Entrevista com Vitor Balbio sobre desenvolvimento de Add-ons

Já faz um tempo que estou observando o crescente mercado que está se desenvolvendo em torno do ecossistema de ferramentas premuim do Blender. Você sabia que existem alguns Add-ons comerciais no Blender? Pode parecer um choque para muitas pessoas que estão acostumadas a obter tudo “de graça” no que se refere ao Blender, mas algumas das ferramentas mais incríveis em termos de criação no Blender hoje em dia são esses Add-ons comerciais. Um exemplo bem antigo de Add-on pago para o Blender era o B-Surfaces, que hoje está disponível de maneira gratuita junto com o Blender, e inclusive ensino a usar o B-Surfaces no Curso sobre técnicas de modelagem com Blender.

Existem até desenvolvedores brasileiros nesse mercado, e um deles é o Vitor Balbio que já apareceu aqui no blog com o seu incrível projeto ruínas, que inclusive está listado no meu livro sobre Jogos e Animações interativas com Blender. O Vitor Balbio criou uma ferramenta fantástica de animação para o Blender chamada Motion Tools, que está disponível para compra nesse endereço por 45 dólares. Mas, o que faz o Motion Tool? O vídeo a seguir demonstra muito bem o potencial do Motion tool:

Como provavelmente você não conhecia o Motion tolo ou o trabalho do Vitor Balbio, resolvi convidar ele para participar de uma entrevista e ele aceitou. Agora você vai conhecer um pouco da história do desenvolvimento do Motion tool e também dos desafios de criar Add-ons para o Blender. Você pode conhecer todos os Add-ons desenvolvidos pelo estúdio do Vitor Balbio nesse endereço.

Como está a sua relação com o Blender? Você trabalha como artistas freelancer? Está com o seu próprio estúdio?

Atualmente trabalho como sócio e diretor de criação da Cogumelo Sofworks, uma empresa carioca de desenvolvimento de ambientes interativos 3D. Lá utilizamos o Blender como a principal ferramenta 3D.

Como surgiu a ideia de criar o Motion Tools?

A ideia surgiu pela necessidade de criar animações no studio de forma procedural. Desenvolvemos o design do sistema durante 3 meses e começamos a codificar a uns 4 meses atrás.

Quais outros Add-ons você também criou e estão à disposição dos usuários de Blender?

Durante os ultimos 4 anos eu desenvolvi alguns addons, o mais bem recebido deles foi o BoolTool que facilita o processo com operações booleanas e que pode ser baixado de graça. O BakeTool (Para Bake de Texturas) e o MotionTool estão disponíveis para compra no BlenderMarket.

Você já tinha como objetivo compartilhar a ferramenta quando ela foi criada?

O MotionTool só foi desenvolvido pois tinha um viés comercial, de outra forma não seria possível investir o tempo e os recursos necessários no seu desenvolvimento.

Provavelmente ele seria uma ferramenta in-house bem mais simples do que é hoje em dia.

Quais desafios você enfrentou para desenvolver o Add-on?

Principalmente falta de documentação de algumas áreas mais complexas da API do blender.

Em quais tarefas o Motion Tools ajuda mais os usuários do Blender interessados em animação?

Principalmente para animação procedural e Motion Graphics. O Processo de animação para essas áreas com o blender (por keyframe) é bem cansativo e você muitas vezes necessita utilizar python para criação de efeitos procedurais, o MotionTool surge com uma interface de edição de nodes que facilita esse processo.

Como está sendo a experiência de oferecer o Add-on como uma ferramenta paga? O feedback dos usuários é positivo?

Bastante positivo! Nós superamos em muito nossa expectativa de venda para o MotionTool e o BakeTool para os 2 primeiros meses. O Feedback da comunidade sobre a utilização da ferramenta também é muito bom!

Quais conhecimentos você recomenda para artistas que tenham interesse de desenvolver seus próprios Add-ons?

Primeiro, aprender programação em python. Pode parecer um bicho de 7 cabeças mas programar em python é muito simples, requer uma dedicação inicial mas as possibilidades que se abrem depois compensam isso.

Como você encara a evolução do mercado em relação ao uso do Blender? Está evoluindo?

Eu vejo uma maior aceitação do Blender em pequenos e médios estúdios, principalmente para o desenvolvimento de ambientes interativos e jogos. Acho que o futuro do blender dentro da CGI é muito promissor e como ferramenta ela já supre praticamente todas as necessidades de um estúdio pequeno.

Qual dica você daria para usuários que estejam iniciando no Blender?

Estudar, Estudar, Estudar… se é isso mesmo que você quer fazer, você não vai se importar em ficar 4~6 horas por dia estudando… Ninguém consegue nada sem esforço, mas se você faz o que gosta, não é esforço é diversão.

Guia sobre expressões no After Effects

A criação de animações para o formato de vídeo envolve o uso de diversos tipos diferentes de gráficos e a capacidade de integrar diversos tipos diferentes de mídia dentro de um projeto dessa natureza. Nesse tipo de situação o After Effects é a opção mais usada para gerar animações e efeitos dentro de ambientes voltados para vídeo. Sempre que tenho a oportunidade de lecionar sobre o After Effects acabo passando um pouco sobre áreas um pouco mais avançadas do software, como é o caso do uso de expressões para gerar animações. Você sabia que é perfeitamente possível usar expressões no After Effects? Sim, pequenos scripts que ajudam a criar determinados tipos de animação.

As expressões são excelentes para criar animações automáticas e aproveitar características e propriedades entre camadas diferentes no After. Caso você nunca tenha usado expressões no software, recomendo a leitura de um pequeno guia que sempre passo para meus alunos em sala de aula, explicando em detalhes o funcionamento das expressões e passando vários exemplos.

A princípio o uso de expressões pode parecer um pouco assustador para pessoas que não tem o hábito de lidar com scripts. Isso é muito perceptivo quando abordo assuntos como o uso de Python com Blender, ou então ActionScript dentro do Flash. Mas, posso garantir que qualquer esforço dedicado a entender o funcionamento desse tipo de opção dentro do After Effects será de grande ajuda para incrementar os seus projetos.

No guia que recomendei é possível encontrar ilustrações e exemplos do uso de trigonometria e matemática aplicada as animações geradas no After Effects. Isso pode até assustar algumas pessoas, mas garanto que não é nada avançado, apenas a aplicação do que aprendemos no ensino médio.

Se você usa o After Effects ou gostaria de aprender como usar a ferramenta, é muito importante conferir o guia e também visitar o EAD – Allan Brito para se inscrever nos cursos sobre After Effects. Já existe um curso gratuito em andamento, e na próxima semana já devo lançar o próximo com assuntos um pouco mais avançados. Quem está só dedicando esforços em softwares 3d, recomendo expandir um pouco o seu leque de ferramentas, principalmente com opções voltadas para motion graphics.

Motion design como ferramenta educacional

O chamado motion design é uma das áreas do design que estuda e aplica princípios de animação para atribuir vida a objetos inanimados como textos e gráficos, para ilustrar idéias e outros conceitos. Essa é uma explicação extremamente simplificada sobre o que aborda e trata esse segmento importante do design. Uma das áreas pelas quais sempre me interessei muito no motion design é no suporte que esse tipo de criação pode oferecer a área educacional. Já faz um bom tempo que o artista especializado em motion design Jonathan Jarvis publicou um vídeo incrível chamado “The Crisis of Credit Visualized “. Esse vídeo mostrava de maneira simples como a crise de crédito de 2008 começou e seus efeitos. O material é excelente, e até hoje uso nas minhas aulas presenciais como exemplo de motion design.

Motion design after effects

Motion Design

O mesmo artista publicou mais um vídeo instrucional como encomenda da firma de investimentos Bridgewater. Um dos fundadores da empresa, chamado Ray Dalio, publicou um artigo explicando como funciona a economia. O artigo em si pode não despertar o interesse da maioria das pessoas, a não ser que você seja economista, mas para deixar e coisa interessante, didática e acessível para a maioria do público o Jonathan Jarvis ficou encarregado de ilustrar e animar o artigo. O resultado você pode conferir no vídeo a seguir que apresenta legendas capturadas de maneira automática pelo Youtube, com a opção de tradução automática para o português.

Além do conteúdo muito bem explicado e ilustrado, o tempo do vídeo impressiona! Qualquer pessoa que já teve a oportunidade de trabalhar com animação sabe que produzir qualquer conteúdo longo em animação pode se transformar em um grande desafio, e com softwares como o After Effects ou outros especializados em motion design.

Qual foi o software usado na produção dessa animação? O artista não deixa claro na sua página e sequer outros textos divulgando o projeto explicam como foi criada a animação, mas já posso adiantar que provavelmente foram vários softwares envolvidos na produção. É necessário ilustrar, animar e montar muita coisa para que apenas um software resolva tudo.

Se você quiser começar a trabalhar com esse tipo de projeto, recomendo uma visita ao curso básico gratuito de After Effects do EAD – Allan Brito. Assim você conhece a ferramenta principal de trabalho dos motion designers, e provavelmente a ferramenta mais usada na criação desse projeto.

Motion graphics e interfaces para o filme Oblivion

No início dessa semana publiquei aqui no blog um artigo sobre o making of dos gráficos e interfaces para o filme Tron Legacy, que foram produzidos pelo estúdio MN8. O assunto é muito interessante e nos últimos meses tenho encontrado cada vez mais material sobre o tema, e hoje compartilho novamente outro exemplo de motion graphics e interfaces para filmes, e agora para uma produção um pouco mais recente. Estou me referindo ao filme Oblivion, que ainda está sendo exibido em alguns cinemas e sendo o mesmo uma ficção-científica foi necessário criar toda uma interface e layouts de dados para ilustrar a interação dos personagens com os computadores da época.

motion-graphics-interfaces-oblivion

Um fato curioso em relação a esses gráficos é que o designer principal responsável por Oblivion é o mesmo que trabalhou em Tron Legacy, chamado Bradley Munkowitz. Qual o software usado para criar esses gráficos? A equipe de produção trabalhou basicamente com o Cinema 4D para a criação das interfaces e animações para o projeto. Aqui está um pequeno vídeo que agrega a maioria das interfaces apresentadas ao longo do filme:

O material é muito interessante para estudantes e profissionais interessados em trabalhar com esse tipo de produção, pois funciona como uma excelente referência e fonte de inspiração para criações semelhantes. O trabalho de seleção e exibição das interfaces já está feito funciona bem como fonte de informação.

Apesar do projeto ter sido desenvolvido no Cinema 4D, que por sinal é excelente para esse tipo de produção, é perfeitamente possível criar elementos semelhantes em outros softwares 3d, pois os gráficos para motion graphics como os apresentados nas interfaces do filme possuem grande enfoque na animação, e não em aspectos técnicos exclusivos de um determinado software. O que quero dizer com isso é que você pode criar elementos semelhantes usando praticamente qualquer software 3d.

Para saber mais sobre esse projeto em particular, e inclusive ler algumas descrições do que faz cada tela apresentada no vídeo, recomendo uma visita até o website do designer do filme para conferir mais explicações sobre o projeto. E se você se interessar em assistir o filme, ainda é possível encontrar o Oblivion em cartaz em alguns cinemas.

Motion graphics no filme Tron Legacy

A produção de um filme ou animação envolve diversos aspectos técnicos e artísticos que muitos de nós acaba deixando passar, pois não são óbvios do ponto de vista de quem não participa do processo criativo. Mas, em várias situações é preciso recorrer a artistas digitais para gerar interfaces de software, gráficos e efeitos futuristas, principalmente quando o tema do projeto é a ficção-científica. Esse é o caso de um filme muito interessante pela estética e efeitos que é o Tron: Legacy. Apesar desse filme não ter feito muito sucesso, eu particularmente gosto muito dele pelo visual e principalmente devido a excelente trilha sonora do Daft Punk.

Mas, o artigo de hoje não é para discutir os méritos cinematográficos ou musicais do filme, e sim sobre a parte de motion graphics! Um dos artistas responsáveis pela criação desses gráficos junto com o estúdio mn8 divulgou vários pequenos trechos de vídeos, que fizeram parte da produção do filme, e o cgrecord compilou a lista no seu web site. O link para assistir aos vídeos sobre o Tron: Legacy é esse! Ficou curioso para saber como são os vídeos? A seguir uma pequena mostra do material, mostrando a cena em que a dupla Daft Punk aparece no filme.

Existem vários pequenos vídeos como esse na coletânea, e mesmo você não sendo fã do filme, recomendo uma visita para conhecer esses pequenos trechos de vídeo que ajudaram na contextualização do mundo e cenários do filme. Essa é uma arte muitas vezes esquecida pelos animadores, mas que desempenha papel fundamental em contextos com o do filme e principalmente no mercado publicitário. O trabalho com motion graphics é uma arte a parte, tanto é que a maioria das grandes produções para o cinema, acaba contratando estúdios especializados apenas para criar vinhetas de abertura e encerramentos para seus filmes, apresentado gráficos mais elaborados.

Aqui no blog já comentei sobre outras produções para o cinema que também usaram de recursos com motion graphics avançados, como foi o caso dos vingadores. E como você pode perceber pelo exemplo desses vídeos de produção do Tron: Legacy o material foi todo produzido em softwares 3D.

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