Como importar arquivos do SketchUp para o Blender?

A criação de cenários virtuais para projetos que envolvem jogos ou animações 3d sempre são um problema de logística, pois demandam muito trabalho dos artistas 3d para coisas que devem ficar em segundo plano no projeto. Por exemplo, ao desenvolver uma animação em que os personagens ou objetos do plano principal desenvolvem seus movimentos e ações, mas o plano de fundo fica sem modelos ou objetos para composição Isso pode ser resolvido com o uso de scripts ou ferramentas para criar prédios e elementos vetoriais. Mas, nem sempre é possível criar os elementos que precisamos para um determinado projeto como prédios famosos e marcos geográficos existentes.

Nesse quesito os arquivos disponíveis no Google Earth e 3d Warehouse são uma fonte quase que inesgotável para adicionar blocos em 3d. Basta selecionar o objeto que você precisa para o seu projeto e adicionar os mesmos na cena. Para os usuários do Blender o desafio e conseguir manipular esse tipo de arquivo nas versões atuais da ferramenta, principalmente com o script que importa o formato COLLADA para o Blender. O projeto que pretende melhorar o suporte para esse formato ainda está em desenvolvimento, e só deve ser lançado junto com a versão estável do Blender 2.50.

Mas, se você tem um projeto e quer aproveitar agora os arquivos do Google Earth no formato KMZ, o tutorial abaixo mostra diversas dicas para manipular esse tipo de arquivo no Blender 2.49b.

As dicas já foram apresentadas aqui no blog em outros artigos, mas não custa nada relembrar o método.

A primeira coisa a fazer é extrair o modelo 3d do arquivo KMZ que é um formato compactado do modelo 3d salvo em COLLADA. Basta alterar a extensão do arquivo de KMZ para ZIP e extrair o arquivo DAE. Esse arquivo pode ser importado para o Blender com o script que manipula o formato COLLADA no 2.49b.

O maior desafio desse tipo de operação é ajustar a escala dos modelos 3d, pois o Blender trabalha com Blender Units que é uma escala abstrata de modelagem enquanto que os objetos do Google Earth e SketchUp usam escala real. No vídeo o autor apresenta diversas dicas para ajustar a escala dos modelos 3d no Blender, como o clipping da câmera e o uso do outliner para encontrar os modelos 3d que “desaparecem” logo depois da importação.

Se você quiser usar o Blender com arquivos do KMZ, o tutorial é um ótimo ponto de partida. Mas, alguns modelos 3d não são compatíveis com o Blender, pois a sua estrutura usa geometria não suportada no Blender como N-Gons. Isso só deve ser resolvido com o B-Mesh do 2.50 e o novo script para importar arquivos no formato COLLADA.

Importando modelos da 3D Warehouse e SketchUp para o Blender 3D

Os usuários que trabalham com desenvolvimento e criação de cenários virtuais ou maquetes eletrônicas para arquitetura, sabe da importância de possuir sempre à disposição uma boa biblioteca de objetos 3d para usar nos projetos. O desenvolvimento de cenários e maquetes exige com freqüência o uso de objetos e mobiliário em 3d que aceleram significativamente a criação do modelo. Por exemplo, ao criar as estruturas de um projeto com paredes e outros elementos arquitetônicos a parte de inserção de objetos no cenário fica a cargo da biblioteca, permitindo que o artista 3d dedique tempo em detalhes da modelagem 3d estrutural.

Quem usa o SketchUp para criar seus modelos 3d, pode usar uma das maiores bibliotecas gratuitas de modelos 3d do mundo, que é a 3D Warehouse. Basta acessar o sistema da warehouse e localizar diversos objetos que variam desde elementos simples até móveis de design, como cadeiras de escritórios Herman Miller. Muito em breve os usuários do Blender 3d devem conseguir essa mesma facilidade em termos de compatibilidade com os arquivos e modelos 3d do SketchUp.

Um dos projetos do SoC 2009 é a implementação do formato COLLADA no Blender 3D de maneira a fazer com que o software consiga importar sem nenhum problema, qualquer tipo de modelo 3d criado no SketchUp. Isso deixará o Blender 3D no mesmo nível de igualdade ao SketchUp no que se refere a compatibilidade e acesso a arquivos. Esse projeto ainda estava sendo trabalhado usando a versão 2.49 como base, mas até alguns dias atrás o responsável pelo projeto migrou o que já está pronto para a versão 2.50 que está em desenvolvimento. Algumas versões de teste já estão disponíveis para download no graphicall.org, e para mostrar o seu funcionamento, resolvi testar a compatibilidade com modelos da Warehouse.

Os escolhidos foram cinco modelos 3d, entre estantes e cadeiras. Em apenas dois dos modelos consegui efetivamente visualizar algum tipo de geometria. Em nenhum deles foi exibida mensagem de erro, apenas o objeto 3d não apareceu.

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Isso é perfeitamente normal em se tratando de uma versão experimental. Ainda existem alguns pequenos problemas, como o modelo 3d só ficar visível no modo Shade. Ao trocar para wireframe tudo desaparece. Outro problema é que não podemos selecionar o objeto para manipulação, seja transformação de escala ou rotação. O modelo precisa ficar parado no lugar em que foi importado.

Esses problemas devem ser resolvidos até o lançamento da versão final, mas é muito bom perceber que existem chances reais do projeto se concluído, o que deve trazer benefícios para todos os artistas que usam o Blender 3D.

SketchUp 7.1 é lançado sem suporte a arquivos DWG e DXF

Essa semana o SketchUp foi atualizado para a versão 7.1 que trouxe algumas novidades interessantes, e outras que não devem agradar muito as pessoas que optam por usar versão gratuita do software. O SketchUp 7.1 gratuito não tem mais suporte a importação de arquivos DWG e DXF de maneira nativa, sendo necessário fazer o download de um plugin adicional do próprio Google para habilitar o recurso novamente. O plugin para importar e exportar arquivos DWG e DXF no SketchUp 7.1 pode ser copiado no link indicado. Esse tipo de recurso é muito importante para arquitetos e engenheiros, pois permite trabalhar a modelagem 3d usando como apoio uma planta ou desenho técnico desenvolvido no AutoCAD, ArchiCAD, VectorWorks ou outro software de CAD.

Mas, corra para fazer o download que na própria página em que o download está disponível, existe um aviso informando que os arquivos estão disponíveis por tempo limitado. Para os usuários do SketchUp Pro, nada mudou.

E as outras novidades? Entre as novidades apresentadas pelo Google para o SketchUp 7.1, podemos listar a maior integração do software com serviços do próprio Google como a 3d Warehouse e o Google Earth. O vídeo abaixo faz um breve resumo sobre as novidades dessa versão:

Agora podemos fazer o download e enviar também, componentes e elementos de um projeto para o 3d Warehouse sem a necessidade de separar os objetos em dois arquivos. Outra novidade interessante, mas que para os brasileiros ainda deve demorar a se concretizar é o uso de fotos do Google Street View, como texturas aplicadas nas fachadas das edificações. Assim é possível criar o entorno para maquetes eletrônicas usando fotos reais das edificações ao lado do terreno, sem precisar sequer visitar o local. Como o Street View ainda está começando apenas no Brasil, precisamos esperar para aproveitar esse recurso.

O suporte a manipulação e render de modelos 3d mais complexos foi melhorado também nessa versão, o que deve facilitar o uso do SketchUp como ferramenta de modelagem 3d para projetos e edificações em maior escala.

Para os usuários do Blender 3D é interessante notar que essa versão do SketchUp teve o suporte ao formato COLLADA melhorado, e o Google até mesmo alfinetou a Autodesk e outras empresas que usam formatos fechados e obrigam artistas e permanecer com os seus softwares, para poder manipular seus projetos. Acredito que a mensagem no anuncio oficial tenha sido direcionado as iniciativas da Autodesk com os seus formatos DWG e também o MAX, que são muito usados em ambientes de visualização 3d e projetos.

O formato COLLADA é especialmente importante para usuários do Blender 3d, pois quando o projeto destinado a melhorar o suporte ao COLLADA no Blender, desenvolvido como parte do SoC 2009 for concluído, junto com o B-Mesh, poderemos usar os modelos disponíveis no 3D Warehouse do SketchUp no Blender sem maiores dificuldades. Isso significa ter acesso a uma enorme biblioteca de modelos 3d e móveis gratuitos!

Para saber mais sobre as novidades do SketchUp 7.1, inclusive as opções disponíveis na versão Pro, leia esse artigo publicado no blog da rede VectorPro.

Usando SourceBinder para criar 3D interativo para web com Papervision 3D

Os profissionais que trabalham com computação gráfica 3d acabam direcionando a sua atuação profissional para a área publicitária, ou produção de conteúdo visual para cinema e TV. Mas, ainda existe um campo vasto e praticamente inexplorado para artistas 3d que é a internet. A produção de conteúdo 3d para internet ainda está apenas começando e pode apresentar diversas oportunidades em termos de projetos e criação. O Blender 3d até tentou se estabelecer como plataforma de criação 3d para a web com o seu plugin que permitia executar conteúdo 3d, diretamente no navegador. Mas, a aposta na tecnologia acabou levando a NaN a falência, pois ainda era cedo para basear a sua produção nesse tipo de tecnologia. Isso já tem mais de dez anos!

Hoje o cenário em termos tecnológicos e velocidade de banda na internet são completamente diferentes e um dos grandes responsáveis pela disseminação da web 3d é o Flash Player. Já existem diversas bibliotecas de classes e ferramentas que permitem criar conteúdo 3D compatível com o ambiente do Flash Player, que está presente em praticamente todos os computadores com acesso a internet. Um desses módulos mais famosos é o Papervision 3D que é um conjunto de classes personalizadas, capaz de manipular objetos em 3D e até mesmo animar modelos complexos modelados no Blender 3D ou outro software capaz de exportar objetos no formato COLLADA.

Nesse semestre, comecei a ministrar aulas sobre o Papervision para criação de conteúdo 3D para web integrado em aplicativos multimídia. No curso foi possível perceber um dos principais problemas relacionados ao Papervision que é o conhecimento e configuração das classes. Se você quiser fazer um teste com um ambiente de configuração visual do Papervision, recomendo consultar o SourceBinder que trabalha com um sistema de nós para configurar bibliotecas externas para o Flash. O software é capaz de fazer animações e simulações usando diversas bibliotecas para web, inclusive com simulações físicas!

Quer ver um exemplo? O vídeo abaixo mostra o software criando um ambiente 3d que simula o comportamento de Rigid Bodies com a aplicação do Papervision 3D e do JiglibFlash. O resultado é um ambiente interativo que é semelhante a um jogo 3d, mas que pode ser associado a qualquer navegador que suporte o Flash Player.

Physics made with SourceBinder using JiglibFlash and Papervision from Balazs Serenyi on Vimeo.

Quem conhece o funcionamento de um sistema baseado em nós, vai encontrar muita facilidade em usar o SourceBinder. Todo o processo de criação é visual e não requer conhecimentos em programação ou ActionScript para aplicar os comportamentos nos objetos.

No vídeo é possível acompanhar a criação de um pequeno muro formado por vários cubos. Esses cubos recebem propriedades de Rigid Body para reagir com colisões e também com a gravidade. No final do vídeo podemos acompanhar a criação de um objeto de maior massa, que acaba deslocando todos os objetos no cenário.

Para quem ainda está com dúvidas sobre a área de atuação no mercado de computação gráfica 3d, esse é um excelente caminho a seguir.

Tutorial de animação interativa com o 3ds Max e Papervision 3D

No final do último ano comentei aqui no Blog que havia aceitado um grande desafio para esse semestre, que era ministrar uma disciplina que envolvesse multimídia para web com a introdução de conteúdos em 3d. O meu plano é usar o Blender 3D junto com o Adobe Flash para criar animações em 3d interativas para a web, com intermédio de uma engine 3d de código aberto para o Flash chamada de Papervision 3d. O uso dessas ferramentas requer conhecimentos intermediários em todos os níveis do projeto, desde a modelagem 3d até a programação em ActionScript no Flash, usando os módulos e códigos próprios do Papervision 3D. Mas, o resultado para uma animação 3d integrada em web sites e simplesmente fantástico, o que faz valer o esforço empregado no projeto.

Como parte dos preparativos para ministrar da melhor maneira possível a disciplina, estou fazendo muitas pesquisas e anotações na documentação oficial do Papervision 3d e também nos tutoriais que encontro pela web. Um desses tutoriais pode ajudar a explicar melhor o processo de criação com essas ferramentas, ele mostra como é possível integrar o 3ds max com o Papervision 3d na animação de um avião em lowpoly.

Esse tutorial é composto por vários vídeos e apresenta um tempo considerável, portanto recomendo que você assista quando tiver um tempo razoável de sobra, algo em torno de uma hora e meia.

A primeira parte é totalmente dedicada a modelagem 3d por subdivisão no 3ds Max de um avisão simples, para que depois de terminado o processo o modelo seja exportado no formato COLLADA, para o Flash. No final do tutorial o autor mostra o processo de configuração de animação no Flash, com o uso de ActionScript.

Esse é apenas um dos vídeos do tutorial, para que você tenha uma idéia do produto final.

Mesmo que você não esteja interessado na parte de interação de objetos 3d com o Flash e Papervision 3D, recomendo que assista apenas a primeira parte, em que o autor dá ótimas dicas de modelagem por subdivisão, usando as ferramentas do 3ds Max.

No meu caso o tutorial será muito útil até como forma de exercício, mas claro que a parte de modelagem 3d será substituída pelo uso do Blender 3D. Depois que a disciplina estiver terminada, posso reunir material suficiente para ministrar essas disciplina com mais facilidade em outros semestres, pois a demanda por uso de 3d na web com o Flash deve crescer muito ainda, pois isso abre novas possibilidades de integração com as interfaces criadas para web sites.

Esse tema é um dos que está na minha lista de interesses, para um provável título de livro no futuro. Mas, o desafio será muito grande, pois o mesmo irá abordar três tecnologias diferentes em um único título. O desafio será fazer algo voltado para pessoas com conhecimentos básicos em cada uma das áreas, e conseguir ensinar tudo sem usar muitas páginas e imagens.

Se der certo, no final do ano aviso aqui no Blog!