Making of da segunda temporada de Game of Thrones

O acesso a tecnologia de efeitos especiais hoje é muito mais acessível do que alguns anos atrás, possibilitando a séries de TV com orçamento muito mais reduzido do que filmes a utilizar recursos até alguns anos atrás impensáveis para esse tipo de produção. Esse é o exemplo da excelente série Game of Thrones que utiliza muito bem na sua produção a computação gráfica para incrementar os cenários e aumentar a quantidade de pessoas em uma cena. Para as pessoas que gostam de conferir alguns desses truques visuais e comparar com as cenas exibidas na série, o estúdio Pixomondo divulgou um vídeo muito interessante mostrando alguns dos efeitos produzidos por eles para a série.

Só não recomendo assistir ao vídeo, caso você ainda não conheça a história ou não tenha assistido a segunda temporada da série.

O contexto da série pode utilizar muito bem a computação gráfica para a incrementação de cenários, pois como uma série que se passa em ambientes medievais de fantasia, seria complicado encontrar castelos e outras locações reais em que a equipe pudesse representar sem grandes modificações os cenários de Westeros.

Esse é inclusive um exercício muito interessante que qualquer pessoa pode realizar em 3d, que é o de pegar footgrafias ou vídeos reais, e tentar incrementar o visual com partes fantasiosas.

Outro tipo de efeito visual que é perfeito para esse tipo de série é o de animação com multidões. Como existem algumas situações na segunda temporada em que é necessário exibir campos com vários soldados, o uso de softwares para espalhar atores virtuais e objetos por um cenário é muito útil para baratear as locações reais. E mesmo sem existir nenhum tipo de cena em que sejam realizadas grandes batalhas épicas, como no caso dos filmes do Senhor dos Anéis, o uso da tecnologia se mostra muito útil nesse tipo de situação.

Para quem não conhece a série, recomendo muito o material, principalmente para os fãs de fantasia medieval ou então de rpgs como a série Dungeons & Dragons. Espero que o DVD ou Bluray da segunda temporada traga mais material como esse, apresentado o Making of e efeitos usados na produção da série.

V-Ray usado para efeitos especiais de Tron Legacy

O mercado de efeitos visuais para filmes e comerciais era sempre envolto em mito e dúvidas pela maioria dos artistas 3d, principalmente no que era relacionado com softwares ou ferramentas usadas nas produções. Já conheci inúmeros alunos que acreditavam na influência decisiva do software como único fator para a qualidade e escala dos projetos. É evidente que o software ajuda, mas o que realmente abre o leque na parte de criação é o conjunto de hardware poderoso e artistas habilidosos. Mesmo assim, ainda existiam softwares que atendiam a demanda dessas produções com mais frequência, como é o caso do “casal” Maya e mental ray. Na maioria das vezes a escolha se dava pelo fato da disponibilidade do software para ser executado em ambiente Unix.

Já faz algum tempo que esses computadores eram baseados em Irix e mais recentemente no Linux. É assim que funcionam empresas como a ILM. Mas, essa indústria está começando a apostar em outras ferramentas como sendo a base para a produção dos seus efeitos visuais. Nos últimos meses temos presenciado vários projetos de grande porte na área de jogos e filmes usando o V-Ray.

Nas últimas semanas a Digital Domain divulgou um vídeo com o Making of do filme Tron Legacy, em que foi usado o V-Ray no processo de criação para gerar as imagens digitais, que não são poucas, e que contextualizam o universo fantasioso do filme.

O vídeo mostra vários trechos do filme em sua forma bruta e testes de render realizados durante a produção. A Dogital Domain usou em muitas dessas cenas o V-Ray, principalmente para os personagens virtuais. Isso tem gerado discussões entre usuários e artistas, sobre a entrada definitiva do V-Ray na área de efeitos para cinema. Esse é apenas um dos trabalhos que fizeram uso do V-Ray como parte dos efeitos especiais. Outro caso foi um vídeo produzido pelo estúdio Blur para o trailer de um jogo, em que o software foi usado para criar os efeitos e o render final desse vídeo para o jogo FireFall.

A discussão é pertinente devido a fama que o V-Ray tem na área de visualização para arquitetura, e participação tímida no contexto dos efeitos especiais para cinema.

Essa discussão e a adoção do software em grande produções são sinais de que a industria está aberta a mudanças e sempre deve ganhar a atenção e holofotes na parte de produção, quem conseguir criar um software que tenham um bom custo benefício e que atenda as demandas dessas empresas no que se refere a ferramentas e velocidade para cumprir prazos.

Efeitos com partículas no Phoenix FD e 3dsmax

O mercado de computação gráfica destinado aos efeitos especiais com fogo e fluidos é dominado por várias empresas especializadas nesse segmento, podemos listar vários softwares que trabalham em conjunto com o 3dsmax para gerar esses tipos de efeitos. Entre os nomes estão o FumeFX, Thinking Particles, Krakatoa e vários outros. Agora o Chaos Group acaba de estrear nesse segmento com o seu Phoenix FD que tenta ganhar mercado frente a concorrência já estabelecida. Para que não conhece o Chaos Group, eles são os desenvolvedores do V-Ray e por muito tempo não tiveram outro produto com tanto destaque como o conhecido renderizador.

Na última Siggraph eles apresentaram ao mercado a sua solução para gerar efeitos com fluidos e partículas que tem como objetivo gerar simulações como essa:

Esse tipo de vídeo é típico dos softwares especializados em criar efeitos com partículas, gerando fogo e outros fenômenos atmosféricos que seriam muito trabalhosos de gerar sem ferramentas especializadas nesse tipo de efeito.

Mas, como isso funciona?

Para ajudar na divulgação do software o Chaos Group preparou vários tutoriais e guia sobre o software e os publicou no seu canal do Youtube. Um desses vídeos apresenta de maneira rápida o modo com que a ferramenta trabalha, que não é muito diferente do que já estamos acostumados em outras opções do gênero. O vídeo mostra como criar de maneira rápida efeitos relacionados a combustão.

O processo é simples e começa com a definição da área em que o efeito será gerado, processo muito semelhante ao que acontece em outras ferramentas como o FumeFX. Depois que a área do efeito está bem delimitada com um volume próprio, podemos selecionar um objeto que será o emissor das partículas. De maneira geral a animação parece ser bem fluida e rápida, mas isso se deve também pelo fato do hardware usado para gravar o tutorial ser de excelente qualidade.

Se você é usuário do 3dsmax e procura por opções integradas a interface do software para trabalhar com efeitos usando partículas e fluidos, deve considerar o Phoenix FD. Mesmo sendo novo nessa área o software apresenta vários efeitos avançados e deve ajudar muito a gerar simulações avançadas com fogo, líquidos e muito mais.

Tutoriais sobre animação e efeitos com Softimage ICE

Uma ferramenta que aparentemente seria esquecida no meio do vasto leque de softwares mantidos pela Autodesk é o Softimage, que depois de ser adquirido pela empresa levou vários usuários ao desespero. Ainda lembro-me de encontrar mensagens em fóruns especializados em que pessoas colocavam em cheque os esforços para se especializar na ferramenta, pois temiam que o foco da Autodesk ficasse direcionado para a dupla 3dsmax e Maya.

Para a alegria de muitos desses usuários esse esquecimento não se concretizou, e o Softimage aparece como uma das opções mais avançadas em termos de efeitos e dinâmica. O módulo ICE traz uma gama incrível de ferramentas e opções baseadas em sistemas de nós. Esse é um sistema semelhante ao que temos em vários softwares hoje em dia, e que permite criar elementos de grande complexidade.

Um desses exemplos é o sistema de física Lagoa Multiphysics que mostrei aqui no blog, usando o Softimage para gerar os efeitos e animações baseadas em física.

Se você tem curiosidade em aprender o funcionamento dessa ferramenta, encontrei vários tutoriais em vídeo gratuitos que podem ajudar a ter uma idéia melhor sobre o funcionamento do Softimage. Os vídeos estão hospedados no próprio web site da Autodesk e foram produzidos pelo pessoal da Digital Tutors com o Softimage 2011.

tutoriais-softimage-ice-2011.jpg

No total são dezesseis vídeos com os seguintes títulos:

  • Introdução ao Softimage 2011
  • Criando projetos e simulações simples com o Softimage ICE
  • Adicionando forças aleatórias na simulação com ICE
  • Usando partículas volumétricas e nós de densidade
  • Usando texturas para controlar a densidade de partículas
  • Entendendo a importância do tamanho das partículas e sua densidade
  • Criando uma chaminé (2 partes)
  • Usando o ICE para criar nuvens
  • Renderizando nuvens realistas (3 partes)
  • Controlando o render no Softimage
  • Renderizando chamas e fogo no Softimage (3 partes)

O material é de excelente qualidade e pode ajudar muitos artistas que tem interesse em aprender o funcionamento dessa ferramenta. Aproveite que as licenças educacionais para softwares da linha 2011 foram estendidas para 13 meses. Portanto, estudantes inscritos e aprovados no programa educacional da Autodesk podem fazer o download do Softimage 2011 para fins educacionais de maneira gratuita.

Curta-metragem mostra invasão alienígena em Montevideo

O estado atual das tecnologias e equipamentos de informática para computação gráfica, permitem que qualquer artista ou estúdio com habilidade técnica e um pequeno investimento, pelo menos em hardware, possa criar curtas ou vídeo de qualidade cinematográfica. Sempre digo isso aos meus alunos nas aulas sobre animação e efeitos, o que separa os grandes estúdios dos pequenos é a disponibilidade de equipamentos para renderização de efeitos complexos e grandes formatos. Os softwares e técnicas usadas por esses estúdios, tirando alguns sistemas dedicados como o Flame ou Inferno, podem rodar em qualquer computador.

Um grupo de artistas uruguaios mostra muito bem que com habilidade artística e aplicando as técnicas corretas é possível criar efeitos compatíveis com os melhores filmes. Eles produziram um curta-metragem que mescla atores reais e modelos 3d baseados em computação gráfica para mostrar a invasão de Montevideo por robôs gigantes e naves. A qualidade da animação e dos efeitos é excelente e não deve nada na qualidade. Esse é o vídeo:

Agora a pergunta que você deve estar se fazendo agora; quais softwares foram usados para a produção? A base para a produção foi o 3ds Max. Ele foi usado para fazer a modelagem 3d de todos os objetos e configurar as animações. Mas, assim como acontece em projetos mais complexos como esse, principalmente quando é necessário mesclar elementos gravados em vídeo com objetos virtuais.

Os artistas usaram além do 3ds Max o FumeFX, Glu3D e o Boujou.

O Boujou é fundamental nesse tipo de projeto, pois ele é uma ferramenta especializada e sofisticada para fazer câmera match e tracking, fazendo o trabalho de mesclar o material gravado em vídeo com os robôs em 3d fácil e rápido. O software é até mais caro que o 3ds Max, mas o resultado final e a velocidade na pós-produção compensam o investimento. O FumeFX foi o responsável pela criação dos efeitos de fumaça e explosões na animação, já comentei sobre esse plugin para o 3ds Max aqui no blog várias vezes. O Glu3D é um outro plugin para o 3ds Max, mas especializado na simulação de elementos com dinâmica de fluidos.

Apesar de não ser um tutorial, o vídeo é uma excelente demonstração de como é possível criar material de qualidade com o conhecimento certo e investimento em hardware. O estúdio responsável pela animação se chama Aparato, no web site deles é possível encontrar mais material desenvolvido para o mercado publicitário.