Curta-metragem mostra invasão alienígena em Montevideo

O estado atual das tecnologias e equipamentos de informática para computação gráfica, permitem que qualquer artista ou estúdio com habilidade técnica e um pequeno investimento, pelo menos em hardware, possa criar curtas ou vídeo de qualidade cinematográfica. Sempre digo isso aos meus alunos nas aulas sobre animação e efeitos, o que separa os grandes estúdios dos pequenos é a disponibilidade de equipamentos para renderização de efeitos complexos e grandes formatos. Os softwares e técnicas usadas por esses estúdios, tirando alguns sistemas dedicados como o Flame ou Inferno, podem rodar em qualquer computador.

Um grupo de artistas uruguaios mostra muito bem que com habilidade artística e aplicando as técnicas corretas é possível criar efeitos compatíveis com os melhores filmes. Eles produziram um curta-metragem que mescla atores reais e modelos 3d baseados em computação gráfica para mostrar a invasão de Montevideo por robôs gigantes e naves. A qualidade da animação e dos efeitos é excelente e não deve nada na qualidade. Esse é o vídeo:

Agora a pergunta que você deve estar se fazendo agora; quais softwares foram usados para a produção? A base para a produção foi o 3ds Max. Ele foi usado para fazer a modelagem 3d de todos os objetos e configurar as animações. Mas, assim como acontece em projetos mais complexos como esse, principalmente quando é necessário mesclar elementos gravados em vídeo com objetos virtuais.

Os artistas usaram além do 3ds Max o FumeFX, Glu3D e o Boujou.

O Boujou é fundamental nesse tipo de projeto, pois ele é uma ferramenta especializada e sofisticada para fazer câmera match e tracking, fazendo o trabalho de mesclar o material gravado em vídeo com os robôs em 3d fácil e rápido. O software é até mais caro que o 3ds Max, mas o resultado final e a velocidade na pós-produção compensam o investimento. O FumeFX foi o responsável pela criação dos efeitos de fumaça e explosões na animação, já comentei sobre esse plugin para o 3ds Max aqui no blog várias vezes. O Glu3D é um outro plugin para o 3ds Max, mas especializado na simulação de elementos com dinâmica de fluidos.

Apesar de não ser um tutorial, o vídeo é uma excelente demonstração de como é possível criar material de qualidade com o conhecimento certo e investimento em hardware. O estúdio responsável pela animação se chama Aparato, no web site deles é possível encontrar mais material desenvolvido para o mercado publicitário.

Tutorial 3ds Max e Mental Ray: Configurando reflexões e materiais do tipo gelo

Na configuração de materiais e superfícies com características únicas em relação a interação com a luz, como metais reflexivos e líquidos uma parte relativamente importante que é omitida por artistas menos experientes é a reflexão dos desses materiais. Boa parte do efeito conseguido pela superfície de líquidos e materiais é derivada de reflexões geradas por objetos que estão ao redor da superfície. Por isso é que muitas vezes é interessante usar mapas do tipo HDRI para iluminar esse tipo de ambiente, pois as reflexões geradas pelo HDRI já ajudam muito na criação de materiais reflexivos.

Um excelente exemplo de como é possível criar objetos com materiais semelhantes a gelo pode ser visualizado no tutorial abaixo, que usa o 3ds Max para gerar o efeito, mas que pode servir de guia para artistas que usam outras ferramentas. O princípio é o mesmo para todos os softwares. No tutorial o artista começa com a modelagem de uma pedra de gelo, aplicando modificadores e ferramentas para deformar um cubo.

Depois que o modelo 3d está finalizado é hora de trabalhar na configuração do material. Para facilitar a configuração do material o artista usa um tipo especial de material do 3ds Max chamado de Arch & Design que disponibiliza vários modelos prontos para uso, com materiais comuns em projetos de arquitetura e design.

Nesse caso ele escolheu um modelo que representa de maneira realista água e superfícies com reflexão. Mas, ao renderizar a cena a surpresa é que a imagem representa de maneira muito pobre o que seria a reflexão necessária para trabalhar o material do tipo gelo.

O segredo mesmo para conseguir o efeito aparece no final do tutorial, em que o artista configura o plano de fundo do 3ds Max com uma cor bem clara e depois associa um shader especial chamado Environment Probe/Chrome Ball. Esse shader consegue simular de maneira realista a maneira um ambiente que gera reflexões próprias para objetos como água e líquidos que recebem reflexões geradas pelo ambiente. Isso é associado a um mapa especial que é responsável pelos reflexos do material.

Com esse shader aplicado é possível perceber a diferença no render final gerado pelo artista, e como esse tipo de detalhe faz a percepção do material mudar significativamente.

Como configurar a iluminação global no 3ds Max com o Mental Ray?

Na época em que ministrava aulas sobre o 3ds Max, sempre comentava com meus alunos um fato curioso em relação ao uso de renderizadores externos para o Max. Depois que o Mental Ray passou a ser integrado com o software, como forma da Autodesk incentivar o seu uso, ficou um pouco sem sentido a adição de outros renderizadores como o V-Ray ou Final Render, pois em praticamente todos os aspectos o Mental Ray supre as necessidades dos artistas, com opções avançadas de Ray Tracing e iluminação global.

Mas, dessa vez a Autodesk não conseguiu convencer muita gente, sobre a adoção em massa do renderizador. Qual o motivo? Simples, para saber é só pergunta a qualquer artista o que ele acha do Mental Ray e a maioria vai dizer que a curva de aprendizado dele é muito longa. Isso significa dizer que você precisa de muita prática e estudo para poder efetivamente dominar o software, por isso ele ainda encontra resistência em artistas que precisa de velocidade e rapidez nas soluções de renderização.

Para as pessoas que ainda estão aprendendo o funcionamento do Mental Ray, e quiserem começar a fazer alguns testes com o software, encontrei um tutorial bem interessante e simples, que inclusive usa uma das cenas que acompanham o 3ds Max. O tutorial mostra a configuração da iluminação global, usando um ponto de luz único, nesse caso uma luz do tipo omni.

O autor do vídeo explica os principais aspectos da configuração de uma cena com o Mental Ray, nesse caso o uso de Photons e do temido Final Gather.

O primeiro determina a quantidade de fótons usados na simulação da iluminação global na cena, que pode estar bem definida ou com pontos apresentado problemas. Por exemplo, um número pequeno de fótons gera aberrações, como pequenos pontos borrados nas superfícies. Com o Final Gather é possível refinar a simulação da luz, aumentando ou diminuindo o número do parâmetro Samples. Quando maior for o valor dos Samples, melhor ser a qualidade da iluminação final.

Agora tome cuidado com o valor usado, pois grandes quantidades configuradas no Samples podem literalmente prolongar em muito o tempo de render.

Com essa introdução, você já pode começar a criar as suas cenas com o Mental Ray no 3ds Max.

Introdução a animação 3d com o 3ds Max: Tutorial em vídeo e arquivo com exemplos

Essa dica é para as pessoas que estão estudando animação 3d com o 3ds Max, e gostaria de pratica um pouco mais com exemplos em vídeo. Um professor de animação 3d chamado David Fano, publicou no seu web site um ótimo tutorial com dicas sobre animação com o 3ds Max, que é perfeito para quem ainda está estudando e precisa de uma cena simples, mas que aborde os principais conceitos de configuração da cena, como os ajustes de curvas e posicionamento dos objetos.

O tutorial foi todo produzido com o 3ds Max 2009, portanto algumas coisas podem mudar, caso você queira tentar reproduzir o mesmo exercício em uma versão anterior.

O que mostra a animação?

A animação é bem simples e consiste em uma esfera, que vai quicando sobre um plano até que ela cai dentro de uma caixa. Assim que o movimento da esfera para, dentro da caixa, uma pequena esfera posicionada na frente da caixa muda de cor, simulando um aviso luminoso.

Pode parecer simples, mas a execução desse tipo de animação envolve vários conhecimentos úteis, e que podem ser aplicados em praticamente qualquer tipo de projeto envolvendo animação, com o 3ds Max.

Essa é uma lista do que você vai conseguir aprender ou reforçar, realizando a animação proposta no exercício:

  • Como adicionar keyframes com o Auto Key
  • Como adicionar keyframes com o Set Key
  • Ajustando o tempo e posicionamento de keyframes com o Track View
  • Animar configurações e parâmetros dos materiais
  • Alterar e ajustar o ponto pivot (centro) de um objeto para animação

Todos esses conhecimentos abordados no tutorial são básicos, mas de fundamental importância para um animador que queira desenvolver habilidades e investir em projetos mais complexos. No link indicado no início do artigo, você pode assistir a um vídeo com a demonstração da animação e fazer o download da cena usada no vídeo.

Se você não for usuário do 3ds Max, mas está estudando animação, esse pode ser um exemplo interessante para colocar a prova o que você já aprendeu até agora, pois as ferramentas e recursos usados no vídeo, está presentes em todos os softwares 3d.

Tutorial 3ds Max: Como criar animações com o Biped?

Apesar das ferramentas 3d hoje em dia oferecerem uma vasta gama de “facilidades”para que você possa fazer ou produzir uma animação, você deve ter consciência que muito do trabalhão ainda é manual, e depende na maioria das vezes na habilidade artística do animador. Veja o exemplo clássico do Biped do 3ds Max, que alguns usuários mais antigos devem se recordar como sendo o Character Studio, na época do antigo 3d Studio Max. O objetivo dessa ferramenta é oferecer ao artista um personagem bípede, com várias configurações e articulações prontas para animação.

Sempre que mostro esse tipo de ferramenta em aula, os alunos ficam muito animados. Principalmente quando eles conhecem a opção que permite configurar os passos do personagem e fazer com que ele ande de maneira automática, apenas ajustando a posição dos pés dele.

Isso é ótimo para fazer animatics, mas dificilmente um artista usaria configurações prontas para representar um personagem assim. Quer saber como essa ferramenta funciona?

Para exemplificar bem o funcionamento do Biped, encontrei um tutorial muito bom, dividido em duas partes. Nele um artista configura a animação de um personagem que precisa realizar um salto e agarrar uma barra, mas acaba caindo. No início do primeiro vídeo, antes de iniciar o tutorial o autor mostra o resultado final da animação.

Antes de assistir devo avisar, a narração do tutorial é em polonês polaco! Hein? Sim, o autor do tutorial é da Polônia, mas ele narra as ações do tutorial apenas nos primeiros minutos. Depois fica em silêncio e cria a animação.

Parte 1:

ANIMATION TUTORIAL PART1 from Lukasz Kubinski on Vimeo.

Parte 2:

Biped jump animation videotutorial part 2 from Lukasz Kubinski on Vimeo.

Repare que boa parte do trabalho ainda é manual, no primeiro vídeo podemos perceber que o personagem já aparece configurado e pronto para animação. Mesmo estando “pronto” ainda é necessário adicionar os keyframes e configurar os seus movimentos!

Os dois tutoriais juntos somam quase uma hora de trabalho, que foi acelerada para facilitar o aprendizado. Repare que depois de ligar o Autokey do 3ds Max o artista precisa ajustar o posicionamento e os keyframes do personagem diversas vezes, fazer testes e realizar correções no movimento para que a dinâmica fique da maneira como ele deseja.

Isso sim é um ótimo exemplo de animação!

Algumas pessoas ainda acham que existe um botão chamado CAI, que seria um acrônimo para Criar Animação Impressionante! Infelizmente esse tipo de ferramenta não existe e tomara que nunca seja criada, pois seria o fim da animação! Nenhum personagem teria características e nuances próprias.

Qual a moral da história? Mesmo sendo uma facilidade para animadores, as animações realizadas com qualquer ferramenta 3d, seja ela o Maya, 3ds Max, Softimage XSI ou Blender 3D requerem boa dose de ajuste manual.

A arte e prática do animador ainda são o diferencial!