criação, chamado Grant Warwick publicou um tutorial em vídeo com aproximadamente 90 minutos de duração mostrando como trabalhar esse tipo de modelagem.

tutorial-modelagem-3d-arestas-design.jpg

Boa parte do tutorial é destinada a manipulação de extrusões e criação de arestas suavizadas em modelos 3d, basicamente usando Edge Modeling. No método usado pelo autor do tutorial, o artista basicamente aproveita apenas as ferramentas de extrusão e adição de arestas nas bordas, para ter maior controle sobre a suavização das superfícies.

O vídeo está hospedado no Vimeo, e o artista liberou o arquivo fonte para download. Se você é usuário registrado lá, pode copiar o arquivo de vídeo com quase 800 MB de tamanho, ficando mais fácil acompanhar o tutorial. Apesar da narração em inglês, podemos acompanhar as dicas do tutorial de maneira bem simples, pois quase tudo é ao mesmo tempo descrito no áudio é exemplificado na prática.

Lançamento do Adobe CS5: Vídeo produzido por brasileiros

O lançamento do pacote CS5 da Adobe trouxe muita coisa nova para a maioria dos profissionais e entusiastas que usam a plataforma de softwares, mas algo pode ter passado despercebido do público brasileiro. A vinheta de lançamento do pacote CS5 da Adobe foi produzida por um estúdio de animação do Brasil. Estou falando do conceituado Seagulls Fly que conseguiu emplacar um vídeo recheado de efeitos e especiais e computação gráfica para divulgar o pacote CS5. É de se entender o motivo que fez com que poucas pessoas tivessem conhecimento dessa vinheta, até porque a Adobe não faz esse tipo de divulgação aqui no Brasil. Alguém já viu propaganda de software na TV em horário nobre ultimamente?

Esse é o vídeo produzido pela Seagulls Fly:

Adobe CS5 – Production Premium from Seagulls Fly on Vimeo.

Para mostrar como o processo foi realizado e boa parte do material foi concebido, o pessoal do estúdio criou outro vídeo bem rápido com um “making of” de todo o trabalho.

Making of Adobe CS5 – Production Premium from Seagulls Fly on Vimeo.

Para a maioria dos artistas que encontram essa notícia, pode parecer que a própria Adobe procurou a Seagulls Fly para produzir o material. Na verdade, o projeto partiu como sempre de uma agência que estava cuidando da campanha da Adobe. No caso do lançamento do pacote CS5 foi a Goody, Silverstein & Partners que cuidou do lançamento do pacote CS5. Nesse outro artigo podemos encontrar uma entrevista realizada com a equipe da Seagulls Fly sobre a produção do material.

No artigo encontramos detalhes técnicos sobre a produção do vídeo, como o tempo dado pela agência para a produtora que foi de dois meses. No total dezoito pessoas do estúdio se dedicaram a produção desse vídeo. O briefing também foi bem aberto e direto, com o detalhe para a ênfase do número 5 que deveria aparecer no final do vídeo como em uma tela de cinema, e durante o desenrolar da animação os principais recursos do pacote CS5 deveriam ser referenciados.

Você conseguiu identificar os recursos do Adobe CS5 no vídeo?

Outro aspecto interessante do vídeo que é comentado na entrevista é a mistura de computação gráfica 3d com elementos filmados ou desenhados a mão, o que confere um aspecto de realismo ao vídeo.

Já tive a oportunidade de assistir uma palestra do FlavioMac da Seagulls Fly que na época trabalhou na criação da Globeleza virtual para a Rede Globo, e posso dizer que o trabalho deles é uma mistura de proficiência técnica com qualidade artística nas animações.

O trabalho ficou muito bom.