3dsmax comemora 20 anos

A gama de softwares disponíveis para trabalhar com modelagem 3d e animação disponível hoje para quem está começando é bem diversificada. Podemos encontrar softwares caros e que oferecem diversos plugins e modalidades de extensão, assim como opções gratuitas e igualmente poderosas como é o caso do Blender. Mas, isso nem sempre foi assim e usuários interessados em trabalhar com computação gráfica tinham pouquíssimas opções para escolher, principalmente quando a internet estava apenas começando aqui no Brasil. Para muitas pessoas, assim como eu, a única e mais fácil opção foi começar trabalhando com o 3d Studio nos anos 90.

Sim, o software está fazendo 20 anos desde o lançamento da sua primeira versão e para comemorar a data a Autodesk que hoje é a responsável pelo desenvolvimento, organizou um web site muito legal para comemorar os 20 anos do 3dsmax contando a história e desenvolvimento da ferramenta.

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No hot site comemorativo é possível encontrar imagens das caixas para versões do 3d Studio Max e também do antigo 3d Studio, que funcionava originalmente em MS-DOS e que ainda é o nome conhecido por muita gente. Além das imagens com as caixas, podemos encontrar renderizações emblemáticas e que eram usadas para divulgação do software, assim como animações produzidas por estúdios famosos como o Blur.

Antes de trabalhar com o Blender, fui usuário do 3d Studio Max por muitos anos, trabalhando em escritórios e ministrando aulas de 3d. As minhas primeiras experiências com aula na parte de 3d foram com o longínquo 3d Studio Max R3. Naquela época os sistemas de renderização avançada como temos hoje em praticamente todos os softwares era um sonho muito distante, por vários motivos que englobavam o custo desses renderizadores e também limitações de hardware. Mesmo usando o mental ray naquela época, era preciso um sistema que agüentasse gerar iluminação global.

Para quem não teve esse tipo de experiência o web site é uma excelente referência como história da computação gráfica, pois é inegável a contribuição do 3dsmax para o mercado como um todo. Um dos maiores artistas e autor de diversas imagens usadas pela Autodesk no 3dsmax é entrevistado no site e conta um pouco das suas experiências. Se você não conhece o francês Pascal Blanché, recomendo ler a entrevista na íntegra, pois ele é um dos maiores nomes em termos de criação na área de computação gráfica 3d.

Efeitos especiais para o filme 2012 em detalhes

As grandes produções para o cinema e filmes publicitários são consumidores ávidos por material oriundo de estúdios e artistas 3d. Quase tudo hoje em dia pode ser simulado de alguma maneira pela computação gráfica, evitando que sejam gastas quantias exorbitantes com aluguel de locações e colocando em risco a produção, por fatores que fogem do controle dos diretores como o clima. Muitas pessoas me perguntam sobre as ferramentas usadas para criar determinados efeitos em filmes, ou mesmo se apenas uma delas é usada para gerar esse tipo de efeito.

O que acontece nos filmes é que diversas produtoras são contratadas para trabalhar em cenas específicas de filmes, fazendo com que uma grande variedade de softwares e ferramentas seja usada para cenas diferentes. Um caso clássico disso é uma cena do filme Avatar, em que uma cena de batalha na árvore dos Na'vi temos nos ângulos de câmera por trás da árvore cenas da ILM e por trás dos veículos a Weta.

Caso você tenha curiosidade sobre a produção de efeitos especiais para cinema, um artigo muito interessante e completo sobre o assunto foi disponibilizado pela Cebas. A empresa é responsável por muitos dos softwares usados para a produção dos efeitos do filme 2012. A revista 3d World fez uma reportagem especial sobre o assunto, e deixou a empresa reproduzir na íntegra o material no seu web site.

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O conteúdo é extremamente rico e detalhado, mostrando cenas importantes no filme junto com uma descrição das empresas e softwares usados para a produção do material. Por exemplo, aquela cena ícone do filme em que uma onda gigante atinge os Himalaias é descrita em detalhes. A empresa responsável por essa cena foi a Scanline VFX, usando uma equipe de 80 pessoas para criar um total de 90 tomadas de animação para a cena. Os softwares usados nesse caso foram o 3ds Max, Flowline e o V-Ray.

Outra cena impressionante no filme é a destruição completa de Los Angeles por um terremoto, que foi elaborado pela Uncharted Territory usando o 3ds Max e o plugin da Cebas Thinking Particles. O ponto interessante dessa cena é descrito no artigo como sendo a modelagem completa da cidade virtual que foi destruída. O pessoal do estúdio teve que modelar todos os prédios que seriam destruídos usando partículas por completo, sem usar truques ou técnicas para acelerar o processo.

Se você é curioso por material sobre computação gráfica e animação 3d, recomendo ler com cuidado o artigo completo para aprender mais sobre como os efeitos para esse filme foram criados.

Entrevista com Alessandro Lima sobre Computação Gráfica 3D

Já faz alguns dias que publiquei uma análise sobre o recém lançado livro ZBrush para Iniciantes escrito por Alessandro Lima. o livro é uma excelente referência sobre modelagem 3d e design para personagens, explicando em detalhes como funciona o processo de design usando esculturas. O autor do livro tem vasta experiência no design de personagens e projetos envolvendo jogos digitais. Para divulgar um pouco mais da sua experiência e contar sobre o livro e o mercado de jogos 3d no Brasil, o Alessandro gentilmente aceitou conceder uma entrevista, falando sobre sua carreira e mostrando um pouco do seu trabalho.

A entrevista ficou um pouco longa, mas é extremamente recomendada para estudantes e profissionais que desejam se profissionalizar nessa área tão concorrida. Para complementar ainda mais a entrevista, o autor relacionou uma bibliografia e dicas de web sites sobre computação gráfica nesse documento. No final você encontra os contatos do Alessandro Lima.

Espero que você goste da entrevista.

1. Allan Brito: Como você começou a sua carreira na área de Computação Gráfica?

Alessandro Lima: Eu comecei minha carreira em 2003 aproximadamente, um tempo depois de assisitir ao filme Final Fantasy – The Spirits Within, onde pensei comigo mesmo enquanto assistia a este: “ainda vou trabalhar com isto (Computação Gráfica), só não sei como, mas vou…”. Depois disto, uma sequência de eventos ocorreram, e de forma inesperada eu havia conseguido meu primeiro emprego na área: Maquetes Eletrônicas, pela Compumanager LTDA. Na ocasião eu havia feito vários cursos de CG, entre eles, um de 3ds max, a qual com meus conhecimentos (poucos na ocasião), juntamente com meu portfólio de desenho de mão, me deram condições de conseguir a vaga, até porque, na época, até de graça eu trabalharia se fosse para trabalhar com Desenho no computador. Fiquei 3 anos na Compumanager, sendo responsável por desenvolver os ambientes internos e eventualmente desenvolvia ambientes externos ou animações. Em 2005 tomei conhecimento de uma empresa de Jogos Digitais aqui de Porto Alegre, a Southlogic Studios, hoje, Ubisoft Unidade Porto Alegre e me interessei pela idéia de migrar para outra área, ainda dentro da Computação Gráfica. Como eu não tinha um portfólio específico, tive de trabalhar nisto e em 2006 eu estava na equipe deste Estúdio. Lá fiquei responsável por desenvolver Assets usados dentro dos jogos, bem como desenvolvia portfólio da empresa voltado ao tipo Next-Generation (Next-Gen). Foi uma época em que pude desenvolver conhecimentos sobre a área de jogos, o que, posteriormente, me favoreceu a participar de um Outsourcing, pela Southlogic para o Game Deer Hunter Tournament em 2008, publicado pela Atari. Nesta osasião, eu já estava na Aquiris Game Experience.

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Super Volei Brasil 1, jogo de Vôlei da Seleção Brasileira de Vôlei, a qual o ZBrush foi usado na correção de emendas em texturas.

A Aquiris desenvolve jogos para a Web, do tipo Advergames, que são jogos usados em campanhas de divulgação ou apresentação de produtos para a Publicidade e Propaganda. Neste estúdio sou responsável pelo desenvolvimento e criação de personagens de praticamente todos os jogos, fazendo desde a concepção muitas vezes, até modelagem, Layout UV, Texturização, Rigging, Skinning e algumas eventuais Animações. Evidentemente, os projetos dentro deste estúdio costumam ser desenvolvidos de maneira rápida, então estou em constante aprendizado em novos projetos, o que, para meu currículo, é ótimo.

Esta tem sido minha trajetório, sempre com muito esforço e estudo. Em meio a tudo isto, estou terminando minha graduação este ano pela Uniritter de Porto Alegre, em Design Gráfico e ao mesmo tempo desenvolvendo material de ensino, como estes meus livros. Para o futuro eu gostaria que me fosse possível continuar evoluindo na área.

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Tutorial com 90 minutos sobre modelagem 3d para design

O conhecimento de técnicas para modelagem 3d é essencial para qualquer pessoa que tenha um mínimo de interesse em trabalhar com computação gráfica 3d. Essas técnicas de modelagem estão basicamente divididas em duas grandes categorias que são a modelagem orgânica e a geométrica. Na área da modelagem geométrica existe um tipo chamado de hard surface modeling, que poderia ser traduzida para modelagem de objetos com superfícies sólidas. A modelagem desse tipo de objeto oferece desafios e problemas bem diferentes para os artistas, que os oferecidos pela modelagem orgânica.

Entre as diferenças está a organização da topologia dos modelos 3d que deve ser criada de maneira a facilitar a criação de áreas vazadas, ou com bordas suavizadas nos modelos 3d. Ainda existem algumas pessoas acreditando que o uso de modificadores ou ferramentas de suavização são suficientes para esse tipo de projeto, mas é na organização da malha como um todo que reside o segredo para criar modelos eficientes.

Quer um exemplo de hard surface modeling? A imagem abaixo mostra um projeto usando Maya e ZBrush que já apareceu aqui no blog, criado pelo artista russo chamado Vadim:

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Repare nas bordas e arestas do modelo 3d que aparecem na imagem. Existem edge loops posicionados de maneira estratégica em todo o modelo 3d.

Caso você tenha interesse em aprender mais sobre esse tipo de modelagem 3d, um artista especializado nesse tipo de criação, chamado Grant Warwick publicou um tutorial em vídeo com aproximadamente 90 minutos de duração mostrando como trabalhar esse tipo de modelagem.

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Boa parte do tutorial é destinada a manipulação de extrusões e criação de arestas suavizadas em modelos 3d, basicamente usando Edge Modeling. No método usado pelo autor do tutorial, o artista basicamente aproveita apenas as ferramentas de extrusão e adição de arestas nas bordas, para ter maior controle sobre a suavização das superfícies.

O vídeo está hospedado no Vimeo, e o artista liberou o arquivo fonte para download. Se você é usuário registrado lá, pode copiar o arquivo de vídeo com quase 800 MB de tamanho, ficando mais fácil acompanhar o tutorial. Apesar da narração em inglês, podemos acompanhar as dicas do tutorial de maneira bem simples, pois quase tudo é ao mesmo tempo descrito no áudio é exemplificado na prática.

Pesquisa sobre o mercado de computação gráfica 2009-2010

Assim como aconteceu no ano passado o site CG Genie acabou de publicar o resultado prévio de uma pesquisa de opinião realizada com usuários de softwares 3d, com o objetivo de estabelecer um ranking entre as ferramentas e passar uma boa idéia de como os usuários percebem e usam essas ferramentas. É importante ressaltar que esse tipo de pesquisa não tem caráter científico, ou mesmo valor para atribuição de mercados, pois o número de pessoas envolvidas é muito pequeno. Para acessar os resultados da pesquisa que são relacionados ao mercado de computação gráfica de 2009, visite o endereço indicado.

Mas, o que essa pesquisa diz? Como podemos interpretar esses dados?

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A pesquisa mostra diversos aspectos interessantes. Abaixo, compilei algumas das observações que fiz sobre a pesquisa e o mercado de computação gráfica:

  • O mercado está polarizado em soluções proprietárias e gratuitas, sendo liderados pela Autodesk e Fundação Blender respectivamente;
  • Entre as pessoas que responderam as perguntas da pesquisa a proporção de profissionais foi de 47%, sendo seguidos por 13% de estudantes e 37% de entusiastas que usam os softwares apenas por diversão;
  • Sobre a evolução dos softwares em relação ao ano passado, uma boa parte das ferramentas melhorou no conceito dos usuários. Mas, algumas delas caíram de qualidade em relação aos usuários. O Softimage, Lightwave, Maya e Cinema 4D estão relacionados entre os softwares que tiveram queda de qualidade;
  • Na análise do Marketshare de cada ferramenta as surpresas são a projeção de crescimento do Blender e do Modo, que devem cada vez mais chegar perto das ferramentas da Autodesk. Hoje os maiores marketshares da indústria são do 3ds Max, Maya e ZBrush;
  • Qual o maior retorno sobre o investimento? Na lista dos softwares que oferecem o melhor retorno sobre o dinheiro investido, temos o Modo e o Blender no topo da lista. Claro que o Blender é listado pelo investimento zero em software, e o Modo pela quantidade das suas ferramentas de modelagem;
  • Sobre a maneira com que as empresas ou instituições gerenciam e atualizam as suas ferramentas, as opiniões são bem diretas. A Autodesk dá muita atenção para o 3ds Max e deixa o Maya e Softimage de lado. A SideFX só não tem um marketshare maior de usuários devido ao alto preço do seu software, pois eles fazem um trabalho incrível. O Terragen é a grande surpresa dessa lista, que traz usuários muito satisfeitos em conjunto com os usuários do Blender. A avaliação da Fundação Blender foi muito positiva.

No geral é possível tirar algumas conclusões da pesquisa:

  • Um dos grandes destaques é o Modo 3D;
  • O Blender teria muito mais usuários se fosse mais fácil e rápido importar e exportar projetos do software para outras ferramentas;
  • A Newtek deve estar furiosa com o sucesso do Modo, já que o software é fruto de uma dissidência interna na empresa;
  • A Autodesk é vista como a grande vilã da pesquisa com usuários do Maya e Softimage insatisfeitos;
  • Se o Houdini 3D fosse mais barato, o Marketshare da Autodesk iria diminuir drasticamente;

E você, o que pensa da pesquisa?